sábado, 15 de março de 2014

Évora Megalítica - Cromeleque dos Almendres


Este monumento megalítico, inicialmente constituído por mais de uma centena de monólitos, foi identificado em 1966 por Henrique Leonor Pina. A sua recente escavação possibilitou a detecção de várias fases construtivas, ao longo do Período Neolítico (V.’ e IV ’ milénios a. C.), até alcançar aspecto semelhante ao que hoje apresenta. Tais alterações são reflexo das mudanças económicas, sociais e ideológicas ocorridas. Menires com diferentes formas e dimensões, desde pequenos blocos rudemente afeiçoados, outros maiores, que deram ao local o nome de Alto das Pedras Talhas, alguns cilíndricos, esféricos, ou de aspecto estelar, formaram dois recintos erguidos em épocas distintas, geminados e orientados segundo as direcções equinociais. 0 mais antigo (Neolítico Antigo) era definido por dois ou três circulos concêntricos de pequenos monólitos, ao qual se associou, no lado poente e algumas centenas de anos depois (Neolítico Médio), um outro, composto por duas elipses, irregulares mas concêntricas, com menires de grandes dimensões. Mais tarde (Neolítico Final), ambas as estruturas sofreram modificações, tendo-se transformado o recinto inicial numa espécie de átrio que orientaria e solenizaria os rituais socio – religiosos ali praticados. As grandes dimensões da forma final do Cromeleque dos Almendres e a sua localização, próxima do cimo de importante relevo, de onde se desfruta vasto horizonte, ocupando uma encosta suave voltada a nascente, reflecte aspectos determinados pela evolução cultural. À última fase mencionada corresponde, ainda, a aplanação parcial de muitos monólitos, conferindo-lhes aspecto estelar, assim como a sua decoração, através de relevos ou de gravuras. 0 menir 57 mostra composição com treze representações de báculos, possíveis objectos de prestígio social, característicos dos espólios funerários da fase evolucionada do megalitismo alto-alentejano. Também os menires 56 e 48 oferecem figurações de tais artefactos, no primeiro associada à escutiforme e, no segundo, incluída numa pequena cena centrada por figura antropomórfica esquemática. 
0 menir 58, situado na extremidade norte do eixo menor do recinto, exibe três imagens solares radiadas. Tal iconografia corresponde a um momento final do Neolítico ou já ao Calcolítico, quando na região se fizeram sentir os estímulos culturais das primeiras comunidades metalurgistas, produtoras de artefactos de cobre e portadoras de nova superestrutura religiosa. Esta era centrada por uma super-divindade feminina, idealizada com grandes olhos solares, a grande deusa-mãe mediterrânica.
0 Cromeleque dos Almendres constituíu, por certo, uma construção de carácter plurifuncional, capaz de organizar, durante cerca de dois milénios, o espaço em termos físicos e psicológicos, hierarquizando e estruturando o território em seu redor. Ele foi, também, local de agregação social e possivelmente símbolo da autoridade político-religiosa, no seio das populações de economia agro-pastoril e semi nómadas que habitaram a zona, estando ligado às observações e previsões astrais, como as práticas propiciatórias da fecundidade. Estas são sugeridas pelo falimorfismo de alguns menires, pelas decorações observadas e pela deposição de mós em algumas das suas estruturas de sustentação. Durante o Calcolítico o recinto terá sido desactivado e parcialmente arruinado, como deixa pressupor o derrube e destruição de muitos dos menires.

Notícia retirada daqui

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