domingo, 4 de fevereiro de 2018

Palácio Barahona


Foi a última grandiosa residência fidalga de arquitectura civil que se levantou na cidade e deveu-se aos esposos D. Inácia Angélica Fernandes e a José Maria Ramalho Dinis Perdigão, opulento lavrador alentejano a que não eram estranhos os problemas culturais, muito embora a conclusão da obra se verificasse posteriormente à sua morte e sob assistência do par do reino dr. Francisco Eduardo de Barahona Fragoso, 2.° marido da mesma senhora. 

O projecto é da autoria do arquitecto-cenógrafo italiano Guizeppe Cinatti e o início da obra teve efeito no ano de 1863. O vestíbulo de entrada e a escadaria nobre foram decorados a fresco pelo pintor António Carneiro que, também, executou para o alçado principal desta um volumoso painel a óleo sobre tela, datado de 1902, de tema histórico, representando a Reconquista de Évora aos espanhóis pelo Conde de Vila Flor em Junho de 1663. No paço, que foi habitado pelos reis D. Luís e D. Maria Pia, D. Carlos e D. Maria Amélia de Orleãs e pelo príncipe D. Afonso, reuniu o seu segundo possuidor uma notável colecção de objectos de arte contemporânea de Pintura (nomeadamente de artistas do Grupo do Leão), Escultura (doada ao Museu Regional) e Ourivesaria (célebre a baixela Barahona, desenhada em 1894 por Columbano). 

O edifício pertence, actualmente, à Companhia de Seguros A PÁTRIA, que nele tem a sua sede. No imóvel colocou o arquitecto duas peças de arte antiga provenientes do extinto Convento do Espinheiro; o monumental portado da Portaria, sobranceiro à entrada axial da igreja, sob o alpendre quinhentista, e uma gárgula calcária, de grandes proporções, que teria adornado qualquer fonte do mesmo edifício monástico. O portal, de mármore branco de Estremoz, que deita para os Jardins do Baluarte, com frente ao nascente, é uma formosa peça do estilo rocócó, exuberantemente ornamentado com os habituais elementos naturalistas, de nítida inspiração francesa e seguramente executado nos últimos anos do reinado de D. José por escultores lisbonenses. Está armorejado com o escudo da Ordem de S. Jerónimo. Trata-se do mais delicado especimem do seu tipo existente na cidade. A gárgula ou quimera, concebida com originalidade e hoje aplicada num tanque dos mesmos jardins e horta, compõe-se de dois leões brincando (um a cavaleiro de outro), sendo o inferior híbrido, com cauda de peixe, apoiado em volutas de enrolamento, de granito. É uma só peça de mármore regional: tem características seiscentistas. Mede, de alto, 1,80 m. e de comp. 1,05 m. 

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