quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O Bicentenário das Invasões Francesas



A célebre Guerra Peninsular (1807-1814), cuja primeira parte é conhecida como Invasões Francesas a Portugal, sucedeu no início do século XIX, na Península Ibérica, considerando-se o evento mais amplo das Guerras Napoleónicas. Portugal, Espanha, Grã-Bretanha e França foram os países envolvidos no conflito, e teve mesmo repercussões na independência da América Latina.
Napoleão teve uma tentativa falhada de ocupar Inglaterra e posteriormente, em 1806, optou por criar o Bloqueio Continental com o objectivo de isolar economicamente as ilhas britânicas. Devido à nossa tradicional aliança com Inglaterra, Portugal não cumpriu o decretado por França.
Como estratégia, Napoleão realizou um acordo secreto entre si e Espanha, estabelecido no Tratado de Fontainebleau, a 27 de Outubro de 1807, em que passou a ser possível a passagem de tropas francesas pelo território espanhol para invadir Portugal, a divisão do reino e suas dependências por ambos os signatários.
As tropas francesas alcançaram a fronteira portuguesa, a 20 de Novembro de 1807, não encontrando resistência militar. D. João, o príncipe regente, optou por uma manobra politica, deslocando-se para o Brasil, a bordo de uma larga esquadra naval, protegida por naus britânicas, que na época, em Portugal, foi retratada como a fuga da corte que criou o caos e abandonou riquezas.
Actualmente a historiografia considera que D. João tentou não hostilizar franceses e ingleses devido ao seu grande poderio militar. Quando soube que Napoleão ordenara às tropas francesas o avanço e o derrube da Casa de Bragança, preferiu não ser detido e forçado a uma abdicação formal, mantendo, deste modo, a sua soberania intacta. Por outro lado, ordenou para que os franceses fossem bem recebidos, de forma a evitar massacres.
Os franceses atravessaram o país sem travar qualquer combate, sob o comando do General Jean-Andoche Junot que irá governar o país durante vários meses e colocar franceses nos cargos de relevo, permanecendo o norte e o sul do país ocupado por tropas espanholas.
Todavia, com a tomada de várias cidades do norte de Espanha, por parte de mais tropas francesas e com a colocação no trono de Espanha, do irmão de Napoleão, José Bonaparte, os espanhóis revoltaram-se em várias povoações. A 23 de Maio é proclamada em Sevilha uma Junta Suprema do Governo de Espanha, notícia que chegou rapidamente a Portugal.
Em Portugal, já havia vários apelos à revolta e a 9 de Maio de 1808 o príncipe regente, no Brasil, declarou nulos os tratados de Portugal com a França, e guerra aos franceses e amizade ao seu antigo aliado, a Grã-Bretanha.
Vários são os combates que se dão por Portugal. Dois dias depois do massacre em Évora (29 de Julho de 1808) dá-se o desembarque de tropas inglesas e o fim da primeira invasão francesa.
Ocorreram ainda mais duas invasões de tropas francesas e a guerra em Portugal termina a 5 de Abril de 1811.

O MASSACRE DE ÉVORA (29 de Junho 1808)
Foi com as forças comandadas por Loison, o mítico “Maneta”, do qual derivará a expressão popular “ir pró maneta”, que se deram vários massacres indiscriminados, destacando-se o à cidade de Évora, a terceira do reino, pela violência que aqui se viveu. Esse dia fatídico, foi a 29 de Julho de 1808, na parte da tarde, no qual morreram cerca de mil pessoas, quer em combate, quer em posteriores execuções sumárias.
Junot entregou a Loison uma divisão de seis mil infantes e cinco esquadrões de Cavalaria, enquanto as forças que defendiam a cidade dispunham de poderosos meios de artilharia mas não totalizavam mais de dois mil homens.
A dificuldade para o inimigo foi a de passar a Porta de Alconchel, defendida pelos atiradores que guarneciam a desaparecida capela de Nossa Senhora da Ajuda, edificada sobre a referida porta. Durante uma hora a porta foi defendida, destacando-se a bravura dos monges do Convento dos Remédios.
A seguir, facilmente se deu a mortandade da população.
Escreve Frei Manuel do Cenáculo Villas Boas, então arcebispo da cidade:
“...no dia fatal de 29 de Julho fomos atacados pelo numeroso exercito de nove para dez mil homens francezes, commandados pelo general em chefe conde do Imperio, Loison, [...] Corri para a minha cathedral e no meio do confuso alarido, do estrondo dos canhões mandei propôr capitulação; [...] Então foi que elles á vista das minhas humilhações e supplicas deram indicios de que mudavam o parecer em que vinham [...]”
A cidade foi totalmente saqueada, perdendo-se o riquíssimo recheio das igrejas, tal como o próprio anel do arcebispo.
Na Catedral, foi hasteada a bandeira francesa na mais alta das três torres e Loison juntamente com os oficiais superiores ficaram nos aposentos do palácio arquiepiscopal.
Frei Manuel do Cenáculo Villas Boas teve um importante papel, pois evitou uma maior tragédia ao ter conseguido acalmar Loison.
As Lápides Comemorativas são dedicadas ao arcebispo eborense Dom Frei Manuel do Cenáculo Villas Boas (por proposta do Sr. Vereador António Barata, no ano de 1887)


Texto: José Frota

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