quarta-feira, 18 de abril de 2012

O Parque de Campismo

Nas propostas de alojamento que aqui temos apresentado a predominância tem ido para os hotéis de luxo. No primeiro número, porém, a nossa escolha foi para o Solar de Monfalim, a mais antiga unidade do ramo ainda a funcionar. E, na última edição, também fugimos à concentração na cidade e fomos até à vila de Azaruja conhecer o hotel rural “Monte do Carmo”. Acontece que todas estas opções, à excepção do Solar do Monfalim, são caras, e nem todos os que nos visitam para conhecer a cidade são de bolsa recheada. Por outro lado, existe igualmente quem não tenha dificuldades económicas e goste de viajar plácida e serenamente, se deleite na apreciação da paisagem e goste de usufruir o prazer de pernoitar em lugares na periferia dos centros urbanos, sorvendo o contacto com a natureza, isto é, de praticar aquilo que é chamado turismo itinerante.

Normalmente são os jovens e os seniores que mais procuram os parques de campismo e caravanismo. E Évora tem um, embora poucos o pareçam saber, provavelmente por falta de divulgação e promoção. Aliás, o Parque de Campismo nem sequer é novo. Segundo os dados disponíveis, o mesmo terá surgido em finais dos anos 60 por iniciativa da Câmara Municipal de Évora. Para a sua instalação o município disponibilizou a Herdade da Esparragosa, com uma superfície de 3.400 metros quadrados e colonizada por uma floresta de pinheiros que, na sua forma brava, permitem a recuperação de áreas degradadas. Ao tempo o terreno situava-se fora de Évora, a cerca de 2 quilómetros da cidade, na estrada de ligação às Alcáçovas.

Não havia zona habitada nas cercanias, sendo o campo do Lusitano e o Hipódromo Amílcar Pinto, de um lado, e o armazém do Gaz Cidla, do outro, os pontos de referência mais próximos mas ainda algo distantes. Para além deste relativo isolamento, o momento da sua criação não terá sido o mais oportuno. É verdade que a cidade era então deficitária em termos de alojamento para os forasteiros que a demandavam e certo igualmente que o campismo entrara em moda, mas este fluxo corria em direcção às praias e não às zonas do interior.

Estas circunstâncias, aliadas ao rigor do clima, extremamente frio no Inverno e desmesuradamente quente no Verão, conduziram à falência da sua exploração por parte da Câmara, claramente incompetente para fazer a gestão da estrutura por si criada. Seguiram-se alguns anos de suspensão da actividade, a par de tentativas frustradas de outras entidades para o colocarem em funcionamento. Só a partir de 1986, com a concessão pela UNESCO do estatuto de Património Mundial ao Centro Histórico, a carência de unidades hoteleiras se fez sentir com carácter de urgência. E a opção mais rápida - enquanto aquelas não foram aparecendo - foi a de recuperar o Parque de Campismo, entregando-se a sua concessão à Orbitur - Intercâmbio Turismo, S.A..

A organização, que é maior gestora de parques de campismo a nível nacional, procedeu a profundas alterações, tendo reformado o equipamento, modernizando e aumentando os serviços internos e introduzindo apartamentos ou “bungalows”, que o tornaram mais aprazível e acolhedor. Entretanto, a expansão da cidade acabou por integrá-lo na extremidade da freguesia da Horta das crescimento do Parque acompanhou, no fundo, o da cidade e acrescentou-lhe uma capacidade de alojamento imprevisível anos antes. Actualmente o Parque de Campismo de Évora, um dos raríssimos da rede Orbitur que não se encontra perto de uma praia, de uma barragem, de um rio ou do mar, tem capacidade para receber 773 pessoas. Como é natural, a sua frequência é mínima durante os meses de Inverno, começa a subir lentamente a partir de Março para atingir o máximo em Julho, Agosto e parte de Setembro.

Nunca fez o pleno da ocupação, mas nesses meses tem estado, por diversas vezes, bem perto de o conseguir. Plasmado em forma de cone invertido, recebe automóveis com e sem atrelado, autocaravanas e motas, fornecendo electricidade e admitindo cães e gatos. Aluga apartamentos para 2, 4 e 5 pessoas, podendo incluir um suplemento de mais duas, e possui parque de estacionamento. Entre os serviços disponíveis e essenciais para o apoio aos utentes contamse cabinas para deficientes, lavadouros de loiça e roupa, lavagem de carros, campo de ténis e parque infantil. Nos meses de Verão estão também abertos um snack-bar, um supermercado e a piscina. O período de silêncio vigora entre as 23 e as 7 horas. Tem saída de emergência e bocas de incêndio.

Em nota final, o Parque de Campismo de Évora é uma boa estrutura turística, de solo relvado, procurada principalmente por holandeses, britânicos e franceses, padecendo no entanto de um senão: as fotografias no interior só são permitidas mediante autorização da administração.


Texto: José Frota

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