segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Nos trilhos da ecopista


Entre os muitos e bons percursos ambientais que a cidade e o seu termo nos propiciam, a ecopista marca já posição de relevância nacional e internacional, estando integrada na Rede Verde do Espaço Mediterrâneo Ocidental, a qual é constituída por vias não motorizadas que garantem uma ligação fácil entre as zonas urbanas e rurais, proporcionando um contacto directo com a natureza. A ecopista de Évora nasceu de um acordo celebrado entre a Refer e a Câmara de Évora, visando a reconversão do antigo ramal ferroviário de Mora como forma de contributo para o desenvolvimento integrado da região. 

No cumprimento desse desígnio, compete-lhe fazer a promoção de pontos de interesse histórico-cultural, do turismo, do recreio e do lazer ao ar livre e, em concomitância, proceder à recuperação do património em mau estado, assente numa ideia global de incentivo à conservação da natureza e valorização dos sistemas naturais existentes. O antigo ramal de Mora, de cerca de 60 quilómetros de extensão, ligava a cidade àquela vila, com passagem pelas estações e apeadeiros da Graça do Divor, Arraiolos, Pavia e Cabeção. Inaugurado a 11 de Julho de 1908, estava previsto no projecto inicial que se viria a alongar até Ponte de Sor, onde estabeleceria conexão com a Linha do Leste (Abrantes – Elvas). 

Tal ideia não veio porém a concretizar-se. No entanto, o principal objectivo que presidira à sua construção – necessidade de fazer escoar os produtos agrícolas da parte setentrional do distrito de Évora até à sua capital, onde eram armazenados nos respectivos silos, procedendo-se ulteriormente ao seu envio para Lisboa – foi de qualquer modo alcançado. Entretanto, a partir de 1916, ano da fundação da Sociedade Alentejana de Moagem, o ramal ganhou uma movimentação inusitada ao passar a efectuar o transporte dos produtos da famosíssima Fábrica dos Leões (massas alimentícias), que para o efeito ali instalou uma estação, mesmo junto à linha. Daqui não se infira, porém, que a linha só serviu para o transporte de mercadorias. Pelos seus carris passaram, durante muitos anos, milhares e milhares de passageiros. Só a partir de finais dos anos 60 a afluência aos seus préstimos começou a declinar. 

A expansão das empresas rodoviárias, a generalização da propriedade e uso do automóvel e o decréscimo de importância da actividade agrícola na economia regional foram factores que contribuíram para um acentuado afrouxamento na sua procura. Atendendo às circunstâncias, a CP decidiu-se pelo seu encerramento em 1990. No decurso de oitenta e dois anos de existência o ramal vira crescer, junto a si e no seu troço inicial (periferia de Évora), novos espaços habitacionais, bairros na sua grande maioria: os primeiros, clandestinos (Chafariz d’El Rei, Poço Entre-as Vinhas, Leões e Louredo) e os seguintes (Novo, Câmara e já mais tarde Nogueiras, Bacelo e Álamos) legais. Desactivada a linha e removidos os carris, os moradores começaram a utilizá-la como percurso de comunicação entre eles ou como forma de encurtar caminho nos deslocações à cidade. Sempre a pé ou de bicicleta. 

Com a transformação da CP em Refer enquanto entidade gestora e exploradora dos Caminhos de Ferro Portugueses, foi possível chegar rapidamente a um entendimento com a Câmara Municipal para a sua reconversão em ecopista. A nova estrutura foi inaugurada a 25 de Abril de 2005 com uma grande festa popular e teve numa primeira fase a extensão de 13 quilómetros, começando poucos metros adiante da estação de Évora e prolongando-se até ao antigo apeadeiro da Graça do Divor. No ano seguinte foram abertos mais 7 quilómetros até à antiga paragem na Herdade da Sempre Noiva, situada no limite do concelho. Sublinhe-se que na zona urbana da cidade a ecopista se desenvolve em tapete betuminoso, o que torna a sua utilização mais cómoda e segura para as pessoas de mobilidade reduzida. 

O sucesso desta infra-estrutura de desporto informal, recreio e lazer, destinada essencialmente ao passeio, à marcha, ao ciclo-turismo e aos praticantes de BTT foi imediato. Para isso muito contribuiu o percurso extremamente interessante do ponto de vista paisagístico e ecológico, onde a fauna e a flora características da região observam o utente a cada instante e cuja interpretação se encontra disseminada por diversos pontos do percurso. O mesmo acontece com a indicação da quilometragem, sempre presente ao longo do corredor ecológico. 

Em outros quadros se fornecem as regras e condições respeitantes ao seu uso, acompanhadas de um imprescindível mapa de apoio. Abusos de utilização (caçadores e cavaleiros), depredação de materiais e alguns outros desmandos passaram a ser punidos com coimas entre os 50 e os 1000 euros, segundo o Regulamento de Utilização da Rede de Percursos Ambientais de Évora, em vigor desde 28 de Julho de 2007 e publicado em Diário da República. Fiscais camarários, PSP e GNR encarregam-se da vigilância à ecopista. O Grupo de Caminheiros de Évora também dá uma ajuda na preservação do espaço. Dada a sua frequência, a Câmara Municipal dotou, no ano passado, de iluminação o troço inicial de quatro quilómetros, correspondentes a toda a área urbana abrangida, entre os bairros de Chafariz d’El Rei e do Bacelo, alargando o seu período de utilização em condições de segurança.

 E, já em 2009, procedeu à colocação ao longo do percurso de mais de centena e meia de árvores, dando sequência ao projecto Portugal Verde, promovido pela Revista Visão. A ecopista de Évora é pois um percurso ambiental a não perder. Vá conhecê-la e conviva alegremente com a natureza.

Texto: José Frota
Fotografia: Carlos Neves

Agenda Cultural - Novembro

Agenda Cultural - Fevereiro

Agenda Cultural - Outubro

Agenda Cultural - Junho

Agenda Cultural - Abril

Évora Ambiental (click para aumentar)

Missão Ciência & Arte convida Jorge Araújo para falar de biodiversidade


A próxima conversa com ciência, no âmbito do Projeto Missão Ciência & Arte, é dedicada ao tema "Toda a biodiversidade à distância de um clique" tendo como convidado especial Jorge Araújo. Nesta ocasião, será apresentado o museu virtual da biodiversidade.

A Casa Morgado Esporão é o local onde decorre esta palestra informal – acontecendo estas mensalmente, em espaços emblemáticos da cidade e abertas a toda a população. O evento tem lugar já no dia 8 de Fevereiro (quinta-feira) a partir das 18:30 horas. Para os interessados, haverá uma visita guiada ao referido espaço pelas 18:15 horas.

Refira-se que o projeto de educação científica "Missão Ciência & Arte", iniciado em 2016, tem como principal objectivo a divulgação da ciência que se faz na universidade, promovendo o gosto por este pilar do desenvolvimento sustentável, junto dos alunos do pré-escolar ao secundário, passando igualmente pela cidade.

Agenda Cultural - Julho

Agenda Cultural - Maio



Link: Agenda Cultural - Maio



Agenda Cultural - Abril




Agenda Cultural - Março



Link: Agenda Cultural - Março


GESAMB - Dia Portas Abertas 2015


Horário: 8:30-17:00
Inicio do Evento: 06 junho
Fim do Evento: 06 junho
Localização: GESAMB - Estrada das Alcáçovas

​Esta é 6ª edição do dia Portas Abertas da GESAMB, que integra também a 4ª edição da “Caminhada da Reciclagem” e a 2ª edição de um passeio de BTT “Reciclagem sob Rodas”. Nas instalações da GESAMB, todos os visitantes poderão comparecer nas visitas guiadas à Unidade de Tratamento Mecânico e Biológico, onde poderão assistir ao tratamento dos resíduos urbanos produzidos por cerca de 160 mil habitantes de 12 municípios do distrito de Évora. Existirão ainda outras atividades como: workshops, feira – “Resíduos e Talento”, com a presença de ilustres artistas convidados e o Bio Mercado. Um dia repleto de atividades sustentáveis para si e para a família! 

Informações Adicionais
​Horário: 8:30-17:00
Contacto: 266 748 123 | geral@gesamb.pt
Site: www.gesamb.pt
Org.: GESAMB - Gestão Ambiental e de Resíduos, EIM
ENTRADA LIVRE

Informação retirada daqui

Agenda Cultural - Agosto