quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Os cafés à conquista do espaço público em Évora

 


Surgidos em Inglaterra em meados do século XVII para servir os membros da nobreza, a burguesia ascendente e as pessoas instruídas, os cafés eram,, por excelência, espaços sociais dedicados a quem tinha por hábito tomar a bebida do mesmo nome, o chá ou o chocolate e pretendia fazê-lo num ambiente discreto, dissertando sobre a vida, a política, a poesia ou as artes. Pouco depois a sua frequência abria-se à classe média, nomeadamente aos mercadores e aos lojistas e os cafés deixavam de ser locais de carácter privado ou semi-privado para se transformarem em espaços públicos onde se trocavam ideias livremente, se aguçava o espírito crítico ou se organizavam debates do mais diversos teores.


O sucesso dos cafés foi pois imediato. No final da primeira década do século seguinte existiam só em Londres 3.000 coffee houses. A inovação galgou o Canal da Mancha e instalou-se em França, ainda que esta lhe tenha introduzido a possibilidade de servir também licores e cervejas. Em Inglaterra as bebidas alcoólicas, desde que destiladas, também ganharam o seu espaço em que o vinho, esse sim, era verdadeiramente interdito. Todavia Carlos II tentou suprimi-los alegando que ao serem frequentados por toda a gente sem excepção, se tornavam ideologicamente perigosos, albergando focos difusores de pensamentos revolucionários e subversivos que propalavam a liberdade, a igualdade e o republicanismo.


A eliminação dos cafés em território britânico processou-se de forma tão rápida quanto o seu crescimento. O soberano incentivou a criação de salões de chá e o aparecimento de bares, reconhecendo aos proprietários a prerrogativa de reservarem ou limitarem o direito de admissão. Coube à França a preservação e o desenvolvimento deste tipo de estabelecimentos que vieram a cotarse como poiso ideal de reunião dos idealistas e iluministas franceses. Era ali que se encontravam, mormente no famoso “Procope”, fundado em 1686 e ainda existente na Rua da Ancienne Comédie, para conspirar, escrever textos e redigir panfletos, figuras como Voltaire e Rousseau e mais tarde os enciclopedistas e o chamado «Clube dos Jacobinos». Luís XVI enviava frequentemente espiões aos cafés para saber se se tramava alguma coisa contra ele.

Houvesse ele dado crédito ao que prometiam Danton, Robespierre e Marat e talvez tivesse evitado ser guilhotinado com sua mulher Maria Antonieta em 1789. Dois anos antes tinha aberto em Portugal, em pleno Rossio lisboeta, o Café Nicola, local onde se vendiam cafés e refrescos e se cozinhavam pequenas refeições. Frequentado por jacobinos e mações, depressa se transformou em lugar de troca de ideias, discussões literárias e propaganda de opiniões. Em 1778, na Praça do Comércio, apareceu o “Café da Neve” que depois passou por vários nomes entre os quais o de “Café dos Jacobinos” até chegar em meados do século XIX à designação actual de “Café Martinho da Arcada”, ponto de encontro dos escritores do tempo. Em Évora só já no último quartel do século, mais concretamente em 1886, apareceu o “Café Esperança”, um estabelecimento que vendendo café e outras bebidasfuncionasse também como tertúlia política ou como local público de discussão, conversa e alguma agitação social. Silva Godinho, um excelente investigador autodidacta eborense já falecido, escreve em “Temas quinhentistas”, publicados na I série do boletim de cultura municipal “A Cidade de Évora”, que era ali, na rua da Porta Nova, junto ao arco, que entre umas chávenas de café ou uns goles de cerveja, a burguesia local se entretinha no cavaqueio político e comercial com os noticiaristas do “Diário de Évora” ou do “Manuelinho”, sempre de orelha à escuta de novidades.

O “Café Esperança”, propriedade de Estevão de Oliveira, que viria a tornar-se republicano e grande activista da Associação do Registo Civil, tinha para servir aos seus clientes café e cervejas de todos os tipos, rum, gin, aguardente, genebra, anis, conhaque superfino e licores variados, além de conservas de hortaliças e também peixes de diversas qualidades. Era o paradeiro favorito dos amanuenses, dos militares e dos lavradores endinheirados. Fechou em 1911 porque o seu proprietário decidiu enveredar por outro tipo de negócios.Quase a findar a centúria inaugurava-se na Praça de Giraldo, na zona onde hoje encontra o Banco Português do Atlântico, a mítica “Brasserie” que tantas saudades deixou nos eborenses da primeira metade do século passado. Os franceses, criadores do termo, usavam-no para designar os Grandes Cafés, herdeiros dos salões de cerveja, nos quais se consumiam moluscos e ofereciam, em ementa fixa, pratos da cozinha tradicional francesa à base de carne. Nesses lugares em que o horário era flexível, vendia-se todo o tipo de bebidas à excepção do vinho corrente.

A “Brasserie” eborense seguia estas normas, substituindo apenas a cozinha tradicional francesa pela portuguesa, servindo em pequenas refeições as gulosei mas regionais. E ademais fabricava divinais queijadas de Évora, que também fornecia para fora, como recordam os mais antigos que ainda lhe chegaram a cruzar as portas.

O estabelecimento saudou com júbilo a chegada da República e o dia da Bandeira, tendo em ambas as ocasiões ornamentado e iluminado a sua fachada e janelas. A 7 de Outubro de 1911 franqueava portas o “Café Giraldo”, situado na praça homónima e o primeiro nascido após a implantação do novo regime. Tido igualmente como um estabelecimento de luxo, servia almoços e jantares em mesas redondas, por lista e a qualquer hora; pertencia a António Lourenço Rodrigues e apresentava como novidade duas mesas de bilhar. Disponibilizava gratuitamente aos seus clientes jogos de damas, gamão, xadrez e dominó.

Na rua João de Deus instalara-se sem grandes alardes mas granjeando desde logo muitos adeptos o Café Restaurante “Parreira Escalabitana” com serviço de almoços, jantares, lanches e ceias e venda de vinhos, cervejas e gasosas. De algum aparato era o “Restaurant Chiado”, que lançava «um menu variado à vontade do freguês desde os mais finos acepipes às suculentas iguarias». Existia na Rua da Porta Nova, 20 a 22 e tinha gabinetes reservados. Na publicidade que fazia solicitava «aos snr.s lavradores e outros cavalheiros que vêm a Évora que não deixassem de o visitar». Os de menos posses recorriam à “Estrela Africana”, casa de petiscos na Rua de Alconchel, pertença do anarquista Manuel Vicente Ventura, preso por duas vezes pelo governo monárquico em finais do século passado enquanto director do jornal “A Rabeca”. Os operários eram os seus frequentadores mais assíduos com particular realce para os membros da Carbonária que ali dispunham de um compartimento isolado.

Uma derradeira referência entre os locais que ajudaram a construir o espaço público para o muito popular estanco do Didier, ou melhor para a “Casa Havaneza”, de José Ernesto Didier, que vendia charutos, cachimbos, isqueiras (como na altura se dizia) e sabonetes, a par de cervejas de todos os tipos, “soda water”, groselhas e salsaparrilha.

Texto: José Frota 

Évora Perdida no Tempo - Concurso de cabeleireiros em Évora


Autor David Freitas
Data Fotografia 1950 - 1969
Legenda Concurso de cabeleireiros em Évora
Cota DFT1137.1 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Exposição + x 10 Jovens Artistas Ibero-Americanos




Exposição

+ x 10 Jovens Artistas Ibero-Americanos


Fórum Eugénio de Almeida

até  1 de Janeiro de 2012


Mostra de 50 obras de jovens artistas ibero-americanos incluídos no programa Jóvenes Creadores, promovido pela Fundación Antonio Gala, de Córdoba, Espanha, em parceria com a Fundação Eugénio de Almeida.



Múltipla em disciplinas e estilos - da pintura à escultura e à fotografia -, a exposição é o resultado do aprofundamento dos conhecimentos ou «fecundação cruzada», como refere o fundador e escritor Antonio Gala, dos jovens artistas durante os nove meses de duração da bolsa.



Comissário: Andrés Peláez



Entrada: 1,00€



Horário

Diariamente, das 09h30 às 19h00.



Visitas guiadas *

Todos os dias.

Mínimo 5 pessoas | Inscrição: 2,50€ por pessoa.



Programa para Escolas*

De 2ª a 6ª feira para alunos do ensino pré-escolar, 1º, 2º e 3º ciclos e secundário.



Visitas guiadas com actividades | Inscrição:1,00€ por pessoa.

Ateliers didáticos | Inscrição:1,00€ por pessoa.



Programa para as famílias*

Sábados e Domingos | 11h00

Actividades para crianças dos 6 aos 10 anos, acompanhadas por um adulto.

Inscrição: 2,00€ por pessoa I Duração: 1h30.



*Mediante marcação prévia, através do Tel.: 266 748 350 ou e-mail: servicoeducativo@fea.pt

Évora Perdida no Tempo - Secção de empacotamento da Fábrica dos Leões


Fábrica dos Leões: secção de embalagem/ empacotamento de esparguete (funcionária e maquinaria).

Autor David Freitas
Data Fotografia 1950 dep. - 1970 ant.
Legenda Secção de empacotamento da Fábrica dos Leões
Cota DFT5128.1 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Festival Electrão em Évora


ÉVORA
30 Novembro - 01 Dezembro
Praça 1º de Maio

O Festival Electrão vai percorrer Portugal levando até si muita animação. Vão ser dois dias em cada localidade da digressão que prometemos serem recheados de surpresas, jogos e muita música com um concerto único da Ala dos Reciclados.

No Festival Electrão os seus electrodomésticos velhos valem muito mais do que imagina. Além de ajudar Portugal a cumprir as metas de reciclagem de 4Kg por habitante, ainda valem fichas para os Jogos do Festival.

A Ala dos Reciclados é a primeira banda de música reciclada do mundo. Na sua digressão no Festival Electrão, a Ala dos Reciclados vai apresentar um espectáculo único com as versões recicladas dos grandes êxitos dos anos setenta e oitenta. Prepare-se para um concerto espectacular onde vai cantar e dançar da primeira à última música.


Évora Perdida no Tempo - Pátio do Quartel dos Dragões


Autor David Freitas
Data Fotografia 1950 - 1969
Legenda Pátio do Quartel dos Dragões
Cota DFT5441 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

domingo, 27 de novembro de 2011

sábado, 26 de novembro de 2011

Precisa-se Motorista para Camião Grua (M/F)

A Interiman recruta para prestigiada empresa cliente Motorista para Camião Grua para obra em Évora.

LOCAL: ÉVORA
REQUISITOS:
- Disponibilidade Imediata;
- Experiência mínima 2 anos;
- CAP Camião Grua
- Forte sentido de responsabilidade, dinamismo e bom ritmo de trabalho
- Transporte próprio



Contactos:
Rua Marquês De Pombal, nº127
7520-226 Sines
Tel.: 269 63 20 14 Fax. 269 63 51 75
Email:



sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Évora assinala 25 Anos como Património da Humanidade

Évora assinala hoje a passagem de 25 anos sobre a classificação do Centro Histórico da cidade como Património da Humanidade pela UNESCO, feito conseguido em 1986 e uma distinção que trouxe uma maior notoriedade da cidade de Évora em Portugal e, sobretudo, além-fronteiras.
O programa das comemorações terá início com uma Sessão Solene no Salão Nobre dos Paços do Concelho, pelas 11 horas, na qual serão ouvidos depoimentos de diversas personalidades acerca desta distinção para cidade de Évora, e será feito um tributo à geração Património Mundial: Jovens nascidos em Évora em 25 de Novembro de 1986. A sessão continuará com uma conferência pelo Professor João Carlos Brigola (Universidade de Évora/IMC) e terminará com a apresentação da Medalha Comemorativa da data, que foi concebida pelo artista plástico João Cutileiro.
Pelas 12:30, a música vai andar pelas ruas do Centro Histórico, com a actuação dos alunos do Departamento de Música da Universidade de Évora, que se inicia na Praça do Sertório, com paragens em vários locais do Centro Histórico.
O programa das comemorações regressa ao Salão Nobre dos Paços do Concelho às 18 horas, para a sessão de apresentação do Projecto “Évora, Percursos e Memórias - 25 Anos de Património Mundial da Humanidade, 25 Monumentos, 25 Lendas, histórias e devoções”. Este projecto contempla a realização de visitas guiadas, a decorrerem entre Novembro de 2011 e Novembro de 2012, a 25 edifícios emblemáticos da cidade, em percursos que, evocando a memória e a identidade da cidade, transportam os participantes para outras épocas e outras vivências. A sessão contará com uma conferência pela Professora Catedrática Maria Cátedra (Departamento de Antropologia Social, Universidade Complutense, Madrid) intitulada “Das fundações da Cidade: de Elbora ao templo de Diana”.
Este dia de comemorações será encerrado com um Concerto comemorativo dos 25 anos de Évora Património da Humanidade, pela Orquestra da Universidade de Évora, na Igreja de São Francisco, pelas 21:30. É de salientar que o programa das Comemorações dos 25 de anos de Évora Património da Humanidade vai prolongar-se até ao dia 25 de Novembro de 2012, com muitas actividades a decorrer durante o próximo ano.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Câmara apela à responsabilidade civil: Não deite cinza nos contentores do lixo


Para evitar que o flagelo dos contentores do lixo queimados por cinza no concelho de Évora regresse com a chegada do frio, a Câmara Municipal de Évora apela à responsabilidade civil de todos no sentido de não serem depositados nos contentores do lixo as cinzas resultantes da limpeza das lareiras/salamandras.

Tratando-se de mobiliário (equipamento) urbano, que nalguns casos estão localizados junto a residências ou em locais com estacionamento de viaturas nas imediações, a deposição de cinzas de lareiras não apagadas dá origem a incêndios que poderão ter consequências muito graves, com responsabilidade criminal para os seus autores, uma vez que esta deposição é proibida pelas posturas municipais.

Assim, a Câmara Municipal de Évora apela, uma vez mais, para que todos os munícipes coloquem somente resíduos sólidos urbanos nos contentores, pois as cinzas deverão ser depositadas na terra depois de completamente apagadas.

Évora Perdida no Tempo - Nave lateral da Sé Catedral de Évora


Nave lateral da Sé catedral de Évora, vendo-se ainda as capelas laterais, demolidas na década de 1940/ 1950, durante as obras de restauro.

Autor David Freitas
Data Fotografia 1940 ant. -
Legenda Nave lateral da Sé Catedral de Évora
Cota DFT223 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A História da Educação em Évora




No primeiro ano do século passado a situação da instrução era tão grave que o governo regenerador de Hintze Ribeiro decidiu promover uma profunda reforma do ensino. Preocupava os governantes a alta taxa de analfabetismo, cerca de 74 por cento, que urgia combater denodadamente.

O ataque a este estado de coisas assentou na criação acelerada de escolas e no reforço e actualização das Escolas Normais, formadoras de professores, assim como na obrigação e gratuitidade do ensino durante um ciclo de três anos que seria dado por concluído após a obtenção da aprovação num exame do 1º. Grau (3ª. Classe).

As crianças frequentariam assim a escola dos 7 aos 10 anos, separadas por sexos, e com as aulas a serem ministradas por docentes do respectivo sexo. Escolas mistas, só em casos excepcionais e dirigidas por professoras. Era ainda admitido o ensino particular para o ensino e preparação dos alunos para os exames do 1º. e 2 º. graus, correspondendo este último à 4ª. Classe. Praticava-se sob docência individual ou em colectividades diversas, entre as quais instituições religiosas ou ideológicas, como era o caso dos Centros Republicanos. No volume XI da “Nova História de Portugal” dedicado ao tema «Portugal – da Monarquia à República», coordenado por A.H. de Oliveira Marques, se afirma que a reforma de 1901 «representava algum progresso em relação ao passado, resumindo as tendências e as aspirações de pedagogia de então». 

Adicionalmente cita-se a opinião de Alves dos Santos, um conceituado professor coetâneo, que considerava que ela «seria a mais perfeita e importante de quantas se haviam promulgado em Portugal se os serviços não continuassem centralizados no Ministério do Reino e se a dotação desses serviços fosse elevada na proporção das suas necessidades sempre crescentes, e por uma forma análoga àquela que se observa em todos os países civilizados».

Apesar da reconhecida bondade da reforma a melhoria da situação não foi tão célere quanto se desejava. No distrito de Évora, entre 1900 e 1911, o número das pessoas que sabiam ler apenas subiu de 17,7 para 19,9, num crescendo que foi máximo na sua capital e concelho e terá regredido noutros em que se verificou o incumprimento e a fuga à obrigatoriedade das crianças irem à escola. Mas também porque muitas das freguesias não tinham a sua escola primária ou então, se a possuíam, não havia quem para lá quisesse ir.

Na cidade existia a grande Escola Central, com três professores e uma docente, o que reflectia de algum modo a relação de frequência das escolas. Também a Casa Pia tinha escolas oficiais para os dois sexos, assim como as freguesias de S. Pedro, S. Mamede, S. Antão e Sé. Similarmente, a freguesia de Azaruja tinha dois estabelecimentos oficiais, um para rapazes e outro para meninas. Particulares e ideológicas eram a Escola de Ensino Livre Bartolomeu Dias, a Escola João de Deus, o Colégio do Recolhimento do Calvário e a Escola do Centro Democrático Republicano, que passou a disponibilizar o ensino primário nocturno. Em todas estas se utilizava a “Cartilha Maternal”, do republicano João de Deus, como base do ensino das primeiras letras e cuja primeira edição já datava de 1876.

O governo republicano procedeu em 1911 a nova reforma do ensino, que no essencial seguiu a monárquica,
melhorando-a nalguns aspectos que passaram pelo laicismo, pela descentralização (não haveria de resultar), pela coeducação e pela introdução do ensino primário superior, que veio a constituir um rematado fracasso. Mas esta extensão de funções veio a contribuir para fazer os bons dias de Colégios, Internatos e mestres particulares. Os mais conceituados da cidade eram o Colégio dos Loyos, fundado em 1889 e propriedade do Padre João Germano da Rosa, que em 1909 chegou a dirigir o diário “Notícias d’Évora”. 

Nele se ministravam a Instrução Primária, o Curso Geral dos Liceus e cursos de explicações para alunos matriculados no Liceu. Na rua das Fontes, 4 e 6, ficava o Instituto Educativo Eborense, em que se leccionava a Instrução Primária e o curso Geral dos Liceus, a cargo da proficiente professora Maria Mósca. Excelente era também o Colégio de Maria Vicência do Carmo Rosa, com o sector masculino instalado na Rua João de Deus, 57 e 59, e a dependência feminina sita no 21 da mesma artéria. 

Ensinava a Instrução Primária e Secundária até ao 2º. Ano Liceal e fazia a preparação de candidatos à admissão na Escola Normal. Complementarmente ensinava ainda línguas estrangeiras, bordados, piano e música. No ensino secundário particular o ás era o professor liceal António José Molero, que proporcionava aquele tipo de instrução e explicações de Matemática, Ciências Físico Naturais e Desenho. A formação de professores para o ensino primário fazia-se na Escola Normal de Évora, criada em definitivo em 1884, depois de uma arrancada mal sucedida em 1869. O novel estabelecimento de ensino, de 2º. Classe, instalado no edifício da antiga Igreja de S. Pedro e custeado pela Junta Distrital, também não habilitou muitos docentes. 

Proliferavam os e as regentes, que, não tendo formação específica mas apenas suficiente, não contribuíam para a qualidade do ensino. O anti-clericalismo e o seu afastamento do ensino empobreceram a competência geral. O seminário local foi encerrado, só reabrindo em 1917.

O ensino secundário normal fazia-se, como é óbvio, no Liceu da cidade, cuja frequência em 1911 ultrapassou pela primeira vez as duas centenas de alunos (214), enquanto o número das alunas ascendia de uma em 1908 a 26 em 1912. Foi notório o acréscimo de afluência num tipo de ensino que era dependente, fundamentalmente, das possibilidades económicas dos progenitores, parentes ou protectores.

As maiores novidades no campo do ensino, proporcionadas pelo programa republicano de instrução, ocorreram no sector dos cursos técnicos, muito pouco desenvolvidos até então. Em Évora o ensino agrícola tinha sido instituído em 1855 com a criação da Escola Regional de Agricultura. O novo regime uniformizou os estudos em 1912 e regulamentou o seu funcionamento debaixo de modernos princípios orientadores. Três anos mais tarde aumentou a duração dos cursos (médios) para 6 anos, sendo 4 de preparação geral e 2 de preparação técnica.

Para Évora o melhor desta reforma foi sem dúvida a criação da Escola Industrial da Casa Pia em 17 de Dezembro de 1914, através do Decreto 875 do Ministério da Instrução Pública, com os seguintes cursos: elementar de Comércio, elementar de Agricultura, Carpintaria ou Marcenaria, Serralharia, Alfaiataria ou Sapataria. Instalada numa ala superior do Colégio Espírito Santo iria dar origem em 1919 à Escola Industrial e Comercial Gabriel Pereira.

Texto: José Frota 

Évora Perdida no Tempo - Moagem e fábrica de descasque de arroz


Fachada da antiga moagem e fábrica de descasque de arroz, em Évora.

Autor David Freitas
Data Fotografia 1950 - 1960
Legenda Moagem e fábrica de descasque de arroz
Cota DFT5100 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Concurso “Árvores de Natal Recicladas 2011”: inscrições até ao próximo dia 30


A Câmara Municipal de Évora organiza mais uma edição do concurso “Árvores de Natal Recicladas 2011”, devendo as inscrições serem entregues até ao dia 30 de Novembro, através do envio de um formulário disponível on-line ( www.cm-evora.pt), ou no Ponto Jovem – Espaço Municipal da Juventude (Rua do Menino Jesus).

Esta iniciativa tem como principais objectivos: sensibilizar os jovens e população para as questões ambientais; incentivar a criatividade e originalidade na construção de uma Árvore de Natal recorrendo à reutilização de materiais; reconhecer e premiar projectos inovadores e enfeitar a cidade na quadra natalícia.

O concurso “Árvores de Natal Recicladas 2011” destina-se a todos os alunos a frequentarem Estabelecimentos de Ensino (Jardins-de-infância; ensino básico, ensino secundário e profissional, universidades) e Associações de Deficiência, pertencentes ao concelho.

A data limite para recepção das árvores a concurso será impreterivelmente entre os dias 14 e 15 de Dezembro, até as 17 horas e as árvores terão de ser fabricadas utilizando predominantemente materiais reciclados.

O processo de eleição do melhor trabalho será realizado entre os dias 16 de Dezembro e 5 de Janeiro de 2012 (até as 17 horas) pelos visitantes da exposição maiores de seis anos e portadores de identificação, através de boletim de voto, no Espaço Municipal da Juventude, Rua do Menino Jesus.

Os prémios serão concedidos à proposta mais votada pelos visitantes da exposição e sendo também sorteado um Boletim de Voto e atribuído um prémio ao votante correspondente. A entrega dos prémios e o sorteio terão lugar no dia 6 de Janeiro de 2012.

Para consulta das normas de participação aceda ao link do concurso disponível em www.cm-evora.pt e para mais informações contactar os técnicos camarários da Juventude pelo telefone: 266 777100, pelo e-mail: palavraj@cm-evora.pt ou no Ponto J – Espaço Municipal da Juventude.

Évora Perdida no Tempo - Secção de brinquedos da Papelaria Nazareth


Autor David Freitas
Data Fotografia 1966 -
Legenda Secção de brinquedos da Papelaria Nazareth
Cota DFT3110 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Frei Hermano da Câmara na Arena d'Évora esta sexta-feira



Falar de Frei Hermano da Camara é pretender que as palavras definam, na sua limitada capacidade sugestiva, a ideia de uma personalidade transcendente. E, se o termo pode assustar alguém, apresso-me a acrescentar que só deste modo consigo situar a atitude de um homem que, lucidamente, nos dias de hoje, se mantém fiel a um ideal que o avassalou. Porque é cada vez mais fácil perfilhar ideais, quaisquer que sejam, a dificuldade está em se submeter depois às consequências, às exigências da prática decorrentes dessas ideias. E se outra razão não houvesse, esta parece-nos suficiente para ser credora da nossa maior admiração.

A trajectória deste homem que “deixou tudo para seguir a Cristo” foi um acontecimento notável que deixou um rasto de espanto e admiração. Ficou meio mundo em suspenso quando Frei Hermano decidiu abandonar uma vida, que a todos os títulos lhe proporcionaria prosperidade, e uma carreira artística que se adivinhava promissora, a avaliar pelo disco com que nos legou esse imperecível êxito da música portuguesa que se chama “ Fado da Despedida”.

Esta atitude corajosa é indício do carácter nobre de Frei Hermano da Camara. A sua felicidade parecia, curiosamente, estar acima de todos os dons com que a natureza o dotara, ele que tivera um alto nascimento e vivia rodeado de bens terrenos. O triunfo não o tentou e alegremente desceu ao anonimato da sua cela conventual, longe de tudo aquilo que tinha sido a sua vida até então.

Esse gesto, por demasiado incompreensível, gerou à sua volta as mais desencontradas reacções. Atribuíram-lhe os mais variados significados; a imaginação popular, facilmente impressionável, agiu romanticamente e preferiu atribuir-lhe como causa um grande amor contrariado.

Poucos perceberam então que o misticismo que habitava a alma desse jovem só podia abrigar-se no recolhimento e na oração. E assim foi.

Durante alguns anos, o silêncio cobriu o nome daquela voz que deixara uma saudade dorida e um grande respeito pela sua determinação.

Frei Hermano manteve sempre aquela capacidade de transmitir a todos uma paz serena aliada a uma alegria muito saudável de viver.

O desejo de regresso à vida artística só foi assumido pelo monge-cantor quando, em consciência, admitiu que devia colocar a sua voz e o seu talento de compositor ao serviço da Igreja.

Cantaria sim, desde que isso resultasse numa forma de apostolado, devolvendo a Deus os atributos que Este lhe tinha concedido. Só assim se deixou convencer. A sua voz ao serviço da causa de Jesus Cristo. Da causa dos homens que precisavam de conforto, e a quem Frei Hermano podia ajudar, como se tem comprovado.

E é a convicção do que diz cantando, a certeza de pisar o único caminho possível para si, a segurança de o estar a fazer em nome de uma causa universal e justa que dão à sua presença aquele magnetismo e à sua voz o efeito do bálsamo tranquilizante para as almas angustiadas dos homens dos nossos dias que somos todos nós.

Tudo quanto temos dito acerca de Frei Hermano da Camara são pequenas contribuições para definir esse fenómeno que tem muito de transcendente, como começamos por dizer.

O homem que é artista e na sublimação dessa arte se entrega à tarefa de entre todas gratificante, de uma doação completa ao seu semelhante.

E a consciência dessa responsabilidade foi perfeitamente assumida pelo artista, durante a edição do trabalho em que a sua capacidade criativa se manifestava através da composição de fados e canções com o seu indefinível estilo que é o segredo do seu sucesso, mas sem a concessão à facilidade gratuita.

Todos os seus autores eram, e continuam a ser, grandes vultos da nossa literatura. Miguel Torga, Pedro Homem de Melo, Mário Sá Carneiro, Fernando Pessoa, Augusto Gil, Fernanda de Castro, entre outros.

Um dia, no entanto, a sua inspiração vai mais longe. “O NAZARENO” foi a primeira obra de grande fôlego da nossa música ligeira. A envergadura deste trabalho deixou espantados críticos e público. Conseguira-se, por fim, em disco, o primeiro trabalho sério, destinado a ocupar lugar destacado na história da música portuguesa. Por outra razão esse álbum duplo constitui um marco histórico, que nessa época foi galardoado com quatro discos de ouro.

Seguiu-se-lhe a segunda obra do tríptico que Frei Hermano da Camara ambicionara publicar, dedicado a S. Bento, com título “DEUS É MÚSICA”.

Entretanto, e após a edição dos seus maiores sucessos, comemorando os 20 anos de vida religiosa, já fermentava no seu espírito a concepção de uma obra totalmente dedicada a Nossa Senhora: Tendo como ponto de partida o atentado ao Papa João Paulo II e a sua visita de agradecimento a Fátima Frei Hermano mais uma vez expandiu o seu génio artístico com a obra musical “ TOTUS TUUS” – SERENATA MÍSTICA A NOSSA SENHORA.

Após um interregno de alguns anos, Frei Hermano regressa ao lugar que sempre foi e será o seu, o de escolhido para cantar sentida e eloquentemente o mistério de Deus com a sua obra exemplar “MISSA PORTUGUESA”. É um disco para ser ouvido na terra mas com os olhos no céu.

Saudemos reverentemente o regresso de Frei Hermano com este disco que é com certeza a mais ansiada forma de plenitude que se pode esperar do seu mais digno cantor.

A importância de Frei Hermano da Camara atinge duplo significado. Ele não é só um padre que prega, à sua maneira, a mensagem da sua Igreja Católica, ele é, acima de tudo, um dos mais destacados homens da cultura musical portuguesa dos nossos dias.

A irradiação da sua obra como apostolado musical só se pode explicar pela sua vocação contemplativa de união constante com Deus.

Évora Perdida no Tempo - Mercado no largo do Chão das Covas


Entre 1949 e 1970 funcionou, no Largo do Chão das Covas, o mercado.

Autor David Freitas
Data Fotografia 1949 - 1960
Legenda Mercado no largo do Chão das Covas
Cota DFT7198 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

domingo, 20 de novembro de 2011

Rais Recruta Pedreiros e Serventes e Ajudantes para Évora

Rais - Empresa de Trabalho Temporário encontra-se de momento a recrutar para empresa cliente Pedreiros e Serventes para Évora.

Requisitos:

- Experiência anterior na função (Factor eliminatório);

- Transporte próprio;

- Residente na na zona de Évora ou arredores(Factor eliminatório);

- Disponibilidade Imediata.

Para formalizar a sua candidatura deverá dirigir-se à nossa agência que está situada em Setúbal, na Av.ª Bento Gonçalves, Nº 10 B/D 2910-431 Setúbal

Ou proceder ao envio do CV devidamente actualizado para:


(expondo no assunto “Pedreiro-Evora/Servente-Evora”)

Contactos telefónicos:
265 544 220 / 962 374 969

sábado, 19 de novembro de 2011

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Escola Chafariz d’El Rei equipada com campo de jogos de relva sintética



A Câmara Municipal de Évora, enquanto responsável pelos edifícios escolares de 1º ciclo, procede a uma vistoria técnica especializada uma vez por trimestre a todos os campos de jogos e equipamentos desportivos existentes no interior das escolas.

Decorrente desta vistoria, foram diagnosticadas duas situações com piso bastante degradado. Perante a situação, a Câmara Municipal procedeu a uma avaliação das ofertas existentes para a remodelação daqueles espaços.

Tendo em conta a relação qualidade/custo, o piso foi substituído por um tipo de relva sintética que permite a prática de diversas actividades, nomeadamente futebol, basquetebol, ginástica, dança, entre outras.

As intervenções abrangem duas escolas da cidade, Chafariz d’El Rei e Vista Alegre, estando já concluído o campo de jogos da EB1 Chafariz d’El Rei.

Évora Perdida no Tempo - Alunas da escola do Convento do Calvário


Autor David Freitas
Data Fotografia 1950 - 1969
Legenda Alunas da escola do Convento do Calvário
Cota DFT7531 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

Exposição de Pintura de Sara Pereira no Palácio D.Manuel

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Café Mário no Teatro Garcia de Resende - estreia a 19 Novembro


Todas as noites, um fantasma vem assombrar o palco do Teatro Garcia de Resende. É o Espectro Fundador daquele teatro.
O Director decide pedir a ajuda de um célebre detective: Bertolt de Carvalho. Este tenta capturar o Espectro e levá-lo a exprimir o que lhe vai na alma, a razão que o faz voltar todas as noites. O Espectro explica que foi assassinado pelos poderes públicos e que espera que os seus herdeiros o vinguem.
Mas há uma fuga de informação: A Câmara Municipal é informada da presença do Espectro e previne o Ministério da Cultura. Lisboa confia o “assunto” a um “engenheiro cultural” funcionário no topo da carreira, que é incumbido de coordenar uma “comissão de inquérito” e colocar a companhia sob vigilância.
Por seu lado, Bertolt de Carvalho convida um Filósofo a juntar-se ao pessoal do Teatro para que possa ajudar a encontrar as respostas que todos procuram: como apaziguar o Espectro? Como “refazer” a companhia entretanto dividida pelos acontecimentos? Como desembaraçar-se do Funcionário-Censor?

Autoria e Encenação: Pierre-Etienne Heymann
Tradução: Christine Zurbach e Luís Varela
Cenografia e Figurinos: Elsa Blin
Direcção Musical: Bruno Cintra
Interpretação: Álvaro Corte Real, Ana Meira, André Salvador, Bruno Cintra, Fábio Moreira, Jorge Baião, José Russo, Maria Marrafa, Rosário Gonzaga, Rui Nuno e Victor Zambujo

Estreia dia 19 de Novembro, às 21h30
Em cena até 18 de Dezembro
Quarta a Sábado às 21h30, Domingos às 16h00
Teatro Garcia de Resende

Évora Perdida no Tempo - Edifício do Banco Montepio Geral


Novo edifício do Banco Montepio Geral, na Praça do Giraldo. É visível, também, o polícia sinaleiro da Praça do Giraldo.

Autor David Freitas
Data Fotografia 1955-07-29 -
Legenda Edifício do Banco Montepio Geral
Cota DFT380 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Sextas Anti Crise no Café Condestável

Feira de Artes e Lavores

Évora Perdida no Tempo - Mocidade Portuguesa na Praça do Giraldo


Comemorações do 1º de Dezembro: Mocidade Portuguesa na Praça do Giraldo.

Autor David Freitas
Data Fotografia 1953-12-01 -
Legenda Mocidade Portuguesa na Praça do Giraldo
Cota DFT6010 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

No Convento dos Remédios: Exposição sobre os Aquedutos de Portugal

Foi inaugurada na semana passada no Convento dos Remédios, uma exposição intitulada “Aquedutos de Portugal, Água e Património - Évora 2011/2012”, composta por um espólio fotográfico de Pedro Inácio sobre 21 dos mais significativos aquedutos de Portugal e complementada por uma mostra documental respeitante ao aqueduto da Água da Prata de Évora.

A exposição integra um ciclo de conferências sobre o tema Água e Património, que terão lugar nos dias 18 de Novembro, 16 de Dezembro, 6 de Janeiro, 3 de Fevereiro e 2 de Março, que também incluem momentos musicais e visitas guiadas. A exposição também promove um concurso de fotografia digital sobre o tema Água e Património, dirigido aos participantes nas conferências a realizar, patrocinado pelas unidades hoteleiras M´ AR De AR Hotels e Pousadas de Portugal, e também um concurso de fotografia digital sobre o mesmo tema, dirigido a estudantes das cidades de Évora, Salvador (Brasil) e Zagreb (Croácia).

Esta exposição estará patente ao público até ao dia 2 de Março, de terça a sexta-feira das 9:30 às 12:30 e das 14:00 às 18:00, e está integrada no Programa das Comemorações dos 25 Anos de Évora Património Mundial.

Évora Perdida no Tempo - Aspecto interior da Óptica Freitas


Aspecto interior da Óptica Freitas, na Rua 5 de Outubro (memórias do comércio eborense)

Autor David Freitas
Data Fotografia 1960 - 1969
Legenda Aspecto interior da Óptica Freitas
Cota DFT7176 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

domingo, 13 de novembro de 2011

Procuramos Médicos de Clínica Geral para Projecto no Distrito de Évora (M/F)

A MediPeople é uma empresa de Recursos Humanos que actua unicamente no sector da saúde. Tem como Clientes de referência Hospitais Públicos/Privados, Unidades Locais de Saúde, Centros de Saúde e Clínicas, proporcionando aos seus Parceiros a possibilidade de desenvolverem uma actividade complementar àquela que é a sua actividade principal, nomeadamente a nível de:
- Serviço de Urgência;
- Consulta Aberta;
- Projectos específicos de redução de listas de espera de utentes.

Neste momento, procuramos Médicos de Clínica Geral para Projecto no Distrito de Évora.

Informações sobre o Projecto:
- Local: Empresa nossa Cliente no Distrito de Évora;
- Objectivo: Medicina do Trabalho;
- Horário: De 2ª a 6ª feira, em função das disponibilidades do profissional;
- Regime de Prestação de Serviços.

Caso tenha interesse e disponibilidade para este projecto, contacte-nos através do email:




Pode ainda visitar-nos através do  www.medipeople.pt 

sábado, 12 de novembro de 2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

"Beato Salu" na SIC - Domingo pelas 20 Horas (Grande Reportagem SIC)


Há 24 anos, Luís abandonou a mulher e o filho porque diz ter sido escolhido para uma missão divina. Para “salvar a cidade” passa os dias a vaguear pelas ruas de Évora. A família nunca aceitou a opção. Luís tem duas netas que nunca conheceu. “(des)conhecidos” é a GRANDE REPORTAGEM SIC desta semana.

"Parece um druida, de barbas e cabelos brancos, olhar macio, pose contemplativa. Usa um discurso profético, muitas vezes místico. É inevitável pensar que Luís Pais Martins tem um apurado sentido estético. Afinal, ele passa uma parte dos seus dias num banco de jardim em frente ao Templo de Diana, ou então na Praça do Giraldo, ou no Jardim do Paraíso, que são alguns dos mais esplêndidos lugares da cidade. Ah, este homem poderia muito bem ter ganho a alcunha de Gandalf ou Merlin, se a sua ocupação das ruas estivesse datada uma década mais tarde. Mas ele começou a fazer-se notado nos anos 1980 e o povo de Évora preferiu chamá-lo de Beato Salu, como o vidente da novela Roque Santeiro.
Em bom rigor, Luís é eborense de gema. Fez a quarta classe e aos 12 anos tornou-se grumo no Café Arcada. Foi cá que casou, foi cá que teve um filho. Foi cá que estabeleceu uma base para, durante anos, partir estrada fora como caixeiro viajante, vendendo electrodomésticos por todo o Alentejo. «Um dia, tive uma revelação. Foi a 12 de Maio de 1972 e eu tinha ido a Fátima. Olhei para o alto, vi um céu magnífico e senti uma paz maravilhosa. Então afastei-me da multidão, comecei a andar e fui dar a um ribeiro. Nessa altura, as águas falaram comigo e disseram-me o que tinha de fazer.»
Há que ser justo nisto: Beato Salu é um homem inteligente. As suas palavras podem parecer inverosímeis mas, dando-lhe um pouco de voz, percebe-se que o sistema de convicções que ele criou é pelo menos coerente. Acredita nas energias da natureza e acredita ser uma espécie de Escolhido. Acredita ser o único capaz de alterar o destino, a ordem natural das coisas. E acredita nisso convictamente.
Em 1972, as águas disseram-lhe para abdicar da vida tal como a conhecia. Abandonou a família, o trabalho, e começou a sua missão. Ao longo dos anos seguintes desfez-se da casa, de quaisquer relações próximas, dos livros que o tinham inspirado – e que ainda cita muitas vezes. E continuou a falar com as águas, com o vento, com o Sol, a quem chama reis: «A determinada altura, um rei disse-me que ia haver uma grande mortandade em Évora e eu tive uma visão da cidade destruída, física e moralmente. Percebi pelos sinais que se aproximava um tremor de terra de grau nove na escala de Richter e então comecei a passar o tempo todo na rua, para proteger a cidade.» Mais tarde, leu no jornal que houvera um sismo de grau três, que não tinha provocado quaisquer danos humanos ou materiais. «O terramoto foi descontado no meu corpo», esclarece.
Beato Salu chama-se a si mesmo de O, porque essa é a forma mais perfeita da natureza. «Um O», explica ele, «tem um valor biológico superior à própria existência e por isso consegue controlar os acontecimentos, é independente em relação ao cosmo.» E assegura que, em cada século que passa, não haverá no mundo mais de dois ou três escolhidos como ele. «Quando os reis me nomearam O, havia dois candidatos europeus, um português e um jugoslavo. Mas não pode haver mais do que um na Europa e, como me escolheram a mim, a Jugoslávia entrou em guerra e desintegrou-se. Não quero imaginar o que teria acontecido ao nosso país se eu não fosse chamado.»
Não bebe, não fuma, não toma drogas. Há umas semanas foi expulso do casebre onde passava as noites, num bairro da cidade. E, se alguém lhe pergunta o que vai fazer, ele encolhe os ombros e replica: «Não tenho tempo para pensar nisso, estou ocupado com outros trabalhos.» Para todos os efeitos, há mais de trinta anos que este homem é fiel ao seu compromisso. E isso é quase metade da sua vida, que Luís Pais Martins tem 69 anos.
Quando ouviu as notícias de que o país estava à beira da bancarrota, começou a passar todos os dias pela delegação do Banco de Portugal em Évora, para abater em si a hecatombe económica. Quando toma conhecimento de uma epidemia, faz o circuito dos hospitais e dos centros de saúde, para travar a peste. Se há uma onda de assaltos, gira para a esquadra de polícia. E então caminha os dias inteiros de um lado para o outro, a salvar o mundo. E se por algum motivo pára num banco de jardim, não é para descansar. É para recarregar energias nos seus reis e poder continuar a descontar no corpo as maleitas da humanidade."

Exposição Bibliográfica no Café Condestável

Évora Perdida no Tempo - Museu de Évora: sala do Renascimento


Autor David Freitas
Data Fotografia 1940 - 1950
Legenda Museu de Évora: sala do Renascimento
Cota DFT131 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Kabaret Keuner e outras histórias

José Cid ao vivo na Arena d'Évora em Dezembro


Preço dos bilhetes:
Plateia - 8€; Bancada - 10€

Terceiro filho de Francisco Albano Coutinho Ferreira Tavares (neto do barão de Cruzeiro) e de Fernanda Salter Cid Freire Gameiro, mudou-se com os pais para Mogofores, perto de Anadia, aos onze anos.
Iniciou a sua carreira musical em 1956, com a fundação de Os Babies, agrupamento musical que se dedicava à interpretação de covers. Em 1960 criou em Coimbra o Conjunto Orfeão, com José Niza, Proença de Carvalho e Rui Ressurreição.
Em 1965 abandona Coimbra, onde frequentava a Faculdade de Direito, sem terminar o primeiro ano. Ingressa nesse ano no Instituto Nacional de Educação Física, onde tem como colega um irmão de Michel, membro do Conjunto Mistério. Após uma audição é convidado a entrar para o grupo, que daria origem ao Quarteto 1111. José Cid também não chega a concluir o curso de Educação Física, porque em 1968 é chamado a cumprir o Serviço Militar. Até 1972 permaeceu como oficial miliciano da Força Aérea Portuguesa, no Centro de Formação Militar e Técnica, situado na Ota. Dava aulas de ginástica de manhã, saia à tarde para ensair na garagem e actuava com os 1111 aos fins-de-semana.
Popularizou-se como teclista e vocalista nos 1111, tendo grande êxito com a A lenda de El-Rei D. Sebastião, de 1967, um tema inovador no panorama musical da época. Ainda com o quarteto, concorreu ao Festival RTP da Canção de 1968, com Balada para D. Inês. O álbum homónimo dos 1111 seria editado em 1970, mas não chegou a saír, por interferência da censura.
Em 1971, José Cid lançou o seu primeiro disco a solo. Nessa época, foram também editados os EP Lisboa perto e longe e História verdadeira de Natal. No ano seguinte, lançou o EP Camarada. Em 1973, o Quarteto 1111 adoptou o nome Green Windows, numa tentativa de internacionalização.
Concorreu ao Festival RTP da Canção de 1974, a solo com Uma rosa que te dei, e com os Green Windows, que apresentaram as canções No dia em que o rei fez anos e Imagens. Uma das suas composições mais conhecidas, Ontem, hoje e amanhã, seria premiada no Festival Yamaha de Tóquio, em 1975, ao qual já concorrera em 1971, com Ficou para tia.
Fundou o grupo Cid, Scarpa, Carrapa & Nabo, com Guilherme Inês, José Moz Carrapa e Zé Nabo, com o qual gravou o tema Mosca super-star e o EP Vida, em 1977. Em 1978, lançou o álbum 10.000 anos depois entre Vénus e Marte, um marco na história do rock progressivo, que viria a obter mais tarde reconhecimento a nível internacional, sendo incluído numa lista de 100 melhores álbuns de rock progressivo do mundo, organizada pela revista americana Billboard. No Festival OTI da Canção, de 1979, ficou em terceiro lugar com Na cabana junto à praia.
Com a canção Um grande, grande amor venceu o Festival RTP da Canção, em 1980, com 93 pontos. No Festival Europeu da Canção, conquistou um honroso sétimo lugar, com 80 pontos, entre dezanove concorrentes. Seguiu-se a gravação dos temas Como o macaco gosta de banana e Portuguesa bonita.
Em 1984 grava para a RTP Música Portuguesa, voltando a reunir o Quarteto 1111. No Natal de 1989 volta a gravar para a RTP, um programa chamado Natal com José Cid, onde interpreta algumas das suas músicas, já gravadas na Polygram, após a Orfeu deixar de operar. Teve alguns convidados, entre os quais Tozé Brito e o fadista, na altura amador, Manuel João Ferreira
No início dos anos 1990, fez estalar uma polémica, ao posar nú para uma revista social, com um dos seus discos de ouro. A intenção foi protestar contra a forma como as rádios desprezavam os intérpretes portugueses, incluindo ele próprio, em proveito de intérpretes estrangeiros.
Em 2000 publicou o livro Tantos anos de poesia. Em 2004 deu um espectáculo no Coliseu dos Recreios, que foi gravado pela RTP. Em 2006 reapareceu perante o público, no palco do velho Cabaret Maxime, em Lisboa, em dois espectáculos esgotados. Lançou entretanto o disco Baladas da minha vida, com velhas canções regravadas de forma acústica e dois temas novos, O melhor tempo da minha vida e Café contigo. Em 2007 actuou no Campo Pequeno para 4800 espectadores, convidando André Sardet, Luís Represas e os elementos do Quarteto 1111.
José Cid casou-se com Emília Infante da Câmara Pedroso, com quem teve uma filha, Ana Sofia, nascida em 1964. Ana Sofia viria a colaborar com o pai em algumas letras e nos coros de várias músicas. Teve um segundo casamento, com com Maria Armanda Ricardo, que durou doze anos. Assumido como monárquico e anarquista, continua a viver em Mogofores, passando longas temporadas na sua Chamusca natal. É pretendente ao título de barão do Cruzeiro, um título concedido a Francisco Luis Ferreira Tavares, seu bisavô, pelo rei D. Luís I.


Évora Perdida no Tempo - Refeitório do Convento do Calvário


Vista parcial do refeitório do Convento do Calvário, vendo-se ao fundo um tríptico de autor desconhecido (da segunda metade do século XVI) representando, ao centro, a Ceia e ladeado por representações de São Francisco e Santa Clara. Esta imagem foi publicada no Inventário Artístico de Portugal de Túlio Espanca, Concelho de Évora, vol.II, est. 429

Autor David Freitas
Data Fotografia 1966 ant. -
Legenda Refeitório do Convento do Calvário
Cota DFT4270 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Jantar Concerto – Juntos Vamos Vencer o Autismo!


A Associação Vencer Autismo através dos seus membros de Évora organiza um Jantar Concerto com a participação muito, mas muito, especial do Duarte e do Carlos Coincas (CC). Juntam-se a eles grandes músicos: Carlos Leitão, Henrique Leitão, Carlos Menezes e José Liaça. Com o apoio do Évorahotel, Diário do Sul, Telefonia do Alentejo e da Agência Lunion. Bilhetes à venda no Évorahotel. Reservas pelo tlm 963 549 101. Parte da receita reverte para a Associação Vencer Autismo e permitirá ajudar os pais e voluntários a custear a formação Son Rise!!!

Hora e Data: Sexta-feira, 11 de Novembro, às 20h.
Local: ÉvoraHotel

Jantar:
Couvert – pão alentejano, queijo seco, paio alentejano, azeitona marinada
Sopa – caldo verde com fio de azeite alentejano
Peixe – Bacalhau gratinado com espinafres
Carne – Lombo porco assado com castanhas, batata assada e esparregado
… Doce – Toucinho do Céu com abacaxi
Bebidas – Vinhos Reguengos Doc, aguas minerais, refrigerantes, cerveja e café

Preço 25€ que inclui o magnífico espectáculo ao vivo com o Duarte Coxo e o Carlos Coincas

Évora Perdida no Tempo - Largo dos Colegiais antes da intervenção


Aspecto do largo dos Colegiais antes da intervenção. Em Novembro de 1953 a Casa Cadaval doou ao município o terreno adjacente ao Buraco dos Colegiais para arranjo e ajardinamento, reservando essa passagem a peões, obra que ficou pronta em 1955.
Autor David Freitas
Data Fotografia 1953 ant. -
Legenda Largo dos Colegiais antes da intervenção
Cota DFT2711 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME5.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

"Panda vai à Escola" regressa à Arena de Évora dia 10 de Dezembro de 2011




Depois de surpreender mais de 30.000 espectadores no ano passado, o musical "Panda Vai à Escola" está de volta para fazer as delícias das crianças de norte a sul de Portugal, nos próximos meses de novembro e dezembro.

Guimarães será o palco de estreia do novo espetáculo a 27 de novembro, seguindo-se Gondomar a 3 de dezembro, Évora a 10 de dezembro, sendo Lisboa a cidade eleita para acolher o encerramento em quatro sessões previstas para os dias 17 e 18 de dezembro.



Bilhetes - Panda Vai à Escola na Arena d´Évora (10/12)
1ª Plateia - 22,50€
2ª Plateia - 20€
Nivel 1 - Sector 2 - 17,50€
Nivel 1 - Sector 3 - 17,50€
As crianças até 3 anos não pagam bilhete, mas não têm lugar sentado.

Évora Perdida no Tempo - Secção de empacotamento da Fábrica dos Leões


Fábrica dos Leões: secção de embalagem/ empacotamenento (funcionários e maquinaria)

Autor David Freitas
Data Fotografia 1950 dep. - 1970 ant.
Legenda Secção de empacotamento da Fábrica dos Leões
Cota DFT5136.1 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Fósseis pré-históricos - A Geologia vai ao Convento



Durante todo o mês de Novembro, o Convento do Espinheiro acolhe uma exposição única: Fósseis Pré-Históricos - A Geologia vai ao Espinheiro.
O registo fóssil contém inúmeros vestígios fossilizados dos mais variados organismos do passado geológico da Terra. Tudo pode fossilizar, até mesmo elementos orgânicos mais delicados e perecíveis. Apenas os restos ou vestígios de organismos com mais de 11.000 anos são considerados fósseis.
Mais do que uma exposição, marque um reencontro com milhões de anos de História, num espaço que faz da História de Portugal um dos seus grandes atractivos.


Évora Perdida no Tempo -Fachada principal do Salão Central Eborense


Em 1943 o Salão Central Eborense foi remodelado pelo Arquitecto Keil do Amaral, tendo sido adaptado a cinema e salão de festas.

Autor David Freitas
Data Fotografia 1943 dep. -
Legenda Fachada principal do Salão Central Eborense
Cota DFT6382 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

domingo, 6 de novembro de 2011

Técnicos Comerciais - Évora

A Neoparts, representante exclusiva da Kärcher (maior fabricante mundial de equipamentos de limpeza doméstica e profissional) e da OZ, MSW, Sparco, TSW, entre outras reputadas marcas de jantes, pretende admitir Técnicos-Comerciais com residência em Évora ou arredores.

Pretende-se candidatos com experiência mínima de 3 anos na área comercial (principalmente em venda de equipamentos de limpeza e/ou jantes e pneus) e com capacidade para identificar e antecipar oportunidades de negócio. Preferencialmente com experiência na negociação com clientes na área da construção civil, indústria, canal horeca, grandes escritórios, revenda, oficinas, stands, entre outros. Empatia, dinamismo, forte iniciativa pessoal, capacidade de integração em equipas e bastante disponibilidade.

Respostas para:

marta.santos@neoparts.pt

sábado, 5 de novembro de 2011

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Emanuel ao vivo na Arena d'Évora dia 12 de Novembro


Sábado, 12 de Novembro às 21:30, realiza-se um concerto na Arena d'Évora que inclui também a actuação de Nunos & Nunettes (com Nuno Graciano e Nuno Eiró) e da banda MAXI.

Os bilhetes estão à venda até à véspera do espectáculo (preço único de 10€) na Tabacaria RAPÉ, no Largo das Portas de Moura. No dia do espectáculo, a partir das 14 horas, nas bilheteiras do Arena d'Évora.

Para quem residir em Lisboa, Alenquer, Almada, Coruche e Samora Correia, existirão autocarros para quem desejar ir a Évora.

Reservas e informações: 919 356 106 - Évora ; 918 660 966 - Lisboa

Évora Perdida no Tempo - Crianças a brincar no Templo Romano


Grupo de crianças, alunos do Colégio da Dona Maria do Céu, a brincar no templo romano.

Autor David Freitas
Data Fotografia 1973 - Out -
Legenda Crianças a brincar no Templo Romano
Cota DFT2611 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Mal me Queres no Espaço Celeiros


Há algum tempo atrás, em inquérito realizado aos espectadores da ‘a bruxa TEATRO’, foi sugerido a apresentação duma “peça de autor português, clássico ou contemporâneo”. Uma vez que um dos pilares da escolha de repertório é, exacta e principalmente, a dramaturgia contemporânea.
Integrado no tema para o biénio 2011-2012, ‘Paixão e Política’ surge, assim -- após ‘Émilie e Voltaire’ -- este texto de João Santos Lopes, ‘MAL ME QUERES’, 2º Prémio INATEL, 2000.
Um texto onde o desamor, a frieza de sentimentos, a fuga para comportamentos sociais perigosos, no seio duma família disfuncional são a pedra de toque desta teia de relações que, sem apego, revoltada, falsamente apaixonada e traída encontrará, no final um caminho menos penoso.
Ao abordar temas fracturantes da sociedade portuguesa (prostituição, droga, homossexualidade, abuso de menores…) e sem que sobre eles exerçamos qualquer juízo, contribui a ‘a bruxa TEATRO’ para a sua saudável e necessária discussão.

VIII Jornadas de Cardiologia em Évora



Em 2011, as VIII Jornadas de Cardiologia irão abordar os Síndromes Coronários Agudos e o projecto da Angioplastia Primária no Alentejo, a Prevenção da Morte Súbita, o Tratamento da Fibrilhação Auricular, a Insuficiência Cardíaca, a Hipertensão Arterial, a Diabetes e doenças cardiovasculares e as inovações sobre Anticoagulação e Antiagregação.

A prescrição de actividade física aos doentes cardíacos será um dos temas abordados na Mesa Redonda sobre Desporto e Coração. Simultaneamente, existe um programa de enfermagem e de cardiopneumologia.
As primeiras Jornadas de Cardiologia de Évora decorreram em 1990, no Palácio de D. Manuel, e contaram com a colaboração de especialistas provenientes de todo o país. Desde então, o Serviço de Cardiologia do Hospital do Espírito Santo, E.P.E. tem tido o prazer de dar continuidade a estas Jornadas, organizando-as de três em três anos.

As Jornadas de Cardiologia são dirigidas a todos os profissionais que lidam com a doença cardiovascular, não só a cardiologistas mas também a médicos de Medicina Interna e de Medicina Geral e Familiar, assim como a enfermeiros, técnicos de cardiopneumologia, nutricionistas e psicólogos. A partilha de conhecimentos e experiências resultante destas Jornadas irá certamente promover as boas práticas clínicas na abordagem do doente cardíaco.

Évora Perdida no Tempo - Interior da loja "Sequeira e Feio"


Autor David Freitas
Data Fotografia 1950 - 1960
Legenda Interior da loja "Sequeira e Feio"
Cota DFT5038 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A questão religiosa e o património


 A primeira grande ofensiva anti-clerical sistematizada no nosso país (as leis pombalinas de 1759-67 visavam apenas os jesuítas) foi desencadeada por Joaquim António de Aguiar, ministro dos Negócios Estrangeiros e da Justiça, durante a regência de D. Pedro nos Açores, em  nome de sua filha Maria da Glória, futura D. Maria I.

Foi este Doutor em Leis que promulgou a lei de 30 de Maio de 1834, que considerava extintos «todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e quaisquer outras casas das ordens religiosas regulares» sendo os respectivos bens expropriados e integrados na Fazenda Nacional. A medida valeu-lhe o epíteto de o Mata Frades. Em Évora, esta decisão caiu, segundo o cónego Fernando Marques, sobre os 22 conventos, 6 colégios e 3 reformatórios existentes no concelho. Os masculinos, em número de 13, foram imediatamente nacionalizados e colocados à venda em hasta pública, enquanto os femininos ficaram a agonizar à espera da morte da última religiosa. O confisco dos seus numerosos haveres (herdades e outros prédios rústicos, casas e grandes somas pecuniárias amealhadas) conveio ao reino, necessitado como estava de dinheiro para fazer face à caótica situação financeira resultante das pugnas civis que se arrastaram até 1849 e, depois, para apoiar o esforço gerado em torno do movimento de reorganização e regeneração do país.

Muitos dos maiores contribuintes da cidade estiveram entre os compradores dos mosteiros, enquanto uma quantidade menor, na ausência de interessados na sua aquisição, se viu destinada à instalação de serviços públicos ou acabou mesmo por ficar vazia e sem qualquer aproveitamento. Nesta diversidade de situações deu-se o inevitável, entre desvios e apropriações ilegais dos respectivos recheios. Nos estudos que dedicou ao tema, o historiógrafo Túlio Espanca apurou que só em 1836 saíram dos Conventos de Évora, para Lisboa, 443 pinturas das quais 348 eram telas e 95 em madeira. No entanto, conforme sublinhou o historiador A. H. de Oliveira Marques na sua obra “A Primeira República Portuguesa – alguns aspectos estruturais” «o clero regualar mal foi afectado pela legislação de combate às ordens religiosas. Continuava a possuir bens de raiz nas cidades e nos campos. Participava em empreendimentos comerciais, industriais e financeiros. (...) A Igreja dispunha ainda dos seminários, um por bispado aproximadamente, que propagavam a doutrina e a influência clerical entre as massas, numa época em que a menor densidade de escolas oficiais e a maior pobreza do povo os tornavam popularíssimos nos meios rurais».

Alguns foram, entretanto, os conventos que depois de vendidos a particulares católicos voltaram a receber ordens religiosas que regressavam de forma encapotada ou a coberto de vários pretextos. Com o anti-clericalismo em crescendo, consubstanciado em manifestações e reuniões públicas realizadas com esse propósito, o governo de Hintze Ribeiro emitiu, em 12 de Março de 1901, um decreto reiterando a manutenção da legislação anterior e uma semana após determinou mesmo o encerramento de várias casas mantidas por institutos religiosos, nomeadamente confrarias fundadas por leigos.

Por essa altura já em Évora se tinha encetado a demolição dos imóveis monacais pelos quais ninguém manifestara interesse e que, desocupados durante algumas décadas, entraram em acelerada deterioração Assim aconteceu com os Conventos de S. Francisco, S. Domingos, do Paraíso e de Santa Catarina. Outros foram sendo adaptados a novas funções. Não foi por isso de estranhar que na primeira lista de património classificado sob protecção legal, publicada em meados de 1910, ainda em tempos de Monarquia Constitucional, não figurasse um só convento eborense.

Sucedeu porém que com o início do novo século o clero regular passou a estar igualmente debaixo de fogo. Não que a proliferação de doutrinas ateístas ou agnósticas como o livre pensamento, o cientismo, o positivismo ou o socialismo e o anarquismo, tivesse afectado por demasia o espírito religioso, mesmo católico, dos portugueses; antes o que se passou a contestar abertamente foi a interferência do clero na vida política e cultural portuguesa. Não faltava mesmo quem, aceitando a religião, fosse pela erradicação do clero. E Évora não ficou imune a esta nova atitude face aos eclesiásticos. Os republicanos locais, assim como as associações de class, incentivavam e cediam as suas instalações para nelas se realizarem conferências, debates, reuniões e encontros se tivessem por fim o anti-clericalismo. O Arcebispo de Évora, D. Augusto Eduardo Nunes, era o principal alvo da sanha contestatária, sendo falsamente acusado de jesuíta.

Logo que chegaram à cidade os primeiros rumores de que o novo regime havia sido implantado uma turba exaltada, tendo sabido que o prelado não havia desfraldado a bandeira verde-rubra, assaltou o paço com a intenção de o matar. Valeu-lhe na circunstância João José de Oliveira, o chefe local da Carbonária, que devido à sua grande ascendência no movimento revolucionário conseguiu impor-se aos manifestantes demovendo-os das suas intenções e fazendo-lhes ver quão inoportuna e precipitada era tal atitude, pois nem sequer a vitória estava ainda confirmada oficialmente e ademais os republicanos eborenses não queriam ser tomados por um bando de assassinos, mas eram, sim, gente de bem.

No dia seguinte, chegada a confirmação oficial, D. Augusto Eduardo Nunes manda hastear a bandeia republicana, reúne o cabido e faz a saudação à República, conforme relata o Padre Senra Coelho em recente tese de doutoramento que se debruça sobre a figura do prelado eborense no contexto da 1ª. República. Nessa alocução fez ainda um agradecimento público a João José de Oliveira dizendo de «quanto o estimava e desejava provar-lhe o seu reconhecimento». Tendo conseguido ultrapassar tempos difíceis durante a Monarquia Constitucional, o antístete eborense tinha algumas esperanças de que o retorno de uma certa acalmia poderia resultar num relacionamento diferente com a República. Entre as principais figuras do novo regime contavam-se Afonso Costa, Teófilo Braga e alguns outros que tinham sido seus antigos colegas em Coimbra nos tempos de estudante e com quem privara em atmosfera de respeito mútuo. E como fora o único bispo a não hostilizar directamente a República e os restantes bispos portugueses lhe reconheciam grande capacidade intelectual e tacto diplomático, D. Eduardo Augusto Nunes, com o assentimento do episcopado, entabulou conversações com o governo, através de Afonso Costa, para a elaboração de legislação que definisse claramente as relações entre o Estado e a Igreja.

Mas a Lei de Separação entre a Igreja e o Estado publicada em 20 de Abril de 1911 veio provocar o repúdio generalizado do clero nacional, designadamente nos aspectos patrimoniais que continha. Determinava-se o arrolamento dos Bens Cultuais (relativos ao culto), sendo criadas as Comissões Concelhias, constituídas por leigos, para proceder ao arrolamento de todas as «catedrais, igrejas e capelas, bens móveis e imobiliários que têm sido ou se destinavam a ser aplicados ao culto religioso e à sustentação dos ministros dessa religião e de outros serventuários dela. Incluindo as respectivas benfeitorias e até os edifícios novos que substituíram os antigos».

Surpreendentemente a realização dos arrolamentos não obrigava a uma avaliação de selos, considerandose suficiente que se entregassem os mobiliários de valor cujo extravio se receava, provisoriamente à guarda das juntas de paróquia ou enviados para os depósitos públicos. Pior, as comissões concelhias eram presididas pelos administradores de concelho, em geral incapazes de uma avaliação correcta dos mesmos, ou que, seduzidos pelos metais preciosos de que eram feitos ou tinham incrustações, deles se apoderavam sem o mínimo pudor. Em Évora evocava-se como antecedente o acontecido em 1886, quando, por denúncia pública, se soube da responsabilidade directa do administrador do concelho, António Joaquim Ramos, «no desaparecimento dos conventos extintos, de uma extensa gama de artigos religiosos de excepcional valor, entre os quais um relicário de ouro com pedras preciosas, uma vasta colecção de peças de louça da Índia e um berço de prata, perfeitamente cinzelado, com um menino Jesus chuchando um dedo».

Entretanto as igrejas seriam emprestadas ao clero para celebração do culto, não havendo quem se responsabilizasse pela sua limpeza e preservação, destituídas de qualquer protecção ou segurança, à mercê de assaltos, saques, pilhagens e vandalismos vários como era suposto acontecer, temor que o rolar dos dias veio a confirmar, sem que se tenha podido avaliar o volume de peças extremamente valiosas que levaram sumiço ou foram simplesmente subtraídas. Pela segunda vez, em cerca de 80 anos, a cidade era esbulhada, por meio de legislação absurda, de parte do seu vasto património cultural. Os seminários foram reduzidos a cinco, entre os quais o de Évora, e sujeitos ao pagamento de renda pela sua utilização. Perante isto e outros articulados com reais implicações sociais que noutro domínio serão referidos, o episcopado português reagiu violentamente, tendo sido D. Augusto o redactor do protesto colectivo enviado ao governo.

O executivo não gostou de se ver contestado e, perante a resistência oferecida à concretização de vários aspectos da lei, puniu os bispos com a pena de banimento de dois anos dos distritos das suas dioceses. Uns foram penalizados ainda em 1911; os outros só no ano seguinte. O Arcebispo de Évora foi o último e escolheu Elvas para local de desterro, não sem antes dirigir dura missiva ao Presidente da República. Quando regressou em 1914 não tinha residência, dado que o Paço já estava destinado a alojar o Museu e o Seminário, vazio e preparado para se transformar em quartel como ainda chegou a ser. À pilhagem e desvio do seu recheio para mãos desconhecidas escapou o espólio. Para morada do prelado eborense, a Condessa de Margiocchi cedeu durante cinco arcebispados o Convento do Carmo, que era sua propriedade, situação resolvida nos derradeiros anos do século por D. Maurílio de Gouveia, precisamente o último com direito à sua ocupação.

Texto: José Frota 

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