terça-feira, 27 de setembro de 2011

Aqui há Baile, entre 29/9 a 01/10

Em Portugal, os séc. XIX e XX trouxeram o "progresso": os grandes e rápidos meios de comunicação, e um lugar na chamada aldeia global. Concomitantes com as alterações sociais, foram-se perdendo as funcionalidades de actividades lúdicas como as danças. No "Aqui há baile", propõe-se um novo contexto para a continuidade de algumas danças. Com ênfase no Alentejo, mas sempre em confronto com outras práticas, neste caso, que nos chegam da Galiza.
O programa conta com oficinas de dança do alentejo, o baile dos corpos extraordinários, espectáculo com a Cia. Nova Galega da Dança, oficinas de dança para crianças.
Pretende-se criar um espaço para a divulgação e salvaguarda do património tocado e dançado português, num contexto de desenvolvimento integrado de regiões deprimidas mas com elevado potencial de vida própria.
A apreciação das danças portuguesas e das formas renovadas de as contextualizar nos nossos dias terá tanto mais relevância quanto mais se confrontar com o panorama internacional que trabalha estas mesmas danças de raiz popular. Assim, o carácter internacional mantém-se presente neste evento, tal como em outros eventos da PédeXumbo.
Apesar do devir dos tempos, existe cada vez mais um público interessado em conhecer os repertórios da nossa dança e música tradicionais, bailadores e tocadores, muitos deles bastante jovens, que insistem em não deixar desaparecer nem “museificar” as danças e músicas regionais. Para além destes, professores, animadores culturais, membros de grupos etnográficos, e enfim, curiosos da dança e música em geral, poderão encontrar no Aqui Há Baile um espaço privilegiado de partilha de saberes e experiências, onde poderão variar ou complementar a sua formação.
Do livro Campo Maior, Cantar e bailar as saias de Francisco Galego. O texto aqui mencionado é de José da Silva Picão, lavrador de profissão e natural de Santa Eulália, aldeia do concelho de Elvas.
“Os Bailes - Os genuinamente populares, conhecidos por balhos de candeia e de porta aberta, consistem em diversos bailados ao som do cante dos rapazes e raparigas, com acompanhamento do indispensável pandeiro e das castanholas, em certos casos. Para variar, também dançam polcas, mazurcas, valsas e contradanças, ao toque de guitarra ou de harmónio, o que depende se apareça tocador que se ofereça, ou se preste a tocar mediante pedido e oferta de beberetes, em advertimentos vulgares de gente pobre, que se remedeia e até prefere, a cantoria ao toque.
Figurando no balho pessoal sabedor, entra-se por tudo o que se conhece de antigo e moderno, desde os fandangos e a pombinha branca ai Dom Solidom, até à contradança marcada .... à francesa, em termos estropiados.
Mas o que toma mais tempo são as “saias”, com as voltas correspondentes, ao som de cantigas e do pandeiro, acompanhadas por estalos sonoros dos bailadores, com os dedos polegares e os máximos, das mãos.
As “saias” nada têm de gracioso nem difícil, mas agradam de preferência por ser o género que melhor se quadra às cantorias de predilecção popular. É aí que os cantadores afamados exibem as suas faculdades vocais e poéticas, que embasbacam os ouvintes apreciadores. Ao mesmo tempo, a simplicidade do bailado permite o acesso dos menos entendidos, dando lugar a que se divirtam, saibam ou não”.
Porque a dança pertence ao terreiro, porque hoje em dia novas vivências voltaram a dar espaço nas nossas vidas a esses repertórios quase esquecidos (saias, contradanças, mazurcas e fandangos), este projecto pretende criar condições para o encontro informal entre quem dança e quem está desejoso de dançar. Deste contacto espera-se uma renovação e um novo estímulo para os saberes, tanto de quem toca, como de quem dança. Em Portugal existem velhos e novos bailadores e tocadores de instrumentos tradicionais, possuidores de um vasto repertório de músicas tradicionais para dança, mas que, fora do contexto dos ranchos folclóricos, têm alguma dificuldade em arranjar enquadramento para esse saber. No Aqui Há Baile esses saberes poderão ganhar renovada vida.


PROGRAMA

QUINTA-FEIRA, 29 SETEMBRO
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21.30h // Baile dos CORPOS EXTRAORDINARIOS
Teatro Garcia de Resende

23.00h // Caderno de Danças do Alentejo Sergio Cobos & Convidados
Espaço Celeiros


SEXTA-FEIRA, 30 SETEMBRO
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10.00h // Formação “Animação com Dança Tradicional”. Formador: Mercedes Prieto
Espaço Celeiros

16.00h // Visita guiada por Évora. Tema: Évora Medieval
Ponto de encontro no posto de Turismo.
A visita finalizará no espaço dos Celeiros para iniciar a aula de danças do alentejo.

17.30h // Lengas-Lengas Dançadas, orientado por Grupo Coral Feminino de Viana do Alentejo
Espaço Celeiros

19.00h // Danças do Chipre, orientado por Panayiotis Theodorou
Espaço Celeiros [a confirmar]

21.30h // TRADICCIÓN _ Nova Galega De Dança
Teatro Garcia de Resende

23.00h // EXPERIMENTAR NA M'INCOMODA
Espaço Celeiros


SÁBADO, 1 OUTUBRO
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10.00h // Formação “Animação de Bailes”. Formador: Mercedes Prieto
Espaço Celeiros

11.00h // Oficina de Danças Portuguesas para Familias, orientado por Ana Silvestre
(espaço por confirmar)

16.00h // Oficina de Danças Portuguesas, orientado por Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra, GEFAC
Espaço Celeiros

18.00h // Oficina de Danças do Alentejo – Demonstração do Varapau, orientado por Rancho Folclórico do Cano - Sousel
Espaço Celeiros

21.30h // VOCÊ ESTÁ AQUI _ GEFAC (Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra)
Teatro Garcia de Resende

23.00h // ENCONTROS DE MÚSICA E DANÇA (aberto à improvisação, convite a todos os músicos e dançadores)
Espaço Celeiros

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