sexta-feira, 31 de maio de 2013

O Solar dos Condes de Portalegre

Não tem origens bem conhecidas o belo e elegante Solar dos Condes de Portalegre, situado na Freiria de Cima, em adjacência às antigas cavalariças do Paço dos Condes de Basto e em posição frontal às traseiras da velha Catedral. Tudo indica porém que, como tudo naquela zona, terá pertencido nos seus primórdios à muralha defensiva erguida pelos cavaleiros monges da Ordem de Santiago de Calatrava e depois aos domínios de D. Nuno Álvares Pereira.
Terá sido entregue por D. Manuel a D. Diogo da Silva Menezes, seu aio enquanto duque de Beja e depois como rei, que sendo da sua máxima confiança lhe viu atribuído o cargo de Mordomo-Mor do Reino e o título de 1º. conde de Portalegre. Devido às funções que ocupava, o monarca entregou-lhe o pequeno palacete como casa de residência. Supõe-se que o palacete terá passado para a posse dos Silvas, fidalgos espanhóis, em vésperas da perda da independência e em circunstâncias deveras fortuitas.
Aconteceu que Filipa da Silva, 4ª. Condessa de Portalegre, recebeu autorização real para poder receber terras, bens e títulos de seus pais, dado que a Lei Mental de D. Duarte proibia a habilitação aos mesmos por parte de herdeiras femininas. Do seu primeiro casamento não houve descendência, pelo que a fidalga voltou a consorciar- se, desta feita com o embaixador espanhol, Juan de Silva, Conde de Salinas, que passou a ostentar o título de Conde de Portalegre e, a partir de certa altura, a morar no solar da família.
Depois de ter sido muito influente no curto reinado (dez anos) de D. Sebastião, Juan da Silva revelou-se, no período de transição em que o Cardeal D. Henrique ocupou o trono, como um forte apoiante das pretensões de Filipe II de Espanha à coroa de Portugal. Consumada a anexação por parte espanhola, o monarca integrou-o no Conselho de Regência, nomeando-o em 1593 capitão geral das gentes de guerra do Reino e Governador do Reino de Portugal entre esse mesmo ano e o de 1599, ano em que terá falecido.
Os Condes de Portalegre mantiveram-se fieis a Castela, mas com a Restauração caíram em desgraça e desapareceram em 1686, com a morte sem descendência do seu último representante. O edifício foi então alienado em favor do cónego Luís de Melo, tendo ido parar depois às mãos de familiares do arcebispo de Évora D. João Coutinho, e posteriormente à posse de D. João de Aguiar, bispo de Bragança, nele nascido (1796) e falecido (1875). Daí para cá não foi possível encontrar rasto dos proprietários e ocupantes seguintes. Notícias relativas à ocupação de tão bela mansão só vêm a conhecer-se em inícios do século passado, sabendo-se que foi objeto de troca entre duas opulentas proprietárias rurais: Maria Inácia Braancamp de Matos Vilardebó, moradora na Praça do Giraldo, acedeu permutar o seu imóvel pelo Solar dos Condes de Portalegre com outra dama, cujo nome a memória coletiva não preservou mas que pretendia morar na grande praça da cidade.
Maria Inácia Vilardebó casou com o engenheiro Henrique da Fonseca Chaves, que veio trabalhar para Évora e foi presidente da Câmara Municipal nos anos 40. Parte do edifício funcionou como delegação da Inspecção Geral dos Produtos Agrícolas e Industriais e, em 1949, foi sede provisória da Legião Portuguesa, conforme relata à época a imprensa local. Embora o casal tivesse tido quatro filhos, foi o primogénito João Ricardo Vilardebó Fonseca Chaves quem herdou o Solar, que tem estado regularmente habitado para evitar males maiores, nomeadamente durante o PREC, em que por diversas ocasiões esteve para ser ocupado. João Ricardo faleceu em 2004, deixando oito filhos que não se têm entendido quanto ao destinado a dar-lhe. Diversas candidaturas a fundos comunitários para a sua requalificação como turismo de habitação não surtiram efeito.
A alienação em favor de quem queira pagar o justo preço pelo seu valor é, por isso, o futuro mais provável segundo os próprios herdeiros. E enquanto não surge o comprador ideal, de preferência espanhol como fazem questão de acentuar, e é necessário assegurar a sua manutenção e evitar o mais possível a inexorável deterioração, o Solar está cedido graciosamente à Associação Oficinas de Comunicação, uma entidade privada sem fins lucrativos que desenvolve projetos e atividades para adultos, jovens e crianças nas áreas do Ambiente, Agricultura Biológica e também das Artes.
Texto: José Frota

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Dia da Criança comemorado em Évora

 
 
A Câmara Municipal de Évora, com o apoio de várias entidades, dinamiza um conjunto de atividades no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Criança, que terão lugar no próximo dia 31 de maio, entre as 9:30 e as 13 horas, no parque infantil do jardim público de Évora.

Jogos lúdico-pedagógicos, histórias, fantoches, experiências científicas, ateliês diversos, dança, pintura, segredos de magia, pinturas faciais, são algumas das atividades que esperam as crianças nesta manhã.

Sob o lema “Caldeirão de palavras” os mais novos terão oportunidade de realizar o Jogo de associação de letras; escutar a história “Quem será o meu jantar?” (sessões às 9:40 e 11:50); e conhecer a fantasia de fantoches (sessões às 11:00, 12:00 e 12:20).

Através dos “Pós mágicos do património” conhecerão a história e participarão nos jogos sobre “Geraldo sem Pavor”; no Jogo das oralidades; e no Jogo de memória com instrumentos tradicionais portugueses.

O Feiticeiro das línguas oferece-lhes o Magic Bingo e o Fortune Teller, mas também o Dragão da matemática; a Roleta da matemática; os Jogos matemáticos; o Jogo da Glória; e A magia dos números.

Por intermédio da Varinha do mundo irão entrar no Jogo Roteiro dos heróis; no Jogo País forte, país sábio; no Laboratório do professor Pardal (experiências); e conhecer a Roda dos alimentos- uma alimentação saudável.

A Fada da Cidadania irá presenteá-los com um Percurso rodoviário: De casa para a escola com a Fada da Cidadania; e com A aventura dos sentidos.

No Tapete mágico do movimento terão oportunidade de se deliciar com o Magic Gymn; e Jogos tradicionais.

Têm também o Gigante da Música que inclui Ateliê de instrumentos musicais; Sessão didática de instrumentos (9:30-10:00); e A magia da música.

Nos Segredos da dança o Hip hop (10:20) é o tema escolhido e na Poção da expressão haverá Jogo de mímica; Dramatização da peça “O som das cores” (sessões às 10:00 e 11:30); e o Jogo “Quadro mágico”.

O programa conta igualmente com os Feitiços de papel em que terá lugar a Construção de chapéus de feiticeiros e outras artes (limitação de participantes); os Segredos da magia onde serão ensinados Truques mágicos (limitação de participantes); os Brinquedos de encantar e ateliê de pintura (Ludoteca); O cantinho da fotografia (Ludoteca) e as Pinturas faciais (9:30-11:00).

domingo, 26 de maio de 2013

Médico com experiência em Medicina do Trabalho - Évora


O S24 Group é um grupo empresarial que engloba várias empresas na área dos serviços de saúde. No seguimento da sua política de expansão pretende recrutar Médicos com experiência em Medicina do Trabalho (M/F) para Lisboa com o seguinte perfil: 

- Licenciatura em Medicina; 

- Especialidade ou Pós-Graduação (preferencial); 

- Experiência na função de Medicina do Trabalho; 

- Disponibilidade para deslocações; 

- Flexibilidade de horários; 

Se quer fazer parte da nossa equipa, envie-nos a sua candidatura (CV) para Soraia Baeta,

    sbaeta@s24group.com

sábado, 25 de maio de 2013

Ecopista (a partir da cidade, em direcção a Arraiolos)



A ECOPISTA constitui o principal percurso pedestre que passa pela cidade de Évora, utilizando o antigo ramal ferroviário para Arraiolos e Mora. Na zona urbana, a  ECOPISTA é em tapete de betão betuminoso, para permitir a sua utilização a pessoas com mobilidade reduzida.

Desenvolvendo-se desde o Chafariz d'El Rei, em Évora, até à Herdade da Sempre Noiva, numa trajecto de cerca de 21km, tendo depois continuidade nos concelhos de Arraiolos e Mora, numa extensão total de 60km. 

Parte da ECOPISTA é utilizada no Percurso da Água da Prata, já referido. Mais informações sobre a ECOPISTA, no Posto de Turismo.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

“Encontro Lado a Lado” no palácio de D.Manuel



A Câmara Municipal de Évora promove dia 23 de maio o “Encontro Lado a Lado”, entre as 9 e as 17 horas, no Palácio de D. Manuel, ação com que finalizará  o projeto, a decorrer desde 2011, conducente à elaboração do Plano Municipal para a Igualdade. 

Esta candidatura, que teve como objetivo principal diagnosticar e propor medidas promotoras da igualdade de género no município, constituiu  também uma significativa oportunidade  de partilha de competências com outras entidades que trabalham em prol da mesma temática.

Nesse sentido, o “Encontro Lado a Lado” permitirá, para além da abordagem mais especifica  e relacionada com a violência doméstica,  a apresentação de boas práticas em torno da promoção da  igualdade de género nas autarquias, nas associações e na educação.

A sessão de abertura conta com a participação da Vereadora da Câmara Municipal de Évora, Cláudia Sousa Pereira e da Presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, Fátima Duarte.

As inscrições são gratuitas e poderão ser enviadas para: palavraj@cm-evora.pt  ou  cmevora.mpolicarpo@mail.evora.net   ou para Câmara Municipal de Évora, Praça  do Sertório – 7000 Évora, até dia 21 de maio.


domingo, 19 de maio de 2013

Comercial (M/F) - Évora


A Talenter™ promove o talento dos seus colaboradores de acordo com a natureza específica de cada área, proporcionando diferenciadas oportunidades de emprego e soluções na gestão e valorização das pessoas. 

Estamos atualmente em processo de recrutamento de Comercial para prestigiada Empresa de Telecomunicações situada na zona de Évora. 

Requisitos: 
- Forte capacidade na gestão de prioridades; 
- Gosto pelo trabalho em equipa; 
- Gosto pelo trabalho por objetivos; 
- Boa capacidade de comunicação; 
- Boa apresentação; 
- Ótima capacidade de argumentação; 
- Disponibilidade imediata. 

Condições: 
- Integração em equipa jovem e dinâmica; 
- Formação inicial remunerada; 
- Contrato de Trabalho; 
- Vencimento base + Sub. de Alimentação + sistema de comissões aliciante; 
- Oportunidade de progressão de carreira. 

Junte-se a nós e desperte o seu talento! 

Caso reúna os requisitos exigidos, envie o seu Curriculum Vitae para


mencionando no assunto da mensagem “Comercial – Almada e Seixal” ou contacte-nos através do 265 730 858. 

sábado, 18 de maio de 2013

Hoje é o Dia Internacional dos Museus



18 de Maio
Tema: “Memória + Criatividade = mudança social”

PROGRAMA:
18 de maio
15:00-17:00
Arqueo–lego no Páteo das romãs, construções em lego inspiradas nos monumentos da cidade - Atividade lúdica interativa no Páteo das romãs/Convento dos Remédios

20 de maio
18:30
Apresentação da vertente multimédia do Roteiro Fotográfico Oitocentista, no Arquivo Fotográfico (Rua Diogo Cão)
Parceria: Câmara Municipal de Évora/Divisão da Cultura/Arquivo Fotográfico | Direção Regional de Cultura do Alentejo

20 a 24 de maio
9:30-12:30 / 14:00-17:00
Como criar um contador de água? Ateliê de construção de maquetas,  Unidade Museológica CEA, Rua do Menino Jesus.

Vídeo promocional sobre a oferta educativa da Escola Secundária

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Anta do Zambujeiro (cerca de 12km de Évora, em direcção das Alcáçovas)


Um importante monumento megalítico no concelho de Évora é a Anta Grande do Zambujeiro, também ela situada a cerca de 12Km de Évora, perto de Valverde (estrada nacional Évora-Alcáçovas ou estrada municipal a partir de Guadalupe), na Herdade da Mitra (polo da Universidade de Évora).  Foi descoberta em 1964, também pelo arqueólogo Henrique Leonor Pina.

A Anta é um dos maiores monumentos megalíticos da Península Ibérica e foi construída entre os início do IV milénio e meados do III milénio a.C. tendo continuado a ser utilizada pelas comunidades agro-pastoris do Neolítico, durante séculos (até à Idade do Bronze,  por volta 1.500 a.C., isto é foi utilizada por mais de 2.000 anos) como local de enterramento dos seus mortos, assim como servirindo de santuário. Nas escavações realizadas encontraram-se um vastíssimo espólio, actualmente depositado no Museu de Évora, como cerâmica, pontas de setas, machados, pedras gravadas, joalheria pré-histórica.

A Anta encontrava-se totalmente recoberta por terra, facto que explica apenas ter sido tão tardiamente descoberta, e é composta por um corredor de 12 metros que leva a uma câmara funerária construída com 7 longos esteios de granito, com cerca de 5 metros de cumprimento, sobre os quais estava colocada uma laje, o que faz com que o diametro desta câmara tenha 50 metros.

É possível visitar este monumento de bicicleta, de carro ou integrada na visita guiada ao Cromeleque dos Almendres, com acompanhamento de um arqueólogo.

Edição: Pensão Policarpo Revisão: Marta Nunes Ferreira (Historiadora de Arte)

Crise: Gado e hortícolas dão sustento e qualidade na alimentação

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Teatro - "Pistolas, Pilantras e Problemas"


 
Um ator intrepreta um ator que interpreta uma personagem que por sua vez interpreta uma outra personagem, e contracena com um segundo ator, que interpreta outro ator a interpretar outra personagem. Dito desta forma parece confuso, mas é muito simples: a história tem uma quase pistola, dois pilantras e uma infinidade de problemas. E dois atores para tentar resolvê-los sem perder a cabeça.
Tudo muito banal, dentro dos parâmetros da normalidade: afinal, quem nunca esteve num assalto a um banco?
 
Textos Originais: Suzanna Rodrigues
Encenação: Ricardo Alves
Interpretação: Ivo Luz e Tiago Lourenço  
Design: Cristovão Carvalheiro
Produção: Porta 27
 
Junte boa disposição e vontade de trabalhar em partes iguais, misture bem com um grupo de jovens desejosos de mostrar o que valem e polvilhe com muito esforço e dedicação: eis a receita da Porta 27!
Depois de confirmar a dificuldade que é chegar ao sucesso na área da Cultura, decidimos que desistir é para os fracos e pusemos mãos à obra para criar uma infra-estrutura capaz de apoiar todos aqueles que, como nós, não perdem a vontade de trabalhar nas Artes.
Criámos esta Associação com o objectivo de promover o intercâmbio de conhecimento entre as diferentes áreas deforma a construir um projecto comum. Deste modo, e com a ajuda de especialistas em cada uma das diferentes áreas, temos a garantia de proporcionar ao nosso público um trabalho de elevada qualidade a um valor bastante reduzido.
Assim, atores, encenadores, músicos, cenógrafos, sonoplastas, luminotécnicos e dramaturgos podem trabalhar em conjunto nas suas áreas de formação e no que realmente gostam de fazer, e o público tem uma oferta muito mais diversificada e acessível à Cultura.


"O espectáculo chama-se “Pistolas, Pilantras e Problemas”, é uma comédia para M/16 e esteve no Rivoli, no Porto, durante a segunda quinzena de Janeiro. Neste momento já podemos dizer que vários locais nos aguardam devido ao feedback do espectáculo. A vertente cómica da companhia tem vindo atrair público. Temos feito várias produções, quase todas as últimas apresentadas no Rivoli e outra no Teatro Campo Alegre, encomendado pelo Serviço Educativo. Este ano ganhámos um concurso do “Visões Úteis, ou seja, somos a companhia associada durante os próximos 2 anos, o que também tem acesso a isso tudo no site da companhia: www.porta27.pt.vu"


Pistolas, Pilantras e Problemas
Local: a BRUXA teatro, Espaço Celeiros, Rua do Eborim, 16 - Évora
Datas: 18 de maio
Horário: 21:30h
Bilhetes: 5€
Reservas: abruxateatro@gmail.com
266 747 047
Organização: aBt/Acolhimento

Postais Antigos: Azulejo da Igreja da Casa Pia

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Projeto Malagueira começou há três décadas e meia





Três décadas e meia são decorridas desde que o arquiteto Álvaro Siza Vieira aceitou o convite da Câmara de Évora para projetar o conhecido e polémico bairro da Malagueira, que viria a ser premiado internacionalmente e, em contraste, alvo de múltiplas críticas e reparos internos, por colidir frontalmente com o tipo de construções medievais ou tardo-medievais que caraterizam o Centro Histórico, o qual seria classificado pela UNESCO como Património Mundial.

No sentido de pôr cobro à falta de habitação na cidade, ditada sobretudo pela afluência de grande número de trabalhadores rurais e de gente oriunda das antigas colónias, a Câmara Municipal colocou em marcha um
Plano de Expansão da Zona Oeste, para execução do qual expropriou 27 hectares da propriedade denominada de Quinta da Malagueira, situada entre o bairro de Santa Maria e a estrada das Piscinas, terreno anteriormente pertencente ao Conde da Ervideira.

Pretendia a edilidade mandar construir naquela superfície um bairro original de elevada densidade habitacional e larga mescla de classes sociais e estratos profissionais. Para justificar a escolha de Siza Vieira o município teve em conta o seu trabalho de experimentação em 16 projetos residenciais participativos, todos na área do Porto, e o seu gosto pelo trabalho, inovador para a época, bebido projeto Malagueira começou há três décadas e meia na obra do arquiteto finlandês Alvar Aalto (1898-1976), figura grada do modernismo internacional e apologista do desenho de edifícios de base racional e geométrica assentes numa grande sobriedade de linhas.

Neste projeto experimental, a única imposição que a Câmara fez foi a de que as moradias deveriam ser unifamiliares. O arquiteto decidiu-se então pela conceção de um bairro de mil e duzentas casas em banda ou geminadas, de grande luminosidade, em que se prescindia da  telha e se optava pelo terraço como forma de cobertura, cujo desenvolvimento e execução esteve em grande parte a cargo das Cooperativas Giraldo Sem Pavor e Boa Vontade, que edificaram no total 652 fogos. Ao FFH (Fundo de Fomento da Habitação) foram atribuídos 400 fogos e uma pequena quantidade de lotes foram vendidos a particulares, que assumiram o compromisso de respeitar o plano-tipo gizado por Siza Vieira.

Elemento fulcral em todo o projecto era a construção de um “aqueduto” que tinha por objectivo conferir identidade ao bairro e ligá-lo simbolicamente à cidade, e servir como galeria de infra-estruturas, destinada a albergar os canais essenciais à distribuição de água, eletricidade, telefone e televisão, substituindo-se à tradicional rede subterrânea. Como espinha dorsal da contiguidade residencial este deveria receber em fase posterior uma cúpula na qual se situariam um restaurante, um centro comercial, um hotel e uma casa de chá, dando origem a uma nova centralidade. 

Foi igualmente criado um dique de que resultou um largo de grandes dimensões na zona de confluência dos dois ribeiros que atravessam o bairro. Sobre o seu ponto de união, um pouco antes do dique foi erguida uma ponte de alguma espetacularidade e cujas escadas proporcionam o acesso a áreas naturais de grande beleza, onde predominam os espaços verdes, os baldios e outros de arborização contínua.


A concretização do projeto no terreno iniciou-se, ainda no final da década de 70, com a construção dos fogos do IGAPHE (Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado), por extinção do Fundo de Fomento da Habitação. Mas os problemas começaram pouco depois, dado que a fraca qualidade inicial dos materiais de construção e a demora no tempo de construção, por dificuldades diversas, fizeram com que as casas se começassem a degradar antes mesmo da sua ocupação.

Por outro lado, a primitiva inadaptação da etnia cigana a tal tipo de habitação provocou a inadequação
do seu uso e o aparecimento de conflitos vários com a restante população. Os problemas foram-se sucedendo. A dimensão das ruas, que inicialmente haviam sido congeminadas apenas para utilização pedonal, não ultrapassando em certos casos os 4 a 6 metros, teve de ser revista e progressivamente ajustada ao trânsito automóvel. Como não havia espaço e as garagens eram poucas e utilizadas como depósito de arrumações, estabeleceu-se o estacionamento de um só lado, com a natural confusão daí adveniente.


Com as Cooperativas, Siza Vieira manteve sempre o diálogo com os seus futuros utentes, quer antes quer durante o processo de construção, escutando e satisfazendo no essencial os seus desejos ou preocupações, o que motivava permanentes correções. Assim, o primitivo muro das casas, que estava programado para não exceder os dois metros e meio (com exposição à rua), pôde subir mais um metro por imposição dos futuros moradores, desejosos de manter intacta a sua privacidade e garantir a sua segurança. Também a rudeza estética de acabamentos do “aqueduto”- grosseiramente construído em blocos de betão - se tornou gradualmente mais notória à medida que ia sendo levantado e causava igualmente o desagrado dos habitantes, que o preferiam ver pintado, e a reprovação da crítica da especialidade.

O processo experimental de Siza Vieira havia contudo suscitado a curiosidade e a controvérsia no mundo da arquitetura. O arquiteto de Matosinhos já gozava de alguma notoriedade internacional antes de projetar e desenhar o bairro da Malagueira, razão pela qual o projeto moderno e racionalista em curso em Évora concentrou a atenção e análise dos grandes arquitetos e se tornou objeto de diversos estudos, visitas, teses de mestrado e doutoramento. Não foi motivo de estranheza que depois do reconhecimento internacional o bairro tivesse começado a receber visitantes de toda a parte, nomeadamente estudantes, interessados em tomar contato in loco com esta aventura urbana fora do comum.

Em meados de 1996 percebeu-se que o bairro se preparava para entrar em fase de estagnação. As moradias estavam concluídas mas não havia dinheiro nem investidores com capacidade para a conclusão dos espaços públicos. Entre a construção dos primeiros fogos e os últimos mediavam cerca de 16 anos, não tendo sido possível gerar uma forte dinâmica construtiva. A degradação de certas zonas, conjugada com o abastardamento de muitas casas, que haviam sofrido transformações sem critério mas que, no entender dos seus proprietários, contribuíam para uma fruição mais adequada, retiraram- lhe coerência e equilíbrio morfológico.



Os espaços verdes começaram a acusar o desleixo de quem deles devia cuidar. A Câmara Municipal entrou a negligenciar o seu aspeto exterior. O próprio Siza Vieira, assoberbado com outros trabalhos de muito maior monta e ambição, deixou de vir a Évora com a frequência habitual, pois já não existia qualquer possibilidade de desenvolvimento do processo a acompanhar. O prestígio de um bairro que começou debaixo de grandes expectativas não se veio a consolidar e permanece hoje apenas como um complexo residencial periférico.

Foi há 35 anos que tudo começou. Relembramos em breve síntese os principais elementos caraterizadores do projeto e a sua evolução ao longo desse tempo. Apreciações críticas não cabem aqui por este não ser o espaço adequado para o efeito. Imperioso é ter em conta que este foi simultaneamente um processo de matriz artística, social e política e, em consequência, envolto em grande controvérsia. De qualquer forma, foi um ensaio, uma experimentação que terá valido a pena ousar. Pensado para ser apenas e só um bairro, teve o mérito de se transformar na maior freguesia do concelho, embora não tenha logrado afirmar-se como um espaço de forte coesão social.


Não obstante as suas fragilidades é completamente lícito afirmar, na esteira de Paulo Baldaia em artigo publicado em 2006 na revista “L’Architecture d’aujourdhui”, que o bairro da Malagueira «é uma das incontestáveis obras da modernidade portuguesa que o tornam num elemento prestigiante para a cidade». E faz parte do roteiro das obras de Álvaro Siza Vieira, um dos mais consagrados arquitetos de todo o mundo. Sendo diferente, acaba por ser único. Assim sendo, ao menos por isso, só por isso, merecia nestas páginas o registo da efeméride.





Texto: José Frota
Fotografias: Carlos Neves

Dança - "Atractor Estranho"

 
"Atractor Estranho"
 16 de maio - Igreja de São Vicente
21:30
 
 
A Colecção B, Associação Cultural acolhe no âmbito dos Ciclos de São Vicente o espetáculo "Atractor Estranho" de Pedro Ramos. Um espetáculo onde o corpo e o pêndulo dançam pelo espaço numa dialética de contrastes, movendo-se num caos que cria entre si uma harmonia espantosa.

Organização: Colecção B, Associação Cultural
Apoios: Câmara Municipal de Évora | Recicloteca | O Registo
Contacto: 266 704 236 | | 919 306 951 | colb@escritanapaisagem.net
Web page: http://www.escritanapaisagem.net
Inf. Extra: Preço - 5 € (geral) | 3€ (estudantes, reformados e desempregados)

terça-feira, 14 de maio de 2013

Cinema - “Em Honra de São Gualter” e “Martins Sarmento - o tempo passado é já tempo futuro”


“Em Honra de São Gualter” e “Martins Sarmento - o tempo passado é já tempo futuro”
 15 de maio - Auditório Soror Mariana (Rua Diogo Cão, 8)
Sessões às 18:00 e 21:30
 
“Em Honra de São Gualter” (60 min.) é um documentário de Rui Simões, que retrata os festejos em honra de Frei Gualter, enviado por São Francisco de Assis para Guimarães por volta de 1213. A devoção crescente a este frade franciscano levou à fundação da fundação da Irmandade de São Gualter em 1577. “Martins Sarmento - o tempo passado é já tempo futuro” (55 min.), de Jorge Campos, é uma curta-metragem sobre Martins Sarmento, que é uma das figuras proeminentes da vida cultural e científica da segunda metade do século XIX. Nascido em Guimarães no seio de uma família abastada, após estudos de Direito em Coimbra, enveredou pelo estudo da Etnografia e da Arqueologia.

Organização: Cineclube da Univ.Évora | Pátio do Cinema - SOIR Joaquim António d’Aguiar
Apoios: Universidade de Évora | Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura | ICA/SEC - Rede Alternativa de Exibição Cinematográfica | Associação de Estudantes da Universidade de Évora | Fundação INATEL, Federação Portuguesa de Cineclubes | Perspectiva – Impressão Digital
Inf. Extra: Inserido no Ciclo Guimarães 2012 - Capital Europeia da Cultura.

Postais Antigos : Casa Soure

Caminhada "Um passo pelos Afectos, um passo pela Não Violência "


 
Caminhada "Um passo pelos Afectos, um passo pela Não Violencia "
18 de maio - Praça do Giraldo
9:00-12:00
 
Organização: Caritas Diocesana | APPACDM | CM Évora | Grupo de Caminheiros de Évora
Contacto: nav.evora@gmail.com
Inf. Extra: participação - 1€

domingo, 12 de maio de 2013

Exposição - "Um Outro Olhar - II"




"Um Outro Olhar - II"
25 de abril a 31 de maio
Sociedade Recreativa e Dramática Eborense (Antiga Mocidade)

Terça a sábado: 15:00-23:30 | domingo e segunda: 19:30-23:30
   
Exposição de fotografia de Joaquim Carrapato, fotógrafo amador. Este trabalho fotográfico pretende mostrar a Praça de Giraldo vista de dentro para fora, através dos ferros forjados das sacadas das janelas. Integrada nas comemorações do 116º aniversário da Sociedade Recreativa e Dramática Eborense.

Organização: Sociedade Recreativa e Dramática Eborense
Apoios: Freguesia de Santo Antão | Câmara Municipal de Évora
Contacto: 266 703 284 | srdeborense@gmail.com
Web page: http://evorapromundo.blogspot.com
Inf. Extra: Entrada Livre

Recruta-se Nutricionista/Dietista para Zona de Évora


A Nutriconcept SA, empresa do Grupo Biocol, recruta Nutricionista/Dietista para realização de Consultas de Nutrição segundo os Protocolos da Nutriconcept bem como contribuir para a sua angariação. 

Requisitos: 
- Licenciatura em Ciências da Nutrição ou Dietética e Nutrição; 
- Inscrição na Ordem dos Nutricionista; 
- Carta de Condução e viatura própria. 

Envio de Candidaturas para o email


com o título "Recrutamento Nutriconcept Zona Évora". 

Quatro mil jovens católicos da Diocese de Évora reuniram-se em torno da fé

Hortas urbanas de Évora com mais 135 parcelas

sábado, 11 de maio de 2013

Exposição de ilustração científica e artística “Desenhos Habitados”

 
A Câmara Municipal de Évora inaugurou ontem no Palácio de D. Manuel, uma exposição de ilustração artística intitulada “Desenhos Habitados”, organizada por Manuela Cristóvão, Professora Auxiliar do departamento de Artes Visuais e Design da Escola de Artes da Universidade de Évora, com o apoio da autarquia. O conjunto de desenhos apresentados nesta mostra pretende despertar a curiosidade aos seus visitantes.
 
As imagens representam mundos onde habitam, não só o que é representado com rigor na ilustração científica, mas também imaginários criados pelos artistas e autores de textos ilustrados. Deste modo, cada espectador sentir-se-á também parte do espaço habitado e agora observado, passando também a habitar a imagem através do seu imaginário, de forma consciente ou inconsciente, mais ou menos sensível e envolvido. Todos conhecemos o desenho como recurso ou forma de registo de um momento real ou imaginário, como processo de materializar uma ideia ou como meio de criação.
 
O exercício do desenho e a sua prática contínua, torna-o uma ferramenta precisa e flexível para uma representação com carácter científico ou potencializando o trabalho de conceção e execução de narrativas, como acontece na ilustração em livro ou em filme. A entrada na exposição é livre, estando aberta de segunda a sexta-feira, das 10:00 às 12:00 e das 14:00 às 18:00, encerrando aos domingos todo o dia e aos sábados apenas na parte da manhã. -

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Workshop "Filho de Peixe sabe Ler"



Workshop "Filho de Peixe sabe Ler"
11 de maio
Livraria Dom Pepe (Horta da Porta, Rua de Chartres, 7B)
15:00
 
Este workshop visa dar ferramentas aos pais para incutir nos filhos o gosto pelo livro e pela leitura. Moderadora: Antonieta Félix.

Organização: Livraria Dom Pepe
Contacto: 266 733 108 | livrariadompepe@gmail.com
Web page: http://www.livrariadompepe.com
Inf. Extra: preço - 4€. Limitado a 16 participantes. Inscrições através dos contactos disponibilizados.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Dia da Escola de Artes



Dia da Escola de Artes
10, 11 e 12 de maio
Colégio dos Leões

   

As comemorações do Dia da Escola de Artes da Universidade de Évora são preenchidas com um programa diversificado de concertos, debates, conferências, ateliês e exposições.

Organização: Universidade de Évora/Escola de Artes
Apoios: Câmara Municipal de Évora | Ministério da Cultural | Fundação Eugénio de Almeida
Contacto: 266 760 268 | ea@uevora.pt
Inf. Extra: Entrada Livre. 

Exposição - Centenário do nascimento de Túlio Espanca

quarta-feira, 8 de maio de 2013

11ª Edição do UÉ Challenge




Estás preparado para mais uma edição do UÉ Challenge? Este ano, nos dias 24 e 25 de Maio contamos já com a 11ª edição!

O UÉ Challenge é um evento que decorre ao ar livre com características de “Desporto de aventura”, organizado pelos alunos da Licenciatura em Ciências do Desporto da Universidade de Évora com o apoio técnico da Desafio Sul – Eventos, Formação e Animação Turística, Lda.

As características que têm tornado este evento um sucesso, permanecem: Uma filosofia de “Soft-Challenge”, adequado a qualquer faixa etária, disputado por equipas de 4 elementos (obrigatoriamente mistas), na vertente que achar mais adequada: pedestre ou BTT. Conta com provas de orientação, provas de slide, rappel, peddy-paper urbano e muitas mais aventuras nas localidades de Évora, Arraiolos, Avis e Mora que irão garantir aos participantes dois dias repletos de aventura, animação e puro divertimento!

Podemos contar desde com o patrocínio de certas entidades, tais como: Cevalor – Centro Tecnológico da Pedra Natural de Portugal, DREAlentejo, Every.Body - health & Fitness Clubs, Delta Cafés, Banco Espirito Santo, Rádio Telefonia do Alentejo, Diário do Sul, Publiplanície – Empresa de Marketing e publicidade, COPRAPEC, e Desporto Escolar, para além destes contamos ainda com o apoio das Câmaras Municipais de Évora, Arraiolos, Avis e Mora.  

Para mais informações consulta o nosso site: www.uechallenge.weebly.com ou a nossa página no facebook: www.facebook.com/UEvora.Challenge. 
Não percas tempo e inscreve-te quanto antes! Vem passar connosco dois dias altamente diferentes e radicais!