quinta-feira, 13 de agosto de 2009

POLÍTICAS DE CONSERVAÇÃO E GESTÃO DO CENTRO HISTÓRICO DE ÉVORA

Centro Histórico de Évora - Enquadramento

Em termos históricos, conhecem-se vestígios da ocupação humana na cidade ou arredores desde o paleolítico superior, embora no neolítico tivesse sido palco de grandes movimentações humanas testemunhadas por centenas de monumentos megalíticos.

O Município latino foi formado no ano 59 A.C., pelo Imperador César Augusto, com o nome de Liberalitas Julia.

Após a colonização romana, foi ocupada pelos árabes durante cerca de 5 séculos, tendo sido conquistada definitivamente pelo guerrilheiro cristão Giraldo Sem Pavor em 1165, tendo sido integrada no Reino de Portugal.

Nos dois períodos de dominação de Portugal por Castela (1383/85 e 1580/1640), Évora distingue-se pelos movimentos de resistência e por acções decisivas para a reconquista da independência, assim como aquando das Invasões Francesas em 1808.

1foto14.gif (67354 bytes)Os Séculos XV e XVI foram as épocas de maior crescimento e engrandecimento da cidade - o facto de ter sido sede da Corte durante longos períodos, teve como consequência a construção de Palácios, Igrejas, Conventos, edifícios militares e infra-estruturas importantes de engenharia civil como o Aqueduto e o abastecimento de água à cidade. Foi em Évora que o Rei D. Manuel I entregou a Vasco da Gama as instruções e o comando das naus que partiram à descoberta do caminho marítimo para a Índia. As maiores figuras renascentistas portuguesas por aqui passaram ou viveram, marcando para sempre a personalidade da cidade.

A cidade de Évora nasceu numa colina e estende-se suavemente pelas encostas. Qualquer ângulo de observação é marcado fortemente por um perfil característico, no qual se destacam a Catedral e outros monumentos históricos, dos quais o ex-libris é o Templo Romano.

A cidade conteve-se nas muralhas medievais até ao Século passado e só nas últimas décadas cresceu até perto de 50.000 habitantes.

É hoje uma cidade moderna com um Centro Histórico importante, polo da vasta região onde se insere. Os serviços são a principal fonte do emprego, embora disponha de um sector industrial em crescimento. O turismo cultural e a instalação em Évora de uma Universidade cada vez maior, mais dinâmica e mais prestigiada, deram à cidade novos motivos para a sua crescente força na rede urbana regional e nacional.

Evolução da População Residente - V.A.

Centro Histórico de Évora - Breve caracterização

1foto16.gif (54673 bytes)O Centro Histórico de Évora, com 107 hectares, confina-se às muralhas medievais, com mais de 3 km de extensão.

Évora conserva, em grande parte no seu casco antigo, o pitoresco e o tipicismo das diversas civilizações, culturas e épocas históricas que por ela passaram. Celtas, Romanos, Árabes, Judeus e Cristãos, todos estes povos e todas estas culturas influenciaram a maneira de ser e de estar das gentes eborenses.

O Centro Histórico, enquanto conjunto arquitectónico e patrimonial de beleza ímpar, alia a monumentalidade ao cunho pitoresco das casas das ruas estreitas e travessas, pátios e largos. Tudo se conjuga para o equilíbrio e a harmonia entre o monumental e o simples, entre o erudito e o popular.

O Centro Histórico é constituído por um núcleo central correspondente à Muralha Romana, no qual se situam alguns dos mais importantes monumentos: o Templo Romano, a Sé Catedral, Conventos e Palácios.

No lado sul da antiga Cerca, nasceu a Praça do Giraldo, da qual divergem as vias principais em estrutura radial. Até às muralhas medievais, o tecido urbano é uma rede densa de ruas estreitas (como a Mouraria e a Judiaria), interrompida aqui e ali por Largos e Praças menores e ainda por conjuntos monumentais, como o da Universidade.

Muros altos escondem pátios, hortas e jardins insuspeitados, dando à cidade uma importante estrutura verde privada e um agradável sabor mourisco.

No princípio do Século, o Centro Histórico apresentava uma imagem de algum abandono e progressiva degradação.

Desde os anos 20 que grupos de cidadãos influentes na cidade iniciaram um processo de defesa do Centro Histórico, desde então irreversível. Homens ligados aos sectores intelectuais e culturais fundaram o Grupo Pró-Évora (1919) que influenciou decisivamente o futuro da cidade. Algumas intervenções de vulto, sobretudo em grandes quarteirões degradados correspondentes a antigos conventos, foram ocupados com novos edifícios de serviços cuja promoção dependeu quase exclusivamente da Administração Central. O Estado Novo cuidava também de reforçar a sua imagem de poder através de edifícios emblemáticos. Alguns exemplos:

  • Salão Central Eborense

  • Edifício dos Correios

  • Edifício do Tribunal

  • Banco de Portugal

  • Hospital Distrital

Além disso, promoveu-se também a recuperação de alguns grandes edifícios (sobretudo palácios e conventos) para a instalação de serviços públicos, nomeadamente, o Museu Regional, a Biblioteca Pública, o Governo Civil, a Direcção dos Monumentos Nacionais do Sul, a Escola Preparatória de Santa Clara, a Escola do Magistério Primário, a Pousada dos Lóios e o Tribunal da Relação.

Contudo, só após a eleição da primeira Câmara democrática (depois do regime totalitário de Salazar) a defesa, valorização e vivificação do Centro Histórico passaram a constituir objectivos permanentes de actuação.

As políticas municipais para o Centro Histórico

1foto17.gif (28307 bytes)O período desde a revolução democrática até 1986

Nos anos 70 a cidade tinha 38.300 habitantes, dos quais 15.900 residiam na cidade intra-muros. Aqui, coexistiam zonas de palacetes e residências de classes com grande capacidade económica, correspondentes, na sua maioria, a abastados proprietários agrícolas, ao lado de áreas habitacionais muito densas, de habitações de pequenas dimensões e com fracas condições de salubridade. Por outro lado, concentrava-se também no Centro Histórico a grande maioria dos postos de trabalho da cidade (62%), sobretudo em actividades terciárias.

O primeiro grande instrumento de planeamento da cidade data da realização do Plano Director Municipal, elaborado em 1979, que definia objectivos urbanísticos para toda a cidade e enquadrava as necessidades de intervenção no Centro Histórico, cujos objectivos foram assim equacionados:

- Protecção e valorização do Centro Histórico

- Manutenção de actividades terciárias no centro

- Intensificação do uso do centro da cidade pela população.

Aquele Plano Director Municipal apontava também para a necessidade de elaboração de um plano específico para o Centro Histórico e ainda de outro para a Circulação e Transportes.

O Plano de Recuperação do Centro Histórico data de 1981. Nesse Plano de Salvaguarda foram estabelecidos os seguintes objectivos globais de intervenção:

- Recuperar o tecido urbano intramuros;

- Melhorar as condições de habitabilidade dos alojamentos

- Preservar o seu património histórico-cultural

- Evitar o desalojamento e substituição da população respectiva

- Criar, simultaneamente, condições de revitalização económica, social e cultural;

- Manter Évora - e nomeadamente o Centro Histórico - com as funções de polo regional.

O primeiro Plano de Circulação e Transportes de 1980, tinha como objectivos

- Favorecer o acesso ao centro, melhorando os transportes públicos e criando áreas de estacionamento periféricas;

- Eliminar e evitar conflitos de circulação (automóveis e peões), definindo áreas proibidas e condicionadas ao acesso automóvel, estabelecendo sentidos únicos de trânsito e zonas reservadas a peões;

- Impedir a circulação desordenada dos automóveis, condicionando os acessos à cidade intra-muros;

- Favorecer o funcionamento dos serviços básicos da cidade: recolha de lixos, bombeiros e ambulâncias, segurança pública e abastecimentos;

- Assegurar a ligação directa de transportes públicos ao centro e aos estabelecimentos escolares mais importantes.

1foto18.gif (64861 bytes)Para o cumprimento destes objectivos, a Câmara Municipal de Évora instituiu em 1983 um Gabinete próprio - o Núcleo do Centro Histórico - que, na estrutura dos serviços municipais, tinha competências para tratar de maneira específica todos os problemas de planeamento e gestão urbanística.

Isso permitiu que fossem melhoradas as condições de habitação de muitos fogos, que aumentasse o investimento público e privado para a reabilitação de edifícios degradados (muitos de grandes dimensões). O Centro Histórico reforçou o seu papel como centro urbano, com a revitalização de muitas actividades - turismo, comércio e serviços. De facto, esta época correspondeu à inversão da tendência de degradação do património e tecido urbano.

Esta situação é tanto mais significativa quanto a envolvente jurídico-financeira era adversa. Existiam condicionalismos à actuação municipal que não permitiram o desenvolvimento de políticas mais actuantes, nomeadamente:

- o não cumprimento da Lei de Finanças locais que limitou a capacidade de investimento

- a ausência de colaboração do Poder Central com o Poder Local, que inviabilizou acordos de cooperação propostos pelo município

- a existência de uma Lei de Solos desadequada às necessidades de intervenção

- a falta de articulação das entidades que actuavam no terreno

- o reduzido número e dimensão dos programas públicos de reabilitação urbana.

Desde a classificação da UNESCO à actualidade

Com a valência Património da Humanidade, adquirida em 25 de Novembro de 1986, por classificação da UNESCO, iniciou-se uma nova etapa da história e da vida da cidade, das suas instituições e dos seus habitantes, caracterizada por uma maior responsabilização ao nível do património e por um acréscimo do turismo e de outros serviços ligados a este sector.

Entretanto produziram-se outras alterações significativas na cidade:

- O Centro Histórico perdeu mais de metade da população entre 1940 e 1991, por deslocação dos casais mais jovens para habitações nas novas zonas residenciais;

- A população que ficou é bastante envelhecida, e, na sua grande parte, com fracos recursos económicos;

- O crescimento exponencial da Universidade deu novas vivências à cidade intra-muros, dando lugar a fenómenos de recuperação de muitas habitações para aluguer a estudantes, assim como a transformações no comércio e restaurantes tradicionais, muitos dos quais se voltaram para a satisfação de hábitos de consumo da juventude;

- A própria Universidade, que definiu como "Campus" o Centro Histórico, contribuiu para a recuperação de grandes edifícios e palacetes, tanto para as Faculdades como para residências universitárias;

- A instalação em Évora de serviços desconcentrados da Administração Central, permitiu o arrendamento ou a aquisição de grandes imóveis, tendo contribuído para a sua recuperação;

- O mesmo processo aconteceu com Bancos e Seguradoras.

- O crescimento exponencial da taxa de motorização criou novos problemas de circulação e transportes;

1foto19.gif (67376 bytes)De facto, factores diversos influenciaram positiva e negativamente a obra realizada pelo município. Como factor negativo mais importante, salienta-se a escassez de verbas destinadas ao Centro Histórico - o resto da cidade crescia em ritmo acelerado, as necessidades em infraestruturas e equipamentos eram gritantes e absorviam grande parte do orçamento municipal.

Os planos elaborados para o Centro Histórico, embora previstos para serem faseados, não tiveram um cumprimento integral, ficando alguns objectivos longe de serem cumpridos.

- Na área da circulação e transportes, cujo resultado foi globalmente positivo, a questão dos transportes públicos ficou muito aquém dos projectos, situação agravada pelo crescimento exponencial da taxa de motorização da população.

- A reabilitação do centro como polo de actividades terciárias foi bastante conseguida, tendo para isso contribuído o facto de alguns serviços da Administração (Estado e Banca) terem adquirido grandes imóveis e palácios em vias de degradação e terem-nos recuperado para a cidade.

- A melhoria das condições de habitabilidade dos fogos deu-se por duas vias: pela saída de moradores que viviam em casas sobreocupadas para as habitações que se construíram extra-muros e pela recuperação de muitos imóveis (melhorando sobretudo as condições de salubridade), com o recurso significativo a programas municipais.

- A revitalização económica e social teve um contributo importante decorrente do crescimento exponencial da Universidade, que definiu como "campus" todo o Centro Histórico de Évora.

- O crescimento do turismo, devido em grande parte à classificação da Centro Histórico como Património da Humanidade foi também um factor de vivificação da cidade em geral e do comércio e da hotelaria em especial.

A contínua e qualificada observação da evolução do Centro Histórico faz com que os novos desafios que hoje enfrenta estejam diagnosticados e as respectivas soluções encaradas com bastante antecipação.

1foto15.gif (62222 bytes)Hoje é muito mais evidente a necessidade de conciliação das questões associadas ao crescimento com os imperativos da preservação do património.

Os conflitos que se estabelecem entre os interesses e motivações pessoais e os anseios e interesses da comunidade são mais agudos e permanentes.

Há sinais de especulação imobiliária que são preocupantes e pressões de promotores privados que, não sendo controladas, podem resultar em fracturas no tecido social intra-muros e em transformações não desejadas.

No plano social e cultural defrontam-se novos e antigos hábitos de vida e cultura.

Alguns projectos que estão a ser implementados já traduzem essas novas necessidades:

- O Sistema Integrado de Transportes e Estacionamentos (SITE), visa conciliar as características físicas e económicas do Centro Histórico com as necessidades de maior mobilidade, de diminuição de consumo de energia e de preservação do ambiente urbano;

- A instalação da TV por cabo, que abrange quase todo o Centro, vai de encontro à necessidade estética de remover as antenas, mas permitirá também novas formas de comunicação da autarquia com os cidadãos;

- A elaboração de um projecto conjunto autarquia/comerciantes de urbanismo comercial vai responder simultaneamente a objectivos de :

- modernização do comércio tradicional e requalificação do mesmo no Centro Histórico, de forma a responder aos desafios da liberalização e a novas necessidades de residentes e turistas

- requalificação dos espaços públicos nas zonas mais comerciais, tendo em conta a necessidade de melhorar os percursos de peões, de instalar mobiliário urbano, de melhorar a iluminação, de promover a animação dos espaços públicos.

As perspectivas

No novo Plano Geral de Urbanização para a cidade de Évora, foi elaborado um novo diagnóstico da situação que apontou para a existência ou persistência de problemas no Centro Histórico:

- Excessivo acentuamento das funções de centro cívico, administrativo, económico (terciarização), e cultural da cidade, apesar das restrições do anterior Plano;

- Deficiente articulação com o resto da cidade;

- Perda de população (quase 30% na última década);

- Envelhecimento da população (metade dos residentes com idade superior a 50 anos);

- Existência de problemas ao nível das habitações : 18,8% de alojamentos com carências relativas a condições de salubridade e ainda problemas de conservação resultantes de arrendamentos antigos, com rendas muito baixas.

Por isso, o novo Plano aponta para algumas soluções:

- A instalação de serviços públicos em espaços exteriores, mas contíguos às muralhas, o que vai, por um lado, diminuir a pressão para a continuação da terciarização e, por outro, estender a centralidade do Centro Histórico para o exterior proporcionando um melhor relacionamento entre a cidade intra e extra-muros, assim como de maior equilíbrio na repartição das diversas funções da cidade intra-muros (residencial, comercial, serviços ...);

- Maior investimento nas muralhas e áreas anexas, com o objectivo de facilitar a integração intra e extra-muros, encontrando soluções urbanísticas, de circulação automóvel e pedonal e de arranjos exteriores que permitam um novo relacionamento de Centro Histórico com a cidade nova.

Por sua vez, políticas municipais complementares do Plano de Urbanização, perfilam-se no horizonte de curto prazo, nomeadamente:

- A definição de uma estratégia para as Praças e Largos, atribuindo vocações específicas a cada um, de acordo com necessidades culturais, económicas, de convívio ou lazer. Só após esta definição, se elaborarão os projectos de pavimentos e mobiliário urbano adequados à respectiva função.

- A definição de uma estratégia para os equipamentos culturais municipais, numa lógica de funcionamento em rede e de complementaridade com equipamentos da responsabilidade de outras entidades. Da mesma forma, assume-se que a cada equipamento seja cometida uma função clara que permita uma gestão mais rentável de cada um e do conjunto dos equipamentos.

- A reivindicação de saída de legislação que permita um normal funcionamento do mercado de arrendamento, que, por sua vez, dê condições aos proprietários para a execução de obras de conservação e maior poder de intervenção do município nesta área tão sensível da preservação do património habitacional dos habitantes mais carenciados.

- Maior controlo da mudança de uso de edifícios anteriormente destinados a habitação - por exemplo, nos grandes edifícios, de cara aquisição e reabilitação, vai ser promovida a realização das obras através de particulares que promovam o fraccionamento em vários fogos destinados à habitação, em vez de serem adquiridos e restaurados pelos serviços da administração ou pelos bancos, como é mais frequente neste momento;

- Maior abertura ao nível das intervenções arquitectónicas no Centro Histórico, para permitir aqui, sem provocar roturas com o existente, o nascimento de património moderno, contrariando a tendência para a sua "mumificação", verificada após a classificação como Património da humanidade.

1foto20.gif (50625 bytes)Por último, aparece o ÉVORACOM (Projecto Especial de Urbanismo Comercial "Revitalização do Centro Histórico de Évora") que é um programa de apoio aos comerciantes instalados em algumas zonas do Centro Histórico de Évora e está a ser promovido pela Associação Comercial do Distrito de Évora e pela Câmara Municipal de Évora.

Este programa resulta de um acordo de candidatura conjunta da Associação Comercial do Distrito de Évora e da Câmara Municipal de Évora ao programa PROCOM (Programa de Urbanismo Comercial) da responsabilidade da Secretaria de Estado do Comércio e Turismo e que foi homologado pelo despacho 929/97/sect de 26 de Maio do Senhor Secretário de Estado do Comércio e Turismo.

De acordo com os princípios definidos pela legislação que cria este programa, os seus objectivos dirigem-se fundamentalmente ao apoio a prestar às autarquias e aos comerciantes, no sentido de modernizarem os seus espaços comerciais mas, também, a sua envolvente urbanística ( praças, arruamentos, iluminação, estacionamento, etc.).

A filosofia actual de intervenção da Câmara Municipal de Évora baseia-se no facto de que as cidades se constituem em monumentos na exacta medida em que conferem aos seus cidadãos, em primeiro lugar, condições ideais de qualidade de vida.

Évora, Cidade Património Mundial, só sobreviverá enquanto tal se, no seu interior e fora dele, se sentir o pulsar das suas gentes e o respirar do seu tecido económico, social e cultural.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Manifestação na Praça do Giraldo



Autor Carlos Tojo
Data Fotografia 1974 -
Legenda Manifestação na Praça do Giraldo
Cota AC - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Cuecas na cara para roubar CTT de Évora

Com umas cuecas enfiadas na cabeça para esconder a cara, um ladrão estrangeiro entrou ontem de manhã numa dependência dos CTT de Évora com o objectivo de roubar o dinheiro em caixa. Esperou que os clientes saíssem da estação e ameaçou a funcionária de serviço com uma faca, forçando-a fugir. Depois saltou para dentro do balcão e, consumado o assalto, abandonou o local numa bicicleta.

"Levou uma quantidade de dinheiro pouco significativa", informou fonte da empresa, que se escusou a revelar o montante.

O assaltante aparentava ser de um país de Leste, com cerca de 30 anos e 1,80 metros de altura. Uma testemunha, que preferiu o anonimato, referiu ao nosso jornal que o homem andara de manhã a rondar a estação na companhia de uma mulher. "Depois do assalto ninguém mais os viu", acrescentou. Ao final da tarde ainda não tinha sido detido.

O roubo ocorreu pelas 09h45 numa dependência dos Correios, situada no largo das Portas de Moura, em Évora. "A funcionária afastou-se do local quando se viu ameaçada pela arma branca. Ninguém ficou ferido", referiu a PSP.

A PSP de Évora recolheu vestígios no interior da estação e testemunhos para tentar chegar à identidade do assaltante.

Nenhum dos funcionários dos Correios de Évora quis ontem prestar declarações.

A dependência esteve fechada durante a manhã. A assessoria dos CTT referiu que não houve danos físicos a lamentar.


Alexandre M. Silva

BREVE CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO

1foto1.gif (33613 bytes)

Área do Concelho – 1.309 Km2 (5% da área da Região)

Área Urbana – 1.643,5 ha

Área do Centro Histórico – 103 ha

O Concelho está dividido administrativamente em 19 Freguesias: 7 Freguesias Urbanas (das quais 3 no Centro Histórico) e 12 Freguesias Rurais.

POPULAÇÃO

A população residente no Concelho era, em 1991, de 53.754 habitantes (densidade41,1 habitantes/K2); na área urbana residiam 44.199 pessoas (incluindo a zona de transição), das quais 7.842 no Centro Histórico.

Évora tem visto crescer o seu peso demográfico em relação à região (4,5% em 1960 e 8,2 em 1991). Em relação ao país, o peso demográfico de Évora mantém-se estacionário, embora com uma tendência para um ligeiro reforço.

O Concelho tem vindo a ganhar população desde 1911, com uma ligeira quebra na década de 60. A cidade também tem crescido continuamente ao longo do século, sobretudo no exterior das muralhas, já que intra-muros (Centro Histórico) se verificou um decréscimo acentuado na última década.

De realçar a crescente urbanização do concelho: em 1960, as freguesias urbanas concentravam 68,25 da população; em 1991, esse valor era de 82,5%.

No Concelho de Évora a população tem vindo a envelhecer. Observa-se um aumento da representatividade dos grupos etários mais idosos e uma diminuição acentuada dos mais jovens. Este fenómeno deve-se a decréscimos simultâneos da natalidade e da mortalidade. Há indícios de que na década de 80 o fenómeno pode estar a sofrer alterações, devidas à capacidade de Évora atrair novos residentes (Universidade, Serviços Regionais da Administração, entre outros factores de atracção). A maioria dos novos residentes são oriundos de concelhos exteriores ao Distrito.

No conjunto da área urbana, a população é mais jovem que no resto do concelho.

A dimensão média da família na área urbana em 1991 (2,96), é ligeiramente inferior à média do país (3,13).

A população residente na cidade de Évora apresenta níveis de instrução favoráveis, quando comparada com o país; pelo contrário, as zonas rurais apresentam valores comparativamente desfavoráveis (aqui 1 em cada 4 residentes adultos era, em 1991, analfabeto).

1.gif (41061 bytes)População activa e desemprego

A taxa de actividade do concelho de Évora era em 1991 de 46,6% (44,6% para o país). A taxa de desemprego era de 6,7% (6,1% para o país), sendo a zona rural a mais responsável por estes valores.

Existe um elevado peso dos reformados nos "residentes sem actividade económica". Há um baixo peso relativo das mulheres "Domésticas" (na cidade, quase metade da média nacional, em 1991).

A população empregada tem, em 1991, uma estrutura relativamente envelhecida, quando comparada com a do país. Os quadros intermédios, os empregados na administração, comércio e serviços são maioritariamente ocupados por mulheres.

Évora constitui uma "bacia de emprego" da região. A cidade atrai população das áreas rurais do concelho e ainda de outros concelhos que para aqui se deslocam para trabalharem diariamente. Em 1991, 1 em cada 9 empregados residia for a do concelho de Évora.

A CIDADE

A cidade de Évora, com cerca de 50.000 habitantes, um importante Centro Histórico, delimitado pela Muralhas Medievais.

O núcleo mais antigo é rodeado pela muralhas romanas e contém alguns dos mais importantes monumentos da cidade e o seu ex-libris – o Templo Romano.

No Século XV começa a "idade de ouro" da cidade – a família real instalava-se em Évora por largos períodos e com ela a corte de nobres, cientistas, cronistas. Desta época datam os grandes palácios da cidade, as casas nobres, o Aqueduto e o sistema de abastecimento de água às fontes da cidade, inúmeros conventos a Universidade. Os estilos manuelino, renascença, e barroco estão largamente representados na cidade que então se construiu.

Todo este riquíssimo património histórico-monumental que se manteve preservado, aliado a uma forte identidade cultural, levaram à classificação da cidade como Património da Humanidade em 1986 pela UNESCO, por proposta da Câmara.

Mas hoje a cidade não vive somente das glórias do passado – constrói o futuro com serenidade e segurança, com base em planos e projectos feitos pelos arquitectos mais prestigiados do país (ninguém pode, por exemplo, ficar indiferente ao Bairro da Malagueirado, projectado pelo Arquitecto Siza Vieira) e no trabalho persistente dos eleitos e da população.

Évora foi pioneira no planeamento urbanístico e estratégico; tem programas de revitalização para o Centro Histórico, tem projectos de tratamento integrado de transportes e estacionamentos, tem o projecto de uma rede de espaços verdes que abrange toda a cidade, tem um plano estratégico para a cultura, tem projectos de grandes equipamentos que constituirão as bases do futuro. Tudo isto está a ser posto em prática à medida que os meios o permitem.

ACTIVIDADE ECONÓMICA

1foto4.gif (50127 bytes)Agricultura

Sendo hoje um sector com reduzida ocupação de mão.de-obra, a agricultura é ainda geradora de riqueza no concelho. As tradicionais culturas de sequeiro estão paulatinamente a dar lugar a culturas de regadio, à vitivinicultura e a outras actividades, nomeadamente as agro-ambientais – turismo rural, turismo cultural, turismo ambiental, turismo de caça.

A criação extensiva de gado continua a ser uma actividade importante. Ao nível silvícola, a cortiça é a principal fonte de riqueza.

Indústria

O peso da indústria do concelho em relação ao país era baixo e bastante estabilizado em 1991 (0,6% dos estabelecimentos, 0.5% do pessoal ao serviço e 0,3% do VBP). A indústria alimentar, antes detentora de uma posição favorável encontra-se em sério declínio. Em termos de pessoal ao serviço, o ramo das indústrias de máquinas eléctricas ocupa o primeiro lugar, logo seguido do fabrico de artigos de vestuário.

Comércio e serviços

Em termos de comércio a retalho, predominam os estabelecimentos de produtos alimentares e bebidas (Estatística do Cadastro Comercial, 1992). O papel da cidade de Évora como Polo Regional surge particularmente evidente no comércio de "materiais de construção e ferragens", "automóveis, bicicletas e acessórios", entre outros. Nos últimos anos, o comércio de produtos de vestuário e calçado conheceu um grande incremento e uma forte requalificação.

No comércio grossista, o acento vai também para os produtos alimentares – a recente inauguração de um Mercado Abastecedor veio responder a novas procuras deste sector.

1foto3.gif (52902 bytes)Turismo

O turismo é um sector em forte crescimento, sobretudo na década de 90 – viu, por exemplo, a sua capacidade hoteleira crescer de forma exponencial. Existe um relativo equilíbrio entre turistas nacionais e estrangeiros, o que demonstra uma não excessiva dependência de eventuais flutuações do mercado e dos grandes operadores turísticos.

O aumento de turistas e de estudantes universitários na cidade contribuiu também para o enorme "boom" de estabelecimentos ligados à restauração.

Administração Pública

A Administração Pública está muito bem representada na cidade, em termos de serviços e de emprego. A somar aos serviços de nível local e distrital, concentram-se na cidade, no todo ou em parte, a maioria das Direcções Regionais da Administração Central que prestam serviços ao Alentejo.

TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES

1foto5.gif (31955 bytes)Évora está ligada por Auto-Estrada a Lisboa e a Madrid. O Itinerário Principal 2 também atravessa o concelho, e embora ainda haja troços não renovados, tem, por esta via, uma boa acessibilidade ao Norte a ao Sul do País, pelo interior. A recente construção de um novo Terminal Rodoviário trouxe possibilidades acrescidas aos transportes públicos de passageiros, assim como a novas funções de âmbito supra-local.

A ligação ferroviária faz-se através de linha ainda não electrificada, sobretudo com Lisboa e o Algarve.

O Aeródromo Municipal, recentemente objecto de obras de vulto para ampliação da pista e construção de gare, dá possibilidades de manobra a aviões de médio porte.

As telecomunicações são em Évora das mais avançadas do País. O índice de cobertura telefónica de Évora era, em 1992, muito superior ao verificado para o resto do Continente.

Em termos dos "media", Évora constitui-se como um centro privilegiado do espaço informativo do Alentejo – jornais e rádios locais, delegações de serviços nacionais de jornais, rádios e televisões.

CULTURA, EDUCAÇÃO, SAÚDE

7.gif (35490 bytes)No concelho de Évora operam mais de uma centena de Associações e Agentes de Cultura, Desporto e Tempos Livres.

Música, teatro, convívio, dezenas de modalidades desportivas, são exemplos da diversificação da oferta no âmbito da cultura, desporto e lazer.

Évora tem uma boa cobertura de estabelecimentos de ensino básico. O secundário está também bem representado. A boa rede de Escolas Profissionais em Évora é a garantia da formação de quadros de nível intermédio. A Universidade, com cerca de 6500 alunos e uma grande diversidade de cursos nas áreas técnicas e humanísticas, representa um polo de desenvolvimento da cidade e a formação de importante faixa de recursos humanos.

Em termos de saúde, a oferta está muito centralizada em Évora, pela via da localização do hospital regional e da residência de técnicos especializados. Em termos de especialidades e de nº de profissionais, pode dizer-se que Évora está bem servida de serviços de saúde.

A tendência para um grande consumo dos serviços de saúde deve-se à elevada percentagem de pessoas idosas. A taxa de mortalidade infantil é mais baixa que a média do país.

ANEXOS:

Quadro 1 - Freguesias – Áreas e Eleitores

FREGUESIAS

Área (ha)

Eleitores (1997)

URBANAS
Santo Antão

27

2.281

S. Mamede

23

3.060

Sé e S. Pedro

63

3.073

Malagueira

1.930

9.167

Horta das Figueiras

4.400

5.102

Senhora da Saúde

1.930

8.991

Bacelo

1.460

4.824

RURAIS
Canaviais

6.787

1.945

Nª Srª da Boa Fé

3.450

367

Nª Srª da Graça do Divor

8.556

382

Nª Srª de Machede

18.500

1.001

Nª Srª da Tourega

19.420

918

Nª Srª de Guadalupe

6.685

458

S. Bento do Mato

6685

1.244

S. Manços

10.530

955

S. Miguel de Machede

8700

857

S. Vicente do Pigeiro

4994

454

Torre de Coelheiros

22600

787

S. Sebastião da Giesteira

4060

738

TOTAL

130.800

46.604

Quadro 2 - Evolução da População Residente

1911

1940

1960

1970

1981

1991

Cidade Intra-Muros

14074

18559

15696

12692

10783

7842

Área Urbana

14108

22174

28652

28186

34851

38094

Á. Urbana + Z. Transição

17907

26416

34145

34954

41102

44199

Concelho de Évora

30257

42765

50095

46900

51572

53754



segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Évora: Assalta CTT e foge de bicicleta

Um homem encapuzado assaltou esta segunda-feira, por volta das 9h45, a dependência dos CTT localizada nas Portas de Moura, no centro da cidade de Évora, tendo roubado algum dinheiro e fugido de seguida de bicicleta.

De acordo com o comunicado divulgado pelo Comando de Évora da Polícia de Segurança Pública (PSP), o suspeito mede cerca de 1,80 metros, é relativamente jovem e ameaçou a funcionária com uma faca, tendo saltado para dentro do balcão e roubado o dinheiro que aí se encontrava.

1 de Maio de 1974: manifestação no Rossio


Autor Carlos Tojo
Data Fotografia 1974-05-01
Legenda 1 de Maio de 1974: manifestação no Rossio
Cota AC - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

domingo, 9 de agosto de 2009

Projecto de Interpretação do Património Hidráulico de Évora (Parte 2)

Carro de rega(s)

No Rossio, a camioneta da água da Câmara andava pelos arruamentos definidos no recinto, molhando a terra solta e escaldante, baixando o pó e levantando um cheiro a barro húmido e quente. Durante os dias da feira repetia várias vezes o mesmo circuito. O tempo de fazer uma volta e de ir reabastecer-se era suficiente para que tudo secasse. Este autotanque dos “tempos pré-históricos” tinha (…) uma sineta que o motorista badalava, avisando tudo e todos da sua aproximação, espalhando água. Correndo ao lado dos jactos que lançava, a garotada aproveitava para um “duche” municipal.

in A. M. Galopim de Carvalho, O Autotanque in O Cheiro da Madeira, Editorial Notícias, [1993], p.141.



Características :

Função: rega/limpeza das ruas, largos, praças e Rossio (principalmente na época da feira e nos dias de mercado) da cidade

Data de aquisição: 1926

Início de actividade: 1927

Fim de utilização: finais da década de 60

Fabrico: francês

Marca: Laffly

Tipo: Arroseuse

Modelo: L.C.2

Motor: 4 cilindros

Capacidade do tanque: 2.244 litros

Propriedade: Câmara Municipal de Évora

Esta máquina é uma peça rara no meio automobilístico e única dentro da história local.Devido ao seu valor patrimonial, a autarquia optou pela sua restauração, inserida no Projecto de Interpretação do Património Hidráulico de Évora (PIPHE), visto que o carro se encontrava em elevado estado de degradação.










sábado, 8 de agosto de 2009

1 de Maio de 1974 - manifestação no Rossio


Autor Carlos Tojo
Data Fotografia 1974-05-01 -
Legenda 1 de Maio de 1974 - manifestação no Rossio
Cota AC - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Projecto de Interpretação do Património Hidráulico de Évora (Parte 1)

No âmbito do acordo de colaboração celebrado entre a Câmara Municipal de Évora, a Região de Turismo de Évora e o Instituto de Financiamento e Apoio ao Turismo para a execução do projecto Reabilitação e Valorização Turística do Centro Histórico de Évora, foi incluída a acção Rede Museológica, que contempla, entre outros, o Projecto de Interpretação do Património Hidráulico de Évora, que tem como intenção principal interpretar e valorizar as várias infra-estruturas patrimoniais hidráulicas que resistiram às transformações urbanas e rurais, mantendo-se até aos nossos dias.

Objectivos

Estudo | Promover o(s) estudo(s) da história do abastecimento de água de Évora ao longo dos tempos.

Preservação | Conservar as infra-estruturas e os bens móveis hidráulicos.

Valorização | Revitalizar e valorizar o património hidráulico.

Divulgação | Divulgar o projecto através de:

- Produção de um guia turístico, de folhetos interpretativos, da
presente página na Internet e de uma base de dados informatizada;

- Edição de vários estudos sobre a temática;

- Execução de exposições e eventos.

Fruição | Contribuir para a fruição pública do património hidráulico através de diferentes propostas de circuitos temáticos e cronológicos:

- Acesso às infra-estruturas hidráulicas no centro histórico eborense, com destaque para a antiga Central Elevatória de Água(s) na Rua do Menino Jesus;

- Redescoberta do aqueduto quinhentista e de outros imóveis que existem no concelho.



Esta máquina é uma peça rara no meio automobilístico e única dentro da história local.Devido ao seu valor patrimonial, a autarquia optou pela sua restauração, inserida no Projecto de Interpretação do Património Hidráulico de Évora (PIPHE), visto que o carro se encontrava em elevado estado de degradação.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

1 de Maio de 1974: manifestação no Rossio



Autor Carlos Tojo
Data Fotografia 1974-05-01 -
Legenda 1 de Maio de 1974: manifestação no Rossio
Cota AC - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

CEA - Central Elevatória de Água(s) da Cidade de Évora (Parte 3)





Estação Elevatória
(Rua do Menino Jesus)

O seu edifício compreendia uma sala de máquinas com o equipamento à vista e uma pequena zona destinada ao pessoal e às pequenas reparações, actividades transferidas posteriormente, com a construção da oficina de contadores.
Tendo sido desenhado e construído para ser uma instalação industrial/técnica, este edifício é bastante funcional, integrando a simplicidade. Apresenta características arquitectónicas modernistas, de estilo internacional, com planta rectangular e cobertura de placa, construído em betão armado, de reboco branco, renunciando a ornamentos, tendo faixas largas de janelas, que são compostas por ferro, material resistente ao fogo, com vidros, para manter a divisão bastante iluminada. Quanto à sua decoração interior, também funcional, apresenta características da Arte Déco, composta por painéis rectangulares em estuque com relevos em gesso, imitando a estalactite. No topo das paredes e no tecto; para embelezar e facilitar a limpeza do local, utilizou-se a conjugação da aplicação de mármore branco, preto e cinzento, de forma abstracta, com linhas rectas em movimento, formando ziguezagues, dando origem a triângulos encadeados, nas paredes, nos pavimentos e nos elementos decorativos. Destacam-se destes últimos os candeeiros de carácter estilizado e a balaustrada corrida em forma rectangular, a qual circunda a maquinaria, situada abaixo do n
ível do pavimento principal, havendo para o seu acesso uma pequena escadaria.
A maquinaria, que aspirava a água dos reservatórios de chegada, elevando-a para o reservatório de serviço regulador de distribuição na rede, foi fornecida e montada pela Sociedade Lusitana de Electricidade A.E.G., e era constituída por dois grupos de electrobombas, com uma potência de cerca de 40 CV no seu conjunto, necessários para dispor de um caudal para o combate ao fogo. Cada um dos grupos podia trabalhar separadamente ou em simultâneo, garantindo apenas um dos grupos o serviço. Cada um tinha a capacidade de elevar um caudal de 93,6 m3/hora, prevendo-se inicialmente que trabalhasse cerca de 16 horas por dia, sendo as restantes 8 horas apenas para uma emergência.
Em 1944, com a transformação de corrente contínua em alterna, foi necessário integrar um novo motor que funcionasse a corrente alterna, que foi fornecido pela Casa Siemens, instalado no meio dos outros dois grupos. Este motor ficou a operar em serviço normal, substituindo definitivamente os anteriores, accionando alternadamente qualquer uma das bombas. Contudo, os outros dois motores continuaram montados para as emergências, mesmo funcionando com a corrente contínua.
Passados 21 anos do início do funcionamento da CEA, no Verão de 1954, atingiu-se a elevação do caudal de 1650 m3/dia, forçando a maquinaria a um trabalho quase ininterrupto de elevação da água. Para agravar a situação, a cobertura de laje de cimento armado do edifício era desfavorável às condições de trabalho excessivo das electrobombas, que suportavam temperaturas elevadíssimas. Por esse motivo, as electrobombas foram substituídas por outras, de corrente alterna, fornecidas
pela Casa Capucho, tendo cada grupo capacidade para o débito horário de 300 m3, prevendo-se já o aumento da rede devido ao crescimento populacional.
Nos anos de 1964 e 1965, com a abertura das piscinas municipais e estando em construção a Estação Elevatória e de Tratamento da Albufeira do Divor, acrescentou-se um outro grupo de electrobomba, também da Casa Capucho, que possibilitou o aumento da elevação de água para 450m3/hora, ampliando-se a área reservada às electrobombas.


Reservatório de Serviço Regulador de Distribuição de Água
(Travessa das Casas Pintadas)


Construído em fo
rmigão de cimento armado, tem capacidade para cerca de 400 m3 e o seu fundo localiza-se num plano superior aos mais altos edifícios da cidade, concebido desta forma para obter a pressão necessária para a distribuição da água.
O reservatório estava ligado automaticamente à estação elevatória, para evitar o esgotamento de água. Podia ficar isolado do resto do complexo, em caso de avaria, passando a água directamente da conduta de elevação para a rede de distribuição domiciliária, através de um dispositivo de torneiras.Deste depósito derivava toda a rede, composta por 10 sectores. Estendia-se pelas ruas situadas intramuros e era constituída por malhas de ferro fundido muito abertas, que se foram apertando à medida que as disponibilidades financeiras o permitiam. Passados poucos anos, com o surgimento de novos bairros na cidade, a rede foi sendo ampliada.




Fontes

Iconográficas
Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Évora
NOGUEIRA, Eduardo, Central Elevatória de Água de Évora, década de 30 do século XX.
Câmara Municipal de Évora
CABRITA, Castro, Diagramas das Redes dos Sectores, n.º 1; n.º 2; n.º 3; n.º 4; n.º 5; n.º 6; n.º 7; n.º 8; n.º 9; n.º 10, 29-05-1930; 3-06-1930; 5-06-1930; 7-06-1930; 8-06-1930; 9-06-1930; 9-06-1930; 14-06-1930; 15-06-1930; 16-06-1930.
IDEM, Estudo do Abastecimento de Águas da Cidade de Évora, 1928-1929.
IDEM, Reservatório de Serviço 400 m3, 23-08-1929.

Impressas
Publicações Periódicas
Noticias d` Evora, Carlos Maria Pinto Pedrosa (Director, editor e proprietário), Évora, 1928-1933.

Manuscritas
Arquivo Distrital de Évora
Câmara Municipal de Évora, Actas da Câmara Municipal de Évora, 1928-1933.
Câmara Municipal de Évora
CABRITA, Castro, Estudo do Abastecimento de Águas da Cidade de Évora, 1928-1929.
Serviços Municipalizados, Actas das Reuniões do Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados da Câmara Municipal de Évora, 1933-1983.

Bibliografia:

CABRITA, Castro, "Estudo do Abastecimento de Águas da Cidade de Évora", in Revista da Associação dos Engenheiros Civis Portugueses, n.os 656, 658, 664, 666, 668, Lisboa, 1930-31.
IDEM, "O abastecimento de Águas de Évora", in Revista de Engenharia Tecnica, n.º 28, Revista dos Alunos do Instituto Superior Técnico, Maio de 1930, pp. 350-353.
CABRITA, Castro, GALVÃO, Lopes, "O abastecimento de Águas de Évora - a obra a realizar", in Revista de Engenharia Tecnica, n.º 25, Revista dos Alunos do Instituto Superior Técnico, Fevereiro de 1930, pp. 262-273.
KOCH, Wilfried, Estilos de Arquitectura II, s.l., Editorial Presença, Colecção Dimensões, Série especial 11, s.d., pp. 27-29, 121-133.
www.laberintos.com.mx/artdeco2.html, em 22-11-2002.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Militares na Praça Joaquim António de Aguiar


Autor Carlos Tojo
Data Fotografia 1974-04 -
Legenda Militares na Praça Joaquim António de Aguiar
Cota AC - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

CEA - Central Elevatória de Água(s) da Cidade de Évora (Parte 2)



A unidade surgiu com o propósito de interpretar e valorizar a CEA, um testemunho único do património hidráulico do século XX da cidade de Évora, que deve ser preservado devido ao seu valor histórico, artístico e industrial. A sua criação contribui para o entendimento da evolução económica e social da cidade, ajudando a compreender os vários espaços do complexo que permitiam, em conjunto, o armazenamento e a distribuição de água.

De todo o complexo destaca-se a sua estação elevatória que alberga, ainda, a última maquinaria que aí funcionou, tendo o edifício a particularidade de apresentar elementos arquitectónicos de estilo internacional e decorado com elementos Arte Déco, dos quais estes últimos existem também no exterior do complexo, destacando-se o seu jardim. Tanto os elementos arquitectónicos como decorativos existentes na CEA pertencem a correntes artísticas de influência europeia, que surgiram no país durante a década de 30, no período entre as duas grandes guerras.

No entanto, apesar da preocupação estética presente na solução arquitectónica dada ao complexo, este sempre sofreu imensas críticas relativas ao seu aspecto por se tratar de uma vertente arquitectónica diferente da malha urbana antiga circundante, principalmente no caso do reservatório de serviço regulador de distribuição de água, visível no topo da cidade. Houve mesmo a ideia de primeiramente disfarçar todo o complexo, o que não se realizou. Após a desactivação da CEA, colocou-se a hipótese do seu derrube, principalmente do reservatório de s
erviço regulador de distribuição de água, o que felizmente não aconteceu.








Câmara de manobras
(Travessa do Serpe)
Com a construção da CEA a água continuou a ser conduzida pelo aqueduto, desde a sua origem até uma câmara de manobras. O objectivo da construção desta câmara foi estabelecer uma ligação entre o aqueduto e uma conduta de adução subterrânea, constituída por tubos de cimento armado, com cerca de 380 m de comprimento.
A água percorria o trajecto descendo a Travessa do Serpe, passando pela Rua d` Aviz, que subia a Rua da Corredoura e terminava o seu percurso nos reservatórios de chegada da CEA, na Rua do Menino Jesus.
O interior da câmara de manobras é composto por um poço de visita com grelha e tampa.
Pela década de 70, devido à necessidade de aumentar o caudal de água, implementou-se uma electrobomba (bomba centrífuga directamente accionada por motor eléctrico).




Reservatórios de Chegada
(Rua do Menino Jesus)

A reserva de água estava distribuída por quatro reservatórios, construídos em formigão de cimento armado, com forma circular e semi-enterrados. Cada reservatório tem capacidade para cerca de 500 m3 e, funcionam como compartimentos de um grande reservatório.
Previa-se que a reserva de água fosse suficiente para dois dias, pressupondo-se que, em princípio, qualquer avaria seria resolvida rapidamente.
Os reservatórios estão agrupados em dois, correspondendo a uma câmara de manobras por grupo, sendo cada uma composta por condutas de ferro fundido dotadas de torneiras de controlo à passagem da água proveniente da conduta de adução subterrânea, a qual tem origem na câmara localizada na Travessa do Serpe.
O nível da água nos reservatórios é controlado por um medidor/nível de capacidade em cada câmara de manobras.
As torneiras permitiam isolar cada um dos compartimentos, sem interromper o serviço nas situações de limpeza de um dos reservatórios ou de avaria de qualquer deles. Em caso de necessidade, permitiam que os reservatórios de chegada pudessem funcionar como reservatórios de distribuição para a parte mais baixa da cidade.

domingo, 2 de agosto de 2009

Militares na Praça Joaquim António de Aguiar


Autor Carlos Tojo
Data Fotografia 1974-04 -
Legenda Militares na Praça Joaquim António de Aguiar
Cota AC - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

sábado, 1 de agosto de 2009

CEA - Central Elevatória de Água(s) da Cidade de Évora (Parte 1)

O abastecimento de água à cidade de Évora é um tema de estudo com bastante relevância, devido à presença dos vários imóveis hidráulicos de grande valor patrimonial, que testemunham o abastecimento de água à população ao longo dos tempos.

Entre estes imóveis hidráulicos, destaca-se a CEA - Central Elevatória de Água(s), que construída durante a década de 30 do século XX, tinha por função distribuir água por toda a cidade, constituindo-se actualmente como um importante testemunho da história eborense e da sua herança patrimonial.

Até ao século XX, a água provinha de nascentes existentes na zona compreendida entre a Graça do Divor e Metrógos, sendo conduzida até às fontes, chafarizes e algumas casas da cidade pelo aqueduto, com cerca de 18,5 km de comprimento. A sua distribuição era muito deficitária dado o aqueduto se encontrar em mau estado de conservação, não conseguindo elevar a água à parte alta da cidade. A tubagem no subsolo da cidade era inclusivamente insuficiente e muito rudimentar, registando-se desperdício de água e consequentemente a sua falta na(s) época(s) de seca.

Com a precisão do aumento populacional a situação tendia agravar-se, pelo que o Engenheiro Viriato Castro Cabrita foi convidado em 1928 pela Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Évora, por intermédio do Governo Civil do Distrito, para efectuar o projecto de Abastecimento de águas à cidade de Évora; que tinha por objectivo a construção de uma rede de distribuição de água aos locais de consumo, perspectivando-se que pelo menos durante os próximos 20 anos a cidade teria o abastecimento de água resolvido.

A convite de Viriato Castro Cabrita, o Professor Ernest Fleury estudou o caudal das nascentes, concluindo que o problema da água podia ser resolvido com a reparação e melhoramento do aqueduto, bem como do sistema utilizado. O caudal médio diário passaria a ser de 1000 m3, em que 120 m3 eram destinados a cobrir as necessidades da indústria.
Iniciou-se o levantamento da planta da cidade, utilizando-se em Évora o processo de fotogrametria aérea pela primeira vez, para permitir a construção correcta do sistema de rede de água.

Sob a coordenação de Viriato Castro Cabrita reconstruíram-se as captações e os troços do aqueduto, que ainda hoje exercem a sua função, tendo sido necessário desviar o aqueduto do interior da aldeia da Graça do Divor; reconstruiu-se a Central Elevatória do Pomar do Espinheiro que continua até aos dias de hoje a elevar água das nascentes do Pomar do Espinheiro, que ficam numa cota inferior ao nível da soleira do aqueduto; e construiu-se a CEA - Central Elevatória de Água(s), situada no centro histórico de Évora, para elevar a água à parte alta da cidade, assegurando uma pressão conveniente nos andares superiores dos prédios e permitindo um combate eficaz contra os incêndios.
As construções em cimento armado foram da responsabilidade do Engenheiro Virgílio Preto.

O Engenheiro Ricardo Teixeira Duarte viria a substituir Viriato Castro Cabrita, concluindo os trabalhos em curso, ficando mesmo sob a sua directiva técnica algumas obras, das quais se destaca a execução da rede de distribuição ao domicílio, inaugurada a 4 de Junho de 1933.

Por indicação de Ricardo Teixeira Duarte, o Engenheiro Mansos Ribeiro ficou encarregue da direcção e fiscalização dos trabalhos, tendo melhorado a rede de esgotos existente na cidade, embora o trabalho ficasse incompleto nesta primeira fase.
A 1 de Julho de 1933 o fornecimento de água à cidade passou a ser da responsabilidade dos Serviços Municipalizados, serviços autónomos dentro da Administração Municipal, criados no ano anterior.


As condições topográficas da cidade não permitiam estabelecer a sua divisão em zonas de distribuição, fazendo com que toda a água tivesse que ser elevada.
A localização da CEA, escolhida por Viriato Castro Cabrita, teve em consideração uma importante vantagem: a de permitir uma elevação curta da água, diminuindo, assim, a capacidade de potência necessária. Como resultado, em 1929 a autarquia comprou um edifício existente na Horta do Palácio Amaral e o restante terreno foi cedido pelo Ministério do Interior.

O complexo é composto por uma câmara de manobras, localizada no início da Travessa do Serpe, quatro reservatórios de chegada e uma estação elevatória, situados na Rua do Menino Jesus, e um reservatório de serviço regulador de distribuição de água, localizado no topo da Travessa das Casas Pintadas (os imóveis estão localizados na planta do Itinerário Expositivo).
Como solução para um enquadramento urbanístico a zona dos reservatórios foi ajardinada.

A partir de 1933, com a entrada em serviço da CEA, na estação de elevação iniciou-se a execução de trabalhos de aferição e reparação de contadores de água. Em 1937 transferiu-se essa actividade para uma oficina, com a mesma linha arquitectónica, anexada ao lado esquerdo do edifício principal. A oficina de contadores da Central Eléctrica viria também a ocupar este espaço, com a sua transferência em 1943.

Sendo a CEA automática, necessitava de corrente eléctrica, que era fornecida pela central da empresa concessionária - a Companhia Eborense de Electricidade. Em 1942, com a municipalização da electricidade, a Central Eléctrica passou a pertencer aos Serviços Municipalizados. Com a modificação da corrente eléctrica em 1944, praticamente toda a cidade passou da ligação de corrente contínua para corrente alterna, fornecida pela União Eléctrica Portuguesa. Neste sentido, coube também à CEA passar por algumas adaptações. A maioria da aparelhagem foi adaptada facilmente, devido ao facto de estar inicialmente preparada para trabalhar com corrente alterna.

Em 1947 instalou-se um sistema de cloragem na CEA - único local que tinha condições para montar a aparelhagem - pela qual passava toda a água que abastecia a cidade, permitindo manter a qualidade da água.

Ao longo do tempo criaram-se soluções para aumentar o caudal de água, conseguido através da perfuração de novas captações e construção de poços. Em 1966 a cidade passou a receber igualmente água da Albufeira do Divor.
O aumento do consumo, a falta de capacidade dos reservatórios da CEA e um caudal elevado muito superior à sua capacidade mas insuficiente, tornaram-se premissas para tornar o sistema obsoleto.
Na década de 70 a construção de depósitos soterrados na encosta do Alto de São Bento levaram ao encerramento da CEA, passando a ser utilizada apenas em caso de necessidade.

Na década seguinte, com o alargamento da Rua do Menino Jesus, houve necessidade de destruir parte do muro que circundava a CEA, o qual foi recuado e reconstruído ao lado dos depósitos soterrados. Como o pavimento da rua foi elevado, o acesso às portas das câmaras de manobras ficou parcialmente obstruído.

Nos anos 90, a área que correspondia à oficina de contadores foi ampliada e neste novo espaço instalou-se um estabelecimento de restauração, que veio ocupar uma zona da área exterior do complexo.