sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Évora cria gabinete de apoio a vítimas de homofobia e violência doméstica

"Alentejo de Diversidades” tem como principais objectivos a prevenção da homofobia e da violência dentro da família (independentemente da orientação sexual das pessoas afectadas) e, particularmente, dentro da relação entre pessoas do mesmo sexo, através de apoio, informação e sensibilização.

Um gabinete de apoio a vítimas de homofobia e de violência doméstica, o primeiro do género em Portugal, abre este mês em Évora, revelaram os seus mentores na apresentação do projecto “Alentejo das Diversidades”, que teve lugar esta semana no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Évora e contou com a participação da Secretária de Estado da Igualdade, Elza Pais, e da Presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, Teresa Fragoso, entre outras individualidades.

O projecto assenta numa parceria entre a associação Opus Gay e a Câmara Municipal de Évora e conta com o apoio do Fundo Social Europeu, do QREN e da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género.

“Alentejo de Diversidades” tem como principais objectivos a prevenção da homofobia e da violência dentro da família (independentemente da orientação sexual das pessoas afectadas) e, particularmente, dentro da relação entre pessoas do mesmo sexo, através de apoio, informação e sensibilização. Conta com grupos de auto-ajuda e de aconselhamento constituídos por uma equipa multidisciplinar, incluindo ainda a realização de acções de informação e sensibilização a técnicos especialistas e a todos os que mostrem interesse nesta área temática, bem como iniciativas de sensibilização para a população em geral.

Trata-se de um projecto inovador que procura colmatar as falhas existentes, principalmente ao nível da estigmatização social e exclusão, contribuindo assim para a inclusão na cidadania. Pretende ainda implementar um conjunto de acções de parceria com outros agentes públicos e privados, construindo uma resposta em rede, com vista à prossecução de uma estratégia concertada.

O Gabinete de Apoio e Aconselhamento “Alentejo das Diversidades” fica localizado na Rua de Machede, 53A (edifício das Juntas de Freguesia), podendo os contactos com os técnicos ser feitos pessoalmente ou através do telemóvel 966 768 432 (Linha de Apoio Permanente) ou do e-mail: contraoabuso@gmail.com ou em www.opusgay.org/Centro_Acolhimento.html

Na cerimónia de apresentação, o Coordenador do “Alentejo das Diversidades”, João Cunha, efectuou uma breve apresentação do projecto e falou dos seus principais objectivos, anunciando também a criação do gabinete de apoio que conta com uma equipa multidisciplinar para trabalhar em parceria com outras instituições e prestar auxílio a pessoas vítimas de homofobia ou de violência doméstica e inclusive ajudar também os abusadores que quiserem ser ajudados a não mais maltratar os outros.

Seguiu-se uma intervenção proferida pelo Presidente da Associação Opus Gay, António Serzedelo, cujas primeiras palavras foram de agradecimento à Câmara de Évora, nomeadamente à Vereadora da Cultura, Cláudia Sousa Pereira, pelo seu empenho na dinamização deste projecto e no encontrar de um espaço para o acolher em Évora.

Falou também dos motivos e princípios do projecto, sublinhando a importância dos poderes locais nas lutas pela cidadania e pela igualdade como investimentos culturais que se reflectem no tecido económico e a necessidade premente de se combater a violência doméstica, o machismo, o sexismo e a homofobia na sociedade portuguesa, apontando como o mais recente exemplo, na senda de que são vítimas dezenas de mulheres em Portugal, o assassinato do cronista Carlos Castro.

A oradora seguinte foi a Vereadora da Câmara de Évora, Cláudia Sousa Pereira, que deu as boas vindas e agradeceu a presença de todos, manifestando a sua satisfação pela celebração deste protocolo.

Salientou e agradeceu o empenho político da Secretária de Estado da Igualdade no sucesso deste projecto e também em matérias nacionais como a do combate à homofobia e à violência doméstica que convocam também, a nível local, a participar nesse combate e a investir em acções nestas áreas, trabalhando para a inclusão e igualdade e em prol do cumprimento dos valores da República.

Reconheceu as dificuldades do percurso, nomeadamente do que tem sido feito pela Associação Obra Gay no decurso do seu trabalho, agradecendo por Évora ter sido o território “eleito” pelo projecto e frisando o empenho de todos os envolvidos da autarquia na concretização deste.

Sublinhou ainda a necessidade de promoção deste tipo de iniciativas que trazem à luz graves problemas que importa resolver e que foram ignorados e escondidos durante séculos, fazendo votos para que esta seja “uma resposta social que, aberta a uma cultura de contemporaneidade, humanismo e inclusão, onde se convocarão diferentes parceiros socioculturais, permaneça na cidade e na região”.

A Secretária de Estado da Igualdade, Elza Pais, felicitou a Vereadora Cláudia Sousa Pereira e o Presidente da Câmara pelo empenho na concretização deste projecto, realçando também o papel do Governo Civil de Évora na afirmação dos direitos humanos e na luta contra a violência doméstica e falou de alguns aspectos do trabalho político e legislativo que o Governo realiza nestas áreas.

“Lutar contra a homofobia, lutar contra a violência doméstica, lutar contra qualquer tipo de discriminação, é lutar pela defesa de uma sociedade mais justa, mais igualitária, onde todas as pessoas sem excepção, nas suas diferenças, tenham as mesmas oportunidades”, afirmou, considerando também que o compromisso da autarquia eborense “é um compromisso pioneiro no nosso país” .

No que concerne ao trabalho realizado a nível nacional, a governante deu como exemplo três planos recentemente aprovados, um que respeita à igualdade, outro contra o tráfico de seres humanos e um contra a violência doméstica, sendo seu objectivo chegar aos locais mais recônditos do país e envolver toda a sociedade civil, as autarquias e as empresas, por forma a conseguir “um Portugal mais justo e mais moderno ao nível dos valores”.

Esta cerimónia contou também com dois momentos culturais e lúdicos, proporcionados pela actriz Carmen Filomena (que leu poesias de Florbela Espanca, Fernando Pessoa e Alda Lara) e pela actuação do grupo “Vozes do Imaginário”, os quais deixaram muito agradados todos os participantes no evento.

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