quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Hospital de Évora regista casos de desidratação

Três idosos foram assistidos nos últimos dias no Hospital de Évora devido a desidratação, provocada pelo calor, numa altura em que as temperaturas no Alentejo ultrapassam os 30 graus centígrados, disse à agência Lusa fonte hospitalar.
A mesma fonte salientou que se trata de "casos pontuais", uma vez que a população da região está habituada a viver com temperaturas elevadas.
"Só dois ou três dias depois é que se fazem sentir as consequências dos golpes de calor", explicou a fonte.
Nos outros hospitais distritais do Alentejo (Beja e Portalegre) não há notícia de quaisquer casos relacionados com o calor, segundo fontes de ambas as unidades hoteleiras.
Neste início de Outono, o Alentejo voltou a registar esta quarta-feira temperaturas superiores a 30 graus centígrados.
Para os próximos dias, está prevista a continuação de temperaturas elevadas.

Personalidades Eborenses - Ana Laura Chaveiro Calhau

Foi a primeira mulher do concelho a assumir publicamente a sua condição de republicana. Filha do grande lavrador eborense Joaquim Inácio Calhau e de Maria Pires Chaveiro, Ana Laura nasceu na freguesia de Igrejinha, do concelho de Arraiolos, em 1892, mais propriamente na Herdade da Comenda Grande, onde ainda residia quando em 1908, apenas com 16 anos, discursou no grande comício republicano do quintalão da Rua de Machede, falando entre Bernardino Machado e Afonso Costa. Jovem de educação esmerada e de grande cultura, participou ainda nesse ano no plebiscito às mulheres republicanas organizado pela Tribuna Feminina do jornal “República”. 
No ano seguinte esteve entre as fundadoras da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (LRMP). Foi a principal impulsionadora da Comissão de Mulheres Republicanas Eborenses, que decidiu ofertar uma bandeira por elas bordada e confeccionada ao município eborense para içar no Rossio de Brás e no edifício camarário no dia 1 de Dezembro de 1910, declarado como feriado para celebrar o dia da Bandeira. Casou nova e diminuiu a sua actividade política, mas continuou a militar na LRMP até à sua extinção, trocando correspondência com outras feministas do tempo como Ana de Castro Osório e Maria Veleda. Morreu a 27 de Maio de 1955, com 63 anos, no mesmo lugar onde abriu os olhos e viveu. Sempre republicana.


Texto: José Frota

Évora Perdida no Tempo - Secção de empacotamento da Fábrica dos Leões


Fábrica dos Leões: secção de embalagem/ empacotamenento (funcionários e maquinaria).

Autor David Freitas
Data Fotografia 1950 dep. - 1970 ant.
Legenda Secção de empacotamento da Fábrica dos Leões
Cota DFT5130.1- Propriedade Arquivo Fotográfico CME

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Fábricas da Embraer em Évora vão ser inauguradas em Agosto

O vice-presidente da construtora aeronáutica brasileira Embraer, Jackson Schneider, disse esta terça-feira, em Bruxelas, que as duas fábricas que a empresa está a construir em Évora irão abrir, como previsto, em Agosto de 2012.
"Estamos dentro do cronograma previsto, imaginamos já que possamos inaugurar as fábricas em Agosto do próximo ano", disse Schneider à agência Lusa.
"Está tudo a caminhar exactamente como planeado", sublinhou.
A Embraer está a construir, desde Novembro de 2010, as suas duas fábricas em Évora - uma de estruturas metálicas (asas) e outra de materiais compósitos (caudas) -, prevendo criar 600 postos de trabalho directos e 1200 indirectos, num investimento inicial de 148 milhões de euros.
As produções das unidades, inicialmente, vão ser dedicadas ao suporte logístico de jactos executivos, área de negócio em que a Embraer tem apostado e cujo mercado tem evoluído a nível mundial.

Hoje comemora-se o Dia Mundial do Animal

Évora Perdida no Tempo - Cabine telefónica - Bairro da Caixa de Previdência


Autor David Freitas
Data Fotografia 1945 - 1960
Legenda Cabine telefónica - Bairro da Caixa de Previdência
Cota DFT3163 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Martinho da Vila na Arena de Évora este sábado ...


Martinho da Vila dispensa apresentações. Ele mesmo diz: “quem quiser saber meu nome não precisa perguntar, sou Martinho lá da Vila, partideiro devagar. Quem quiser falar comigo não precisa procurar, vá onde tiver samba, que eu devo estar por lá”.

Ele está de volta a Portugal, para nos proporcionar três noites fantásticas de samba: a 6 de outubro, no Coliseu dos Recreios; a 7 de Outubro no Dragão Caixa (concerto seguido por after party com Funkyou2, DJ Rui Santoro e DJ Vegas); e a 8 de Outubro na Arena d´Évora (concerto seguido de after party com DJ Moreno, DJ Pedro Reis e DJ Vegas).

Os concertos serão baseados no seu mais recente CD/DVD, “Lambendo a Cria” – um trabalho definido pelo próprio como um “encontro musical particular, uma ação entre amigos”.

Em palco, Martinho da Vila será acompanhado pela Banda Família Musical, onde toca o seu filho Tunico Ferreira e as filhas Maíra Freitas e Juju Ferreira, a quem irá entregar o seu público.

Impedem filhos de ir à escola por terem de pagar bilhete de autocarro

Um grupo de pais de alunos da aldeia de Torre de Coelheiros (Évora) não deixou ir esta segunda-feira os filhos à escola, porque a empresa de transporte exigiu a compra de bilhete, após atraso no pagamento da comparticipação da câmara.
Em declarações à Agência Lusa, Fernanda Bárbara, mãe de um dos alunos, explicou à Agência Lusa que os pais não deixaram os filhos irem à escola para a cidade de Évora porque "o motorista do autocarro da rodoviária informou que os miúdos só iriam se pagassem o bilhete".
A Rodoviária do Alentejo "suspendeu os serviços e não levou os miúdos sem comprarem bilhete. Sabemos que esta decisão foi tomada porque a câmara não efectuou o pagamento da sua comparticipação dos passes à empresa", afirmou.
Esta mãe adiantou que a falta de pagamento "não é só deste ano lectivo" e lamentou o facto de os pais não terem sido informados nem pela Rodoviária do Alentejo, nem pela câmara e que tenha sido o próprio motorista do autocarro a fazê-lo.
Contactada pela Agência Lusa, a vereadora da Câmara de Évora com o pelouro da educação, Cláudia Sousa Pereira, reconheceu dificuldades do município em efectuar o pagamento à Rodoviária do Alentejo, mas disse tratar-se de uma situação "pontual".
"Desde alguns meses para cá, temos feito um esforço enorme para pagar a tempo e horas a nossa comparticipação dos passes sociais. Até agora, temos conseguido pagar e estou convencida que esta situação hoje mesmo se resolverá", garantiu.

Évora Perdida no Tempo - Antigo posto de combustível da Mobil


Antiga garagem e posto de combustível da Mobil (actual BP).

Autor David Freitas
Data Fotografia 1950 - 1969
Legenda Antigo posto de combustível da Mobil
Cota DFT5331 - Propriedade Arquivo Fotográfico CME

domingo, 2 de outubro de 2011

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Crise não afecta construção do Évora Shopping

A maioria das lojas do Évora Shopping, centro comercial em construção na cidade alentejana e previsto abrir em 2013 já está “pré-comercializada”.
A administração da Imorendimento, promotora do conjunto comercial a que pertence o Évora Shopping afirma que "a comercialização está a ser um grande sucesso, em contra ciclo com o enquadramento geral da economia. Neste momento existe uma pré-comercialização superior a 60 por cento.
As obras do centro comercial arrancaram em agosto passado e neste momento decorrem a fase de "escavações e de construção do parque de estacionamento", estando previsto haver "uma continuidade entre as obras da cave e do edifício".
A abertura do Évora Shopping está prevista para a primavera de 2013 e vai ter cerca de 60 lojas.
A empresa promotora refere que a obra não sofreu qualquer reajustamento devido à actual situação de crise.
O Évora Shopping é um projecto integrado num conjunto comercial mais vasto, com um investimento global de 60 milhões de euros e conta ainda com um ‘stand alone' operado pela marca IZI, em funcionamento, e um retail park já construído e a aguardar abertura.
O retail park, com "três lojas, duas das quais grandes âncoras e um espaço de restauração e lazer" está previsto abrir "entre Outubro e Novembro".
O conjunto comercial vai representar "um forte contributo para a dinamização do tecido económico, social e comercial" de Évora, estando prevista a criação de cerca de 600 postos de trabalho directos, segundo fonte da promotora.

O exemplo de Évora

A rede rodoviária já existente, a rede ferroviária que está ser projectada, o anel de fibra óptica que une os municípios da região e a rede inteligente de electricidade (InovCity) são vantagens competitivas em termos de infra-estruturas. As autoridades, em particular a Câmara de Évora e a Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo, querem agora atrair empresas e talentos para a região. A Universidade é, por isso, uma arma de desenvolvimento que é necessário potenciar, quer para a formação de novos quadros, quer para desenvolver parcerias com empresas. Mas a Academia também pode ajudar a dinamizar ‘start ups' e ‘spin-offs' em áreas que vão da mecanização da agricultura, às energias renováveis, genética molecular, mecatrónica e química. O Alentejo tem, basicamente, um terço do território nacional e cerca de 5% da população e do emprego nacionais, o que, aliado às condições que estão a ser reunidas em Évora, cria um ambiente propício à atracção de mais pessoas e pólos de desenvolvimento. Já existem diversos quadros espanhóis a residir em Évora e a trabalhar em Espanha e há, pelo menos, uma empresa com cerca de cem ‘designers' que se fixou na cidade e exporta os seus serviços para todo o mundo. Mas ainda há um longo caminho a percorrer. A cidade conta com perto de 2.500 empresas que empregam cerca de 17 mil pessoas e facturam 940 milhões de euros. Évora é, neste momento, um exemplo a seguir e tem condições naturais para crescer muito no futuro próximo. Basta, para isso, que os agentes económicos tomem consciência das condições ali existentes e tomem decisões. Património Mundial da Humanidade, Évora é o exemplo de uma zona com História e tradição que se está a projectar para o futuro.

A agricultura e a Greve Geral de 1912




No início do século XX a agricultura alentejana continuava a manter a estrutura fundiária medieval, caracterizada pelo grande latifúndio. Na imensidão da planície grassavam vastíssimos domínios cujas herdades podiam oscilar entre os 18.000 e 55.000 hectares. Cerca de 94 por cento da área do concelho de Évora era considerada como grande propriedade (acima dos 200 hectares), enquanto a média (30 a 200 hectares) abrangia 5 por cento, sendo a pequena meramente residual. A esmagadora percentagem dos proprietários era absentista, ou seja, residia fora das suas terras, tendo um agente intermediário de sua confiança (feitor) que actuava como seu administrador e contratava os trabalhadores.

Regra geral estes eram contratados nas aldeias, a preços verdadeiramente obscenos, para trabalharem de sol a sol no amanho das terras. E quando se chegava aos meses mais exigentes como os das ceifas, da apanha da azeitona, da tiragem da cortiça ou, em menor escala, recorria-se a gente de outras regiões, que à míngua de trabalho aceitava vir para o Alentejo ganhar mais uns tostões essenciais à sua sobrevivência. 

Ora com a chegada da República foi criado um novo regime laboral, primeiro no aspecto salarial e depois reforçado com a regra do descanso semanal, o que desagradou aos patrões, muitos deles pertencentes à burguesia comercial, que pouco ou nada entendiam de agricultura, mas que, avarentos e visando extrair o maior lucro possível da exploração do trabalho alheio, não se mostraram dispostos a acatar as novas obrigações.

Estava aberto o conflito entre os donos das terras e os trabalhadores rurais em finais de 1911, com o recém-empossado governador civil António Paulino de Andrade a mostrar abertura para promover o diálogo entre ambas as partes, na tentativa de evitar o desencadear duma greve já anunciada que era de todo o interesse não viesse a acontecer. Porém Paulino de Andrade, face à firme defesa dos assalariados na manutenção dos princípios estabelecidos e acordados, abandona a posição de neutralidade e coloca-se ao lado dos terratenentes.

Para evitar que os assalariados se reunam manda encerrar a Associação dos Trabalhadores Rurais (criada no ano anterior) e fechar as portas de todas as outras Associações de Classe concelhias e distritais sob a ameaça de descargas da Guarda Nacional Republicana. Os revoltosos encontram-se nos campos enquanto as forças militares e paramilitares cercam a cidade para lhes impedir o acesso. A partir deste momento todas as associações operárias da cidade e do distrito proclamam a Greve Geral a 13 de Janeiro de 1912 e cerca de 20.000 trabalhadores, de ambos os sexos e proveniências várias, dirigem-se para Évora tentando entrar na cidade, o que conseguem sem grande dificuldade, não obstante as barreiras e os obstáculos levantados.

Nos dias seguintes, o governador civil, impotente para evitar pacificamente o galopante desenrolar dos acontecimentos, ordena a prisão dos principais organizadores e dinamizadores do movimento, o que contribui para inflamar definitivamente a situação. No dia 24 sucede o inevitável - grevistas e uma patrulha da G.N.R. entram em acesa discussão em plena rua, da qual vem a resultar um morto e vários feridos entre os primeiros. Indiscriminadamente, as forças da autoridade mandaram para os calabouços inocentes que tiveram o azar de estar no local errado à hora errada, dado que nesse dia a cidade fervilhava de pessoas. Tendo em conta o rumo dos acontecimentos e entendendo que devia prestar um esclarecimento público o governo faz chegar à imprensa a seguinte nota oficiosa que de seguida se respiga na íntegra do extinto jornal “O Século”:
«O delegado do Governo, Sr. Inocêncio Camacho, deputado por Évora, expôs ao governo a situação actual do distrito, com a história dos acontecimentos dos últimos dias. 
O pretexto para o movimento foi, de facto, a falta, por parte de certos lavradores, dos compromissos que entre si tinham tomado sobre preços de alguns trabalhos de campo. O movimento que daqui resultou foi imediatamente explorado por elementos reaccionários, alguns anarquistas e pelos adversários pessoais do sr. governador civil. Os elementos anarquistas apoderaram-se das associações e nelas incitavam ao assassínio, ao saque e à destruição das propriedades, o que obrigou a autoridade a encerrá-las, no estrito cumprimento da lei.
Nos campos, vários bandos de gente, armados com espingardas, percorriam as propriedades, obrigando os
trabalhadores a segui-los à força. Esses bandos, apurouse que eram constituídos por criados de reconhecidos reaccionários, de mistura com anarquistas. Incitavam os trabalhadores a marchar sobre Évora dizendo-lhes que Paiva Couceiro lhes faria pagar 600 réis por dia. Preparou-se de facto a marcha sobre Évora e o assalto à cidade, que se deveria efectuar no dia em que se deram os conflitos com a força armada. O governador civil tomou, de acordo com autoridades militares, as providências necessárias, evitando a entrada dos bandos na cidade, localizando, portanto, o conflito à praça em que têm a sua sede as associações. Vários dos prédios dessa praça estavam ocupadas por gente armada, que atirou sobre a guarda republicana, a qual só usou das armas de fogo depois de haver feridos nas suas filas. Os desordeiros foram empurrados para fora da cidade pela cavalaria, restabelecendo-se imediatamente o silêncio.
Os agitadores tinham persuadido as gentes dos campos de que poderiam saquear a cidade, porque o exército estava com eles. Disso foi prova evidente a manobra das mulheres do campo, que em chusma se dirigiram aos quartéis. Logo que se deu o conflito, a convidar os soldados a cumprir a sua palavra.
É absolutamente falso que os bandos de grevistas se tenham refugiado no campos, defendendo-se a tiro das forças. A verdade é que os trabalhadores logo que reconheceram que tinham sido enganados se revoltaram contra os dirigentes e contra aqueles que, na sua própria expressão, os tinham prendido para a greve!
Tanto a cidade como os campos em torno estão actualmente em completo sossego. Os trabalhadores voltaram para as suas ocupações: os lavradores que se tinham esquivado aos seus compromissos, voltando tudo à normalidade. Dos presos foram soltos aqueles acerca dos quais se não reconheceu responsabilidades de provocação ao movimento sendo os restantes entregues ao poder judicial.»

 Esta nota oficiosa, tida como «prenhe de mentiras», foi muito mal recebida na Casa Sindical de Lisboa (Federação Anarco-Sindicalista) onde já se preparava um movimento de solidariedade de grande dimensão para com os trabalhadores rurais eborenses. O resultado foi a convocação para o dia 28 de uma Greve Geral em apoio dos assalariados agrícolas que, começando em Lisboa, se estendeu a Setúbal, Almada, Montijo e Moita, numa adesão quase total. Na noite de 29 e todo o dia 30 há confrontos violentos com a Polícia, a GNR e a Guarda Fiscal que provocam a morte de vários contestatários e ferimentos em muitos outros. Contudo os activistas não desistem e prometem ripostar armando-se também. Alarmado, o governo decreta o estado de sítio, «suspende as garantias constitucionais» e entrega a cidade ao Comando Militar. Entretanto os rurais eborenses terminam a greve, depois de obtidas as suas reivindicações salariais, reabertas as sedes das associações de classe e libertos os detidos. Apesar disso, a 31, na capital, os grevistas continuam a ser perseguidos visando-se uma punição exemplar. 

Elementos da GNR e da Policia cercam a Casa Sindical e exigem a total evacuação do edifício sob a ameaça de duas peças de artilharia. Os sitiados, em quantidade superior a 600 contando homens e mulheres abandonam o prédio sem oferecer resistência e são imediatamente detidos e transportados para os navios Pero de Alencar e Fragata D. Fernando de onde os dirigentes mais destacados serão deportados para África. Este episódio veio marcar o início dos desencontros entre a República e o movimento operário.

Texto: José Frota