sexta-feira, 13 de abril de 2012

Igreja da Misericórdia de Évora



A Igreja da Misericórdia é um importante monumento religioso da cidade de Évora, situado no Largo da Misericórdia, freguesia da Sé e São Pedro.

A fundação da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Évora remonta a 7 de Dezembro de 1499, tendo sido instituida pelo próprio rei D.Manuel I, pela sua mulher a Rainha D.Maria e pela sua irmã, a rainha-viúva D.Leonor. Tendo tido a primeira sede na Capela de São Joãozinho (anexa ao Convento de São Francisco), veio transferida para este local já no reinado de D.João III. A primeira pedra da igreja foi lançada em 1554.

A igreja, de uma só nave e de sóbrias proporções, apresenta um majestoso conjunto de arte barroca dos séculos XVII e XVIII, sendo uma das mais belas igrejas da cidade de Évora. As paredes laterais encontram-se revestidas de belíssimos painés de azulejos azuis e brancos, encimados por telas a óleo, representando as Obras de Misericórdia espirituais e materiais, respectivamente. A parede fundeira é totalmente preenchida por um notável retábulo de talha dourada, encimado pela representação, a óleo, da Virgem da Misericórdia. O trono da exposição solene da Sagrada Reserva, em Quinta-Feira Santa, é ocultado durante o resto do ano por outra tela, representando a Visitação de Nossa Senhora a sua prima Isabel. Do lado direito, no corpo da igreja, levanta-se a galeria com os assentos onde tomam lugar os Mesários da Irmandade durante as cerimónias solenes.

É uma edificação de meados do século XVI, de nobre perfil clássico, cuja origem remonta a 1554, com traça que se atribui ao arquitecto Manuel Pires, mestre das obras do Cardeal D. Henrique e Arcebispo de Évora. A sua feição maneirista, de um classicismo sóbrio, mantém-se no essencial incólume, salvo a frontaria, reconstruída em 1775 por mãos do pedreiro de Vila Viçosa Gregório das Neves.

A fachada sul testemunha a campanha maneirista, patente no friso decorado de tríglifos e modilhões e enquadrado por fortes contrafortes. Já o portal, de sugestão rococó, foi sinuosamente talhado em mármore com frontão interrompido e brasão de armas. Ainda na fachada principal destaque para a janela do coro, de secção rectangular, harmoniosamente rasgada sobre o centro do frontão. O arco abatido do pórtico é ladeado por duas pilastras, com enrolamento vegetalista, finamente lavrado e que se estende até ao frontão. O cuidado no enriquecimento decorativo da igreja pode ser observado no portal, de fino lavor, profusamente talhado em secções almofadadas, pregueadas de bronze.

Contudo, é no interior do espaço sagrado que a linguagem decorativa barroca se concretiza em pleno, através do exuberante diálogo de luz e cor entre a talha dourada, a pintura de cavalete e a rica decoração azulejar. A igreja, com nave única, de forma rectangular e abobadamento de berço com caixotões, possui cinco tramos, subtilmente marcados pelos arcos torais que se desenham transversalmente à abóbada. Ao nível do primeiro registo, a nave encontra-se coberta de uma belíssima decoração azulejar de 1715, da.autoria da oficina lisboeta de António de Oliveira Bernardes. Esta série de azulejos historiados em esmalte branco com decoração a azul, é composto por sete paineis representando as Obras de Misericórdia e afirma-se como um dos mais importantes conjuntos azulejares produzidos pela oficina daquele mestre, tendo a sua colocação sido da responsabilidade do empreiteiro Manuel Borges, encontrando-se já terminado em 1716. 

Ao nível do segundo registo, a nave é percorrida por um grupo de sete telas barrocas da autoria do pintor eborense Francisco Xavier de Castro, artista de secundário merecimento. O altar-mor tem um retábulo do Estilo Nacional, de oficina eborense do início do século XVIII, de notável de lavor, que se prolonga aos colaterais. Ao centro, sobre uma duas colunas pseudo-salomónicas assentes em mísulas são sustentadas por atlantes.

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