quarta-feira, 4 de julho de 2012

Moinho da Nª Sra do Carmo


O Moinho da Nª Sra do Carmo está situado a Sul de Évora, nas traseiras no bairro com o mesmo nome, podendo avistar-se na variante Sul da Cidade, construído numa pequena elevação com a Cota 254.

Este Moinho foi totalmente reconstruído pelo actual proprietário, as suas paredes são feitas de alvenaria, com a cobertura tradicional em chapa e o seu mastro constituído com 4 velas de pano. É o único moinho em Évora completamente reconstituído à sua antiga imagem, sem dúvida um belo exemplar.

Fonte: marcoseborenses.no.comunidades.net

Homayoun Sakhi (Afeganistão) hoje em Évora


4 de Julho 2012
22h00 
Palacio Cadaval

Homayoun Sakhi
A Arte Do Rubãb
Afeganistão

Em colaboração com a Aga Khan Music Initiative, um programa da Fundação Aga Khan Trust for Culture.
« De que lado querias tu atravessar, Ó meu coração
Não houve nenhum viajante antes de você, não há estrada
Onde está o movimento, onde está o resto, neste banco?
Não há água, barco, ou barqueiro.
Nem mesmo uma corda para amarrar o barco, nem um homem para o puxar
Sem terra, céu, tempo, não há nada lá, nenhuma terra, nenhum vau
Não há nem corpo nem espírito, mas onde está então o lugar que deve saciar a sede da alma, certamente não num vácuo.
Seja forte e entre em seu próprio corpo, não deixe seu coração ir para outro lugar.
Agarre sua imaginação e permaneça fiel a quem você é… »

Kabir, poeta hindu e muçulmana (século XV)

Infelizmente hoje relevante, objeto da geopolítica cobiçada, o Afeganistão, entre o Oriente e a Ásia, é uma das últimas terras livres, onde ainda há um certo sentimento de cavalheirismo através dos senhores das montanhas.

As canções folclóricas e a poesia mística do Afeganistão possuem uma rica paleta musical, uma harmonia de cores sonoras onde intercetam as tradições “pashtuns, tadjiques, baloutches ou hazaras”. Os sons incisivos, metálicos e mercuriais do alaúde rubâb com três cordas melódicas e vinte cordas simpáticas, evocam um país em que o universo montanhoso desses povos, da inspiração mística, ao orgulho guerreiro, mistura-se com os primeiros refinamentos das cortes da Índia.

O rubâb está realmente na origem do alaúde sarod que nós encontraremos na música clássica do Norte da Índia no século XIX.

Este instrumento está hoje intimamente ligado à personalidade de Homayoun Sakhi, que através do mundo, dá uma verdadeira notoriedade ao alaúde afegão.

Graças à iniciativa da Fundação Aga Khan Trust for Culture e de Soudabeh Kia, grande especialista nesta área do mundo, prestaremos homenagem a este país.


Panfletos Relativos à Reabertura do Salão Central Eborense (1945)


terça-feira, 3 de julho de 2012

Exposição VIVE PCI – Património Cultural Imaterial




A Fundação Inatel apresenta em Évora a Exposição VIVE PCI – Património Cultural Imaterial, uma exposição da Direção Regional de Cultura do Algarve que resulta dos trabalhos vencedores do Concurso de Fotografia e Vídeo VIVE PCI - iniciativa desenvolvida no âmbito do Ano Internacional da Juventude (2010-2011), promovido pelas Nações Unidas. O VIVE PCI procurou reforçar o sentimento de cidadania e de identidade dos jovens com o património da comunidade, preservando, vivendo e promovendo a memória das tradições algarvias.

A Exposição VIVE PCI foi inaugurada a 29 de Outubro de 2011 na FNAC do AlgarveShopping, tendo sido exibida na Biblioteca das Gambelas da Universidade do Algarve, na Escola Secundária de Loulé, nas Ruínas Romanas de Milreu, em Estói, e na Escola Secundária de Tavira, seguindo-se agora, pela primeira vez, a sua apresentação fora da região do Algarve.

A inauguração está agendada para o próximo dia 5 de Julho, no Palácio do Barrocal, sito na Rua Serpa Pinto nº 6, em Évora, e permanecerá aberta ao público até ao dia 31 de agosto, de segunda a sexta, das 14h00 às 18h00. A exposição integra obras de jovens com idades entre os 15 e 25 anos, que capturaram a essência algarvia: costumes, tradições, rituais e festividades e gastronomia.

Conforme refere Paulo Costa (Diretor do Departamento do Património Imaterial do Instituto dos Museus e Conservação e membro do júri do concurso), na brochura do concurso: O concurso VIVE PCI constitui uma importante iniciativa da Direção Regional de Cultura do Algarve com vista à valorização do Património Cultural Imaterial da região.

Tal importância decorre do facto de o concurso ser dirigido a jovens estimulando-os para a (re)descoberta das tradições locais, sensibilizando-os para os riscos do desaparecimento de muitas delas, e, simultaneamente, promovendo o uso da imagem – fixa ou em movimento – como técnica de registo indispensável para a documentação do património cultural imaterial.


Para mais informações:
Fundação Inatel – Palácio do Barrocal
Tel.: 266 730 520

Convento dos Lóios


O Convento dos Lóios, também conhecido como Convento de São João Evangelista, foi construído no século XV sobre o que restava de um castelo medieval, tendo ficado bastante danificado aquando do terramoto de 1755.

É um conjunto de planta rectangular que se desenvolve em torno de um claustro de dois pisos, sendo o piso inferior de estilo gótico-manuelino e o superior já com características renascença.
A igreja, de estilo manuelino, tem uma nave de cinco tramos rectangulares e é coberta por uma abóbada nervurada. As paredes estão revestidas com painéis azulejares do século XVIII.

A capela-mor, de planta poligonal, é coberta por uma abóbada de complicado desenho, com ogivas entrecruzadas, e as suas paredes estão revestidas de azulejos dos séculos XVII e XVIII.

A Casa do Capítulo, atribuída a Diogo de Arruda, é precedida por um portal mourisco do início do século XVI.

Após obras de restauro e recuperação que demoraram alguns anos foi inaugurada nas suas instalações a Pousada dos Lóios integrada nas Pousadas de Portugal.

Abir Nehme (Líbano) hoje em Évora

3 de Julho 2012
22h00
Palacio Cadaval

Abir Nehme
Canções aramaicas, siríacas e bizantinas
Líbano


Abir Nehme incorpora as emoções antigas dos cânticos siríacos e a diversidade das tradições cristãs orientais, árabe e aramaico, herança gregoriana e ortodoxa.

Abir Nehme destaca-se na arte de cantar o repertório religioso de origem Maronita, Bizantino ou Sírio. Sóbria e comovente, impulsionada por uma fé pessoal, Abir Nehme revive as raízes dessas melodias antigas e de meditação, no alvorecer de uma nova espiritualidade de origem do canto litúrgico.

Animada pela memória extremamente viva de um Médio Oriente bíblico, a sua música combina o passado e o presente e desenha uma liturgia sagrada e contemplativa.

Alimentada também por um conhecimento musicológico aprofundado, ela está sempre à procura de descobrir as riquezas das tradições do mundo, sempre permanecendo aberta para a música contemporânea.

Ela é conhecida pela sua capacidade de cantar um repertório árabe clássico ou abordar um repertório mais variado como o dos irmãos Rahbani ou de um género de jazz oriental.

Sua voz clara, limpa e livre, voa graciosamente sobre as vozes mais graves de um coro bizantino que pertencem à igreja siríaca de Antioquia, ancorada num dreno linear, deixando as nossas mentes vaguearem ao topo dos picos dos nossos pensamentos.

Abir Nehme já viajou pelo mundo, suas catedrais e seus festivais, da Ópera do Cairo, à Abadia de Royaumont.


Évora Perdida no Tempo - Salão Central Eborense

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Terminou ontem a feira de S.João 2012

Ao longo de 10 dias passaram pelo Rossio de São Brás, às portas da cidade, cerca de 200 mil visitantes atraídos principalmente pela vasta oferta gastronómica das tasquinhas e restaurantes presentes, pelos muitos produtos de artesanato regional e não só, e por toda uma panóplia de artigos de vestuário, decoração, entre muitos outros.

Centenária e conhecida como uma das maiores do género no Alentejo, a Feira de São João, garante o Município de Évora, tem vindo a adaptar-se a novos públicos sem com isso perder o cariz tradicional.

Programação do Festival de Músicas Sagradas de Évora - 3 a 6 de Julho


Programação

3 de Julho 2012
22h00 - Palacio Cadaval
Abir Nehme
Canções aramaicas, siríacas e bizantinas
Líbano


4 de Julho 2012
22h00 - Palacio Cadaval
Homayoun
A arte do rubâb
Afeganistão
* (Em colaboração com a Aga Khan Music Initiative, um programa da Fundação Aga Khan Trust for Culture. )

5 de Julho 2012
Noite de solidariedade com Moçambique
22h00 - Palacio Cadaval
Ana Moura
Fado
Portugal

6 de Julho 2012
22h00 - Palacio Cadaval
Cherifa
A Poetisa do Médio Atlas
Marrocos


Bilhetes e Informações:
+351 918 800 000

Palácio Cadaval e Igreja dos Lóios
(frente ao Templo Romano de Diana)
Preço por espectáculo : 6€
Ana Moura : 12€ (Noite de solidariedade com Moçambique)

Organização:
Duquesa de Cadaval

Presidente do Festival
Alain Weber

Direcção Artística
Alexandra de Cadaval

Direcção e Coordenação Artística
Diana de Cadaval

Marketing e Comunicação
Carlos de Andrade Pissarra

Relações Públicas
Logística
Casa Cadaval

Évora Perdida no Tempo - Salão Central Eborense

domingo, 1 de julho de 2012

Auditorias - Évora / Moura / Reguengos de Monsaraz / Borba / Estremoz

Empresa de Estudos de mercado procura candidatos para Auditorias para visitas a grandes superfícies, entre outros.

Envio de C. V. detalhado para o e-mail

andre.canico@imr.pt indicando no assunto: Auditor (Zona de Residência).

Procura-se candidato com o seguinte perfil:
Habilitações ao nível do 11º ano ou superior.
Facilidade de Comunicação
Capacidade para efectuar avaliação crítica enquanto consumidor
Carta de Condução e Viatura Própria

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O moinho do Montinho de Ferro


O moinho do Montinho de Ferro está situado a ENE de Évora, construído numa pequena elevação com cota de 291 mts acima do nível da água do mar e o seu acesso é feito por uma estrada de terra da antiga fábrica do Titan.

A sua construção é feita em alvenaria como a sua cobertura em forma abobada não sendo a original, apresenta bom estado de conservação.

Está bem conservado exteriormente.

Este moinho serve de ponto de referência pois tem acoplado na sua construção um Marco Geodésico.

Fonte: marcoseborenses.no.comunidades.net

Évora Perdida no Tempo - Salão Central Eborense

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O incrível republicano Florival Sanches de Miranda



Nasceu em Beja, no primeiro dia do ano de 1872, este homem que foi figura importante em Évora durante as três primeiras décadas do século passado e que nos seus últimos anos de vida dizia que «só lhe tinha faltado ser Arcebispo e Comandante da Região Militar para aqui ter sido tudo». Cerca de 75 anos transcorridos sobre o seu desaparecimento, os eborenses não sabem exactamente quem foi Florival Sanches de Miranda e apenas o associam ao parque de jogos do Juventude Sport Clube, que tem o seu nome, e a um pequeno bairro que lhe é contíguo.

Florival era o filho mais novo do casamento celebrado a 25 de Janeiro de 1864, em Beja, entre o militar de carreira Eduardo Augusto de Sanches de Sousa Miranda e Mariana Lúcia Guerreiro Montes, naturais daquela cidade alentejana. Coube a Aníbal Augusto, primeiro rebento do casal, seguir as pisadas do pai, começando por frequentar a Escola Militar. Com a patente de tenente de Cavalaria viria a ilustrar-se nas campanhas de África, em 1885, quando ajudou Mouzinho de Albuquerque a aprisionar o célebre régulo moçambicano Gungunhana na região de Chaimite.

Entre 1912 e 1914 foi Governador de Macau e no regresso comandou em Évora o Regimento de Cavalaria 5. Ao invés de seu irmão, a Florival sempre interessaram mais os negócios e a política que o ofício das armas. A sua presença em Évora só é detectada no derradeiro lustro da centúria de oitocentos, como solicitador encartado, profissão em que se requeria como habilitações a instrução pública obtida em estabelecimento público e a aprovação em exames perante o Juiz da Comarca, os quais recaíam sobre os conhecimentos da teoria do processo e da prática forense, com respeito às diferentes espécies de prazos e dilações.

Republicano assumido, depressa ganhou fama de grande habilidade nas questões de que tratava. Perspicaz e com sentido de futuro, meteu-se no ramo dos transportes urbanos, que passou a dominar. Em 1911 associou-se ao comerciante Brás Simões e ambos criaram a primeira empresa deste ramo, a “Aluguer de Automóveis a Sul do Tejo”. No ano seguinte tomou de trespasse a “Empresa de Transporte de Trens d’Aluguer”, tendo cedido a sua exploração a outros mediante o pagamento de uma renda bem alta. É em 1915 que se estreia em lugar de proa na política, sendo eleito Presidente da Direcção do Centro Republicano Democrático. Daí para diante será Administrador do concelho, Comissário da Polícia e vereador até à eclosão do golpe de direita (5 de Dezembro de 1917) que levará ao poder o major Sidónio Pais.

A participação na I Guerra Mundial e a incapacidade de entendimento dos principais partidos de matriz republicana tinham lançado o descrédito sobre as novas instituições democráticas. Assumido o poder, Sidónio Pais enceta uma política ancorada no poder pessoal, repressão e perseguição pessoal, alterações na ordem administrativa e outras medidas avulsas, em suma, emitindo sinais inequívocos de preparar o regresso da monarquia. Acaba por cair igualmente no desagrado popular. Para 12 e 13 de Outubro de 1918 são marcados pronunciamentos militares em Lisboa, Porto, Lamego, Penafiel, Vila Real, Coimbra e Évora, para apear Sidónio Pais do poder.

Mas apenas nos dois últimos locais o movimento foi desencadeado. E mesmo assim o de Coimbra durou escassas horas. O de Évora levou três dias a ser sufocado. De Lisboa foi enviado um forte contigente militar, que fez com que o comité revolucionário e os civis que o apoiavam não oferecessem resistência, tendo mesmo alguns fugido. Implicado nos acontecimentos, Florival Sanches Miranda foi preso e enviado, em companhia de mais de uma centena de militares e civis, para o Forte da Graça, em Elvas, onde ficaram a aguardar julgamento.

Dois meses após, mais exactamente na noite de 14 de Dezembro de 1918, Sidónio era baleado mortalmente na estação do Rossio, tendo-se caído numa situação de impasse quanto à detenção do poder, uma vez que no Norte os fiéis à Monarquia se haviam reorganizado como força de resistência. Recolocado o Partido Republicano no poder, Florival Sanches de Miranda é nomeado Governador Civil de Évora, cargo que exerceu entre 8 de Julho de 1919 e 30 de Maio de 1921. Em 1920 pagado seu próprio bolso, e em nome de Grupo Pró-Évora, a quantia de 50 contos pela aquisição do Palácio do Amaral (hoje Governo Civil), para aí se poder instalar o Museu Regional de Évora. Anos mais tarde ambas as instituições permutaram de lugares, num processo que não cabe aqui desenvolver.

A partir de 1923 Florival Sanches de Miranda começa a afastar-se paulatinamente da política e cessa mesmo qualquer actividade nesse campo a partir do golpe militar do 28 de Maio. Em 1928 negocia com a rica terratenente D. Maria Antónia Vieira de Barahona a compra de terrenos junto ao Asilo, pelos quais desembolsa faseadamente 45 contos (5 contos de sinal e o restante de uma só assentada), e que oferece ao Juventude Sport Clube, colectividade desportiva de sua afeição, para que este instale ali o seu parque de jogos.

Tinha entretanto acumulado uma razoável fortuna que, além de outras coisas lhe permitiu ser o segundo maior accionista (sócio-gerente) da Tipografia Minerva Comercial, Lda., onde investiu seis contos de réis, só superados pelos onze contos do Banco do Alentejo; pertencer ao grupo dos maiores accionistas da Companhia de Seguros “A Pátria”; e ser sócio-gerente do Salão Central Eborense. Vítima de grave doença, veio a falecer em Évora a 29 de Setembro de 1935.


Texto: José Frota