segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Évora Perdida no Tempo - Portão do Convento da Cartuxa

Autor David Freitas
Data Fotografia 1950 - 1969
Legenda Portão do Convento da Cartuxa
Cota DFT4203 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

domingo, 21 de agosto de 2011

Responsável de Loja (M/F) - Évora

A Talenter™ promove o talento dos seus colaboradores de acordo com a natureza específica de cada área, proporcionando diferenciadas oportunidades de emprego e soluções na gestão e valorização das Pessoas.

Estamos actualmente em processo de recrutamento de Responsável de Loja para empresa cliente situada em Évora.

Descrição da Função:
- Gestão e bom funcionamento da unidade;
- Concretização de objectivos de vendas e de satisfação do cliente, com implementação das acções referentes à política comercial;
- Assegurar o bom funcionamento do Ponto de Venda, a gestão e motivação da equipa, gestão de stock e gestão de vendas.

Requisitos:
- 12º ano ou formação académica superior (factor preferencial);
- Experiência profissional mínima de 3 anos em funções similares (factor eliminatório);
- Gosto pela área têxtil;
- Capacidade de liderança e gestão de equipa;
- Orientação para área vendas e espírito comercial
- Gosto por trabalhar em equipa e para o alcance dos objectivos propostos;
- Dinâmico, pró-activo e autónomo;
- Facilidade de relacionamento interpessoal;
- Disponibilidade para trabalhar por turnos;
- Disponibilidade total e imediata.

Condições:
- Pacote salarial atractivo.
- Integração numa empresa de prestígio no mercado.

Junte-se a nós e desperte o seu talento!

Caso reúna os requisitos exigidos, envie-nos o seu Curriculum Vitae, com indicação do NIF, para filipa.narciso@talenter.com, mencionando no assunto da mensagem “Responsável de Loja - Évora”.


sábado, 20 de agosto de 2011

Canalizador Oficial / Ajudante de Canalizador

A Tempo-Team Recursos Humanos recruta para prestigiado cliente na zona de Évora:

Canalizador Oficial / Ajudante de Canalizador

Procuramos:
- Experiência profissional na área;
- Disponibilidade imediata;
- Elevado sentido de responsabilidade.
- Pessoas motivadas e empenhadas no trabalho;
- Pessoas com Residência na zona;
- Carteira de soldador de tubo politileno (Canalizador Oficial).

Oferecemos:
- Vencimento compatível com função a desempenhar;
- Subsídio de alimentação;
- Horário de Trabalho Full Time.

Para se candidatar a esta oferta envie o seu currículo para o email: candidaturas.evora@tempo-team.pt

Só serão consideradas as candidaturas enviadas para o email designado.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

XII Ciclo de Concertos "Música nos Claustros" - Setembro, Évora, Convento dos Remédios.



Dia 3 de Setembro, 21h30 – Canto e Quarteto de Cordas por Carolina Raposo (soprano) Susana Nogueira, Luís Rufo (violinos), Bruno Correia (viola d'Arco), Samuel Santos (violoncelo). Instrumentistas Convidadas: Helena Raposo (Teorba), Ana Filipa Luz (Cravo).
Programa: Obras de Haendel, Vivaldi, Porpora, Mayr e outros.


Dia 10 de Setembro, 21h30, Recital de Canto e Guitarra por Orlanda Isidro (soprano) e Fernando Cordas (guitarra) Programa: Obras de G. F. Haendel; W. A.Mozart; Fernando Sor; Francesco Molino; Mauro Giuliani; F. Schubert; B. Britten e Walton.


Dia 24 de Setembro, 21h30, Recital de Violino e Piano por Irina Pak (violino) e Ian Mikirtoumov (piano)
Programa: J. S. Bach - Sonata N.º 2 in A Minor, BWV 1003 – Grave e Fuga; A.Schnittke - "A Paganini" (para violino solo); N. Milstein - "Paganiniana" (para violino solo); J. Brahms Violin - Sonata N.º 3 in D Minor, op. 108 e I. Frolov - "Fantasy" on the themes from Gershvin's opera Porgy and Bess.

Pelas Ruas de Évora ...


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

I Jornadas Enfermagem Pediátrica

O Serviço de Pediatria do Hospital do Espírito Santo de Évora, EPE vai organizar as I Jornadas de Enfermagem Pediátrica.

Para o efeito, propõe-se abordar temas da atualidade, contando com a presença de distintos palestrantes. Através da partilha de conhecimento e da experiência de especialistas, pretende-se assim contribuir para a contínua formação e atualização, dos profissionais e todos os demais empenhados em melhorar os cuidados de saúde prestados à criança/família.

As I Jornadas de Enfermagem Pediátrica subordinadas ao tema "A Criança e a Doença Crónica" terão lugar a 30 de Setembro de 2011, no Auditório da Universidade de Évora.

Inscreva-se on-line através do formulário.



Demolição parcial do antigo Paço dos Condes de Sortelha (actual edifício da Câmara Municipal de Évora) na Praça do Sertório, para abertura da nova Rua de Olivença (1951). Sensivelmente na mesma altura foi demolido o claustro do Convento do salvador para construção do edifício dos Correios (1948).


Autor David Freitas
Data Fotografia 1948 - 1951
Legenda Abertura da nova Rua de Olivença
Cota DFT6085 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Festival de performance e artes da terra em Évora

Os Birds are Indie atuam no dia 17, às 23:00, no Largo de S. Vicente, em Évora, num concerto integrado no “Escrita na Paisagem” – festival de performance e artes da terra, a decorrer entre julho e setembro em várias localidades do Alentejo.

O espetáculo resulta de uma parceria com Tiago Pereira e faz parte do projeto “A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria”, um projeto do realizador ao abrigo do qual tem percorrido várias localidades portuguesas e filmado músicos portugueses desconhecidos.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A Feira de S.João


Realizada pela primeira vez no Rossio de S. Brás a 24 de Junho de 1569, a Feira de São João é durante séculos a maior e mais importante feira do sul do país. Na primeira metade do século XX é ainda um acontecimento único na região, que atrai imensos visitantes e centenas de feirantes de todo o Alentejo, das Beiras, do Algarve e de algumas zonas de Espanha.
As novas gentes que passam e as que se instalam; as novidades e exclusividades comerciais, agrícolas e artesanais à venda; a comoção do circo, das touradas, dos teatros, das exposições e das visitas de ilustres personalidades, tiram a cidade da rotina nesses dias.
Um corrupio que ainda hoje embarga as vozes que recordam a Feira de S. João de há 50 anos... Como foi o caso do grupo de senhoras do Centro de Dia da Rua do Fragoso.
Cristina Louro, de 74 anos, natural das Alcáçovas, ouvia falar nesta feira, mas só a conheceu aos 16 anos, quando veio para Évora “servir”. A patroa deu-lhe uns sapatos e a filha da patroa emprestou-lhe um vestido, e nem o ter caído das escadas – por não saber andar de saltos -, ao sair de casa, nem o ter chegado à feira e ver o seu namorado, e futuro marido, a andar no carrossel com outra rapariga, a impedem de ter, até hoje, um enorme apreço pela feira daquela época... Sentimento partilhado por Emília Dias, de 73 anos, que lembra com emoção ter comprado na feira a lã para o colchão do seu casamento. Aliás, segundo os relatos de mais cinco senhoras, entre os 60 e os 78 anos de idade, as peças para o enxoval, as cerejas, e os queijos “para o ano todo”, eram as principais compras feitas na feira. Já os dias mais concorridos eram os de S. João, para os forasteiros, e o de S. Pedro, para os residentes. Inesquecíveis eram as touradas, os carrosséis, “os carrinhos de choque”, o circo e o “cortejo”. E a feira exigia “estrear roupa nova e arranjar o cabelo” e ainda fazer comida extra, “e melhor”, para as visitas que vinham a casa.

domingo, 14 de agosto de 2011

Comercial (m/f) - Évora

Tem gosto pela área comercial?

Está interessado em comissões que triplicam o seu salário?

A Kelly Services encontra-se neste momento a recrutar um Comercial para o sector das Telecomunicações.

Função:

Prospecção, Promoção, Fidelização e Venda de produtos e serviços na área das Telecomunicações para o mercado residencial.

Requisitos:

- Aptidão para o trabalho em equipa;

- Gosto pelo contacto com o público;

- Vocação para a área Comercial;

- Orientação para objectivos e resultados;

- Disponibilidade Total.

Condições da Oferta:

- Formação inicial remunerada;

- Contrato de Trabalho;

- Salário Base Subsídios Componente comissional;

- Disponibilidade das 14h às 22h;

- Integração em Equipa Comercial de Elite com possibilidades de progressão de carreira.

Construa o seu futuro, agarre esta oportunidade!

Kelly Services, mais do que um nome!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Ermida de São Bartolomeu

Em várias regiões do Alentejo, o dia de São Bartolomeu, 24 de Agosto, era uma relevante data religiosa, festejado, entre outros fins, para assinalar a conclusão das colheitas do trigo. Este ritual esbateu-se, mas em Évora subsiste um importante testemunho da adoração e dos costumes associados a este santo, trata-se da Ermida de São Bartolomeu. Um edifício do século XVII que, apesar de destroçado, tem para contar uma importante parte da história da vida religiosa e militar da cidade.

Segundo os textos bíblicos, Bartolomeu nasce na Galileia e é um dos doze apóstolos de Cristo, designado por “Nathaniel” no Evangelho de S. João, e noutros casos por “Tomé”.

No século II é situado, como pregador, na Índia, no Egipto, na Pérsia, nas margens do Mar Negro e na Arménia, onde terá sido esfolado e decapitado, num dia 24 de Agosto, no porto de Albanopolis, no Mar Cáspio. Os arménios acreditam que ele retirou o diabo do corpo de um filho do rei Polímio, restituindo-lhe a vida, e aprisionando depois o demónio. E o rei, agradecido, converte-se ao cristianismo, mas o seu irmão, e outros sacerdotes pagãos, temendo o poder de São Bartolomeu, procedem ao seu martírio que, ironicamente, faz dele o fundador da Igreja Arménia.






Possivelmente fruto desta lenda, em Portugal a maior parte das imagens e pinturas de São Bartolomeu, originárias do século XVI, apresentam-no ora vestido, ora esfolado com a pele às costas, ou dependurada no braço. A faca, instrumento do seu martírio, é também uma constante, bem como o demónio encadeado ou acorrentado.

E o santo tem fortes conexões com o diabo, melhor dizendo, com a dominação do diabo, tendo-se inclusive popularizado as expressões “andar o diabo à solta” e “o diabo a quatro”, pelo facto de, em muitas povoações, se acreditar que, uma vez por ano, a 24 de Agosto, num acto de clemência, o santo solta o diabo, provocando a desordem.
Em Évora, foi a devoção do Padre Laureano Martins a este santo e apóstolo que, em 1612, o levou a fundar um templo em sua honra na cidade – para muitos crentes este reverendo teria também o dom de expulsar dos corpos o demónio – e assim surge a Ermida de São Bartolomeu.
O local escolhido foi um outeiro, então propriedade municipal, que dista poucos metros, para nordeste, da Porta de Avis, delimitado pelos muros da chamada Cerca Nova, construída no século XIV, e no qual posteriormente, no século XVII, foi construído um dos quatro baluartes que foram agregados ao sistema defensivo constituído por aquelas muralhas.
Também junto à Porta de Avis, vários documentos do período medieval atestam a existência de um hospital, ou hospício, conforme a designação da época, com o nome deste santo, a Albergaria de São Bartolomeu, que se situaria na actual Rua das Fontes.
Mas, o Forte ou Fortim de São Bartolomeu, cuja construção começou aquando da visita de D. João IV a Évora, e cujo baluarte terá recebido pedras do antigo Convento do Carmo - este localizado junto à Porta da Lagoa -, nunca se terá concluído, tendo ficado, o que dele já existia, totalmente destruído durante os confrontos da Guerra da Restauração na cidade, conduzidos pelo príncipe castelhano D. João de Aústria, no Verão de 1663. Estas investidas foram severas e deixaram em ruínas o inacabado baluarte e o edifício da ermida, a qual só depois de 1670 foi alvo de obras de reparação – havendo relatos de que, durante os trabalhos de reboco, a queda de um andaime causou a morte do mestre da empreitada, Manuel Martins.
A Ermida de São Bartolomeu aparece representada numa pintura de 1669, que retracta a vista geral da cidade, do lado norte, da autoria do pintor de câmara do Duque Cosme de Médicis, o italiano Pier Baldi.
A vida religiosa da Ermida de São Bartolomeu terá sido bastante activa.
De 1617 existem descrições da solene procissão que terá acompanhado a trasladação da imagem de São Bartolomeu da Igreja de S. Mamede para esta ermida, transferência autorizada por bula apostólica do Papa Clemente VIII, e também há provas, referentes a esse ano, de ali se sediarem a Confraria de São Bartolomeu e a Confraria de N.ª S.ª da Paz, comprovando-se desta última o seu funcionamento até 1674.
Existem registos de enterramentos, feitos dentro da igreja, do século XVII e registos, também do século XVII e XVIII, das sumptuosas festas, e dos muitos devotos que a elas acorriam, em honra de São Bartolomeu; de N.ª S.ª da Paz, a quem os doentes atribuíam propriedades milagrosas; e de São Marcos, evangelista cujas celebrações tinham a particularidade de ser também presenciadas por touros, trazidos pelos fiéis para dentro da ermida, costume praticado em vários locais do país.

Da ornamentação da Ermida de São Bartolomeu sabe-se que se tratava de uma igreja composta de uma só nave, ampla e com abóbada de meio canhão, cuja capela principal tinha um altar de talha dourada, em que se encaixava o retábulo da pintura do martirológio do santo, existindo nos dois altares colaterais, entre outras, imagens de N.ª S.ª da Paz, São Lucas e São Marcos, destacando-se, por todo o interior, a decoração em cerâmica, de tipo tapete em policromia – o interior da ermida é descrito com pormenor no inventário documental “Foros e Próprios do Concelho de Évora”, de 1651.

No fim do século XIX a ermida desmoronou-se e o recheio sacro perdeu-se e/ou dispersou-se, a imagem de São Bartolomeu pertencente à fachada, por ser de barro, desfez-se. Desta imagem dizia-se que os seus olhos, em vidro, quando lhes incidia a luz, pareciam “estrelas resplandecentes”.

O Jornal “O Manuelinho d’Évora”, do dia 13 de Fevereiro de 1883, noticia que, no domingo antes dessa data, se deu a derrocada total da ermida, acrescentando que há muito a mesma ameaçava ruir, tendo só ficado de pé a capela mor e a parede sul. “Há muito que esta egreja amaçava ruína próxima; estava profanada há quatro ou cinco anos, e as imagens tinham sido transferidas para o Espinheiro”, adiantava também aquela publicação. E desde então, até aos nossos dias, a Ermida de São Bartolomeu não mais se reergueu. 

Igrejas de Évora

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Asilo Ramalho-Barahona - contributos para a sua história

José Maria Ramalho Dinis Perdigão deixou em testamento o legado de 12.000.000 réis para a fundação de um asilo de mendicidade, em Évora.
Em meados do mês de Setembro de 1903, a Srª. Dª. Inácia Angélica Fernandes Ramalho Barahona, sua viúva, e o Dr. Francisco Eduardo de Barahona Fragoso, seu segundo esposo na altura, tinham já em construção uma obra considerada então como colossal, cujo valor foi superior ao legado referido, atingindo 25.000.000 réis. Destinava-se a asilo para cerca de 100 trabalhadores rurais inválidos, pois Hoje a maioria daquelles que trabalham – os funcionários públicos de todas as classes, teem socorros garantidos para a velhice, já pela aposentação, pela reforma, ou pelos monte-pios; só o trabalhador rural não os tem, pois que d’ elle, salvo caso excepcional, pessoa alguma se tinha importado.
Esta construção localizava-se num ferragial então adquirido pelo referido casal, num terreno elevado, fronteiro à Horta do Bispo, na freguesia da Sé e que tinha uma grande área de terreno, destinada a horta, vinha e pomar, para uso e distracção dos abrigados.
O seu desenho e risco aparecem associados ao nome de Casanova, autor que lhe imprimiu um quid expressivo da arquitectura de S. Brás, ou seja um harmónico e severo estylo gothico normando, cópia fiel de monumentos d’ autentica origem. De forma quandrangular, destaca uma belleza grave e imponente dispertando as ideias de solidez e duração que nos asseguram no monumento a sua passagem atravez dos séculos, desafiando os elementos devastadores da natureza.
Em princípio de Agosto de 1904 ficou concluído o frontão deste novo edifício, pelo que os seus proprietários se deslocaram ao local para verificarem o adiantado da obra. Mandaram então que todos os operários fossem abonados com um dia de trabalho, pelo que estes, como agradecimento, constituíram uma comissão (Joaquim José - pedreiro, Alfredo José dos Reis - carpinteiro, José da Costa Pereira - brochante e João Caeiro- trabalhador) e foram à redacção do Jornal “Notícias de Évora” para registar publicamente a sua gratidão.
O Dr. Francisco Barahona faleceu em Janeiro de 1905, mas a sua esposa prosseguiu com a obra.
As suas características, de acordo com a notícia da época, são as seguintes: O edifício do Asylo tem 44” de comprimento, por 32” de largo e 12,3” de alto; e de estylo da Ermida de S. Braz (que lhe fica fronteira), é composto d’ uma parte baixa e um andar alto, e interiormente, tem a forma de claustro, com uma arcaria, cercando um vasto pateo com 27,5” por 4,5” de largo sob o qual há uma grande cisterna, onde são recolhidas as águas pluviaes; a superfície ocupada é de 14,8.
No piso inferior, seguindo a linha da galeria, encontrava-se, em primeiro lugar, à esquerda, a capela que, segundo a vontade da Srª. Dª. Inácia, teria a invocação de S. Francisco de Assis; o seu portal, puro gótico, obedecia ao mesmo desenho da entrada principal e as portas eram de nogueira preta; a escultura da imagem de Nossa Senhora da Esperança foi encomendada a um notável artista residente no Porto. O revestimento das paredes a azulejo foi confiado a Jorge Colaço, que representou vários actos da vida de S. Francisco de Assis , esteve exposto no seu atelier em Lisboa e mereceu a visita da Rainha D. Amélia, que lhe teceu os maiores elogios. O estuque do tecto foi obra do conceituado estucador e fingidor Sr. Meira.
Encontrava-se depois a casa de cavaco, com lareira, e o quarto para serviço de lavagens e ocupações de barbeiro, com o chão em betonilha, o que dava um aspecto de conforto e asseio. Ao lado havia dois refeitórios contíguos, um para os empregados e outro para os albergados, com muita luz e apropriadas dimensões. Seguiam-se as dispensas e casas de arrecadação. Todas as dependências tinham portas para as arcadas e frestas rectangulares para o exterior.
A parte central do edifício apresenta-se num pátio quadrado com uma vasta cisterna no centro e ladeado por um pórtico desafogado com elegantes colunas em cantaria, em cuja base havia assentos para descanso.
O acesso ao primeiro andar era feito através de duas escadas, uma de aspecto nobre, que termina com dois lanços paralelos e degraus de mármore, e outra de serviço.
No piso superior ficavam as casas destinadas à secretaria da direcção, ao gabinete do director, enfermarias, casas de roupa e alguns dormitórios, com uma cubagem de ar que lhes garantia as melhores condições higiénicas, tendo janelas para o exterior e portas para uma varanda sobre o claustro. Num dos extremos havia o recipiente de águas para distribuição, e o chão do corredor e dos quartos para lavatórios era em mosaico e o dos outros compartimentos era assoalhado.
A entrada principal localizava-se do lado da cidade, com um grande portal ogival, por cima do qual se destacava o brasão da família Barahona. O edifício era rodeado por um largo passeio e circundado por uma cerca, onde existia olival, pomar, horta, etc., e uma nora, montada segundo processos aperfeiçoados, que fornecia abundante água.
A reparação da estrada, compreendida entre a Fonte Nova e a estrada principal do novo asilo de mendicidade, e daqui para o lado norte, até onde terminava o gradeamento do referido asilo, foi feita a expensas da Srª. Dª. Inácia Barahona.
A denominação “Asylo de Mendicidade Ramalho-Barahona” foi proposta da grande benemérita eborense e os seus estatutos foram aprovados pelo Governador Civil do distrito de Évora em exercício, José da Silveira Moreno, em 3 de Agosto de 1907.
Esta acção filantrópica mereceu o louvor do rei D. Carlos, em Setembro de 1907.
A 17 de Junho de 1908, ao meio-dia, foi inaugurado o Asylo Ramalho-Barahona, havendo missa, rezada pelo reverendo padre António Augusto da Natividade, seguindo-se às 16H00, o acto de posse, dada pelo presidente da comissão, o Sr. Miguel Fernandes, que usou da palavra e nomeou como presidente honorária a Srª. Dª. Inácia Barahona.
Existem dois sinos de bronze fundido, recolhidos de campanários de capelas de herdades da opulenta casa de lavoura Ramalho-Barahona. O mais antigo e curioso é uma campainha de tocar a santos, ornamentada e esculpida de serafins e cartelas de quatro caríatides, sustentando festões de grinaldas de flores, acolhendo cenas mitológicas, miniaturais; é uma peça de arte gótico-renascentista, que tem uma legenda, com a data de 1544, e esteve no campanil da ermida da Fiúza em Deus, nos arredores de Évora. O sino de correr, de tamanho regular, que foi colocado no pátio aclaustrado do edifício, também tem legenda, datada de 1774, e veio da ermida de Nossa Senhora do Carmo, na herdade do Penedo do Ouro, ao Louredo.

M. L. Grilo

Évora Perdida no Tempo - Ruas decoradas durante a Feira de São João


Ruas decoradas durante a Feira de São João (Rossio de São Brás).

Autor David Freitas
Data Fotografia 1960 -
Legenda Ruas decoradas durante a Feira de São João
Cota DFT2156 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME