terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Personalidades Eborenses - André de Resende

André de Resende (Évora, por volta de 1500 — 9 de Dezembro de 1573) foi um frade dominicano, um intelectual, um teólogo, um arqueólogo, um especialista da Grécia e da Roma antiga, em suma um grande pensador humanista português. Foi também mestre de Dom Duarte. Filho de Pero Vaz de Resende e de Ângela Leonor de Góis, ficou órfão de pai muito cedo, ingressando aos dez anos no convento da Ordem de São Domingos de Évora.
Em 1533, sabemo-lo de novo em Portugal, no convento de São Domingos, em Évora, sendo então convidado para mestre do infante D. Duarte, o que aceitou, transferindo-se por essa altura da ordem dominicana para a situação de clérigo secular. Regia, simultaneamente, a cadeira de humanidades na Universidade de Lisboa, passando a leccionar, em 1537, na de Coimbra.
André de Resende foi, provavelmente, o pioneiro da arqueologia em Portugal, à qual se dedicou com zelo, devendo-se-lhe o primeiro estudo dos monumentos epigráficos da época romana em Portugal.
Teve uma profunda acção como ideólogo do Renascimento e como pedagogo divulgador dos estudos latinos e gregos, havendo deixado uma vasta produção literária, composta em latim e português. Órfão de pai, desde tenra idade, André de Resende cedo deixa a sua casa para seguir os estudos.
De 1513 a 1517 estuda em Alcalá de Henares, passando, no ano seguinte, ao Estudo de Salamanca, onde se doutorou, tendo como mestre de Grego, Latim e Retórica, o seu compatriota Aires Barbosa. Entre 1518 e 1526, vai até ao sul da França e demora-se por lá dois anos, repartidos entre Marselha e Aix, tendo recebido nesta última cidade as ordens de diácono. Em 1529 estava em Lovaina, entregue a uma grande actividade literária, que culminaria no Encomium urbis et academiae Lovaniensis e no Erasmi Encomiu, dado alume em Basileia em 1531.
Provavelmente em 1530, frequenta a Universidade de Paris, onde, segundo o seu próprio testemunho, cursa as aulas de Grego, regidas por Nicolau Clenardo, que tinha conhecido em Lovaina e a quem havia de ir buscar a Salamanca, em Novembro de 1533, por incumbência de D. João II, para preceptor do infante D. Henrique, o futuro cardeal-rei.
Lovaina a cidade belga onde tomou contacto com as correntes humanistas, tornando-se amigo de personalidades próximas do grande pensador Erasmo.
Em 1531 passa a residir em casa do embaixador português junto da corte de Carlos V em Bruxelas, D. Pedro Mascarenhas, entrando assim no séquito do diplomata. Mas se já então os novos deveres cortesãos obrigam Resende à memória histórico-patriótica e ao poema de circunstância, como foi o Genethliacom Principis Lusitani, composto para celebrar o nascimento do infante D. Manuel, filho de D. João III e D. Catarina.
O seu itinerário coincide com o do embaixador, que ele acompanha por toda a parte. Em 1533 regressa definitivamente ao Reino, indo acolher-se ao seu convento de Évora e, depois, em casa própria onde regia uma escola pública que voluntariamente encerrou em 1555 quando o ensino foi entregue aos Jesuítas tendo então recolhido novamente ao seu Convento. Começa então o ciclo da sua actividade intelectual em Portugal. É a instâncias suas que Clenardo e Vaseu vêm reger em Portugal: o primeiro em Évora, em 1533, e o segundo no Estudo de Braga, em 1538. Vivamente interessado pela arqueologia romana, foi o primeiro a interessar-se pelos restos e antiqualhas encontradas, mas não o move ainda o espírito científico, não hesitando em falsificar inscrições epigráficas. Em vernáculo legou mais dois opúsculos históricos: A Santa Vida e Religiosa Conversação de Frei Pedro e a Vida do Infante D. Duarte, que ficou inédita até 1789, data em que por imcumbência da Academia das Ciências de Lisboa, a publicou o abade José Correia da Serra.
A sua ossada repousa na Sé de Évora.

Obras em português
Vida do Infante D. Duarte, Lisboa, 1789;
A Santa vida e religiosa conversão de Fr. Pedro;
História da Antiguidade da cidade de Évora;
Fala que Mestre André de Resende fez à Princesa D. Joana;
Fala que Mestre André de Resende fez a El-Rei D. Sebastião;


Obras em latim
Narration rerum gestarum in Índia a Lusitanis, Lovaina, 1530;
Epistola de Vita Aulica, Lovaina, 1533;
Genethliacon Principis Lusitani ut in Gallia Belgica celebratm est a viro clarissimo D. Petro Mascaregna regia legato, Mense decembri, Bononiae, 1533;
Oratio pro Rostris pronuntiata in Olisiponensi Academia, clanedis Octobribus, Lisboa, 1534;
De verborum coniugatione commentarius, Lisboa, 1540;
Vincentius, Levita et Martyr, Lisboa, 1545;
Oratio habita Conimbricae in Gymnasio regio anniversario dedicationis eius die IV calend. Julii, Coimbra, 1551;
In obitum D. Joannis III, Lusitanine regis, Conquestio, Lisboa, 1557;
Epistolae tres carmine, Lisboa, 1561;
Carmen Endecasyllabon ad Sebastianum Regem Serenissimum, Lisboa, 1567;
Ad manturandum adversus rebellis Mauros expeditionem cohartiatio, Évora, 1570;
Ad epistolam D. Ambrosii Moralis viri doctissimi, Responsio, Évora, 1575;
De Antiquitatibus Lusitaniae, Évora, 1593;

Évora Perdida no Tempo - Fachada do antigo Banco Nacional Ultramarino


Fachada do antigo Banco Nacional Ultramarino na Praça do Sertório, depois da obras de remodelação.

Autor David Freitas
Data Fotografia 1951 dep. -
Legenda Fachada do antigo Banco Nacional Ultramarino
Cota DFT7628 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Teatro: Pipo Mímico...ou Quase

O espectáculo “Pipo Mímico … ou Quase” é fruto do trabalho continuado do actor Victor Pires ao longo de mais de 20 anos, um trabalho onde a técnica de clown é desenvolvida nas suas mais variadas vertentes.

Fazer rir é extraordinário, uma sorte um privilégio, Pipo personagem central do espectáculo como, vai mais uma vez encantar o púbico com as suas aventuras.

Este espectáculo conjuga o trabalho do palhaço tradicional com a pantomina, a magia, jogos musicais e a manipulação de bonecos, um momento onde a relação do actor com o espaço, a precisão do gesto e a cumplicidade com a iluminação cénica nos proporciona uma hora de bom divertimento.

Ficha Artística:
Encenação e Interpretação: Victor Pires
Cenografia e Figurinos: Victor Pires
Execução de Figurino: (fato) Gregória Meira, (sapatos) José Leite Marinho
Produção: Teatro de Portalegre
Sonoplastia: Hélio Pereira
Desenho de Luz: Armando Mafra
Design de Comunicação e Fotografia: Carla Fonseca
Secretariado e marketing: Alexandra Janeiro e Rita Tavares
Manutenção do Espaço: Filomena Cova

Dia 2 de Fevereiro:
Sala Principal do Teatro Garcia de Resende
às 10h30
Espectáculo para crianças M/4

Évora Perdida no Tempo - Ermida de São Sebastião


Autor David Freitas
Data Fotografia 1950 - 1960
Legenda Ermida de São Sebastião
Cota DFT7066 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

domingo, 29 de janeiro de 2012

Recrutamos Técnico de ATM’s (M/F) Évora

A Go Work como empresa especializada na área dos Recursos Humanos, está a recrutar para empresa sua cliente “Técnico de ATM’s” (M/F).

ZONA: Évora

HORÁRIO:
- De 2ª a 6ª Feira das 09.00h às 18.00h.


REQUISITOS:
- 12º Ano de escolaridade (Curso Técnico-Profissional nas áreas de eletrónica, eletricidade e/ou eletromecânica);
- Experiência em funções similares e preferencialmente na manutenção de ATM’s;
- Carta de condução;
- Excelente capacidade de comunicação;
- Disponibilidade imediata.


OFERECE-SE:
- Vencimento compatível com a função;
- Subsídio de alimentação;
- Possibilidade de integração nos quadros da empresa.



Candidate-se em http://emprego.gowork.pt/ ou directamente nas nossas instalações: Av. Praia da Vitória, nº12 B, 1049-054 Lisboa.

Para mais informações, contacte-nos. Telf: 211546040.
Todas as candidaturas serão tratadas com confidencialidade ao abrigo da Lei de Protecção de Dados.

Somente serão consideradas as candidaturas que reúnam o perfil solicitado. Todas as restantes ficarão em base de dados para futuras solicitações.

Alvará nº 544, concedido a 07/05/2007 pelo IEFP.

sábado, 28 de janeiro de 2012

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Visita guiada dia 28 de Janeiro: Évora, Percursos e Memórias

O projeto “Évora, Percursos e Memórias - 25 Anos de Património Mundial da Humanidade, 25 Monumentos, 25 Lendas, Histórias e Devoções” promove no próximo dia 28 de janeiro, sábado, pelas 15 horas, mais uma visita a alguns sítios históricos da cidade de Évora.

Esta visita vai conduzir os participantes ao Templo e ao Fórum Romanos, pelo Arqueólogo Panagiotis Sarantopoulos (CME), e à “Domus” da Rua de Burgos/Alcárcova de Cima, pelo Doutor Rafael Alfenim (Direção Regional de Cultura do Alentejo). A Professora Doutora Maria Cátedra (Departamento Antropologia Social da Universidade Complutense de Madrid) irá abordar nesta vista as lendas e histórias de Sertório e de Diana e a Corça. Nesta visita será distribuída a Pagela N.º 4.

O projeto “Évora, Percursos e Memórias” foi idealizado para o programa das Comemorações dos 25 Anos de Évora Património da Humanidade, classificação atribuída à cidade pela UNESCO em 1986, é uma organização da Câmara Municipal de Évora, e tem a colaboração de várias instituições da cidade. O projeto consiste na realização de uma visita mensal, geralmente aos sábados, conduzida por especialistas, com o objetivo de dar a conhecer os principais monumentos e elementos distintivos do Centro Histórico da cidade, explorando a sua arquitetura e a sua história, bem como as lendas, devoções e tradições que guardam consigo.

Évora Perdida no Tempo - Ermida de São Sebastião

Autor David Freitas
Data Fotografia 1950 - 1960
Legenda Ermida de São Sebastião
Cota DFT7066 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

António José de Ávila, o primeiro governador civil de Évora

A introdução da figura do governador civil na Administração Pública portuguesa ocorreu em 1835, na sequência do triunfo liberal na Guerra Civil, concretizado com a assinatura da Convenção de Evoramonte, ocorrida no ano anterior. O território foi dividido em distritos e junto de cada um passou a funcionar um magistrado administrativo designado por governador civil. Retomava-se desta forma a proposta anunciada aquando da revolução de 1820, que preconizava a substituição da comarca, enquanto entidade administrativa, pelo distrito, alteração que as sucessivas contra-revoluções foram sempre impedindo e contrariando.

A sua definitiva capitulação propiciou aos liberais a ocasião para impor finalmente as reformas necessárias à fixação do novo regime e à novidade da divisão e separação de poderes. Assim apareceram os governadores civis, nomeados pelo Conselho de Ministros, que enquanto representantes do governo central estavam dotados de autoridade para coordenar as suas políticas e serviços da administração pública na área do seu distrito. Em relação aos antigos corregedores foram-lhes retiradas as competências judiciais, as quais passaram para a esfera dos tribunais. 

A partir de meados do século XX, porém, a sua importância começou a esbater-se gradualmente por via da criação por cada ministério das suas próprias delegações e serviços regionais. Actualmente os governos civis estão limitados às funções de dependências do Ministério do Interior, sabendo-se que a sua existência depende da implementação da Regionalização consagrada na Lei Fundamental do País.

Até aos dias de hoje o cargo de governador civil de Évora registou 93 mandatos, distribuídos por 79 pessoas. Houve quem o ocupasse por 3 vezes (Visconde de Guedes e Joaquim António dos Reis Tenreiro Sarzedas) e também quem bisasse o lugar. Coube, no entanto, a um jovem açoriano, António José de Ávila, que se havia de tornar figura de grande relevo na política portuguesa, inaugurar a função tomando posse a 27 de Junho de 1835, contando por essa altura 29 anos. Ávila nascera a 8 de Março de 1807, na cidade da Horta, na ilha do Faial, sendo de origens muito humildes, filho de um sapateiro e de uma lavadeira.

Da dezena de descendentes gerados pelo casal apenas quatro chegaram a adultos, o que diz bem das agruras e tormentos enfrentados. A vida da família melhorou bastante quando o seu progenitor decidiu dedicar-se ao comércio e pôde começar a poupar parte dos rendimentos, destinados a custear os estudos de António José no Continente, já que este se vinha afirmando como aluno de grandes recursos intelectuais nas escolas faialenses. 

Com apenas 15 anos Ávila matriculou-se na Universidade de Coimbra, onde cursou Filosofia e Medicina, acabando por obter reconhecimento de mérito no primeiro curso. No início da Guerra Civil de 1832-34 retornou aos Açores, onde se instalara o governo liberal. Rapidamente ganhou prestígio no parlamento insular. Com a vitória liberal foi designado Governador Civil de Évora e eleito deputado pela Horta. Na cidade permaneceu durante um ano e três meses, tendo sido exonerado a 19 de Setembro de 1836, na sequência do chamado golpe setembrista, movimento popular radical que conquistou a adesão militar repondo a Constituição de 1822. Mas o seu trabalho foi muito apreciado em todo o distrito, tanto assim que foi eleito por Évora e pela Horta em 1838, e em 1840 novamente por Évora e pela Horta, mas também por Beja e pela Feira, neste último caso como substituto. 

Então era possível um deputado ser eleito por mais de um círculo. O termo dos governos setembristas aconteceu em 1940. No ano seguinte o cartista Joaquim António de Aguiar chega à chefia do governo e nomeia Ávila para ministro das Finanças, cargo que desempenha durante os executivos de Costa Cabral e do Duque da Terceira, e vem a abandonar com a ascensão ao poder do Duque de Saldanha. Em 1857 volta ao lugar no primeiro governo do Duque de Loulé. Após a Janeirinha, um movimento contra o aumento de impostos ocorrido a 4 de Janeiro de 1868 e que, apoiado por comerciantes e proprietários, ditou o fim do governo de fusão, António José d’ Ávila foi chamado a formar governo.

O diploma em causa foi revogado mas o pior foi que o erário público foi fortemente penalizado. Daí à queda do executivo que comandava foram seis meses. Ainda voltou a ser Ministro das Finanças e, entre 1870 e 1877, exerceu por duas vezes, em alternância com Fontes Pereira de Melo, o cargo de Primeiro-Ministro. Entretanto, em 1871 foi designado para presidir à Câmara dos Pares, substituindo o Duque de Loulé. Em 1878, já com 71 anos, recebeu o título de Duque de Ávila e Bolama, em virtude do seu êxito enquanto negociador diplomático por banda de Portugal no diferendo mantido com a Grã-Bretanha,que reclamava o seu direito à ilha de Bolama, mas cujas pretensões não colheram vencimento junto das instâncias internacionais mercê da sua argumentação em defesa do património português. Recebeu por tal feito o grau de Grão-Mestre da Ordem da Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

Morreu em Lisboa a 3 de Maio de 1881 este grande político português que subiu na vida a pulso e foi o único plebeu a ser nobilitado. Começou a sua brilhante carreira como primeiro governador civil de Évora. Mas quantos o sabem?


Texto: José Frota

Évora Perdida no Tempo - Montra da Loja Oliva


Monta da antiga Loja Oliva, situada nas arcadas da Rua João de Deus.

Autor David Freitas
Data Fotografia 1950 - 1969
Legenda Montra da Loja Oliva
Cota DFT2928 - Propriedade Arquivo Fotográfico da CME

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Évora Design in Context (27 e 28 de Janeiro)

Évora Design in Context é uma iniciativa promovida pelo CHAIA, que tem como objectivo constituir uma plataforma de partilha de conhecimento, assente na práxis metodológica de investigadores e profissionais do design cuja experiência científica, académica e de terreno reflectem variadas perspectivas, disciplinas e campos de actuação em design: Design e Ecologia, Design de Produto, Design Gráfico, Design Digital, e Gestão do Design constituem algumas das áreas que nesse âmbito serão exploradas.

Com organização da responsabilidade da Prof. Inês Secca Ruivo, do Departamento de Artes Visuais e Design da Universidade de Évora, o evento contará com a participação de investigadores de reconhecido mérito nacional e internacional nas áreas do Design de Produto e do Design de Comunicação. Nesse contexto destacam-se os nomes do Prof. Bernhard E. Buerdek, da Hochschule für Gestaltung Offenbach am Main, na Alemanha, e do Prof. Eduardo Herrera, da Facultad de Bellas Artes da Universidade do País Basco.

Assinala-se ainda que o logótipo do evento é fruto de um concurso promovido junto dos alunos do primeiro ano da licenciatura em Design, cujo vencedor foi o aluno Diogo Dantas sob a coordenação da Prof. Célia Figueiredo, co-autora do projecto gráfico.

Oradores

Bernhard E. Buerdek Design - from 20 to 21
Hochschule für Gestaltung [HfG] I Offenbach am Main I Alemanha

Eduardo Herrera Design signs
Facultad de Bellas Artes I Universidad del País Vasco – Euskal Herriko Unibertsitate

Célia Figueiredo Design Editorial - Revistas de Moda/Tendências
Departamento de Artes Visuais e Design I Universidade de Évora – Escola de Artes

Elder Monteiro A influência dos softwares CAD nos objetos de Design
Departamento de Artes Visuais e Design I Universidade de Évora – Escola de Artes

Inês Secca Ruivo EcoBio Design – Emoção e Eficácia como Estratégia
Departamento de Artes Visuais e Design I Universidade de Évora – Escola de Artes

Isabel Dâmaso Design e Investigação
Faculdade de Belas Artes I Universidade de Lisboa

João Castro Identidades Dinâmicas
Departamento de Artes Visuais e Design I Universidade de Évora – Escola de Artes

Jorge dos Reis Clarim Fonética: Uma nova ferramenta pedagógica na sala de aula, uma fonte tipográfica, um alfabeto fonético, uma estratégia visual
Faculdade de Belas Artes I Universidade de Lisboa

Katja Tschimmel Design Thinking – motor para a inovação nas organizações
ESAD I Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos

Miguel Bual Design e interfaces de aroma
Departamento de Artes Visuais e Design I Universidade de Évora – Escola de Artes

Paulo Parra Design Protético e Design Simbiótico
Faculdade de Belas Artes I Universidade de Lisboa

Tiago Navarro Os problemas da metodologia no Design Editorial: o caso do rdesign Reconquista
Departamento de Design de Comunicação e Produção Audiovisual I Instituto Politécnico de Castelo Branco

Promotor
CHAIA - Centro de História de Artes e Investigação Artística | Universidade de Évora
FCT – Fundação para a Ciência e Tecnologia

Parceiros
IIFA - Instituto de Investigação e Formação Avançada | Universidade de Évora
Escola de Artes | Universidade de Évora
MADE - Museu do Artesanato e do Design de Évora | Colecção Paulo Parra

Apoios
Turismo do Alentejo, E.R.T.
Milideias - Comunicação Visual, Lda.

Organização
Inês Secca Ruivo
Tel.: +351 965 852 873
miruivo@uevora.pt
isruivo@gmail.com

Secretariado: Dra. Carmen Cangarato
CHAIA - Palácio do Vimioso
Largo Marquês de Marialva, 8
7000-809 Évora
Tel.: +351 266 706 581

Inscrição e Pagamento:
A inscrição deverá ser efectuada online na página do CHAIA até ao dia 25 de Janeiro. O respectivo pagamento poderá ser realizado por multibanco ou transferência bancária (conta nº 0035 0297 0006796113073 da Caixa Geral de Depósitos) anexando comprovativo após confirmação da inscrição online, ou também, de forma presencial no CHAIA ou junto da Prof.ª Inês Secca Ruivo.

Preço:
€ 4,00 - para alunos e antigos alunos dos cursos de Design da Universidade de Évora
€ 5,00 - para alunos e docentes do ensino universitário
€ 10,00 - para o público em geral

Évora Perdida no Tempo - Refeitório do Seminário Maior


Refeitório do Colégio de Nossa Senhora da Purificação (Seminário maior), em Évora.

Autor David Freitas
Data Fotografia 1950 - 1966
Legenda Refeitório do Seminário Maior
Cota DFT4334 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Monumentos de Évora - Solar dos Cogominhos

A Torre/Solar dos Cogominhos, mansão fortaleza localiza-se em Torre dos Coelheiros, freguesia cuja sede se situa a cerca de três léguas de Évora. Ninguém sabe aquando remonta a origem da povoação. É, porém, dado como certo que Pedroalvez, o primeiro dos Cogominhos, era senhor daquelas terras e «se achou com Giraldo Pestana, o Sem Pavor, na tomada de Évora, e levou a Coimbra as chaves das cinco Portas daquela praça a El Rei Dom Afonso Henriques ». Assim o escreveram Frei Bernardo de Brito na primeira parte da “Crónica de Cister”, entre 1597 e 1602, e António Villas Boas e Sampaio na “Nobliarchia Portugueza”, publicada em 1676.

A autoridade dos Cogominhos estendeu-se então aos domínios de Oriola e Alvito e alguns dos seus descendentes foram para Lisboa, adquirindo prestígio junto da Corte. Um dos que mais se distinguiu fora da sua região foi Nuno Fernandes Cogominho, feito Almirante de Portugal por D. Sancho II. Coube contudo a Fernão Gonçalves Cogominho, filho bastardo do Cónego da Sé de Lisboa, D.Gonçalo Fernandes Cogominho, a iniciativa de instituir o morgadio de Fonte dos Coelheiros (cães especializados na caça aos coelhos e às lebres) no termo de Évora, decorria o ano de 1357.

Fê-lo agregando-lhe «todos os seus direitos e pertenças e casas e vinhas, torre, pomar, fontes, ribeiros, azinhal, soveral , matos», por entender ser necessário garantir ao seu filho primogénito os bens suficientes para a manutenção do seu estatuto social. E acrescentou o argumento de que «a partição das heranças pelos herdeiros era azo de não poderem os filhos manter a honra dos padres e dos seus avós e as linhagens ficavam em grande míngua e caíam os estados e honras que antigamente houveram».

Como se pode verificar por uma leitura atenta da instituição do morgadio, a torre já integrava os seus activos, tendo sido construída ou finalizada nesse mesmo ano, conforme é defendido pela maioria dos historiadores. D. Afonso IV ajudou quer a uma quer a outra coisa, dado que Fernão Gonçalves havia sido seu meirinho-mor, copeiro-mor e companheiro na batalha do Salado. O bastião, de planta quadrangular, em alvenaria de pedra, atinge os 13 metros de altura e é coroado por merlões (parte saliente de uma fortificação) em estilo mourisco, colocados entre cunhais, seteiras e mata-cães, aparelhados em cantaria de granito. Nessa altura era tido como a mais elevada fortificação do Alentejo, de entre as que ficavam fora das cidades, divisando-se do seu alto Monsaraz, Terena, Alandroal, Portel, Évora, Évoramonte, Monte Trigo, toda a Serra de Ossa pela parte Sul e parte da Serra Morena, em Espanha.

Depois a torre, que já mudara o nome à terra e ao morgadio, passou a paço, tendo-lhe sido incorporadas, no piso térreo, alas exclusivamente para salões. No decurso dos séculos XVII e XVIII recebeu dois corpos laterais rectangulares, compostos por pavimento térreo e sobrado, «com frente regular de dez janelas, sobre dupla escadaria de granito», aumento que muito se ficou a dever ao espírito de iniciativa de Diogo Xavier de Mello Cogominho. Nas memórias paroquiais de 1758, o Padre Joseph Gomes Saramago regista-o como compreendendo «várias cazas, em três andares ou pavimento». Por essa altura já a povoação tinha passado a paróquia e os bens da família Cogominho ultrapassado a légua de comprido do dito morgadio, alargando-se por mais herdades, ricas em «trigo, sevada, senteyo, e grandes montados de azinho e sovro». 

Todo este vasto património se viria a desmoronar com a lei liberal da extinção dos morgadios, criada por Mouzinho da Silveira em 1832, mas que só entrou em vigor no reinado de D. Luís por Carta de Lei de 19 de Maio de 1863. Alegou-se que a mesma tinha o fito de acabar com a desigualdadeimoral entre irmãos, mas tudo isto não passava de uma falácia, pois o que se pretendia era acabar com as grandes fontes de riqueza da monarquia rural, enfraquecendo-a nos seus alicerces financeiros.

A fragmentação do morgadio pelos diversos herdeiros vibrou um golpe fatal. As diversas parcelas daí resultantes foram vendidas. A Torre também encontrou compradores que, no entanto, pouca atenção lhe dedicaram. Devido à falta de conservação o edifício entrou em fase de acentuada degradação por volta de 1920. Para evitar a sua completa e definitiva ruina o seu último proprietário, João António Lagartixo, oriundo de uma conhecida família de Redondo, decidiu doá-lo à Câmara Municipal de Évora, no ano de 1957.

Ficou então consignado que o seu restauro seria orientado e aprovado pala Direcção Geral dos Monumentos Nacionais e na Torre ficariam sediados um edifício escolar e a Junta de Freguesia. Condição totalmente aceite, o que levou à sua classificação, por Decreto Lei de 18 de Julho de 1957, como Imóvel de Interesse de Público. Resta acrescentar que o compromisso foi integralmente respeitado e a Torre se encontra activa e animada e em excelente estado de conservação. Visita ao mundo rural e à história concelhia a não perder numa tarde de fim-de-semana.

Texto: José Frota 




Évora Perdida no Tempo - Recepção do antigo Hotel Planície


Autor David Freitas
Data Fotografia 1950 - 1960
Legenda Recepção do antigo Hotel Planície
Cota DFT2935 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

domingo, 22 de janeiro de 2012

Comercial (M/F) ÉVORA

A Flexilabor, Empresa de Trabalho Temporário Lda., integrada no Grupo Pessoas e Soluções, encontra-se no momento a recrutar Comerciais(m/f).

Função:

- Venda directa a particulares de produtos e serviços de Telecomunicações.

Requisitos:

- Experiência na área comercial ou similar;

- Orientação para objectivos;

- Conhecimentos de Informática;

- Disponibilidade Imediata.

Oferecemos:

- Formação inicial remunerada;

- Contrato de trabalho;

- Sistema de comissões Mensal;

Horário:

- 8 horas diárias desempenhadas entre as 13h e as 22h,

Local de Trabalho: Évora e arredores

Observações:

Envie hoje mesmo resposta a este Anúncio anexando currículo actualizado para:


, indicando como referência DC_Évora.

Av. António Augusto de Aguiar, nº 108 2º Dto.

1050-019 Lisboa

(em frente ao El Corte Inglês)

Alvará nº 403 de 13 de Dezembro de 2002

Flexilabor, Flexibilidade Inteligente

sábado, 21 de janeiro de 2012

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Fundação Eugénio de Almeida destina 400 mil euros para apoios

A Fundação Eugénio de Almeida (FEA), de Évora, vai destinar este ano cerca de 400 mil euros para apoios e subsídios na área social, de que é exemplo uma bolsa atribuída a alunos mais carenciados da universidade local.
O presidente do Conselho de Administração da FEA, Eduardo Pereira da Silva, realçou esta sexta-feira que, num ano particularmente devastado pela crise, a contribuição da fundação assume "um papel ainda mais significativo".
Uma das medidas integradas no quadro social da missão da fundação é o programa de ajuda a estudantes da região com menos recursos, para a prossecução de estudos superiores, explica a entidade.
O apoio assenta num protocolo de colaboração com a Universidade de Évora (UÉvora) para a atribuição da Bolsa Eugénio de Almeida, cuja parceria foi agora renovada.
A bolsa, destaca a FEA, envolve um valor anual total de 100 mil euros, repartido por alunos com baixos rendimentos económicos, não abrangidos pelo Serviço de Acção Social.
Os estudantes, a frequentar cursos de 1.º ou 2º ciclos ou de Mestrado Integrado na universidade, têm de ter aproveitamento escolar e a bolsa visa "dar oportunidades a estes jovens para que possam prosseguir a sua formação académica", de acordo com a FEA.
Esta parceria revela uma "elevada responsabilidade social perante um cenário de crise aguda, que dificulta cada vez mais o acesso e permanência de alunos oriundos de estratos mais desfavorecidos ao ensino superior", afirmou o presidente.
No global das várias áreas de intervenção da fundação, os apoios e subsídios à comunidade representaram, nos últimos três anos, mais de dois milhões de euros, revelou a instituição.

Ex-votos Pintados na Galeria da Casa de Burgos

Foi inaugurada na passada quarta-feira a exposição Ex-votos Pintados, que estará patente na Galeria da Casa de Burgos, em Évora, até dia 17 de fevereiro.

Os ex-votos, sob formas e feitios variados, moldados em diferentes materiais (objetos, pinturas, desenhos, esculturas e fotografias), expressam, na sua diversidade o cumprimento de uma promessa, que recompensa o divino por uma ação de graças concedida.

Tratando-se de uma manifestação da devoção religiosa popular, os ex-votos são também testemunhos de história social, terrenos privilegiados para o estudo das mentalidades, da cultura e das práticas religiosas, mas também da história da ciência e da medicina.

Tendo por objetivo mostrar painéis votivos de coleções que marcaram de maneira significativa essa forma de devoção na Europa e no Brasil, entre os séculos XVII e XIX, as imagens fotografadas, em exposição, correspondem a pinturas votivas brasileiras que integram a coleção do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos de Congonhas do Campo (estado de Minas Gerais/ Brasil) - um dos grandes centros de peregrinação brasileiro - sendo os demais ex-votos provenientes de quatro dos principais centros de peregrinação da região Alentejo: Santuários de Senhor Jesus da Piedade (Elvas), Nossa Senhora do Carmo (Azaruja), Nossa Senhora D'Aires (Viana do Alentejo) e a Ermida de Nossa Senhora da Visitação (Montemor - o - Novo).

O motivo de expor estas imagens deve-se ao facto dos painéis votivos brasileiros possuírem, como influência principal, os aspetos compositivos e pictóricos dos ex-votos portugueses, estudados por Ana Helena Duarte na sua tese de doutoramento "Ex-votos e poiesis: representações simbólicas na fé e na Arte", pela Universidade Federal de Uberlândia - UFU.

Esta exposição é organizada pela Direcção Regional de Cultura do Alentejo em colaboração com os Santuários de Senhor Jesus da Piedade (Elvas), Nossa Senhora do Carmo (Azaruja), Nossa Senhora D?Aires (Viana do Alentejo) e Ermida de Nossa Senhora da Visitação (Montemor-o-Novo).

Évora Perdida no Tempo - Fachadas da Praça do Giraldo


Fachadas da Praça do Giraldo, vendo-se a pastelaria Brasserie e a Wacuum Oil Company.

Autor David Freitas
Data Fotografia 1940 - 1950
Legenda Fachadas da Praça do Giraldo
Cota DFT7267 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Viver Évora entre os finalistas a Blogue do Ano 2011


O blogue Viver Évora foi nomeado pelos internautas um dos finalistas na categoria de melhor blogue Local/Regional a nível nacional.

Esta eleição está a ser realizada pelo blogue Aventar e a selecção dos finalistas baseou-se na quantidade de visitas mensais de cada blogue e na opinião dos leitores. É organizada em duas fases de apuramento, na primeira seleccionam-se os cinco mais votados e na segunda vota-se o melhor blogue entre os cinco finalistas.

(1ª Fase de Votação - até 21 de Janeiro)


Personalidades Eborenses - Afonso de Portugal

O Cardeal-Infante D. Afonso de Portugal ou D. Afonso de Avis e Trastâmara (Évora, 23 de Abril de 1509 – Lisboa, 21 de Abril de 1540) foi o sexto filho do rei Manuel I de Portugal e de sua segunda esposa Maria de Aragão, sendo o quarto filho varão do casal (após o príncipe D. João (futuro D. João III), o infante D. Luís, Duque de Beja, e o infante D. Fernando, Duque da Guarda; por esse motivo, foi desde cedo destinado por seu pai para a vida religiosa, tendo sido cumulado de benefícios eclesiásticos, tendo sido sucessivamente feito (mesmo não tendo ainda a idade legal para o exercício dessas dignidades) bispo da Guarda, cardeal-infante, bispo de Viseu, bispo de Évora e, por fim, arcebispo de Lisboa.
Educado na corte portuguesa, estudou humanidades, grego e latim sob a direcção dos mestres Aires de Figueiredo Barbosa e André de Resende.
Com apenas três anos de idade, em 1512, o seu pai D. Manuel tentou fazê-lo cardeal; contudo, o Papa Júlio II negou-lhe a pretensão, por não ser conforme às leis canónicas, segundo as quais só podia ser eleito cardeal homem com não menos de 30 anos de idade. Conseguiu, no entanto, que o Papa designasse o jovem infante como protonotário apostólico no reino de Portugal.
D. Manuel conseguiu também elevá-lo a bispo da Guarda, com apenas sete anos de idade, em 9 de Setembro de 1516; obteve dispensa papal para o exercício do cargo por não ter atingido ainda a idade canónica para a prelatura. Embora não desempenhasse qualquer acção pastoral, recebia as rendas do respectivo bispado.
Na sequência da grandiosa embaixada liderada por Tristão da Cunha que em 1514 D. Manuel enviou ao Papa Leão X, e que muito impressionada deixou a Cúria Romana, o rei português voltou a propor o filho para o cardinalato. O Papa viria enfim a aceder ao pedido do monarca português, tendo-o criado cardeal no quinto consistório do seu pontificado, em 1 de Julho de 1517 (o qual foi o maior consistório da história da Igreja Católica até então, tendo sido criados 31 cardeais, recorde somente superado pelo consistório convocado pelo Papa Pio XII em 18 de Fevereiro de 1946 ter feito 32 cardeais), com o título de cardeal-diácono de Santa Lúcia in septisolio; no entanto, o título foi-lhe concedido apenas sob condição de não lhe ser entregue o barrete cardinalício até o jovem infante atingir os dezoito anos de idade; não obstante, em Portugal, foi sempre tratado e reverenciado como cardeal, mesmo antes de o título ter sido oficializado.
Entretanto, foi designado pelo monarca como abade de Alcobaça, e abade comendatário do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra e do Convento de São João de Tarouca.
Em 23 de Fevereiro de 1519, renunciou ao episcopado da Guarda, sendo no mesmo dia transferido para a diocese de Viseu, de novo com dispensa por não ter ainda atingido a idade canónica. Em 20 de Fevereiro de 1523, com apenas catorze anos, por morte do arcebispo D. Martinho da Costa, foi promovido a arcebispo de Lisboa pelo Papa Adriano VI, a súplicas de João III de Portugal, seu irmão; de igual modo, foi-lhe oferecido o governo do bispado de Évora (em sede vacante desde o ano transacto), acumulando as duas sés até à sua morte. Uma vez mais, foi-lhe conferida dispensa especial por não dispor ainda da idade canónica para presidir a uma diocese.
Designou como seu vigário na arquidiocese lisboeta o deão da Sé, Fernão Gonçalves, que conduziu os assuntos pastorais durante a sua menoridade. Fixou a sua residência habitual na cidade que o vira nascer – Évora – tal como depois o irmão mais novo, também devotado à carreira eclesiástica – o cardeal-infante D. Henrique – viria a fazer.
Em 6 de Julho de 1525, contando apenas dezasseis anos, recebeu enfim, em Almeirim, o barrete cardinalício, e dez anos mais tarde, a 6 de Julho de 1535, o pálio, fazendo-se enfim sagrar arcebispo de Lisboa.
Um mês volvido, alterou o seu título de cardeal de Santa Lúcia in septisolio pelo de São João e São Paulo (13 de Agosto de 1535).
A 25 de Agosto de 1536, celebrou um sínodo da arquidiocese de Lisboa, no qual tomou duas importantes decisões: a de instituir na arquidiocese livro de registo de baptismos (medida que mais tarde viria a ser adoptada pelo Concílio de Trento), e a de substituir o rito da Igreja de Salisbury (pelo qual a igreja lisboeta se regia desde a reconquista da cidade em 1147 e a restauração da sua diocese na pessoa do inglês Gilberto de Hastings) pelo rito romano, como resposta ao Acto de Supremacia pelo qual Henrique VIII de Inglaterra criava a Igreja de Inglaterra, desligada da obediência ao Papa (tendo esta medida sido autorizada por bula de Paulo III de 9 de Dezembro de 1538). De resto, o seu receio pelas ideias reformistas que se divulgavam pela Europa levou-o a ordenar que todos os impressores e livreiros da capital apresentassem ao teólogo Álvaro Gomes os catálogos dos livros que imprimiam/vendiam, para que este seleccionasse quais os volumes que podiam conter heresias (sobretudo os que fossem oriundos da Alemanha), proibindo a sua venda e circulação, num prenúncio do que viria a ser a Inquisição.
Faleceu em Lisboa (embora outras fontes o afirmem falecido em Évora), em 21 de Abril de 1540, dois dias antes de completar os trinta e um anos. Foi primeiramente sepultado na Sé de Lisboa, tendo mais tarde o seu corpo sido trasladado para o Panteão Real no Mosteiro dos Jerónimos, onde repousa junto dos outros príncipes da Casa Real de Avis-Beja.

Évora Perdida no Tempo - Largo dos Colegiais depois da intervenção


Aspecto do Largo dos Colegiais depois da intervenção. Em Novembro de 1953 a Casa Cadaval doou ao município o terreno adjacente ao Buraco dos Colegiais para arranjo e ajardinamento, reservando essa passagem a peões, obra que ficou pronta em 1955. (Original: negativo de película de acetato, preto e branco, formato 9x12cm)

Autor David Freitas
Data Fotografia 1955 dep. -
Legenda Largo dos Colegiais depois da intervenção
Cota DFT5226 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Teatro - D. Pura e os Camaradas de Abril

Um jovem cabo-verdiano, aluno universitário, vem estudar para Lisboa e com a ajuda de seu primo Natal (que actualmente festeja o 25 de Abril a 25 de Setembro) consegue alugar um quarto, em Campo d’Ourique, na casa de D. Purificação, também ela natural de Cabo Verde. D. Pura, como lhe chamam, vivia com uma das filhas e também com o último marido, o Sr. Firmino, de quem no entanto informa estar separada dentro de casa.
Um dia D. Pura bate à porta do quarto do jovem estudante a perguntar se tinha o rádio ligado, estava a passar-se qualquer coisa, porque apenas uma emissora estava no ar e a tocar só música da tropa, marchas militares, e havia um bocado tinham pedido para as pessoas não saírem à rua…
O jovem abriu o aparelho de rádio que tinha no quarto e ficou à espera.
Depois da falhada tentativa de 16 de Março não pareciam muitas possibilidades de derrube do fascismo pela força, tanto mais que, fracassada aquela investida, certamente que o poder teria reforçado a vigilância e as acções no sentido de manter as forças armadas debaixo do domínio político.
E como se lhe tivesse adivinhado os pensamentos, o Sr. Firmino saiu do seu quarto, ainda em pijama, e veio postar-se junto da porta do dele, debitando sentenças:
- Já ouviu o que está a passar-se?
Numa narrativa bem-humorada, iniciada pelo discurso directo do jovem estudante, são revividos em cena, através da visão particular destes seus espectadores, alguns dos acontecimentos da Revolução dos Cravos.

Texto – Germano de Almeida
Dramaturgia e Encenação – Pompeu José
Assistência de Encenação – Pedro da Silva
Interpretação – Fernando Landeira, Pedro da Silva, Rui Raposo Costa e Sónia Botelho

21 de Janeiro, às 21h30
Sala Principal do Teatro Garcia de Resende

Évora Perdida no Tempo - Arco de Dona Isabel


Muralha romana de Évora (Cerca Velha): Arco (ou Porta) de Dona Isabel.

Autor David Freitas
Data Fotografia 1960 - 1970
Legenda Arco de Dona Isabel
Cota DFT6091 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Francisco José

Com uma carreira maioritariamente construída no Brasil, o cantor Francisco José deparou-se com alguns contratempos quando, em 1964, se deslocou a território português e, num programa gravado em directo, acusou a RTP de pagar miseravelmente os artistas nacionais, ao contrário do que se passava lá fora.
O caso não ficou por aí, já que Fancisco José resolveu pedir uma quantia de cinco mil escudos pela actuação que iria realizar para a RTP, mesmo estando habituado a receber cinquenta contos por programa no Brasil. A resposta foi negativa, uma vez que o limite máximo pago aos artistas portugueses era de dois mil escudos, no entanto, no seu caso, resolveram abrir uma excepção e fizeram a contraproposta de três mil escudos, caso o cantor não divulgasse a situação. Francisco José aceitou, mas no fim da actuação revelou o escândalo em directo, e a transmissão foi imediatamente cortada. Levado para a sede da PIDE, o cantor foi interrogado, e obrigado a responder em tribunal por "injúria e difamação", depois de lhe ter sido movido um processo.
Francisco José Galopim de Carvalho nasceu em Évora no dia 16 de Agosto de 1924, tendo falecido em Julho de 1988, vítima de um acidente vascular cerebral. Foi na festa de finalistas do liceu que frequentou, que se deu a sua estreia, no Teatro Garcia de Resende, com a interpretação do tema "Trovador". Passou de amador a profissional aos 24 anos, vendo-se obrigado a interromper o 3º ano do curso de Engenharia que frequentava na altura, acabando por não o terminar.
Em 1948, compareceu no Centro de Preparação de Artistas da Rádio, acompanhado por uma carta de apresentação do professor Mota Pereira, tendo cantado, no teste, as canções "Marco do Correio" e "Marina Morena.
A partida para a internacionalização aconteceu em 1951, ano em que se deslocou a Madrid para gravar "Olhos Castanhos/Se", um 78 rpm que lhe valeu 500 escudos por cada face registada, tendo regressado à cidade, no ano seguinte, desta feita para gravar três discos, "Sou Doido Por Ti", "Deixa Falar O Mundo" e "Ana Paula".
Depois de ter pisado o palco em Évora numa revista regionalista de Vasconcelos Sá, intitulada "Palhas e Moinhas", o artista repetiu a experiência em 1952, numa peça que contou com a presença de Hermínia Silva.
Dois anos depois, partiu à descoberta do Brasil, acabando por se estabelecer em Copacabana. Foi lá que construiu uma carreira sólida e de sucesso invulgar para um artista português radicado em território brasileiro. Depois de seis anos de concertos realizados para plateias de emigrantes portugueses, Francisco José registou, em 1960, na editora Sinter, a canção "Olhos Castanhos", que se tornou, no ano seguinte, na canção mais popular do panorama musical brasileiro, depois de ter vendido cerca de um milhão de cópias. Para além de regulares edições discográficas, que somaram um total de 24 álbuns, dos quais apenas seis chegaram a Portugal, do currículo de Francisco José fazem parte inúmeras passagens pela televisão, tendo apresentado um programa aos sábados no Canal 9, em horário nobre.
De passagem por Portugal, a sua relação conflituosa com a PIDE terminou com uma interdição para sair do país, pelo que esteve dezasseis anos sem cantar na televisão portuguesa. No entanto, os discos continuaram a chegar ao mercado na década de 70, e a ser recebidos pelo público com grande satisfação. "Guitarra Toca Baixinho" e "Eu e Tu" são apenas dois dos 109 títulos que compõem a sua discografia, feita de registos em 33, 45 e 78 rpm. Depois de gravado o último single, "As Crianças Não Querem A Guerra", o cantor envolveu-se na política activa mas, em meados de 80, regressou à música. A sua última actividade profissional foi desempenhada no campo do ensino, na Universidade da Terceira Idade, depois de terminar o curso de Matemática.



Música:
Olhos Castanhos
Letra da Música:
Letra e musica: Alves Coelho

Teus olhos castanhos
de encantos tamanhos
são pecados meus,
são estrelas fulgentes,
brilhantes, luzentes,
caidas dos céus,
Teus olhos risonhos
são mundos, sao sonhos,
são a minha cruz,
teus olhos castanhos
de encantos tamanhos
são raios de luz.
Olhos azuis são ciume
e nada valem para mim,
Olhos negros sao queixume
de uma tristeza sem fim,
olhos verdes sao traição
sao crueis como punhais,
olhos bons com coracão
os teus, castanhos leais

Évora Perdida no Tempo - Orquestra Monumental


Autor David Freitas
Data Fotografia 1950 - 1959
Legenda Orquestra Monumental
Cota DFT7620 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Conheça Melhor a Biblioteca Pública de Évora



Évora Perdida no Tempo - Empregados do café Arcada


Interior do Café Arcada: empregados (memórias do comércio eborense)

Autor David Freitas
Data Fotografia 1940 - 1949
Legenda Empregados do café Arcada
Cota DFT3022 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

domingo, 15 de janeiro de 2012

Procuramos Médicos para o Distrito de Évora (M/F)

A MediPeople é uma empresa de Recursos Humanos que actua unicamente no sector da saúde. Tem como Clientes de referência Hospitais Públicos/Privados, Unidades Locais de Saúde, Centros de Saúde e Clínicas, proporcionando aos seus Parceiros a possibilidade de desenvolverem uma actividade complementar àquela que é a sua actividade principal, nomeadamente a nível de:
- Serviço de Urgência;
- Consulta Aberta;
- Projectos específicos de redução de listas de espera de utentes.

Neste momento, procuramos Médicos para o Distrito de Évora.

Informações sobre o Projecto:
- Local: Hospital de Espirito Santo, E.P.E;
- Objectivo: Realização de Consultas da Dor Crónica e Técnicas de Analgesia
- Horário: Uma vez por semana das 8h00 às 18h00, em função das disponibilidades do profissional;
- Regime de Prestação de Serviços.

Requisitos:
- Experiência em consulta da dor crónica e manuseamento de técnicas analgésicas;
- Experiência em dor oncológica;
- Competência em dor crónica.

Caso tenha interesse e disponibilidade para este projecto, contacte-nos através do email:


Pode ainda visitar-nos através do www.medipeople.pt 

Vista Parcial da Sé de Évora

sábado, 14 de janeiro de 2012

Monumentos de Évora - Igreja de S.Francisco

Professor da Universidade de Évora que se fazia passar por mulher condenado a quatro anos de cadeia efectiva

O professor universitário Mário Miguel Mendes, que se fazia passar na Internet por uma mulher “lindíssima” que aliciava homens na Internet, foi condenado hoje a quatro anos de prisão efectiva.

O tribunal não teve qualquer dúvida em como o professor cometeu os crimes de que vinha acusado, o que foi demonstrado pela "abundante" prova recolhida.

Dos dez arguidos que foram julgados, cinco foram absolvidos de todos os crimes e outros cinco condenados por vários crimes, entre os quais perturbação da vida privada, coacção e ameaça na forma continuada. Entre estes cinco, conta-se, além do professor, inspectores da Polícia Judiciária e detectives, que foram condenados a penas de multa. Entre os absolvidos contam-se agentes da PSP.

Utilizando a Internet e o telefone, Mário Miguel Mendes fazia-se passar por Sofia Sá Guimarães, uma mulher “lindíssima”, segundo a foto que enviava às vítimas, com “sotaque de Cascais”, passando posteriormente a infernizar a vida dos homens que “seduzia” com essa falsa identidade.

Para perseguir as suas vítimas, o professor contratou, a troco de dinheiro, detectives privados e inspectores da PJ para que vigiassem as suas vítimas.

O arguido estava acusado de crimes de denúncia caluniosa, gravações e fotografias ilícitas, ameaça, coacção e perturbação da vida privada, tendo o Ministério Público pedido, nas alegações finais, uma pena de cinco anos de prisão para quem infernizou a vida a dezenas de pessoas.

Durante o julgamento várias das vítimas da falsa mulher loura prestaram depoimento, bem como agentes policiais que fizeram vigilância junto da casa das vítimas para tentar localizar e deter o arguido.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Teatro - Ascensão e Queda da Cidade de São Cifrão

A Cidade de São Cifrão é uma cidade fábula, uma cidade fundada por gente que se apercebe que “é mais fácil tirar o ouro de quem trabalha do que dos rios ou das montanhas”, uma cidade onde tudo é permitido ao que tem dinheiro. Não ter dinheiro é o maior dos crimes.
Na Cidade de São Cifrão há combates de três em três dias com sangue e dentes partidos, na Cidade de São Cifrão há divertimentos vários, carne de cavalo e de mulher, whisky para beber, poker para jogar, e ninguém a querer mandar. À Cidade de São Cifrão os tufões não chegam. À Cidade de São Cifrão é a cidade-armadilha. Ainda ontem perguntaram lá por vocês! Versão e Encenação: Jorge Feliciano Actores / Técnicos: Andreia Egas, Cristina Cardoso, Jorge Feliciano, Luís Mouzinho, Vítor Alegria

Dias 14 e 15 de Janeiro
Palco do Teatro Garcia de Resende

Formação - A Criança e a Expressão Dramática

Évora Perdida no Tempo - Rua da República


Edifícios a demolir na Rua da República para construção da Caixa Geral de Depósitos.

Autor David Freitas
Data Fotografia 1952 ant. -
Legenda Rua da República
Cota DFT7179 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

Academia aeronáutica despede 33 em Évora



Os aviões ainda se ouvem na cidade, mas dentro de 3 meses tudo será diferente. A CAE Global Academy despediu 33 trabalhadores da escola que tem em Évora.


Entregue na terça-feira, a carta de despedimento coletivo informa que a ligação dos trabalhadores à empresa termina dentro de 90 dias. Fonte próxima do processo revelou ao SAPO que entre os dispensados estão pilotos, formadores, mecânicos e administrativos. Apenas 15 funcionários manterão os seus postos de trabalho, numa academia que deixará de lecionar grande parte dos cursos que oferece atualmente.

No futuro, a CAE Évora dedicar-se-á apenas à "aclimatização" de pilotos formados nos Estados Unidos da América ou seja ao upgrade de pilotos que pretendem voar no espaço aéreo europeu. Instalada no aeródromo de Évora desde 1999, esta academia aeronáutica passou a fazer parte do CAE Global Academy em 2001 tendo formado até agora mais de 500 pilotos, e foi sempre apresentada com símbolo das potencialidades que a região tem para o setor da aeronáutica.

Na história recente da CAE Évora está um acidente, em Castro Verde, com um bimotor ao serviço da escola e que provocou a morte de dois alunos e um instrutor. Ocorrido em Setembro de 2009, o acidente aconteceu depois de os alunos terem realizado treinos de voo noturno em Espanha, visto que na altura, ainda não era possível realizar este tipo de instrução em Évora. O investimento na iluminação da pista do aeródromo de Évora acabaria por ficar concluído em 2010, num investimento da autarquia.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Monumentos de Évora - Torre do Salvador

Grande e bela é a Torre do Salvador, reduto de 13,20 metros de altura, assente numa base quadrangular de 9,60 metros de lado e composta por muros bastante sólidos de granito, situada junto aos Paços do Concelho. A sua construção, inserida na cerca antiga da cidade, data de meados do século XIV e tem prováveis origens romano- visigodas, traduzindo um aproveitamento semelhante ao verificado na implantação de outras fortificações assentes no Castelo de Évora.

Possuindo acesso pelo interior, através de escadas apropriadas, a Torre ostenta um aspecto bélico medieval, que lhe é conferido pela presença bem vincada de ameias e seteiras, embora mitigado pela construção do Convento do Salvador do Mundo, que lhe ficou encostado e ao qual foi servindo de mirante, ornado pelas habituais janelas de tijoleira. O templo foi sagrado em 24 de Julho de 1610 e alojou a Ordem das Clarissas, que tinha sido obrigada a desocupar o seu anterior local de retiro para que, no mesmo espaço, fosse construída a Igreja do Colégio dos Jesuítas (actual Igreja do Espírito Santo).

Durante as invasões francesas, culminadas com a tomada de Évora no dia 29 de Julho de 1808, luta em que pereceu mais de um milhar de eborenses, seguiu-se o massacre da população, tendo sido executadas mais 5.000 pessoas, número médio estimado entre as avaliações por excesso e por defeito, efectuadas por historiadores antigos e mais recentes. Mas a selvajaria das tropas do general Loison, dito “O Maneta”, prosseguiria nos dias 30 e 31 com o saque e a pilhagem sistemática dos mosteiros e das casas mais ricas da cidade. Como é óbvio, o Convento do Salvador não ficou imune ao roubo, tendo sido espoliado do seu recheio mais valioso.

Casa de clausura feminina, suscitou, isso sim, a atenção da soldadesca gaulesa, desvairada na procura de mulheres. Como é lícito supor, as freiras clarissas não saíram incólumes da imparável horda masculina invasora, não oferecendo, por inútil, grande resistência à sua brutalidade.

A Torre, em termos de construção , acabou por não sofrer danos de monta. Apesar de tudo os franceses não conseguiram concretizar o seu grande objectivo, que era o da conquista de Lisboa, e decidiram-se por abandonar o país. Com a extinção das ordens monásticas, o Convento foi entregue 1906 a uma unidade do grupo de Artilharia de Montanha. Dissolvido este, passou a aquartelar o Regimento de Artilharia Ligeira nº1. Em 1922 a Torre sineira do Convento é considerada Imóvel de Interesse Público. Mas o estado geral do conjunto monástico é lastimoso, pelo que o Estado Novo decide transferi-lo para outro local, cessando a ocupação militar do Convento.

Durante algum tempo a Escola Industrial e Comercial de Évora obtém a sua cedência para instalar na cerca e dependências cobertas um campo de jogos e algumas salas de ginástica, que não possui. Sol de pouca dura. Em 1940 a Direcção de Serviços dos Monumentos Nacionais decide abrir a sua Secção Sul na parte mais antiga do edifício, que engloba a Torre, a Igreja, exemplar de arte barroca, e respectivos coros, um pórtico e parte do Claustro. Toda a restante área do Convento é então demolida para dar lugar à construção da Estação dos Correios, Telégrafos e Telefones e ao rasgar da Rua de Olivença.

Por exibir bastos sinais de degradação, a Direcção Regional da Cultura do Alentejo, a quem o edifício está patrimonialmente afecto, decidiu retirar do local os serviços de que ali dispunha e integrá-lo na parceria Acrópole XXI, projecto de reabilitação urbana confinado àquela área e candidato a financiamento comunitário através do QREN. Dotadas de um investimento de 75.000€, as obras em causa visavam a criação de condições, naquele espaço, para instalação da loja “Cultura-Alentejo”. Terminada a intervenção no edifício em meados do ano transacto, este continua encerrado e da loja “Cultura- Alentejo” não se percebem sinais. E é pena, porque tão bela e vetusta torre, localizada na envolvente da Praça do Sertório, não merece estar sem qualquer aproveitamento cultural, social ou turístico, depois da sua recuperação.  

Texto: José Frota 

Évora Perdida no Tempo - Palácio dos Condes de Basto


Fachada ocidental do Palácio dos Condes de Basto (Pátio de São Miguel) depois das obras de restauro. O edifício, em avançado estado de ruína, foi adquirido em 1957 pelo Conde de Vill'Alva, que no ano seguinte iniciou as obras de recuperação, com a colaboração do Arquitecto Ruy Couto. As obras de consolidação, recuperação e restauro duraram cerca de 15 anos.

Autor David Freitas
Data Fotografia 1957 Dep. -
Legenda Palácio dos Condes de Basto
Cota DEFT4417 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Prémio de investigação em AVC vai para médica do Hospital de Évora

O prémio anual de investigação em Acidente Vascular Cerebral (AVC), promovido pela Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) através do seu Núcleo de Estudos de Doença Vascular Cerebral, foi conquistado pela Dra. Sílvia Lourenço, do Hospital do Espirito Santo de Évora (HESE).
O prémio foi atribuído após avaliação por um júri nacional ao estudo “perfil clínico e evolução de doentes com AVC isquémico em ritmo sinusal e sem doença cardíaca estrutural por trombo na aurícula esquerda - casuística de uma unidade de AVC”.

A seleção dos doentes para o estudo ocorreu na Unidade de AVC do HESE, com o apoio da equipa liderada pela Dra. Luísa Rebocho, em articulação com a equipa do Dr. João Vasconcelos, que realizou os estudos ecocardiográficos no Laboratório de Ultrassonografia do HESE (LUSCAN).

O trabalho consistiu na avaliação dos doentes com AVC isquémico de causa desconhecida, nalguns dos quais foram detetados trombos na aurícula esquerda. Na caracterização dos doentes, detetaram-se alterações pró-trombóticas nalguns e, noutros, doença oncológica associada.

A Dra. Sílvia Lourenço destaca que o estudo permitiu encontrar o tratamento mais adequado para os doentes selecionados, consistindo em terapêutica anticoagulante.

O trabalho de investigação valeu o prémio anual da SPMI, que atribui um estágio de três meses num hospital de Oxford, considerado um centro de referência europeu no estudo, prevenção e tratamento do AVC.

A Dra. Luísa Rebocho, responsável pela Unidade de AVC, foi quem propôs a apresentação deste trabalho ao núcleo de estudos de doença vascular cerebral: “Já ganhámos mais dois prémios”, conta com um sorriso, “da Sociedade Portuguesa de AVC e da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, por trabalhos sobre fibrilhação auricular e AVC”.

Aquela responsável salienta a vantagem de existir em Évora uma Unidade para estudar e tratar os doentes com AVC. Ao pertencer a um grupo reduzido de Hospitais com disponibilidade, mediante o LUSCAN, para realizar ecodoppler dos vasos do pescoço, ecocardiograma transtorácico e transesofágico, todos os doentes internados com AVC são estudados “em tempo real”. Estes procedimentos de diagnóstico conduzem a uma terapêutica precoce e eficaz.

A Dra. Sílvia Lourenço sente-se grata aos co-autores, cuja colaboração tornou possível a realização do estudo e irá agora desenvolver a sua investigação em Oxford, procurando estabelecer uma ponte entre aquele centro de referência da especialidade e o hospital central de Évora, para beneficiar os doentes de AVC, uma causa importante de mortalidade em Portugal.

Évora Perdida no Tempo - Festival aerónautico no campo de aviação de Évora


Autor David Freitas
Data Fotografia 1968 - Jun -
Legenda Festival aerónautico no campo de aviação de Évora
Cota DFT3140.1 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

2 de Novembro de 1959 - Encontros Imediatos em Évora ...





Évora Perdida no Tempo - Aspecto interior da Sé Catedral de Évora


Aspecto interior da Sé Catedral de Évora: vista parcial do trifório.

Autor David Freitas
Data Fotografia 1966 ant. -
Legenda Aspecto interior da Sé Catedral de Évora
Cota DFT7534 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Palácios de Évora



Évora, todos o sabem, foi uma das mais importantes cidades da fundação e consolidação do Reino de Portugal. Aqui se estabeleceram em tempos diversos monarcas, nobres de alta estirpe, comandos militares, ordens religiosas, que deixaram a sua marca nos palácios, paços, solares, defesas e conventos que mandaram levantar para sua residência. Alguns desses grandes imóveis, embora de grande visibilidade exterior, são muito mal conhecidos. Estão situados na Acrópole e foram testemunhas de acontecimentos singulares da História pátria que não fazem parte das descrições com que os guias turísticos os apresentam ou da sabedoria comum dos seus habitantes. Para lhes recuperarmos o passado e a saga que lhes está associada, colocam-se em evidência nesta edição três dos mais emblemáticos.

O Palácio dos Condes de Basto, o mais antigo dos paços de Évora, assenta num alcácer mouro, situado em plena cintura amuralhada, que D. Afonso Henriques cedeu por volta de 1176 à Ordem de S. Bento de Calatrava para seu alojamento, em troca do seu compromisso de defesa da cidade. Em 1211, os «Freires de Évora» vieram a ser presenteados com a doação do lugar de Avis, ficando, no entanto, compelidos a proceder ao seu povoamento e desenvolvimento e a nele erguer um castelo.

Para lá se mudou a Ordem pelo que, em 1220, o velho solar eborense voltou à tutela da Coroa como Paço Real, agora com o nome de Paço de S. Miguel da Freiria. D. Fernando enamorou-se do espaço e mandou fazerlhe obras de beneficiação, para o usar como residência habitual durante as frequentes vilegiaturas em Évora.

Após a sua morte a viúva, Leonor Teles, escolheu-o como poiso de eleição para os amores que mantinha com o galego João Fernandes Andeiro, seu valido, o qual tomaria o seu partido quando da crise dinástica  conhecida por interregno. Tal tomada de posição levou D. João, capitão-mor do Reino e Mestre da Ordem de Avis, a assaltar o Paço e a destruí-lo quase por completo.

Nomeado Condestável, Nuno Álvares reclamou-o para sua habitação permanente por ser lugar mui favorável a suster as arremetidas castelhanas. O edifício foi reconstruído e o grande chefe militar português viveu nele durante um quarto de século. Depois da sua retirada o Palácio ficou entregue aos capitães-mores de Évora até que D. Afonso V, em meados do Século XV, o ofereceu a Diogo de Castro, capitão de cavaleiros, na qualidade outorgada de governador hereditário da cidade.

Todavia os seus descendentes, tíbios e pusilânimes, aproximaram-se de Espanha por alturas da ocupação filipina. Fernando II conseguiu assim manter todas as regalias dos seus antecessores, tornou-se conselheiro de Filipe II e dele recebeu, em 1895, o título de Conde de Basto. De imediato o Palácio alterou a sua designação. Esta situação permaneceu até 1642, quando Lourenço Pires de Castro, 3º. Conde de Basto e protegido de Filipe III, foi expropriado por D. João IV de Portugal de todos os seus títulos a bens. O Paço voltou à posse da Coroa e, em diversas épocas, serviu de alojamento temporário ao Arcebispo D. Domingos de Bragança e a D. Catarina de Bragança, rainha viúva de Carlos II de Inglaterra. 

O seu último ocupante terá sido Vicente Rodrigues Ruivo (1895-1912), cujos herdeiros o deixaram quase irrecuperável. Em 1950 o filantropo local Engº. Vasco Maria Eugénio d’Almeida, 2º Conde de Vil’Alva, recuperou-o, com o apoio técnico da Direcção Geral dos Monumentos Nacionais, e devolveu-lhe o esplendor antigo. É Monumento Nacional desde 1922. Situado em local de complicado acesso a automóveis, o Palácio passa um pouco despercebido aos visitantes e até mesmo aos eborenses, por não fazer parte dos percursos habituais. É, no entanto, de uma beleza extraordinária, composto por um conjunto de grandes e pequenos blocos, de que se salientam a entrada, o jardim, a casa do administrador, os escritórios e arrecadações e os magníficos pórticos alpendrados.

No interior há salas esplendorosas e pinturas de encantar. Nele está actualmente sediada a Fundação Eugénio d’Almeida. No futuro está destinado a receber um Museu de Arte Contemporânea e Cultura. Junto ao templo romano fica o Palácio dos Duques de Cadaval, mandado erguer por Martim Afonso de Melo, fidalgo, rico-homem de Évora e servidor do Mestre de Avis. Assente no embasamento do antigo Castelo de
Évora, de fundamentos romano-visigodos, é um edifício fortificado, dotado de uma imponente torre na fachada principal e de outra, nas traseiras, de forma pentagonal – uma autêntica raridade. Esta faceta deu origem à sua designação primitiva de Palácio da Torre das Cinco Quinas, classificado como Monumento Nacional a partir de 1910. Tumultos acontecidos durante a crise de 1383-1385 deram azo a que fosse parcialmente incendiado.

As obras que se seguiram permitiram recuperar as torres e a Porta da Traição, ao mesmo tempo que era levantado um elegante pavilhão iluminado por janelas com cortinas de ameias de tipo mudéjar. O Palácio foi depois pousada favorita de D. João II, Dom João III, D. João IV e D. João V. O primeiro destesmonarcas manteve ali prisioneiro D. Fernando II, duque de Bragança, a quem acusou de conspiração contra si, antes de o mandar decapitar na Praça do Giraldo, corria o ano de 1483. Mas só em 1648 é criado o Ducado de Cadaval, em favor de Nuno Álvares Pereira de Melo, unindo as Casas maternas de Bragança e Melo e dos Condes de Olivença, e herdeiro ainda do Condad de Tentúgal e do Marquesado de Ferreira. 

O Palácio da Torre das Cinco Quinas passou então para a posse da nova linhagem. Hoje é a residência habitual de D. Diana Mariana Vitória Álvares Pereira de Melo, de 32 anos, 11ª. Duquesa de Cadaval e casada com o Príncipe Charles-Philipe d’Orléans, duque d’ Anjou. Os matrimónio celebrouse em Maio de 2008 na catedral de Évora com grande pompa e circunstância. No início da década todo o vasto espaço foi alvo de prolongada acção de restauro, empreendida por D. Claudine Tritz, mãe de Diana. A sua gestão compete agora à filha.

O Palácio é palco de diversas iniciativas culturais promovida e patrocinadas pela Casa Cadaval, das quais sobressai o Festival Évora Clássica, organizado desde 1994 e que é já uma referência na programação anual deste género musical. O edifício alberga também a Galeria de Arte da Casa Cadaval, onde se podem admirar diversos códices iluminados, esculturas, pinturas e armaria. No seu prolongamento fica a Igreja de S João Evangelista, de elegante pórtico gótico e panteão da família, com campas de bronze, elementos igualmente classificados.

Em parte do jardim foi aberto um simpático restaurante denominado “Jardim do Paço”. Igualmente junto ao Templo Romano, mas do lado oposto, encontrase um volumoso edifício cuja entrada é servida externamente por um espaço ajardinado onde figuram um busto, da autoria de Mestre Lagoa Henriques, do já citado D. Vasco Maria Eugénio d’Almeida, seu adquirente no início dos anos 60, e um sarcófago de arte moderna, cinzelado por José Pedro Croft. Embora nada o indique, nem da sua existência se faça menção nos guias da cidade, trata-se do antigo e sinistro Palácio da Inquisição. A Inquisição portuguesa nasceu legalmente em Évora em 1536, com o beneplácito de D. João III.

 Para instalar o Tribunal do Santo Ofício, a Igreja comprou ao conde da Vidigueira todas as casas que na área lhe pertenciam. A Inquisição só seria extinta em 1821 pelas Cortes Constituintes. No Palácio de Évora os inquisidores perseguiram, torturaram e condenaram à morte, durante 280 anos, milhares de cristãos novos e pessoas denunciadas como hereges, relapsos, feiticeiros, bruxas, prostitutas, bígamos, solicitantes e ateus, todos sujeitos aos selváticos tratos do potro e de polé. Alguns não chegaram a enfrentar os autos de fé e morreram emparedados nas cruéis covas subterrâneas criados pelo espanhol Alvarez de Paredes. Túlio Espanca assinala que, em 1963, quando da adaptação do edifício a Instituto de Estudos Superiores, foram ali achados vários esqueletos nas mais dramáticas posições.

Ao saque do imóvel enquanto abandonado, ou às transformações recebidas durante o tempo já mais recente em que foi utilizado como Hotel Alentejano, escaparam a imponente sala grande dos Despachosou dos Julgamentos, de tecto armoriado – em cuja entrada superior se pode ler inscrita a legenda Excurge Deus causa tuam – e lambril azulejar, diversos recantos e cerca de catorze mil processos, livros de receitas e despesas e cadernos do promotor. Um pouco mais abaixo, nos Serviços da Cúria Diocesana e antiga residência dos inquisidores, pode ainda ver-se, a encimar o portal de entrada, um rectângulo marmóreo envolvendo as armas do Santo Ofício: a Cruz de Cristo, entre um ramo de oliveira e uma mão empunhando uma espada. 

Texto: José Frota 

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