quinta-feira, 21 de julho de 2011

O Antigo Carro da Água


CARRO DA ÁGUA DA CÂMARA MUNICIPAL DE ÉVORA

Denominação: carro da água/camion-tanque/carro da rega/camioneta de rega
Função: rega/lavagem das ruas, largos, praças e Rossio (principalmente na época da feira e nos dias de mercado)
Data de aquisição: 1926
Início e cessação de actividade: 1927 e 1958/1963
Fabrico: francês
Marca: Arroseuse/Laffly/L.C.2
Lotação: 2
Motor: 4 cilindros (diâmetro 90 mm; curso 130 mm), 4 tempos
Caixa de velocidades: 4 velocidades e marcha-atrás
Suspensão: molas de lâminas direitas, à frente e atrás
Tipo de carroçaria: cisterna
Capacidade do tanque: 2.244 litros (estado regular)

O antigo carro da água é uma peça rara no meio automobilístico e única na história local, que se encontrava em elevado estado de degradação, tendo optado a autarquia por o restaurar, devido ao seu valor patrimonial.
Hoje em dia, é possível ver o carro novamente pelas ruas da cidade, nalgumas ocasiões especiais, imagem que estimula as lembranças da gente mais velha, enquanto que a mais nova fica curiosa e aprende a história local.
Este tipo de carro era também utilizado noutras cidades, nomeadamente em Lisboa, devido à sua imprescindibilidade para a higiene pública.
O carro foi adquirido pela Câmara de Évora, em 1926, à Casa Specia, L.da – Société Portugaise d`Expansion Commerciale, Industrielle et Agricole, L.da., situada, na época, no n.º 9 da Praça de D. Luiz, em Lisboa, e o seu custo final foi de 53.235$00.
A 5 de Maio de 1927 o carro foi entregue em Évora e esteve em circulação durante quatro décadas, até aos anos 60 do século XX.

No Rossio, a camioneta da água da Câmara andava pelos arruamentos definidos no recinto, molhando a terra solta e escaldante, baixando o pó e levantando um cheiro a barro húmido e quente. Durante os dias da feira repetia várias vezes o mesmo circuito. O tempo de fazer uma volta e de ir reabastecer-se era suficiente para que tudo secasse. Este autotanque dos “tempos pré-históricos” tinha nas rodas aros de borracha maciça em vez de pneus e uma sineta que o motorista badalava, avisando tudo e todos da sua aproximação, espalhando água. Correndo ao lado dos jactos que lançava, a garotada aproveitava para um “duche” municipal.
Por uns momentos tudo ficava depois mais fresco e sem poeira…
in A. M. Galopim de Carvalho, O Autotanque in O Cheiro da Madeira, Editorial Notícias, [1993], p.141.

Núcleo de Documentação
Texto de Maria da Conceição Rodrigues Rebola - Bibliografia
REBOLA, M.C., DUARTE, J., (no prelo) – O carro da água de Évora -Autotanque Laffly, LC2, Arroseuse (1926) in A Cidade de Évora, II série, n.º 8, Câmara Municipal de Évora.

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