terça-feira, 2 de maio de 2017

‘’Overdose de Tourette’’ no Armazém 8


Na sequência dos espectáculos de Stand Up Comedy que a ARCAE  e o Armazém 8 tem vindo a organizar, temos o maior prazer em dar-vos conhecer o ultimo espectáculo da temporada intitulado  ‘’Overdose de Tourette’’ que ser irá realizar no dia 05/05/2017 pelas 22h00m

Quis o destino e um almoço em que os quatro intervenientes acabaram bêbedos, que duas duplas de comediantes (Rui Cruz e Paulo Almeida - Overdose & Manuel Cardoso e Diogo Batáguas - Tourette) se juntassem para fazer um espectáculo em conjunto.
Depois de esgotarem o Teatro do Bairro em Lisboa e duas sessões no Teatro Sá da Bandeira no Porto, os ‘Overdose de Tourette’ preparam-se para percorrer o país! E como é habitual, não vão existir regras de bom-gosto.
Por isso  em Évora vai ser memorável!

Overdose de Tourette - Rui Cruz, Paulo Almeida, Manuel Cardoso e Diogo Batáguas                                           
Data: 05-05-2016
Preço: 10,00 €        
Bilhetes e Informações
https://ticketline.sapo.pt/evento/overdose-de-tourette-17355

Não vai querer perder esta grande noite de comédia!

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Comemorações 10 anos Urban Sketchers no Alentejo


Em 2017 os Urban Sketchers comemoram o seu 10º aniversário com um programa que se estende ao longo do ano, em diversos locais do planeta nos 5 continentes.

No Alentejo aceitámos o desafio fazendo dele um trabalho de equipa entre os três grupos sketchers:Évora Sketchers, Urban Sketchers da Raia e Urban Sketchers Beja, e que se irá desenrolar entre os dias 6 de Maio a 17 de Junho.

A iniciativa consiste numa série de workshops que irão de correr em quatro cidades alentejanas (Évora, Beja, Elvas e Vila Viçosa) e que seguem um calendário que pode ser seguido na página dos Évora Sketchers - http://evorasketchers.blogspot.pt/p/blog-page_14.html.

Para consultar o programa a nível mundial o endereço é este: http://www.urbansketchers.org/p/10-years-x-10-classes.html

Évora Sketchers é um coletivo de autores, naturais ou residentes no Alentejo, em particular na região de Évora.
Desenham em diários gráficos o seu dia-a-dia no Alentejo ou nas suas viagens, respeitando o manifesto.
Também desenham em conjunto em encontros organizados a fim de partilharem experiências e saberes. Partilha também feita através de blogues e de outras redes sociais.
Representam e divulgam as particularidades da região, enriquecendo o património desenhado no tempo e no espaço, um registo do presente para o presente e para o futuro.

Manifesto Urban Sketchers
1. Desenhamos in situ, no interior e no exterior, registando directamente o que observamos.
2. Os nossos desenhos contam a história do que nos rodeia, os lugares onde vivemos e por onde viajamos.
3. Os nossos desenhos são um registo do tempo e do lugar.
4. Somos fiéis às cenas que presenciamos.
5. Usamos qualquer tipo de técnica e valorizamos cada estilo individual.
6. Apoiamo-nos uns aos outros e desenhamos em grupo.
7. Partilhamos os nossos desenhos online.
8. Mostramos o mundo, um desenho de cada vez.

Évora Sketchers.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Évora pela PAZ | “A Situação Internacional e a Luta pela Paz” | 6 Maio | 15h30 | Teatro Garcia de Resende


O Núcleo de Évora do CPPC – Conselho Português para a Paz e Cooperação, realiza uma sessão pública, aberta a todos os interessados a refletir na defesa da Paz, Sábado, 6 de Maio, pelas 15h30, no Salão Nobre do Teatro Garcia Resende.

Serão oradores, Ilda Figueiredo, Presidente da direção do Conselho Português para a Paz e Cooperação e Frederico Carvalho, membro da Presidência do Conselho Português para a Paz e Cooperação, filiada no Conselho Mundial da Paz, sendo também presidente do Conselho Fiscal do Movimento Pelos Direitos do Povo Palestino e Pela Paz no Médio Oriente (MPPM).

Este é um tema delicado que exige uma profunda reflexão sobre a luta pela Paz. O CPPC (Núcleo de Évora) apela à participação de todos.



Ilda Figueiredo

Ilda Figueiredo: Economista e professora. Presidente da direção do Conselho Português para a Paz e Cooperação.

Foi deputada na Assembleia da República e no Parlamento Europeu. Foi autarca em Vila Nova de Gaia, Porto e Viana do Castelo.

Tem diversos livros publicados nas áreas da política, educação e poesia.



Frederico Carvalho

Frederico Carvalho: Frederico Gama Carvalho, 81, nascido em Lisboa, Portugal, licenciou-se na Universidade do Porto, em 1959, em Engenharia Electrotécnica.

Recebeu em 1967 o grau de Doktor-Ing., pela Universidade de Karlsruhe, na então República Federal Alemã, e, em 1970, equiparação ao grau de Doutor em Física, pela Universidade de Lisboa. Entre 1969 e 1974, foi Adjunto do Director-Geral para os Assuntos Científicos e Técnicos do então Laboratório de Física e Engenharia Nucleares da Junta de Energia Nuclear, sito na Bobadela, Sacavém. Entre 1979, e 1995, exerceu as funções de Director do Departamento de Física daquela instituição de investigação que, entretanto, dera origem ao então denominado Instituto Tecnológico e Nuclear (ITN). Entre meados de 1999 e meados de 2004, presidiu ao Conselho Científico do ITN.

É co-autor de cerca de uma centena de artigos científicos, nos domínios da dispersão de neutrões térmicos e da concepção e projecto de instrumentação nuclear, designadamente, espectrómetros de neutrões e sondas industriais. Aposentado desde 2006, publicou algumas dezenas de artigos sobre Política de Ciência e Ciência e Paz.
Frederico Carvalho é sócio fundador da OTC-Organização dos Trabalhadores Científicos (1975), filiada na Federação Mundial dos Trabalhadores Científicos (FMTC) desde 1979, e presidente da sua Direcção. Em 2004 foi eleito Vice-Presidente do Conselho Executivo da FMTC.

É membro da Presidência do Conselho Português para a Paz e Cooperação, filiada no Conselho Mundial da Paz. É presidente do Conselho Fiscal do Movimento Pelos Direitos do Povo Palestino e Pela Paz no Médio Oriente (MPPM).

terça-feira, 25 de abril de 2017

Castelo Real de Valongo


Fica esta curiosa e importante fortificação medieval, única no seu género no Concelho, na Herdade de Castelo Real, anexa à da Grã, a cerca de 22 quilómetros a Sudoeste da cidade de Évora, em terras patrimoniais da Casa Barahona e Mira a partir dos últimos anos do séc. XIX, por compra de José Paulo Carvalho e Mira ao último Marquês de Vaiada e Conde de Caparica, D. José de Meneses da Silveira e Castro, descendente dos Condes de Basto, seus antigos e históricos donatários. Desconhecem-se documentos autênticos que tratem da sua fundação. D. Leonor Afonso, filha bastarda de D. Afonso III, a piedosa princesa que morreu com fama de santidade no Convento de Santa Clara, de Santarém, segundo carta existente na Torre do Tombo, comprou determinada propriedade a Paio Miguel, morador em Montoito. Em 1289, a mesma infanta, já viúva do Conde D. Gonçalo, doou à Ordem de Malta duas partes da mesma vila, que havia adquirido por escambo aos filhos do copeiro-mor del-rei, Pedro Anes, o qual tinha concedido à povoação, no ano de 1270, carta foralenga do tipo de Évora. Nenhum dos documentos escritos se refere, todavia, determinadamente ao Castelo Real, mas sim ao povoado de Montoito, que viria a ser enobrecido por D. Manuel, em 1515, com a doação do foral da Leitura Nova, vila que campeia a uma légua de distância da fortaleza, para o lado do Oriente e já situada no Concelho limítrofe de Redondo. Foram governadores do castelo Rui de Sande, conselheiro de D. João II e antigo moço de escrivaninha do malogrado príncipe D. Afonso (provisão de 1 de Janeiro de 1491) e seu filho D. João de Sande em 1526, que recebeu a alcaidaria, em nome del-rei, das mãos do capitão-mor de ginetes da Comarca do Alentejo, D. Diogo de Castro (L.º de Registo de D. João III, fl. 121). O pitoresco edifício militar está situado na Herdade da Grã, nome respeitável de antiga e nobre família eborense. Parece haver filiação história entre o topónimo e o célebre chanceler do Príncipe Perfeito, Rui da Grã, varão de justo viver, como reza a inscrição gótica da sua campa, de 12 de Novembro de 1520, depositada no Museu Regional e proveniente do demolido Convento do Paraíso, aquela inflexível figura que condenou à morte, como juiz do Tribunal da Relação de Lisboa, o Duque D. Fernando II de Bragança. O castelo, construído nos meados do séc. XIII remonta ao tempo de D. Afonso III, monarca que deu início ao aforamento e integração económica na administração pública das terras então daninhas de Redondo e Monsaraz, vilas povoadas com habitantes deslocados e valorizadas com a outorga dos forais de 1250 e 1267, respectivamente. Domina um suave cabeço pelado de vegetação, na cota 221 m. que em forma de esporão se ergue a cavaleiro da margem direita do ribeiro do Castelo, a 400 m. a sul da sua confluência com a ribeira de Vide. É constituído por um quadrilátero de 43,35 x 43,20 m., de forte mas baixo muro de rija alvenaria, coroado de ameias rectangulares com seteiras do tipo comum dos sécs. XIII-XIV, reforçado nos ângulos por pequenas torres quadradas de cunhais de pedra aparelhada, utilizadas, primitivamente, como casas de guarnição casteleja. Portados góticos, de ogivas lanceoladas, chanfrados, dão acesso ao interior das mesmas dependências. Na época manuelina, a torre de Menagem, situada no recanto Norte e que protegia a entrada principal da fortaleza, portado que não é o trecentista, mas de uma reforma dos princípios do séc. XVI e constituído por arco abatido, de granito, com chanfros e ábacos grosseiramente esculpidos, foi acrescida de importante obra defensiva e palaciega. Desta altura parece datar a construção do curioso paço anexo, que abrangia todo o pano murado do lado poente e se arruinou na centúria passada. De um grande salão de piso térreo são visíveis, somente, as mísulas e arranques de nervuras manuelinas e, do corpo alto, de outra sala, algumas janelas de vergas chanfradas, coevas, que deitam para o lado da ribeira. Elegante torrinha de secção octogonal, adossada à torre de Menagem, iluminada por seteiras e outrora coberta de capacete cónico de que restam vestígios, com mais de 50 degraus de pedra, estabelecia ligação entre os andares das várias dependências solarengas. É exemplar de secção helicoidal, com nervo de nó torso, fechado por simples cruzaria ogivada, de boa arquitectura, superior em desenho e proporções às suas congéneres da Rua Fria e do antigo palácio dos Mendanhas, de Évora. A grande torre, de três andares e terraço ameiado, passante de 15 metros de alto, embora arruinada, ainda deixa entrever a robustez e interesse das suas salas, que eram todas de dois tramos divididos por possantes arcos chanfrados, com abóbadas de nervuras, chaves e represas encordoadas, de pedra, manuelinas. Os fogões desapareceram, mas subsistem curiosos janelões de arcos de volta abatida. de cantaria e as dependência superiores de paredes estucadas e pintadas a têmpera, com restos visíveis nas golpeadas paredes. A cobertura da última sala desabou recentemente. A torre medieval do lado poente, conserva vestígios muito curiosos de arquitectura gótica, com destaque para um pequeno compartimento quadrado, que mede 4, 35 m. por banda, de abóbada circular apoiada em trompas. Possui alguns portados de ogiva, muito estreitos. Aparelhada em época mais recente, foi-lhe acrescida outra meia torre com passagem alumiada, que interrompeu o primitivo acesso aquela casa, a qual poderia ter servido de capela castelã e pública até ao séc. XVI. 

BIBL. António Francisco Barata, O Castelo Real de Montoito, in Évora e seus Arredores, 1904, págs. 11-13; Túlio Espanca, Património Artístico do Concelho de Évora, 1957, págs. 169-172. 

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Antigona Ensemble no Armazém 8


Os Antigona Ensemble do Fundão, vem cantar as musicas das revoluções que marcaram o mundo, de Portugal ao Chile, De Cuba a Itália. Uma noite de memorias de Liberdade em varias línguas e com varias sonoridades.  

terça-feira, 18 de abril de 2017

Cantar Abril no Armazém 8


Uma colaboração com o Núcleo de Évora da Associação Zeca Afonso, o Grupo de Musica AJA MUSICA, apresenta a obra de Zeca Afonso e de outros Cantautores da Revolução, 
Estará Presente um Capital de Abril, em representação da Associação 25 de Abril, para nos contar mais coisas dessa noite de 74 que marcou a historia de Portugal. teremos também uma exposição de jornais e cartazes da Época.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Casa Soure



Curioso exemplar de arquitectura civil do estilo manuelino, situado na Rua da Misericórdia, já era conhecido em 1552 como residência do fidalgo da casa del-rei Cristóvão Nunes, Provedor da Misericórdia. Integrado na área que compreendeu o casario do Infante D. Luís, filho de D. Manuel, condestável-mor do reino e administrador da Ordem de S. João de Jerusalém e, ainda, por doação deste às freiras de Malta, que aqui viveram entre 1530-50, parece que, no ano de 1597 nestes corpos, já separados dos anexos da Igreja e Mesa da Santa Casa da Misericórdia vivia D. Brites de Távora que, no edifício possuía oratório privativo, com licença para nele se celebrar missa diária. A casa, modificada em épocas posteriores conserva, todavia, a fachada axial dos jardins, do quinhentismo, com elegante terraço de cinco arcos de volta perfeita apoiados em coluneis rudes e atarracados, de granito. A abóbada do varandim central, coberta de ogivas polinervadas, compactas, ornadas de bocetes circulares e molduras torsas, é rematado por airoso coruchéu de secção cónica, envolvido, no beiral, por cortina irregular de ameias chanfradas, de alvenaria. O piso térreo, destinado, outrora, à carruagem, é aberto em arcada que comunica a vasto recinto de duas naves e três tramos desiguais, com tectos abatidos, de artesões chanfrados e arcos redondos, contrafortados. Estão compostos por mísulas e chaves com desenhos vegetalistas, bolas, cordas e nós, ainda dentro do espírito da arte manuelina. O tramo de acesso à escadaria, de pedra, com balaústres de pescoço de cavalo, de época mais avançada, é protegido por coluna poligonal com capitel de cordame. Esta parte do imóvel, de singular pitoresco, conserva as características arquitectónicas do 1.° terço do quinhentismo. Na empena avançada que deita para o exterior e para o lado da Porta de Moura, a guarnição de janelas de sacada, de padieiras semicirculares, graníticas, são da arte joanina dos meados do séc. XVIII, sendo a angular, curioso tipo de balcão mainelado, de fuste marmóreo defendido por gradeamento de barrinha. Sotoposto apareceu, em 1962, importante secção de muralha medieval da barbacã desta porta militar, em cantaria siglada. No edifício, que é propriedade da Sociedade Instrutiva Regional Eborense, funciona actualmente o Lar da Mocidade Portuguesa Feminina. 

BIBL. Gabriel Pereira, Estudos Eborenses, fase. 6, O Arquivo da Santa Casa da Misericórdia de Évora, Biblioteca Pública de Évora; Visitação dos oratórios de Évora em 1591, Ms. n.° 61 do Fundo da Manisola, fl. 116. 

sábado, 15 de abril de 2017

Casa Nobre do Largo dos Penedos


É atribuída, nos fundamentos, a Francisco de Mendanha, fidalgo da Casa Real de D. Manuel, filho do célebre alcaide de Castro Nuno, em Castela, Pero de Mendanha, que tão dedicado foi à causa de D. Joana, a Excelente Senhora e a D. Afonso V, malograda no desastre de Toro. Aquele monarca, segundo Alvará feito em Almeirim, com data de 19 de Maio de 1508, existente no Arquivo Municipal de Évora, concedeu-lhe as terras e fossos da barbacã situados ao norte das Portas de Alconchel, defronte do Poço da Boa Mulher, que foi substituído, mais tarde e em desvio acentuado, pelo chafariz público existente na actualidade, para neles se plantarem árvores e arbustos na azinhaga de suas casas. Os vastos paços tinham então frentes para os Largos de Alconchel e dos Penedos, Ruas da Carta Velha, Cal-Branca e dos Penedos, ficando esta sobrepujada por amplo passadiço de alvenaria que o falcoeiro-mor de D. João III, Jorge Henriques, lhe construiu em 1550 sobre a adarve da muralha medieval, na intenção de nos terraços dela fazer gaiolas e poleiros onde se espanejassem ao sol as aves de rapina. O edifício quinhentista chegou ao nosso século muito maltratado e subdividido no regime de enfiteuse comum. Parece que um incêndio lhe destruiu parte do corpo superior; formosas salas do rés-do-chão, com abóbadas de cruzaria artesonada, em cantaria e chaves de desenhos zoomórficos, jazeram durante anos no mais confrangedor abandono. Esta cobertura veio por terra há cerca de dez anos e um proprietário recente vendeu tão curiosos vestígios artísticos do estilo gótico- manuelino e cedeu uma curiosa janela de jambas e arcos de ferradura, geminada, de granito, do mesmo período que foi, ulteriormente, reconstituída na fachada posterior da antiga moradia dos morgados de Manedos, que deita sobre o arco da travessa de André Cavalo. Já o ciclone de 15 de Fevereiro de 1941 destruíra, por desabamento, duas alterosas chaminés do séc. XVI que, voltadas para o Largo dos Penedos, ofereciam na empena do edifício pinturesca silhueta. Do velho solar chegou ao nosso tempo, apenas, com merecimento arqueológico, o passadiço de 1550, um enegrecido pavilhão coetâneo, recoberto de fendas e restos de reboco artístico, que ultrapassa a muralha da cerca nova, e a torre cilíndrica de coruchéu cónico da escada de caracol. Este cubelo é abraçado no exterior por duplo cordão de perfis circulares e é iluminado com algumas frestas coevas. Curioso colar de merlões chanfrados arranca da cimalha e envolve a base do coruchéu que, terminado por pináculo de granito, aponta com singular capricho e elegância a linha do céu. Todos os pertences anexos, do casario, além de uma ou outra patinada pedra que surge das empenas fortemente caiadas de branco, com uma insistência que fere a vista, são elementos descaracterizados que o tempo e o utilitarismo apresentam como símbolos de uma época de mau gosto. 

BIBL. Túlio Espanca, A Cidade de Évora, n.° 33-34, 1953, págs. 452-453. 

quinta-feira, 13 de abril de 2017

"A minha escola, Arquivo de 1910 a 1974" no Arquivo Distrital de Évora

O Arquivo Distrital de Évora recebe a exposição itinerante "A minha escola, Arquivo de 1910 a 1974" patente no Arquivo Distrital de Évora entre o dia 11 de abril e o dia 15 de maio.
Organizada pela Delegação Regional de Educação do Alentejo, pela Câmara Municipal de Évora e pelo Arquivo Distrital de Évora, a exposição incide sobre a pedagogia, sobre os edifícios e os equipamentos escolares e sobre a administração escolar durante a Primeira República e o Estado Novo, recordando os tempos de escola de várias gerações de Portugueses.

Na exposição poderá recordar os livros, os diplomas, os hinos, as carteiras e os edifícios escolares.





Casa Nobre da Rua do Raimundo nº112


Desconhece-se a quem se deve os fundamentos deste interessante imóvel, exemplar de arquitectura civil dos fins do séc. XV, que se construiu cerca de 1492 (data moderna afixada no alçado posterior do lado da horta) e sofreu reparações substanciais em 1894 e 1956, estas feitas pelo proprietário Manuel Dias Descalço, a cujos herdeiros pertence na actualidade. Em 1591 habitavam em casas apalaçadas nesta rua D. Joana de Vasconcellos, viúva do claveiro, e o cónego Francisco de Macedo, personagem da câmara do Cardeal-Infante D. Henrique, irmão do comendador Manuel de Macedo, dono do edifício, que residia em Alenquer mas conservava aqui como feitor o súbdito espanhol Fernando de Ferreira. Uma destas personagens vivia, portanto, neste solar nos fins da centúria quinhentista e é provável que descendente dos fundadores; todavia, a ausência de documentação exacta, numa rua tão comprida como cheia de casas nobres toma difícil atribuir, com segurança, a qual deles pertenceu. O prospecto externo conserva os alçados originais, manuelinos, assentes em sólida albarrada de cantaria aparelhada, com abertura rectangular: as coberturas, de quatro águas, dividem em vários planos os pavilhões antigos, mas restaurados. No corpo mais arcaico levanta-se imponente chaminé de base quadrada e tubo cilíndrico, de tiragem excepcional, certamente obra de época muito avançada mas digna de conservação. A fachada posterior do alteroso pavilhão, que deita para os jardins (sobranceito à nora de telhados de madeira de nogueira, de secção octogonal, muito aguda, em desenho de inspiração árabe, com raios e discos de reminiscências mudejares, quinhentistas), robustecido nos cunhais por aparelho granítico mantém, no piso térreo, embora obstruído, friso de janelas rectangulares, geminadas, de jambas e dintéis chanfrados. Os mainéis, marmóreos, de algumas aberturas, foram destruídos mas subsistem dispersos ou aplicados no lago os capitéis mudejares-manuelinos e muitos bocados de fustes finíssimos. No andar principal, completamente modificado, respeitaram os balcões de granito com cornijas salientes e as grades de ferro forjado das sacadas, sendo uma delas de balaústres quadrados e trapezoidais, seguramente dos fins do séc. XVI. No corpo sul-poente do edifício, que deitava para os lagos do jardim, levantava-se o terraço, com eirado e torrinha terminal, cónica, hoje desaparecidos. Interiormente, no piso térreo, irregular como todas as construções coevas, existem inúmeros vestígios de arquitectura manuelina e do tempo de D. João III, de robustíssimos muros de feição militar, portados com munhoneiras, um duplo arco de volta inteira, de chanfros de granito; passadiço comunicante a pátio outrora ajardinado, de nichos e pinturas fresquistas, que se apoia em pilastras de pedra almofadada, no tipo rústico (séc. XVII) e embebidas em várias paredes mísulas e capitéis prismáticos, do estilo manuelino, ornados de bolas, cordas, mascarões e outros elementos usados na arquitectura portuguesa desse tempo. O imóvel, pelo carácter, assimetria e dignidade de proporções, com os habituais cómodos de casa semi-rústica alentejana, é um belo exemplar da sua época e estilo. 

BIBL. Visitação dos oratórios de Évora em 1591, ms. N.° 61 da Biblioteca da Manisola, fls. 101-103 (Bibl. Púb. e Arq.º Dist. de Évora). 
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