quinta-feira, 28 de junho de 2012

O incrível republicano Florival Sanches de Miranda



Nasceu em Beja, no primeiro dia do ano de 1872, este homem que foi figura importante em Évora durante as três primeiras décadas do século passado e que nos seus últimos anos de vida dizia que «só lhe tinha faltado ser Arcebispo e Comandante da Região Militar para aqui ter sido tudo». Cerca de 75 anos transcorridos sobre o seu desaparecimento, os eborenses não sabem exactamente quem foi Florival Sanches de Miranda e apenas o associam ao parque de jogos do Juventude Sport Clube, que tem o seu nome, e a um pequeno bairro que lhe é contíguo.

Florival era o filho mais novo do casamento celebrado a 25 de Janeiro de 1864, em Beja, entre o militar de carreira Eduardo Augusto de Sanches de Sousa Miranda e Mariana Lúcia Guerreiro Montes, naturais daquela cidade alentejana. Coube a Aníbal Augusto, primeiro rebento do casal, seguir as pisadas do pai, começando por frequentar a Escola Militar. Com a patente de tenente de Cavalaria viria a ilustrar-se nas campanhas de África, em 1885, quando ajudou Mouzinho de Albuquerque a aprisionar o célebre régulo moçambicano Gungunhana na região de Chaimite.

Entre 1912 e 1914 foi Governador de Macau e no regresso comandou em Évora o Regimento de Cavalaria 5. Ao invés de seu irmão, a Florival sempre interessaram mais os negócios e a política que o ofício das armas. A sua presença em Évora só é detectada no derradeiro lustro da centúria de oitocentos, como solicitador encartado, profissão em que se requeria como habilitações a instrução pública obtida em estabelecimento público e a aprovação em exames perante o Juiz da Comarca, os quais recaíam sobre os conhecimentos da teoria do processo e da prática forense, com respeito às diferentes espécies de prazos e dilações.

Republicano assumido, depressa ganhou fama de grande habilidade nas questões de que tratava. Perspicaz e com sentido de futuro, meteu-se no ramo dos transportes urbanos, que passou a dominar. Em 1911 associou-se ao comerciante Brás Simões e ambos criaram a primeira empresa deste ramo, a “Aluguer de Automóveis a Sul do Tejo”. No ano seguinte tomou de trespasse a “Empresa de Transporte de Trens d’Aluguer”, tendo cedido a sua exploração a outros mediante o pagamento de uma renda bem alta. É em 1915 que se estreia em lugar de proa na política, sendo eleito Presidente da Direcção do Centro Republicano Democrático. Daí para diante será Administrador do concelho, Comissário da Polícia e vereador até à eclosão do golpe de direita (5 de Dezembro de 1917) que levará ao poder o major Sidónio Pais.

A participação na I Guerra Mundial e a incapacidade de entendimento dos principais partidos de matriz republicana tinham lançado o descrédito sobre as novas instituições democráticas. Assumido o poder, Sidónio Pais enceta uma política ancorada no poder pessoal, repressão e perseguição pessoal, alterações na ordem administrativa e outras medidas avulsas, em suma, emitindo sinais inequívocos de preparar o regresso da monarquia. Acaba por cair igualmente no desagrado popular. Para 12 e 13 de Outubro de 1918 são marcados pronunciamentos militares em Lisboa, Porto, Lamego, Penafiel, Vila Real, Coimbra e Évora, para apear Sidónio Pais do poder.

Mas apenas nos dois últimos locais o movimento foi desencadeado. E mesmo assim o de Coimbra durou escassas horas. O de Évora levou três dias a ser sufocado. De Lisboa foi enviado um forte contigente militar, que fez com que o comité revolucionário e os civis que o apoiavam não oferecessem resistência, tendo mesmo alguns fugido. Implicado nos acontecimentos, Florival Sanches Miranda foi preso e enviado, em companhia de mais de uma centena de militares e civis, para o Forte da Graça, em Elvas, onde ficaram a aguardar julgamento.

Dois meses após, mais exactamente na noite de 14 de Dezembro de 1918, Sidónio era baleado mortalmente na estação do Rossio, tendo-se caído numa situação de impasse quanto à detenção do poder, uma vez que no Norte os fiéis à Monarquia se haviam reorganizado como força de resistência. Recolocado o Partido Republicano no poder, Florival Sanches de Miranda é nomeado Governador Civil de Évora, cargo que exerceu entre 8 de Julho de 1919 e 30 de Maio de 1921. Em 1920 pagado seu próprio bolso, e em nome de Grupo Pró-Évora, a quantia de 50 contos pela aquisição do Palácio do Amaral (hoje Governo Civil), para aí se poder instalar o Museu Regional de Évora. Anos mais tarde ambas as instituições permutaram de lugares, num processo que não cabe aqui desenvolver.

A partir de 1923 Florival Sanches de Miranda começa a afastar-se paulatinamente da política e cessa mesmo qualquer actividade nesse campo a partir do golpe militar do 28 de Maio. Em 1928 negocia com a rica terratenente D. Maria Antónia Vieira de Barahona a compra de terrenos junto ao Asilo, pelos quais desembolsa faseadamente 45 contos (5 contos de sinal e o restante de uma só assentada), e que oferece ao Juventude Sport Clube, colectividade desportiva de sua afeição, para que este instale ali o seu parque de jogos.

Tinha entretanto acumulado uma razoável fortuna que, além de outras coisas lhe permitiu ser o segundo maior accionista (sócio-gerente) da Tipografia Minerva Comercial, Lda., onde investiu seis contos de réis, só superados pelos onze contos do Banco do Alentejo; pertencer ao grupo dos maiores accionistas da Companhia de Seguros “A Pátria”; e ser sócio-gerente do Salão Central Eborense. Vítima de grave doença, veio a falecer em Évora a 29 de Setembro de 1935.


Texto: José Frota 

Évora Perdida no Tempo - Salão Central Eborense

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Igreja da Graça


A Igreja da Graça ou Convento de Nossa Senhora da Graça (popularmente chamado Convento da Graça ou Meninos da Graça), é um importante monumento religiosa renascentista da cidade de Évora, situando-se no Largo da Graça, na freguesia da Sé e São Pedro. Este mosteiro, dos frades eremitas calçados de Santo Agostinho, foi fundado em 1511, tendo sido projectado pelo arquitecto da Casa Real Miguel de Arruda.

O edifício é um belo exemplar do mais puro estilo renascentista, tendo nos acrotérios da fachada as famosas figuras atlantes a quem o povo de Évora chama desde há séculos, os "Meninos da Graça". Sofrendo o golpe da extinção das ordens religiosas, no ano de 1834, o Convento da Graça foi nacionalizado e transformado em Quartel. Entrou então em grande ruína, perdendo-se grande parte dos seus valores sumptuários, o que constituiu uma enorme perda para o acervo artístico de Évora. Muitos dos altares, imagens e sinos da igreja foram transferidos para a Igreja do Convento de São Francisco, então já paroquial de São Pedro (em cuja freguesia se situava o arruinado Convento da Graça).

Está classificado pelo IGESPAR como Monumento Nacional desde 1910 e Património Mundial da UNESCO desde 2001.

A bela capela da Irmandade do Senhor Jesus dos Passos da cidade de Évora, em mármores coloridos e embutidos, que situava no claustro, foi, em boa hora, transferida para a Igreja do Espírito Santo. O estado calamitoso de ruina atingiu o ponto máximo em 1884, com o desabamento da abóbada da igreja, perdendo-se os seus magníficos painés de azulejo (que representavam cenas da vida de Santo Agostinho). O edifício veio a ser restaurado só na segunda metade do século XX, conservando (o exterior e algumas dependências conventuais, como o claustro e o refeitório) as linhas da arte renascentista que o tornam num dos mais belos monumentos eborenses.

Presentemente serve de Messe de Oficiais da guarnição de Évora, sendo a Igreja a Capelania da Região Militar Sul.

Évora Perdida no Tempo - Aspecto nocturno da Feira de São João


Aspecto nocturno da Feira de São João, no Rossio de São Brás

Autor Marcolino Silva
Data Fotografia 1960 - 1969
Legenda Aspecto nocturno da Feira de São João
Cota MCS4592 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

terça-feira, 26 de junho de 2012

Moinho da Tapada do Ramalhinho


O moinho da Tapada do Ramalhinho está situado a Este de Évora, construído numa elevação com a cota de 255 e o seu acesso é feito pela estrada municipal que liga o Bairro de Sto António à Cidade.

A sua construção e feita de alvenaria como a sua cobertura em forma de abobada, não sendo a original, apresentando já alguma deterioração. Tem anexado a casa do moleiro, onde esta está em ruínas, só as suas paredes permanecem em pé.

Fonte: marcoseborenses.no.comunidades.net

Évora Perdida no Tempo - Carrocel durante a Feira de São João


Carrocel durante a Feira de São João (Rossio de São Brás)

Autor Marcolino Silva
Data Fotografia 1968 -
Legenda Carrocel durante a Feira de São João
Cota MCS4355 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

segunda-feira, 25 de junho de 2012

sábado, 23 de junho de 2012

Comercial D2D – Telecomunicações (m/f) Évora – 14h às 22h, com folgas ao fim-de-semana

A Vertente Humana encontra-se a recrutar para seu cliente multinacional na área das telecomunicações:

Comercial D2D – Telecomunicações (m/f)

Neste Serviço, os Comerciais têm como objectivo fazer a divulgação e a venda de produtos e serviços na área das Telecomunicações, a potenciais clientes residenciais.

Local de trabalho: Évora

Horário: 14h às 22h, com folgas ao Fim-de-Semana

- Idade Superior a 20 anos;
- Discurso Claro e Correcto (sem vícios linguísticos, sem problemas de dicção);
- Escolaridade Mínima: 9º ano;
- Excelente apresentação;
- Gosto pela Área Comercial;
- Experiência na Área Comercial;
- Gosto pelo trabalho em Equipa;
- Gosto pelo trabalho por objectivos;
- Elevada capacidade de persuasão e motivação.

Condições apelativas e acima da média:
- Vencimento Fixo + Comissões;
- Contrato de trabalho;
- Deslocações pagas pela Empresa;
- Folgas ao fim-de-semana.

Venha trabalhar numa equipa dinâmica, jovem e em crescimento. Venha trabalhar numa empresa sólida e de renome em Portugal!

Envie o seu CV, acompanhado por foto, para

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Évora Perdida no Tempo - Venda de peças de cobre, na Feira de S. João


Barraqunha de venda de peças de cobre, na Feira de São João (Rossio de São Brás)

Autor Marcolino Silva
Data Fotografia 1960 - 1969
Legenda Venda de peças de cobre, na Feira de S. João
Cota MCS2157 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Convento do Carmo (Évora)


O Convento de Nossa Senhora do Carmo é um vasto monumento religioso da cidade de Évora, ficando situado no Largo das Portas de Moura e Rua D. Augusto Eduardo Nunes (antiga Rua da Mesquita), na freguesia da Sé e São Pedro.
Os frades carmelitas estabeleceram-se em Évora em 1531, no tempo do Bispo Cardeal D.Afonso, tendo o primitivo Mosteiro sido edificado extra-muros, na zona das Portas de Avis e Lagoa, junto à antiquíssima Capela de São Tomé. O edifício ficou praticamente destruído com o cerco de Évora durante a Guerra da Restauração (século XVII). Os frades carmelitas, delajodas, pediram ao Rei D. Afonso VI que os deixassem habitar o antigo Paço dos Duques de Bragança em Évora, situado junto às Portas de Moura. O monarca acedeu ao pedido, doando a antiga moradia dos Bragança aos Carmelitas, com a condição de manterem a célebre porta dos nós, símbolo da Sereníssima Casa de Bragança, o que os frades respeitaram. A igreja foi sagrada solenemente no ano de 1691.
O edifício conventual ergue-se ao longo da Rua da Mesquita, em linhas severas do barroco seiscentista, sendo a portaria aberta por alpendre de pedra de cúpula piramidal. A entrada para o adro da igreja faz-se por longa escadaria de granito, para onde se abre a monumental porta dos nós, que os frades aproveitaram para porta da igreja. O interior, de proporções monumentais, compreende uma só nave, de abóbada de berço, com seis capelas laterais, coro-alto e galerias altas, pelas quais se ilumina a nave. Sob o cruzeiro ergue-se a maior cúpula da cidade de Évora. Os três altares do cruzeiro são particularmente monumentais, devido às suas invulgares dimensões, sendo exemplares de épocas diferentes da arte da talha dourada portuguesa. O do lado esquerdo, chamado de Nossa Senhora da Piedade, é o mais antigo do templo, sendo ainda do reinado de D. Pedro II. O do lado direito, chamado do Santíssimo Sacramento (antigo altar privativo da Ordem Terceira do Carmo), é particularmente majestoso, já da época do barroco-rococó. Finalmente o Altar-Mor, de enormes dimensões, de talha dourada e marmoreada, marcado essencialmente pelo período joanino, destacando-se as ornamentações do trono da exposição solene do Santíssimo Sacramento e da imagem de Nossa Senhora do Carmo.
O mosteiro foi extinto em 1834, juntamente com todas as Ordens Religiosas em Portugal, voltando então à posse da Casa de Bragança. O convento ficara no entanto inacabado, faltaram construir dois lanços do grande claustro e as torres sineiras da igreja. A Rainha D. Maria II, a pedido do Arcebispo de Évora, D. Francisco da Mãe dos Homens Anes de Carvalho, cedeu-o para Seminário Maior da Arquidiocese, que poucos anos depois se mudou para o antigo Colégio da Purificação. Foi então vendido à família Margiochi, que o cedeu para Colégio das Irmãs Doroteias, que viriam a ser expulsas pela implantação da república. Em 1914, foi novamente cedido à Arquidiocese, para Paço Arquiepiscopal, uma vez que a República havia expropriado o Paço junto à Sé. Na década de 1990 o Arcebispo de Évora, mudou-se para um novo Paço Arquiepiscopal, devolvendo o edifício à família proprietária, que o arrendou à Universidade de Évora, que nele instalou o Departamento de Música e Teatro.
A igreja do Carmo (que permaneceu sempre em posse da Arquidiocese) é, desde 1934, por decisão do Arcebispo D. Manuel da Conceição Santos, a igreja paroquial da freguesia da Sé.

Évora Perdida no Tempo - Stand da Morseman na Feira de São João


Máquinas em exposição no stand da Morseman na Feira de São João (Rossio de São Brás)

Autor Marcolino Silva
Data Fotografia 1960 - 1960
Legenda Stand da Morseman na Feira de São João
Cota MCS4573 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

quarta-feira, 20 de junho de 2012

A exemplar probidade de Mariana Perdigão

Primeira Governadora Civil em Portugal e mulher com um percurso de vida notável nas suas mais diversas facetas, Mariana Santos Calhau Perdigão foi seguramente uma das mais ilustres cidadãs eborenses de todo o sempre. Senhora de grande cultura, porte irrepreensível, distinta mas discreta, determinada e firme nas suas convicções, impôs-se à consideração de todos pela nobreza de carácter, pela firmeza das convicções e pelo sentido de solidariedade, responsabilidade, liberdade e democracia que em todas as ocasiões patenteou. Por isso deixou uma marca indelével em todos com quem privou.

Mariana Santos Calhau nasceu a 20 de Março de 1930 no conhecido Monte da Comenda Grande. Pertencente à abastada família dos Calhaus, abastados lavradores republicanos do concelho, fez a escola primária em casa com uma professora da escola pública contratada para o efeito. Mas isto era pouco para a sua ânsia de saber e de conhecimento e acabou por se matricular no Colégio de Nossa Senhora da Conceição (Doroteias) de Évora, que frequentou como aluna externa, e de seguida ingressou na antiga Escola do Magistério Primário, onde tirou o curso de professora do ensino primário.

Educada nos princípios da Igreja Católica e dotada de uma fé inabalável, a jovem Mariana sentiu-se tocada pelo espírito de renovação saído do Concílio Vaticano II e quis que ele se instalasse na sua própria vida. Libertou-se dos preconceitos de classe, abraçou em definitivo os ideais de liberdade que já bebera dos seus próprios pais e aderiu ao associativismo católico. No início da década de 50 tornou-se presidente diocesana da Juventude Escolar Católica. Nessas andanças fez amizade com António Augusto Ramos e Joaquim Lourenço Ventura Trindade, jovens dirigentes operários católicos que mais tarde vieram a formar com ela o núcleo dos católicos progressistas, sob a influência dessa figura ímpar de padre que foi José Alves Gomes.

Casara-se entretanto no dia 1 de Outubro de 1955, em Fátima, com o engenheiro agrónomo José Gregório Perdigão, de quem veio a ter sete filhos. Mas esse facto não a impediu de cumprir com muito zelo e dedicação o seu papel de mulher, mãe e pedagoga no seio da família. Antes já chegara à presidência da Juventude Internacional Católica. Atenta, a PIDE estabeleceu com ela os primeiros contactos, organizou-lhe a ficha de delinquente política e passou a seguir-lhe todos os movimentos.

Nas eleições de 1969, já com Marcelo Caetano no poder, estará ao lado da CDE, sendo candidatos oposicionistas por Évora às legislativas os católicos Manuel Tierno Bagulho (arquitecto) e o já referido Joaquim Ventura Trindade, em companhia dos escritores Mário Ventura Henriques e Armando Antunes da Silva, ambos da área comunista. Apesar da derrota os católicos de Évora, entre os quais Mariana Perdigão, não desarmaram e tentaram abrir na cidade um núcleo da SEDES - pólo de reflexão oposicionista consentido pelo consulado marcelista, chegando a convidar João Salgueiro para a inauguração. A PIDE/DGS faz abortar o projecto ao colocar um posto em Évora por iniciativa do Ministro do Interior, o temível Gonçalves Rapazote, advogado, deputado, juiz, presidente da Comissão Concelhia de Évora da União Nacional e grande latifundiário local, sob cuja dependência directa se encontrava a polícia política.

Não mais houve descanso para os oposicionistas eborenses. Mariana Perdigão correu ainda sérios riscos, o menor dos quais foi o de ser afastada da docência do ensino primário. Com os da sua classe sabia não poder
contar, o mesmo acontecendo com o Arcebispo D. David de Sousa, um prelado pusilânime e timorato, autêntico serventuário dos homens do regime. Ainda assim Mariana Perdigão e o seu grupo de amigos conseguiram, em 1973, levar por diante a ideia de fundar a Associação de Pais e Amigos dos alunos do Liceu.

Chega enfim o golpe militar libertador de 25 de Abril e, ainda antes do 1º. de Maio, Mariana e mais quatro dos seus dilectos companheiros de luta, António Augusto Ramos, Carlos Cruz, Rui Trindade e Armando Barbosa, criam o embrião do que será o núcleo do PPD (Partido Popular Democrático), posteriormente redesignado de PSD (Partido Social Democrata) em Évora. Em 21 de Fevereiro de 1980 é nomeada Governadora Civil de Évora no 1º. Governo da Aliança Democrática, liderado por Francisco de Sá Carneiro, lugar que manteve com Francisco Pinto Balsemão e donde saiu em 11 de Julho de 1983.

Ainda nesse ano foi eleita deputada à Assembleia da República. Não foi, nem estava no seu feitio, ser mais uma voz silenciosa e acomodada. Pelo contrário, participou na Comissão Parlamentar de Educação e Cultura, no âmbito da qual colaborou na elaboração das Leis de Base do Ensino e do Património Cultural. Em 1985, tendo cumprido o mandato, afastou-se da actividade partidária. Anos antes, mais concretamente a partir de finais de Dezembro de 1981, com a nomeação de D. Maurílio de Gouveia como prelado, reaproximou-se da hierarquia católica que a abandonara havia tempo. Tornou-se pessoa da máxima confiança do Arcebispo e fez parte da Comissão Diocesana Justiça e Paz, da qual aliás chegou a presidente. 

A sua sólida cultura levou-a ao Conselho Geral da Fundação Luís de Molina, à condição de fundadora do Clube Unesco em Évora e ao exercício do cargo de Secretária da Direcção do Instituto de Cultura Vasco Vilalva. A pouco e pouco foi aparecendo cada vez menos esta mulher de grande dignidade e fé indestrutível, que na vida atravessou dolorosas provações familiares, as quais passaram pela morte precoce do marido, da irmã e do único filho varão, falecido aos 23 anos num acidente de viação.

Faleceu em casa, ao cair da tarde do dia 11 de Novembro de 2008, junto das filhas. Pela sua obra cívica, política e humana, a Câmara Municipal de Évora prestou-lhe homenagem póstuma, no dia de S. Pedro do ano seguinte, concedendo-lhe a Medalha de Mérito Municipal - Classe Ouro. 

Texto: José Frota