segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Utopia Azul no Palácio D.Manuel / Jardim Público

Exposição Colectiva

Apresentação

Tendo como ponto de partida a Cor Azul, ou melhor, nas palavras do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe (1810), o “efeito estranho, quase indizível”, que o Azul tem sobre o nosso olhar, fazendo-nos sentir “atraídos por ela”, pois é energia “feita cor” que nos “estimula e acalma simultaneamente”, e tomando como referencias fundamentais o significado e a importância deste valor cromática. Yves Klein (1957), domina nas suas composições monocromáticas, conferindo-lhes uma expressividade de grande depuração.
Promover a concepção e realização de uma exposição transfronteiriça de carácter internacional, optimizando as valências ibéricas num projecto de cooperação aberto à participação eclética contemporânea, por forma a possibilitar uma reflexão artística e intelectual sobre a identidade humana é um dos princípios básicos da UTOPIA AZUL.
Apresentar a cor azul como metáfora plástica da arte e da ciência, ou da criatividade, enquanto afirmação da liberdade ou do desejo humano de liberdade. Essa, que se manifesta, em primeira lugar, através da ruptura com o conceito de Fronteiras (materiais e imateriais). Derrubadas as fronteiras, emerge um novo conceito, o da Universalidade, outro dos valores inerentes. O Azul, metáfora da liberdade e pista interpretativa, elo condutor para a reflexão e criação de novas sinergias.
O Azul como suporte cromático dos conceitos abstractos, visualizadas na arte, directamente ligados à pratica cientifica ou à dimensão da realidade que mensurada pela ciência. Artistas e cientistas, com a capacidade de projectar cenários e “ imagens de pensamentos”, como solução dos problemas a enfrentar. O resultado das suas capacidades de “ imaginação” como uma habilidade criativa básica de observar fenómenos naturais acima e alem do visível. Isso e um contributo para desencadear a comunicação e auto - compreensão da sociedade.
Devem ficar expressas logo na presença de diferentes géneros criativas como: a arquitectura, escultura, pintura, instalação, vídeo-curta, banda desenhada, fotografia, artes gráficas, performance, musica, teatro, literatura, humanidades, etc. e no cruzamento dos mais variados suportes: pictórico, gestual, sonoro escrito. Diversidade que procurará corresponder à pluralidade das sensibilidades presentes.
Um projecto como “ UTOPIA AZUL” possibilita aos participantes e intervenientes a oportunidade em participar na construção e reflexão sobre uma identidade contemporânea e artística baseada na cooperação e quebra de fronteiras necessária e premente, participantes e intervenientes propiciam aos destinatários pontos de meditação e interpretação.
Pretende-se que este seja um pretexto que motive a aproximação dos indivíduos e das sociedades a uma arte e ao conhecimento que em vez de lidar com o reconhecível ou cumprir o previsível, seja capaz de acrescentar novas dimensões sensitivas à realidade conhecida.
A escolha de Évora para a realização da exposição não é, neste contexto, aleatória. Pois, sendo Évora uma cidade influenciada de diversas culturas dos nossos antepassados, quais são visíveis através de obras de arte, acompanhar e influenciar o nosso quotidiano, possibilita uma construção mais próximo de interligação do passado - presente e futuro. Como Évora, no contexto Europeu, e uma cidade periférica em relação aos principais centros artísticos, está menos sujeita às pressões das politicas culturais e às exigências do mercado de arte, oferecendo, por isso, um ambiente propicio à reflexão e ao debate que a exposição deseja despoletar entre os espectadores.
Nota Final
A promoção de um projecto com as características de “UTOPIA AZUL” demonstra percepção da realidade social e cultural onde se está inserido; exibe dinamismo junto da opinião publica e dos elementos que constituem e contactam com a instituição, bem como a capacidade de intervenção, real e prática, junto daqueles que nela depositam expectativas e simultaneamente são a sua razão de existir.

Mathilde Amberger
Paulo Simões Rodrigues, historia de arte

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