domingo, 24 de dezembro de 2017

Igreja de S.Francisco


Os fundamentos desta casa religiosa, sem dúvida das mais antigas de Évora e o decano da sua Ordem em Portugal, são remontáveis, segundo as crónicas a 1224. Embora esta data exija reflexão crítica, parece não haver dúvida que o mosteiro, então situado extra-muros, já existia em 1250, ano em que, por escritura pública os esposos João Esteves e Maria Martins lhe concederam certas terras na Corredoura. Na igreja primitiva se realizaram alguns fastos históricos de rememoração nacional, como: matrimónios do infante D. Pedro, futuro rei, com D. Constança Manuel, ajuramentado pelo bispo de Lamego, D. Fr. Salvador, em 5 de Janeiro de 1336; da infanta O. Maria, filha do mesmo monarca, com D. Fernando de Aragão, Marquês de Tolosa, em 1345, e dos príncipes herdeiros D. Afonso de Portugal com D. Isabel de Castela, em 1490, cerimónia que foi considerada pelos escritores coevos como a mais célebre e pomposa dos anais portugueses. 

No reinado de D. Afonso V, a consentimento da comunidade, a corte instalou-se em parte do edifício e veio a ocupar as suas mais belas partes; os soberanos subsequentes, nomeadamente O. Manuel e D. João III enriqueceram-no notavelmente e transformaram o templo em capela real. Na sala dos Estudos se lavrou a sentença do Tribunal da Relação que condenou à morte o Duque de Bragança D. Fernando n, em 1483. No templo se encontrava o Venturoso em 1516, ouvindo missa, quando chegou a notícia da vitoria do cerco de Arzila e, no mesmo, se leram os breves pontifícios da erecção do Tribunal do Santo Ofício, em 22 de Outubro de 1536. A Bula do Papa Leão X de 17 de Julho de 1517, transformou a comunidade de Regra Claustral na da Observância da Seráfica Província dos Algarves, facto que não diminuiu mas antes lhe aumentou as prerrogativas e excelências, sendo então denominado nas crónicas coevas de Convento do Oiro. Nele houve, durante séculos, ensino da Sagrada Teologia Especulativa, Moral e Humanidades. Além das cortes nacionais de 1535, celebradas para reconhecimento do príncipe herdeiro D. Manuel, ao mesmo edifício andam ligados outros episódios de singular importância, como visitas régias de D. Sebastião e Filipe II. O assalto francês de 1808 prejudicou gravemente a instituição. Valores materiais, objectos sagrados de ourivesaria, escultura e paramentaria artística desapareceram na voragem criminosa do saque. Já nas vésperas da rebelião armada dos eborenses contra Junot, a Junta Militar de ocupação, por decreto de 1 de Fevereiro do mesmo ano, determinara o arrolamento e apreensão de duas arrobas e dezoito arráteis de prata dos altares de S. Francisco, além de mais quatro arrobas e trinta anateis do mesmo metal precioso de obras de arte, que era patrimonial da Irmandade da Ordem Terceira. 

Após a secularização de 1834, o Estado cedeu parte do imóvel à Câmara Municipal, que instalou no Refeitório manuelino o Tribunal Judicial da Comarca com feição temporária. Por Portaria de 4 de Maio de 1840 foi autorizada, superiormente, a transferência da sede da antiquíssima freguesia de S. Pedro para esta igreja, então fechada ao culto e, pouco tempo depois, encontrando-se o monumento muito maltratado pela acção do tempo, sofreu uma reparação de vulto dirigida pelo arquitecto inglês John Bouvie Júnior (1860-62). No ano de 1865, determinando o Município desafrontar o templo e construir uma praça nos terrenos do extinto convento, então já muito arruinado, obteve a doação dos restos do venerando edifício, que vendeu em hasta pública, finalmente, segundo carta de lei datada de 19 de Abril de 1892, ao Dr. Francisco Fragoso de Barahona, que o adquiriu pelo lanço de 401 000 rs. Este mesmo benemérito, em 1895, determinou colaborar na salvação da igreja, que então mostrava fendas nas fachadas de certa gravidade e outorgou a empreitada do restauro aos mestres de obras Olímpio de Mira Coelho e José Maria da Costa. Pela mesma altura deu-se fim ao histórico mosteiro de S. Francisco e inicio ao casario ora existente, que se estende pelas ruas da República, 24 de Julho e Praça 28 de Maio, salvando-se dele, somente, parte do claustro trecentista, sala capitular, capela dos Ossos, coro alto e alguns anexos sobrepostos a este corpo meridional. Desconhecendo-se o tracista do monumento e a data precisa do começo da transformação arquitectónica, ele foi, seguramente, erguido nos primeiros anos do governo e sob protecção régia de D. Manuel e a obra dos coroamentos estava bastante atrasada em 1501, como se pode ver pelo desenho aguardado, anónimo, aposto na guarda do frontispício do Foral da Leitura Nova, concedido por este monarca à cidade em Novembro do mesmo ano. 

Os arquitectos documentalmente mencionados nas obras do templo são: Martim Lourenço (1507-1524); Pero de Trilho, em data imprecisa; Diogo de Arruda (1524-31); Francisco de Arruda (1531-47) e Diogo de Torralva (1548-56). O edifício, embora notavelmente proporcionado e concebido sob determinado plano, não foi levantado de raiz, pois da velha traça conservou, além dos volumes correspondentes às três naves góticas originais, parte dos alçados mestres laterais e axial, onde estão implantados óculos, frestas e duas aberturas trilobadas, hoje visíveis nos Tramos do alpendre. Alterosa caixa de alvenaria coroada por friso contínuo de ameias chanfradas e tendo os acrotérios suportados por gigantes de pedra, de andares, que nas empenas se transformaram em torrinhas de secção cilíndrica, constitui uma massa imponente de arquitectura gótica dos finais do mesmo estilo, compreendido entre 1495-1508, período concreto de execução do retábulo primitivo de pintura do presbitério, dado de empreitada por D. Manuel ao pintor flamengo Francisco Henriques e ao entalhador Olivier de Gand. As mencionadas torrinhas da fachada, de coruchéus cónicos e agulhas estriadas e torsas são, no vértice do telhado, que é de duas águas de fraca inclinação, acompanhadas por rompentes torreões ornamentais, lisos, assinalando os tramos divisórios e os respectivos arcos torais da nave. Curiosas gárgulas de granito, zoomórficas e seis frestas maineladas ou de ogivas simples, que iluminam a galeria interna sobrepujante às capelas laterais do templo, decoram as fachadas laterais, deixando-lhe, por outro lado, imensas superfícies lisas, de acentuada sobriedade. No alçado norte, descoberto e restaurado em 1937, subsiste o portal gótico, quatrocentista, da época de D. Afonso V, contrafortado e assente num gablete triangular de pedra aparelhada. 

Três fustes por banda, de mármore branco (modernos), com capitéis sem ornatos, repousam em ribetes de arquivoltas de perfis toreados e dintel de cordão relevado, formando serrilha. O pórtico, encaixado na empena axial, é obra dos alvores do séc. XVI, do estilo híbrido manuelino-mudejar. Compõe-se de sete arcos contrafortados, de granito, rematados por terraço guarnecido de carrancas de intenção zoomórfica concebidos em três tipos de arquitectura distinta; arcos duplos de ogiva, de ferradura e redondos, sendo todos pujantemente ornamentados por capitéis naturalistas ou de formas manuelinas. A composição, de sentido original, é abraçada, nos ábacos, por cordão toreado que, serpenteando, acompanha os meios colunelos formeiros e os fustes completos que, interiormente, constituem os cinco tramos cobertos por abóbada de aresta rematados com chaves da Cruz de Cristo. O portado real, obra de concepção mais pura do estilo manuelino e esculpido em materiais da região, - mármore e granito - , é geminado e de arcos plenos, de três meios coluneis e correspondentes ribetes de ornatos torsos. Tem bases poligonais flordelizadas e capitéis de folhagem regional, onde são características as bolotas e folhagem da azinheira. Sobrepujante, no tímpano, uma edícula cúbica, vazia, enobrecida pelo escudo real de Portugal, ladeado pelas empresas dos monarcas padroeiros, D. João II e D. Manuel (o pelicano e a esfera armilar), talhados em alto-relevo de calcário. Nos panos extremos, correspondentes às naves laterais do templo primitivo subsistem, embora obstruídas, duas lunetas circulares e as frestas que o iluminavam. Foram localizadas em 1937 e restauradas pela Direcção-Geral dos Monumentos Nacionais. 

São exemplares comuns de arquitectura gótica: a do lado esquerdo, de arcos toscos lanceolados e mainéis chanfrados, muito do princípio da centúria quatrocentista, senão da anterior, e a outra de período avançado do estilo flamejante, com três fenestras trilobadas e canduras apilastradas. Conservam, ambas, vestígios de armações de vidraças. Grandioso janelão de arco segmentar, de cinco andares, outrora decorados por vidraria colorida do pintor Francisco Henriques, certamente dos mais notáveis desta época e desenho, do país, concede luz à imensa nave, cuja posição é a do ritual cristão raramente desrespeitado na Idade Média, olhando o Ocidente (1). As portas de madeira, do templo, são ligeiramente esculpidas: obra da grande reforma do último terço do séc. XVIII, no governo do guardião Fr. Pedro de Nossa Senhora Caiado, estão autenticadas nas bandeiras almofadadas, interiores, com esta inscrição aberta a buril: ANNO 1777 / G.AM / FR. PEDRO DE N. SNR.ª CAIADO / PROV.AL / O N.R.MO PE. M. D.OR / FR. JOZE DA ESTRELA FONCECA / COM ESMOLAS / DOS BEMFEITORES / INTERIOR É de planta rectangular e desenhada em cruz latina, numa só nave de proporções singulares em igrejas portuguesas, dividida por sete tramos incluindo o cruzeiro, e abside, de dois tramos. 

A cobertura, de berço quebrado com penetrações, compõe-se de ogivas apoiadas em arcos formeiros que nascem em oito pilares enfeixados de cada lado, de basamento emoldurado sustentando as paredes de silharia aparelhada, com muitas e diferentes siglas, onde se abrem as capelas laterais, na inspiração da arquitectura religiosa introduzida na Catalunha no séc. XIV, mas de formação transpirenaica com nítidas influências da arte francesa da região tolosana. O cruzamento dos arcos, as chaves mestras e os capitéis das colunas são ornados de florões e cruzes de Cristo envolvidos por elementos decorativos, antropomórficos ou de cordas e bolas. As paredes laterais, com cerca de vinte metros de altura, em alvenaria rebocada e marcando os intervalos por cintas de cal imitando pedra, de obra antiga, estão divididas em três andares por cornijamento de granito simples, quebrando a monotonia das imensas superfícies lisas, aliás comuns no estilo gótico. Seis frestas ogivais se abrem nos panos laterais, além de duas janelas rectangulares de cruzaria moldurada sobrepujante aos braços transeptais. Aquelas compõem-se de arcos góticos de três colunelos contínuos de arquivoltas sem capitéis. O fuste exterior é terminado por arco inflectido com guarnição de pinhas estilizadas. As capelas laterais abrem-se em arcos góticos de molduras de diversos desenhos e são pouco profundas, estando interligadas através de estreitas portas de arco quebrado e vazadas nos botaréus de segurança da estrutura da nave. Por cima dos santuários, cujo tecto é artesonado de ogiva simples, existe uma galeria abobadada de meio berço que substitui os clássicos arcobotantes dos monumentos religiosos da arte gótica, ainda utilizados nos meados do séc. XV. 

Duas pias de água benta, de mármore branco, colocadas na entrada do templo, de bases poligonais, fustes lisos e bacias octogonais, emolduradas, (com uma de sulcos torços nas concavidades) são do estilo manuelino e da época de restauração do monumento. Das vultuosas obras determinadas e custeadas pelo cónego Landim Sande, no último quartel do setencentismo, são as grades de mármore branco e azulado que dividem o cruzeiro, presbitério e capelas laterais, constituídas por pilastras e balaústres de base quadrada, fechadas com delgados cancelos de ferro forjado, de pinturas douradas e a negro, do estilo rocócó. Os púlpitos, também de calcário, coevos ou ligeiramente posteriores, são peças incaracterísticas e de lamentável concepção artística. 

Muitos cavaleiros fidalgos, damas nobres e sacerdotes tiveram jazida no Mosteiro de São Francisco. As obras de 1862 que ladrilharam o templo e as mais tardias, com assentamento do soalho da nave, cruzeiro e sala capitular, ocultaram algumas lajes tumulares e outras foram deslocadas e assentes arbitrariamente. 

Outras, ainda, vieram da profanada igreja da Graça. António Francisco Barata, em 1909, na Évora Antiga, publicou algumas inscrições sepulcrais mas não as transcreveu na totalidade. Entre muitas ilegíveis, singelas ou brasonadas, conseguimos identificar as seguintes: SEPULTURA DE VASCO MIZ DE VILA LOBOS: Brasão gótico e montante lateral. AQVI IAZ FRAN.CO ::: DE BRITO Q FALECEO SOLTR.O EM 2 de JUNHO DE 159 (2 ?) E DE SEOS ERDEIROS. Mármore e letra redonda. S. DE P.O ROÍZ. Mármore branco do séc. XVI. Dois cenotáfios de calcário: Diogo Luís e herdeiros (Séc. XV), e S. D.O PE. M.EL MA TEVS E D SEVS IRMÃOS E IRMÃ E ERDEIROS Laje de granito, com inscrição ilegível, gótica, datada de 1546. Outra brasonada, de montante lateral, gótica, Séc. XIV. Sep. de Nuno Godinho (Séc. XVI). Sep. de Catarina Alvarez (gótica). S. DANT. FR... / CARNIOREL (?) E SEVS ERS (Fragmento, de mármore). S. DO D.OR JOÃO VELHO E DE SVA PR.ª E SEGVNDA MOLHER D. M. E DONA IZABEL E DOS SEVS ERDR.OS. Mármore branco. S. DE P.O FRZ. CAVAL.RO DA ORDE DE XPO E DE SVA MOLHER ISABEL DA SILVEIR.ª Mármore branco. S.A DE SEBASTIÃ / ROIZ FEYO E DE ANTONIA DE A/ ZEVEDO VILELA SVA MOLHER E DE SEVS FILHOS / E ERDEIROS. Mármore branco. Sepultura de SANCHA ANES, de mármore, gótica. Sepultura de João Fernandes e sua mulher Leonor da Silva. Fragmento. SEPVLTVRA DE JOAM / PAIZ BARBOSO QVE FALECEO AOS CIMQVO DIAS DO MES... DE 1559 ANOS E SEVS DECEMDEMTES. Mármore branco com as armas dos BARBOSAS S.A DE INES DA COSTA E GRACIA DA COSTA IRMANS E BEMFEITO RES DESTA CASA COM OBRIGAÇAM DE CEM MISAS E TRÊS OF.OS DITAS NESTE CON.TO PERPETVAM.TE POR SV AS ALMAS PERA AQ VAL OBRIGAÇÃ DEIXAM AO D.TO C.TO TODAS SV AS CASAS Q TEM NA RVA DO REIMONDO. Mármore branco. AQVI IAZ O EXE.MO E R.MO S.OR D. PR. MIGVEL DE SOV ZA RELIG.º DE S.TO AGOS TINHO ARCEB.º DE ÉVORA PAI DOS POBRES E EXEM PLAR DE PRELADOS FA LECEO AOS 16 DE SEP TEMBRO DE 1759. Mármore branco, brasonado. Esta sepultura veio do extinto Convento da Graça. 

Ao lado, relógio de sol, de mármore, com algarismos árabes, do séc. XVII. Parece que pertenceu ao claustro. No lado esquerdo da entrada da igreja, defronte da capela baptismal, fica uma campa de mármore, muito gasta pela acção do tempo, com as armas dos Vilalobos, atravessadas por um montante esculpido, na qual se lê, em letra gótica de desigual tamanho: S. DE MEM M... DE VAS CONCELLOS Tradição antiga afirma que se trata da lousa sepulcral do heróico comandante da Ala dos Namorados, da Batalha de Aljubarrota. 

A carência de referências escritas ou documentais, a inicial do primeiro apelido - M - e a interpretação das armas dispostas na jazida, toma, porém, duvidosa a atribuição. Tem características do quatrocentista inicial. No corredor de acesso à Capela do Senhor dos Passos, campa datada de 1643, e fragmentos da laje de Manuel Fernandes. DESCRIÇÃO DAS CAPELAS LATERAIS DO LADO DO EVANGELHO. CAPELA BAPTISMAL De património dos fidalgos Freires de Andrade, cuja invocação antiga era da PIEDADE. A composição de escultura do Baptismo de Cristo, de forma original, em madeira estofada assente em peanha de cortiça virgem, veio da demolida capela do Jordão, do extinto Convento de Santa Mónica. 

A tela que enquadra o assunto religioso, não tem merecimento artístico e foi executada pelo pintor João Maria Silveira, no ano de 1862. Avolumando o arranjo, friso de talha dourada, ornamentado por cariátides e volutas barrocas. Formoso tabernáculo suspenso na parede e concebido em linhas de acentuado barroquismo de entalhe esculpido e dourado, com colunelos salomónicos revestidos de parras e uvas, valorizado pela efígie de Jesus na porta, enriquece o lugar. A pia baptismal, de mármore branco, sem ornatos, mas tendo a legenda latina bordada a oiro - PESCINA MORTVORVM - , transitou da suprimida igreja paroquial de S. Pedro. O forramento dos alçados interiores é preenchido na totalidade por apainelados de azulejaria lisbonense do séc. XVIII, formados em duas séries distintas: na inferior, com silhares de figura avulsa e na superior por padronagem de tapete floral dividida por molduramento entrançado. 

A pasta é azul sobre fundo branco. No pavimento subsiste campa armorejada, gótica, quatrocentista, na representação dos seis crescentes dos Homens, a par de espada medieval, onde se enterrou, em 1576, D. Maria de Meneses, viúva de Pedro Homem, estribeiro-mor do rei D. Manuel e, embebida na parede lateral direita, a lápida quinhentista dos padroeiros, também com o escudo da casa de Andrade (De Nuno Freire) e a bordadura repetida de AVE MARIA. O letreiro, utilizando muitas e difíceis abreviaturas diz: NESTA CAP. E S.A IAZ JOAM FREIRE DÃDR.A DE F.O DE FERNÃ MIZ FREIRE DÃDRADE Q MOREO NA IDIA SENDO CA/PITÃO DE SOFALA E DE DONA ÃTA PRA.S. DO AZINAL NO TRMO DESTA CIDADE FOI ATE IDADE DE 30 ANOS MVI DADO AO ESTVDO DAS LETRAS E ARTES LIBERAIS E MVI GRANDE TEOLO GO O OVAL POR MORTE DE S. IRMÃOS ERDOV A CAZA DOS FREIRES S. DA BOBADELA FRA E AS MISVAS E LVGARES DESTA CAZA ESCOLHEO PRA S. OSOS ESTE IAZIGO POR SR.D.S. AVOS DA PARTE DE MAI ELE VIVER E MOR ER NESTA CIDADE DONDE SVA MO. DONA GIMAR DA S ILVEIRA FA. DO CAVALEIRO FERNÃN DA SIL VEIRA E DO NA IOANA DE VASCONCELOS FICAVA VIVENDO A QA. MANDOV CÕCERTAR ESTA CAPLA E SE MÃDOV SPVTA R NO MESMO IAZIGO ODE TÂBEM SE PODERÃ ETERAR OS RDS CAPELA DE S. JOSÉ É adornada por altar de madeira policromada com colunas berninianas revestidas de pâmpanos, frontão entrecortado e grandes fachos rompentes, do estilo rocócó. Obra do período terminal do reinado de D. João V, veio da arruinada igreja da Graça onde constituía altar colateral do cruzeiro, dedicado a Santa Luzia, e que substituía o primitivo de 1650. 

Foi reconciliado neste lugar durante as obras de 1862. As imagens, de madeira, são vulgares. Além do orago, moderno, conservam-se nas mísulas laterais. Santo António e Santa Rita de Cássia, esta conservando bom estofamento de características das derradeiras décadas da época de D. Pedro II. A porta primitiva da Igreja, do lado norte, hoje tapada, coincide com este santuário, mas tudo parece indicar que jamais teve serventia pública após a sagração promovida por D. Manuel nos começos do séc. XVI. CAPELA DOS SANTOS MÁRTIRES DE MARROCOS (primitiva de S.TA SUZANA) O altar e revestimentos laterais, de estuques dourados, são obra tardia do séc. XIX, inspirada em modelos neoclássicos. Núcleo de escultura de pobre factura artística, excluindo uma elegante imagem de N.ª S.ª com o Menino, bem estofada, do séc. XVIII e conservada numa maquineta de talha no centro do retábulo. No pavimento, a campa de mármore dos padroeiros da capela, com brasão dos cinco lobos de negro em campo de prata. A inscrição está muito gasta, mas ainda se lê: ESTA CAPELA E SEPVLTURA HE D RUI LOPES LO BO E D SVA MOLHER DO NA ISABEL D. CARVALHO QE AQI IAZ E DOS SEVS HERDEIROS E SOCESSORES CAPELA DE SANTOS COSME E DAMIÃO Tem retábulo de colunata compósito e apainelados nas paredes laterais de estuques coloridos, reproduzindo modelos do estilo rocócó, em obra moderna de 1862.

 A imagem do Senhor Jesus Ressuscitado, que se venera e dá o nome actual ao altar, de madeira encarnada, setecentista, foi recolhida do extinto Convento de S. Bento de Cástris; tem cruz e bandeira de prata lavrada, que se guarda na arrecadação própria dos objectos litúrgicos de valor artístico. Em consolas laterais veneram-se S. Francisco e S. Brás esculturas de madeira, antigas, mas vulgares. A primeira, talvez ainda do séc. XVII, está nobremente estofada a ouro. 

Na sepultura rasteira do santuário jazem o doutor Cristóvão Esteves Esparragosa e sua esposa D. Isabel. A pedra, de mármore branco, conserva formoso brasão de azul, com uma torre redonda de prata, coberta de xadrezado de prata e de negro, aberta e iluminada de verde, e um leão de oiro brocante sobre o lado esquerdo da torre e rompante contra a porta. A legenda, comida pelos séculos, de letra quinhentista, reza: ESTA SEPVLTURA E DO DOVTOR XPÃO ES TEZ DA ESPARGVOSA FI DALGVO DA CASA DEL REI DO IOAM O TERCEIRO E DO SEV COMSELHO E SEV D ESEMBARGVADOR DO PAÇO. ESTA CAPELA HE DE SVA MOL HER DONA ISABEL QUE FALECEO A XXII DIAS DAGOSTO DE 1544. CAPELA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS (antiga de S. JORGE) Altar de modesta execução artística, de talha dourada, com aplicações sobre vastas superfícies de madeira colorida. Corpo de retábulo de três secções distintas, separado por colunas salomónicas, intervalando, em baldaquinete, as imagens do titular (moderna), S. Joaquim e S. José. Empena entrecortada com resplendor dourado. É trabalho tardio da arte rocócó, de c.ª 1780. 

Duas memórias sepulcrais pavimentam a capela, uma aos pés do altar, ornamentada com escudo de paquife barroco das quadernas dos Lemos e inscrição sumida do tumulado Neutel de Lima, fidalgo da Casa Real, e a lápida de 1631 alusiva à instituição, no ano de 1363, da capela de Maria Anes Louzeira e seu filho Bartolomeu Gil, juiz da Casa da Suplicação do rei D. Pedro I. M.ª ANES LOVZEIRA CO CLARA V.TE SVA MAI E BERTOLAMEV GIL SOBRE JUIZ DA CA ZA DA SVPLICAÇÃO NA ERA DE 1401 ISTITVIR RÃO DVAS CAPELAS HVA E EVORA E A ESTA A VECVLARÃO MVTTOS BEIS CO OBRIGASÃ DE FABRICA ORNAMENTOS E GVIZAMEN TO MVI COPRIDAMENTE TRES CAPELAIS PERPETVOS E MISSA QVOTIDIANA E OV TRO OVE ADE POR E PAGAR O ADMIN ISTRADOR DEVORA TEM MAIS A LAM PADA CONTINVA E EM SERTOS DIAS A D SAM BRÁS DOVS SOLDOS CADA DIA A POBRES E EM SEV LVGAR AGORA HVA MERCEIRA E VEM OS PADRES E VEM OS PADRES DE SÃO FRANC.º O PRIMEIRO DIA DE CADA MES CANTAR MISSA COM RESPONSO VESPORAS E M ATINAS E O ARCEP. O DE VIZITAR SINCO SOLDOS OV O PROVEDOR E TRES DE TOMAREM CONTA TEM ESTA CAPELA DOVS AD MINISTRADORES DA GERAÇÃO OVT RO EM EVORA TEM TÕBO E A TO RRE DO TÕBO E FEITO ESTE LITREIRO POR MANDADO DA ROLAÇÃO 1631. Mármore branco. CAPELA DE NOSSA SENHORA DA GUIA 

Compreendendo a sala fundeira hoje servindo de vestíbulo da Confraria dos Terceiros Franciscanos, pertenceu aos fidalgos Castros, das seis arruelas, ou aos Mendanhas de Castela, que usaram armas semelhantes, conforme se vê na chave central da abóbada gótica. Patrimonial, também, de Vasco Arnaldo, conserva gravada na cantaria do lado da Epístola, a meia altura e compreendendo a coluna do arco exterior, uma inscrição em duas linhas, de caracteres góticos e dos princípios do séc. XVI, com esta leitura: ESTA CAPELA HE DE VASCO ARNALGO ONDE SE DIZ MISSA EM CADA DIA Foi sacrificada no séc. XVIII, quando da montagem do actual retábulo de talha esculpida e dourada, que cobriu o arco gótico-manuelino de cantaria, constituído por bases poligonais e capitéis ornamentados com folhagem e cordame. 

O altar, do tipo de baldaquino com borlas fingidas, colunata revestida de grinaldas, pâmpanos e trono aberto em nichos sobrepostos, é curioso exemplar do estilo rocócó do tempo de D. José I. A padroeira, em nicho de dossel, sentada em formosa cadeira de espaldar e segurando o Menino Jesus, que brinca com o globo celeste, é curiosa escultura da arte barroca, de lenho policromo e estofada, da 1.ª metade do séc. XVIII. Sotoposta à tribuna, em maquineta envidraçada, venera-se Santana e a Virgem, peça de imaginária dourada, também da época joanina, mas mais tardia. Nas represas laterais S. Boaventura e S. Pascoal Bailão, imagens de madeira, coevas do altar, todavia vulgares. A maior parte das imagens da Igreja de S. Francisco foram restauradas em 1862 pelo pintor João Maria Silveira. Nas paredes existem dois quadros pintados a óleo sobre tela, representando a Adoração dos Pastores e Adoração dos Reis Magos, com molduras douradas e esculpidas no estilo rocócó, trabalho secundário da mesma centúria. Friso vulgar de azulejos do tipo de tapete, policromo, seiscentista, cobre baixo rodapé. Aos pés do altar, existe uma lápida de calcário branco de 12 linhas, gravada em português, mas de impossível leitura pelo desgaste do tempo, comprovando a instituição de uma capela nesta mosteiro pelo conselheiro João Afonso de Aguiar, provedor da Fazenda e almoxarifados de Évora, Estremoz e Portalegre, por D. Afonso V e D. João II, e de sua mulher Maria Esteves. A pedra foi aqui colocada por um 5.° neto dos fundadores, em 1660. No tecto, que é de penetrações, conserva-se chave de granito dourado, figurada pela esfera armilar. 

A sala fundeira do transformado santuário é uma ampla dependência de planta quadrangular coberta por abóbada de ogivas polinervadas, de tijolo, presas por bocetes de pedra, fitomórficos ou de elementos manuelinos. No eixo, empresa dos fundadores: armas dos Mendanhas (de Castela) ou dos Castros (De Monsanto). Nas paredes, de alvenaria, subsistem sob fortes camadas de cal as habituais cintas de reboco imitando filetes de pedra. CAPELAS LATERAIS DO LADO DA EPÍSTOLA CAPELA DE S.TA MARIA DA GRAÇA Altar de talhas douradas, do estilo de transição barroco-rocócó ornamentado com colunata salomónica revestida de flores, baldaquino de pingentes e empena de enrolamento. 

As pilastras laterais são compostas por pendentes naturalistas engrinaldados, recobertas de palmetas nas mísulas, com volutas de enrolamento. No centro, oratório envidraçado, de talha rocócó, e lateralmente duas consolas de baldaquinetes esculpidos e as imagens de S. José e o Menino e S. Francisco de Assis, ambas de madeira estofada e dourada (Séc. XVII-XVIII). O oratório e a imagem padroeira foram colocados no retábulo em 1782, por dádiva do benfeitor José Ferreira, que os adquiriu em Lisboa pela importância de 256 000 rs. incluindo o transporte. Mede a escultura de alto, 1,52 m. No assentamento do vultuoso altar e inauguração da capela com o actual aspecto, no ano seguinte, onde se colocaram, também, as esculturas de S. Pedro de Alcântara e S. Luís, sacrificou-se uma porta gótica de acesso ao claustro velho da comunidade que existe, todavia, entaipada e revestida no arco de pinturas murais. 

No solo existe a campa marmórea de Diogo de Mendonça, alcaide-mor de Mourão, e de sua esposa D. Brites de Albergaria, muita gasta pela acção do tempo, com vestígios de inscrição de letra gótica, dos princípios do séc. XVI. CAPELA DE S. BENTO O altar, de talha dourada, curioso exemplar setecentista do tipo salomónico-berniniano, foi armado neste lugar no séc. XIX e o corpo correspondente à credêncial é moderno. Constituído em forma de pórtico arquitravado, com três nichos de colunata torsa, tem frontão aberto de opulenta carteia barroca, envieirada e constelada de estrelas. A edícula central está belamente forrada de talha esculpida, com céu de tabelas losângicas e forro de ornatos florais. Nele se venera a imagem de S. Bento, de madeira, que foi adquirida pela comunidade em Lisboa, no mês de Setembro de 1616 e entronizada na primitiva capela de Nossa Senhora do Amparo pelo prior Frei João de Lisboa, sob beneplácito do arcebispo D. José de Melo. Nas consolas colaterais vêem-se as esculturas antigas, também de madeira colorida, de Santa Gertrudes Magna e a Virgem da Anunciação, esta provavelmente, embora muito retocada, do séc. XVI. No pavimento, campa de mármore regional, armorejada, com inscrição de caracteres clássicos, de Jorge Rodrigues Preto, estribeiro-mor da Imperatriz Dona Isabel, mulher de Carlos V da Alemanha. Está bastante gasta pela acção de pisadas dos fiéis, mas ainda se lê: JORGE ROIZ PRETO ESTRIBEIRO MOR DA IMPERATR IZ DONA ::: 15.8 CAPELA DE SÃO JOÃO BAPTISTA Hoje de Nossa Senhora de Fátima. O altar, de gesso marmoreado, é moderno e não tem qualquer interesse artístico. 

O santuário foi do padroado da casa dos Perdigões, cujo brasão de armas com espada encadeada, do tipo gótico da centúria quatrocentista e de legenda de impossível leitura existe esculpido em sepultura mutilada no pavimento. CAPELA DE SANTO ANTÓNIO Tem retábulo de talha dourada e marmoreada, em grande porte, de fustes coríntios revestidos de palmetas e outras folhas vegetalistas. Tipo de baldaquino, dos meados do séc. XVIII. O tecto, de barrete de clérigo ornado de arabescos dourados, fitomórficos, e de brutescos clássico-barrocos, pintado a cola tem características dos começos do séc. XVII. Do mesmo período é o revestimento cerâmico das paredes, de tapete policromo e padronagem do género utilizado na capela anexa de São Joãozinho. Nos espaços superiores dos arcos estão afixados opulentos emblemas de talha dourada, com as armas franciscanas e clariosas, do estilo rocócó. A Irmandade de Santo António era antiga no mosteiro, pois foi instituída em 1588 pelo comissário provincial Frei António de Lisboa e existia com altar privilegiado à entrada da Casa dos Ossos. 

As imagens do actual retábulo, o padroeiro e São Vicente de Paula, ambos de madeira estofada, são de pouco valor e coevos da adaptação do santuário. CAPELA DE SANTA LUZIA Possui o mais antigo altar da igreja, datável de c.ª 1690. Bom trabalho de entalhamento dourado, com túrgidas colunas do espírito barroco-borriminiano recobertas de parras, uvas e motivos aviários. Arco de meio ponto, de fieira de fustes concêntricos iguais aos anteriores e separados por pilastras ornadas de palmetas. O oratório axial é obra muito mais recente e preenche o espaço outrora ocupado por um dos belos painéis manuelinos da série das capelas laterais atribuído ao mestre Francisco Henriques. No chão subsiste o carneiro marmóreo dos donatários quinhentistas - Melos de Oliveira - armorejado com inscrição de letra clássica, que diz: ESTA CAPELA E. S. HE DE GARCIA DE MELO DOLIVEIRA FIDALGO DA CASA DEL REI NO SO SOR HE D. LIANOR DAVELAR (ou) DAVREV SUA MOLHER E SEVS HERDEIROS ... NO ANO DE 1514. CAPELA DE N.ª S.ª DAS NECESSIDADES Primitivamente do Espírito Santo. Foi, desde a sua origem, da família Cogominho, segundo concessão de Alvará régio de D. Manuel. Fidalguia de remota linhagem eborense, descendia de Fernão Gonçalves Cogominho, meirinho-mor de Dom Afonso IV e instituidor das aldeias da Torre de Coelheiros, Aguiar e Oriola, nos meados do séc. XIV. 

A arca tumular deste cavaleiro, ricamente lavrada e de estátua jacente, hoje exposta no Museu Regional, esteve longos anos neste lugar após ser retirada de um dos absidíolos góticos da primitiva igreja, durante a transformação do presbitério, em obra determinada nos fins do séc. XV pelo VENTUROSO. O altar, aproveitado para o lugar quando da profanação da igreja da Graça, onde existia como colateral da capela-mor e patrimonial da irmandade de S. Nicolau de Tolentino, é composto por retábulo maneirinho de talha dourada e colunas salomónicas revestidas de verduras e palmetas terminadas por pomposo frontão duplo feito entre 1701-12. A titular, conservada em nicho envidraçado, é uma interessante imagem de terracota bem estofada do último quartel do séc. XVII. Mede, 1,00 m. A pedra funérea do carneiro com as armas dos Cogominhos, de vermelho, com cinco chaves mouriscas de prata, seus patelhões ao alto, é do segunda metade do séc. XVII. Tem legenda de letra redonda com o seguinte letreiro: SP. DOS COGVOMI NHOS MORGADOS DA TORRE DOS COE LHEIROS. ALTARES DO CRUZEIRO O transepto, concebido em magníficas proporções, mantém as linhas primitivas e os quatro altares: os colaterais da capela-mor; o do Bom Jesus ou da Ordem Terceira de São Francisco e o do braço sobranceiro, na epístola, da invocação do Calvário, cujo altar existente foi colocado no fim do século passado e proveniente da arruinada igreja dos Padres Gracianos. 

A capela mais solene e imponente é, sem dúvida, a do Evangelho, que conserva a estrutura manuelina com alçados rectangulares de dois tramos e cobertura de ogivas fechadas por notáveis bocetes de pedra pintada e dourada. Titular antiga do Nascimento, com retábulo de pintura gótica, foi patrimonial de D. Fernão de Melo, último alcaide-mor de Évora por D. Manuel, e de seus descendentes. Completamente reformada no reinado de D. João V e inaugurada antes de 1750 pela Irmandade de Penitência da Ordem Terceira de S. Francisco, recebeu melhorias de grande importância artística no forramento de silharia cerâmica e marmórea; os volumosos apainelados das empenas laterais e o notável retábulo de talhas douradas e policromadas, concebido no estilo de transição barroco-rocócó. Combinação de surpreendente efeito cromático e decorativo, considerada a obra de talha joanina mais grandiosa da cidade, abre-se em pórtico arquitravado, de colunata salomónica de capitéis coríntios, do tipo Bernini, apoiada em anjos atlantes. O tímpano, de volutas, é exuberantemente esculpido: são anjos esvoantes ou brincando com cornucópias floridas, virtudes personificadas empunhando os símbolos do martírio de Cristo e belo medalhão elíptico, adosselado, rodeado de querubins, com baixo-relevo policromado do Criador em majestade, abençoando. A tribuna, de arco de volta inteira guarnecido de ornatos caprichosos, querubins, palmetas, uma tendo pendente no bico a serpente e nas garras grinaldas encadeadas, e açafates de flores está, do mesmo modo forrada completamente de talha barroca desde o tecto, que é de barrete de clérigo, aos corpos laterais. Estes compõem-se de vários painéis rectangulares, relevados, de temático do Calvário e fecham o camarim, cujo trono, de andares, tem seis formosos anjos candelários de madeira estofada velando o Crucificado, imagem de porte volumoso e talhada no mesmo material. Remate de grande coroa imperial, policroma. 

Nas represas colaterais do altar, de finos baldaquinos entalhados, ficam as imagens de roca, de S. Francisco de Assis e Santa Rosa de Viterbo. Sotopostas, em carteias barrocas, envieiradas, as legendas sobre fundo dourado: ESTE ALTAR HE PRIVILIGIADO PARA OS SACERDOTES DA ORDEM. Obra de igual estilo e cuidadoso acabamento artístico é o sacrário, de colunelos salomónicos e nobre porta esculturada, com figuração de Cristo Salvador. Na boca do trono e colocada recentemente no lugar, vê-se interessante imagem de N.ª S.ª da Conceição, peça setecentista de fino estofamento e encarnação, que um religioso franciscano trouxe de Roma. Alt. 1,08 m. Alto lambris de azulejos de esmalte azul e branco recobre mais de um terço das paredes. Deve tratar-se de trabalho oficinal de olaria lisbonense dos pintores Bernardes, de c.ª 1735, valorizado com as armas da Ordem Terceira de S. Francisco e por quatro cenas historiadas da vida de santos penitentes: Beato Roberto de Malatesta. Duque de Urbino; Beato Gualtério, Bispo de Treviso; Beato Geraldo Maltês e Beato Anónimo, cónego da Catedral de Santiago de Compostela. Envolvendo os painéis, larga barra de acentuado barroquismo ornada de brutescos, quimeras aladas, volutas e capulhos de farta e exuberante folhagem. 

O corpo alto, forrado inteiramente de talha dourada dos últimos anos do reinado joanino, com janelas emolduradas e guarnecidas de baldaquinetes policromos, enquadra outras tantas composições picturais pintadas sobre tela e cortadas em secção octogonal, com legendas encomiásticas dos padroeiros. São eles representados por Santa Rosa de Viterbo, V. Raimundo Lulio (Epístola), Santa Isabel de Portugal e V. Jacob de Castro Plevi, todas figuras da Reforma da Penitência. Os retábulos, que são obra secundária de artista desconhecido, estão intervalados por par de anjos ceroferários segurando tochas de belo estofamento e policromia, assentes em mísulas de talha naturalista, que medem de alto 1,47 m. O conjunto, de singular harmonia e desenho exuberante, constitui um dos mais belos e representativos exemplares da arte barroca joanina de todo o Alentejo. Finalmente, o arco mestre da capela, de arquivolta gótica pouco acentuada, está recoberto por emolduramento dourado, de cuidadoso entalhe, nascido em bases apilastradas de mármore embrechado e concluído no fecho do arco por monumental tabela barroco-rocócó amparada por dois formosos querubins policromos, com brasão axial, em pala, das armas da Irmandade sobrepujadas pelo emblema da Venerável Regra de S. Francisco e Santa Clara. 

A caixa externa do camarim e trono, com outras dependências da Ordem Terceira, abraçam o corpo norte da igreja. Construídas simultaneamente no séc. XVIII, são de arquitectura neoclássica, com portado de pilastras, alta padieira rectilínea e nicho rematado por frontão de enrolamento, em cujo interior existem, além de composições de arabescos a fresco, N.ª S.ª da Pobreza (?), curiosa escultura gótico-manuelina de pedra de Anca, policroma mas cheia de vernizes, do 1.° quartel do séc. XVI. Mede, de alto 80 cm., e pode tratar-se da primitiva imagem da N.ª S. da Porciúncula, que esteve no altar-mor até c.ª de 1770 e foi dada como perdida. Esta empena foi totalmente revestida de pinturas murais, de que são visíveis ornatos subjacentes a modernas camadas de cal, com legenda e ano indecifráveis. O antigo altar do interior, de talha dourada, foi apeado recentemente e perdeu-se. Nestes chãos existiu o cemitério dos pobres, assistido pela mesma confraria. Na cabeceira do transepto, lado da Epístola, também fechada por dois tramos de cruzaria ogival ornada de chaves fitomórficas e reais de D. Manuel, pintadas, e onde existiu a tribuna alta das damas do paço, subsiste o primitivo retábulo da Paixão de Cristo aplicado hoje no altar chamado do Senhor da Coluna, proveniente da capela-mor da arruinada Igreja da Graça, peça de linhas clássicas de talha dourada, com colunas estriadas, da ordem coríntia. O interessante políptico de pintura da escola maneirista, foi neste lugar montado em 1575 para servir de culto à capela tumular de Francisco Borges de Figueiredo e esposa D. Filipa de Andrade, seus doadores. Colocado arbitrariamente no actual altar, compõe-se de seis tábuas de formato rectangular dispostas de cima para baixo com estas cenas: Flagelação, Beijo de Judas, Cristo com a Cruz, Senhor da Coluna, Ecce-Homo e Pietá. 

A obra pictural, bem definida no estilo do seu tempo, de características demarcadas pelos ditames conciliares de Trento, é conjunto de certo merecimento artístico, agrupável ao núcleo oficinal do pintor eborense Francisco João (f 1595). Nas represas intercolunias veneram-se S. Nicolau de Tolentino, que teve Irmandade no extinto mosteiro graciano, e Santa Catarina de Sena, imagens vulgares, de madeira, sendo a primeira, do séc. XVII, de melhor estofamento. ALTARES COLATERAIS Foram concebidos na planta manuelina e ocupam parte, seguramente, dos absidíolos góticos da primitiva Igreja. Adornados em 1508, segundo encomenda régia, sofreram modificação radical no séc. XVIII e foram preenchidos pelos actuais altares de talha dourada, com pilastras de andares revestidos de folhagem, anjos e fogaréus. São iguais na confecção e ornatos do tipo de baldaquino, com nichos envidraçados e seus titulares de roca, vestias ricas sem valor artístico especial mas conservando as coroas, resplendores e báculo de prata, antigos: foram acabados e dourados nos meses de Junho-Julho de 1758. 

O do lado do Evangelho, dedicado a N.ª S.ª DA CONCEIÇÃO (imagem seiscentista de grande culto no passado), teve como padroeiro primitivo o conselheiro de D. Afonso V e D. João II, João Afonso de Aguiar e sua mulher Maria Esteves (1485) e ulteriormente Duarte de Moura (2), cuja campa marmórea, brasonada, existe aos pés do altar, com a seguinte inscrição: MISSA QOTIDIANA POR DVARTE D. M OVRA MOLHER E F.OS A QVAL ORDINOV GEORGE DE MOVRA CÓNEGO NA SEE DE ÉVORA SEV F.° No corpo da banqueta existe, dentro do nicho axial, interessante escultura de Ecce-Homo, em baixo-relevo (busto), metido em retábulo de moldura com oito faces desiguais. Séc. XVIII. Notável é a série de painéis de pintura Portuguesa da Renascença que os exorna, datáveis de c.ª de 1540 e atribuídos aos Mestres de Ferreirim, Cristóvão de Figueiredo e Garcia Fernandes. As tábuas deste primeiro núcleo, todas de carvalho, distribuem-se desta maneira: Santo António Pregando aos Peixes e S. Francisco Recebendo os estigmas (no corpo superior); predelas - S. Bernardino de Siena e Santa Clara. A CAPELA DE N.ª S.ª DO AMPARO (Epistola) Patrimonial, em 1371, de Sancha Anes, da qual se conserva um fragmento sepulcral, de granito e letra gótica, no cruzeiro, quase defronte da porta da sacristia, agrupa os quatro restantes quadros da série que, na opinião do prof. Reis Santos constituíam originalmente um políptico de que o retábulo da Imaculada Conceição, do Museu Nacional da Arte Antiga, seria a parte central. 

A sua posição no altar é esta: S. Miguel e Anjo Custódio de Portugal (ao alto); predelas - S. Paulo Eremita e S. Jerónimo. Dimensões dos quadros - painéis grandes; alt. 2,08 x larg. 0,68 m. Predelas, alt. 0,80 x larg. 0,665 aprox. Nesta banda do cruzeiro, sobrepujante ao portal gótico de comunicação ao claustro, conserva-se uma tábua do séc. XVI, de artista anónimo, representando Nossa Senhora Velando o Menino. O assunto não é vulgar na iconografia mariana do tempo e a pintura, onde predominam os oures intensos, pode ser trabalho de oficina espanhola. Mede: alt. 1,06 x larg. 0,80 m. CAPELA-MOR De planta rectangular, pouco profunda, é aberta por imponente arco triunfal de cantaria aparelhada, decorado na empena da nave pelas armas reais de Portugal e lateralmente pelas empresas dos monarcas D. João II e D. Manuel I: o Pelicano e a Esfera Armilar, executados em alto-relevo e talhados em mármore alentejano. Da obra inicial, de 1509, dirigida ao que parece pelo arquitecto castelhano Pero de Trilho e completada pelo assentamento do retábulo de pintura e cadeiral feito pelos mestres pintor e entalhador flamengos Francisco Henriques e Olivier de Gante, escapou, somente, a estrutura e caixa geral do presbitério, com as frestas laterais, manuelinas e a abóbada. Esta é de dois tramos, com ogivas em forma de estrelas de doze raios fechados por chaves douradas, de pedra, ornadas de temas fitomórficos, cordas, correias e cruzes de Avis. 

O bocete axial é exemplo magnífico e volumoso. As mísulas, também de granito, são ricamente ornamentadas com folhagem exótica. Da fase original, são as duas formosas frestas geminadas que iluminam o recinto e se rasgam nos alçados laterais quase na nascença da antiga ousia. Talhadas em granito, de arcos góticos fechados por pinhas estilizadas, são envolvidas por meias colunas toreadas, de três andares, com mainéis torsos assentes em bases hexagonais e guarnições trilobadas ou de anéis manuelinos. As vidraças, modernas e de coloração violenta, substituíram os primitivos vitrais datados de 1521, que uma encomenda régia de 1508 determinara ao pintor Francisco Henriques. No triénio de 1755-58, os telhados e a cobertura do santuário, incluindo o terraço cortinado de ameias, foram completamente restaurados a expensas da comunidade, que neles gastaram 219 612 rs. Menos de duas décadas transcorridas o ilustre benfeitor do convento, cónego prebendado António de Landim Sande, ordenou a feitura do retábulo ora existente, de mármores coloridos da região alentejana e de Sintra e Pero Pinheiro, que se sagrou solenemente no ano de 1773. 

Data deste período a desmontagem do velho altar manuelino de 1508-09 que incluía, como presume o Dr. Reinaldo dos Santos, a série de 16 painéis flamengo-portugueses do temático da Eucaristia, Santos Franciscanos, Cenas da Vida da Virgem e Episódios da Paixão de Cristo, dispersos actualmente pelos Museus de Arte Antiga de Lisboa, Regional de Évora e dos Patudos, de José Relvas, em Alpiarça. O conjunto do retábulo, concebido nas linhas neoclássicas do período final do reinado de D. José I contrasta flagrante e desagradavelmente com a simplicidade das formas gótico-manuelinas do edifício e esta frieza imponente mas admiravelmente proporcionada não beneficiou, de forma alguma, com a pretensa riqueza dos mármores e do estilo com que se pretendeu enobrecer o santuário. Preenche a totalidade da ousia, de alto a baixo, sem volumes exagerados na espessura, em composição arquitravada e apilastrada, com quatro colunas coríntias paralelas, de fustes de fantasia divididos em três secções distintas: salomónica, barroca e toscana. 

A empena, armorejada com a divisa do cónego padroeiro, ladeada pelos bustos marmórios de S. Pedro e S. Paulo, é rematada pelas armas reais de Portugal, esculpidas em lenho policromado no estilo rocócó. Em represas laterais de fino trabalho de marmorista, com mísulas e dosséis caprichosamente ornamentados por desenhos geométricos, de resplendores e triângulos de andares sobrepujados por pináculos de calcário embrechado, veneram-se as imagens de majestoso porte de S. Francisco de Assis (Epístola), que conserva na mão direita formoso Crucifixo, de marfim, e S. Domingos de Gusmão (Evangelho), boas peças de escultura de madeira estofada e dourada, que se fizeram em Lisboa e foram montadas no lugar em 1783. A obra de imaginária importou em 132 000 rs., a pintura em 57 600 rs. e a sua deslocação, até serem colocadas nos respectivos nichos, em 38 575 rs. Medem, cada, de alt. 2,00 m. Sotoposta na peanha da última imagem, gravada no mármore, afixou-se a memória latina da consagração, que diz: ANTONII LANDIM E SANDI CANONICI PREBEN DATI IM HUJUS CIVITATIS CATHEDRALI HUJUS QUE CONVENTUS BENEFACTORIS IUSSU ET EXPENSIS FACTUM EST HOC OPUS ANNO DOMINI M.DCCLXXIII. Sob a tribuna da exposição do Santíssimo Sacramento, de arco redondo e trono de seis degraus de mármore branco e cinzento enobrecido por ornatos dourados, admira-se delicada tabernáculo, que é miniatura do mesmo estilo e composição do altar-mor. O conjunto da banqueta, castiçais e cruz, vulgares, de madeira dourada, substituem as peças sumptuárias levadas na onda do imposto de guerra e consequente pilhagem francesa de 1808; em represas laterais existem mais duas imagens de discreta factura artística, talhadas em madeira levemente policromada - S. Pedro e Santo André Avelino, esta do séc. XVIII. 

O padroeiro da freguesia, de expressiva cabeça e roupagens retocadas, proveniente do presbitério da extinta igreja de S. Pedro, foi executado em Lisboa c.ª de 1695 por encomenda do arcebispo D. Fr. Luís da Silva e custou 31 150 rs. Na banda direita, iluminando o coro alto, quinhentista, mas reformado posteriormente, abrem-se duas nobres tribunas de mármore branco, de vãos rectangulares, geminadas e esculpidas em baixo-relevo no estilo da Renascença. De jambas emolduradas, cornijas rectilíneas, capitéis e bases de secção poligonal e de impostas de volutas, a janela que deita para o lado do altar é de mais rico guarnecimento decorativo, de paramento lavrado com temas clássicos: anjos, cornucópias, albarradas e medalhão axial com busto de guerreiro. Capitel belamente esculturado com quatro cabeças angulares e dintel composto por outro medalhão antropomórfico circundado por cordão: fustes de singular elegância apoiados em bases quadradas e octogonais. Obra do espírito clássico, da época de D. João III, atribuível a mestre Nicolau Chanterene lembra, todavia, pela decoração e desenho a arte castelhana do estilo plateresco (c.ª de 1535). Ignora-se se estes balcões foram construídos para os régios padroeiros do convento ou se este seria o primitivo lugar, mas admite-se que vieram deslocados de qualquer parte monumental do destruído Palácio Real de S. Francisco, em tempos ignorados. 

O cadeiral monástico, disposto em dois andares, de madeira de carvalho, discreto trabalho de marcenaria artística, é guarnecido nas espaldas por obra de talha dourada e marmoreada enquadrando 12 painéis pintados a óleo sobre tela, com molduras douradas, na representação de personagens da Ordem. Separando estes, dupla composição apilastrada, do estilo rocócó, revestida de palmetas e pendentes vegetalistas. O cadeirado propriamente dito é do séc. XVII, mas a guarnição entalhada e as pinturas pertencem à série de benfeitorias introduzidas pela generosidade do cónego Landim Sande, em 1782, que importaram em 129 600 rs. A colecção pictórica, de artista secundário, anónimo, distribui-se em núcleo de seis quadros por alçado, assim classificados: Lado do Evangelho - Frade franciscano empunhando a bandeira do Santo Ofício, S. Bernardino de Siena, Santo António, S. Caetano, Cardeal S. Boaventura e Encontro de S. Francisco e S. Domingos. Lado da Epístola: Religioso franciscano prestando assistência. Êxtase de S. Francisco, Santa Isabel de Portugal, Santa Isabel da Hungria, Santa Inês e Santa Clara. Dimensões das telas: alt. 1,20 x larg. 0,64 m. Na parede lateral esquerda levanta-se volumoso órgão de talha dourada, que a comunidade adquiriu em Abril de 1764 pela verba de 67 800 rs. Compõe-se de duas partes de épocas distintas; caixa, de secção gomeada com divisão de pilastras revestidas de pendentes naturalistas, apoiadas em cariátides e tendo no eixo pomposa carteia do estilo rocócó, de talha envieirada, granadas e o brasão da Ordem Franciscana, obra do tempo de D. João V, e o corpo superior, da mencionada empreitada do reinado de D. José, ornamentado por frontão de enrolamento com dosséis laçados de vermelho.

 O instrumento, apesar de afinado e concertado em 1860 pela artista José Ricardo, encontra-se ao presente completamente arruinado. Fino trabalho de marcenaria artística, de madeira exótica é, ainda, a grade da teia do presbitério, do mesmo modo executada em 1782 a expensas do cónego benfeitor. Pendentes e electrificados, existe no lugar um par de lustres de cristal, possivelmente obra portuguesa dos meados de oitocentos. Aos lados do altar conservam-se dois grandes anjos candelários de lenho policromado, empunhando cornucópias e trajando ao gosto imperial romano, usado na decoração da época de D. João V. São deste reinado e medem de alt. 1,95 m. Três cadeiras de interesse artístico se guardam no templo: duas na capela-mor e outra na capela da Ordem Terceira. Esta forma um par com a destinada ao prelado e são do tempo de D. João V. De braços e espaldar em talha esculpida, pernas serpenteadas com garras, fundo e costas de couro firmado por pregaria amarela. Medem: alt. 1,40 m; fundo, 0,68 m e assento, máx. e min. 0,60, 0,48 m. 

O terceiro móvel é exemplar original, de nogueira, do estilo português de D. José, e está datado nas costas: Conigo Landim - 1778 - .Tem três assentos trapezoidais, de couro pregueado, costas altas, sem braços e aventais ornados de florões de talha dourada. Mede: alt. 1,07 m; fundo, 0,50 m; cada assento, máx. 0,77 m. Dimensões principais do templo: comprimento máximo do exterior, incluindo o pórtico: 66,20 m; largura máx. exterior: 34,80 m; comprimento interior: 55,70 m; larg. interior do corpo da igreja: 20 m. Altura da nave: 24,00 m. Comp. do cruzeiro: 30,92 x larg. 7,10 m. Comp. da capela-mor: 12,20 X larg. 10,20 m. Comp. das capelas da nave: 4,80 X larg. 3,70 m. SACRISTIA Remodelada nas vultuosas obras de 1895, com cobertura e paredes de estuque, perdeu o carácter primitivo mas conservou, sensivelmente, as proporções manuelinas. Desta período, existem as mísulas ornadas de bolas, cordas e lóbulos, e as chaves da abóbada com a cruz de Cristo e a esfera amolar, de granito. De planta rectangular, com dois tramos de barrete de clérigo, conserva nas paredes restos de silhares de azulejaria colorida ou simplesmente a azul, dos tipos de tapete, em desenho de alcachofras seiscentistas, e ainda, fragmentos de cerâmica hispano-mourisca, de aresta, de fabrico sevilhano (1.° quartel do séc. XVI). 

São, provavelmente, restos de padrões dispersos provenientes do demolido mosteiro. Do estilo Renascença é o lavabo de mármore branco, com friso esculpido, sobrepujado por guarnição de volutas e uma circular, gomeada, assim como a porta interior, rectangular, de meias colunas adoçadas a dintel de ornatos de capulhos, cordas e medalhão axial com cabeça humana. Tem paramenteiros antigos mas restaurados, de gavetões valorizados com chapas de metal amarelo, de legendas identificadoras das vestes sacerdotais. Na dependência conservam-se algumas peças de arte que convém enumerar: Espelho com moldura de talha esculpida e dourada, do estilo barroco dos princípios do séc. XVIII, com ornatos florais e anjos-brutescos, sendo um deles músico; Relógio, de fabrico inglês, de caixa alta, de madeira. 

Esta só tem interesse no corpo superior, entalhada sobriamente, com remates piriformes e mostrador de latão bem modelado, de ângulos transfurados compostos por querubins e golfinhos. Séc. XVIII. Ass.: W.M Tripett - London. Assunção da Virgem - Cópia do retábulo da capela-mor da Sé de Évora, de Agostinho Masucci, pintado em Roma por Júlio César Femini, pelo preço de 88 000 rs. Pertenceu ao modelo miniatura do presbitério da Catedral e foi do património do arcebispo D. Miguel de Távora. Pintado sobre tela, está muito arruinado. Alt. 1,05 x larg. 0,80 m. A mesa dos cálices, de mármore azul, do centro da sala, de planta octogonal, é vulgar e da época das grandes obras do fim do século dezanove. SALA DO CAPÍTULO É vasta dependência de planta rectangular, de três naves e cinco tramos (reduzidos a três com a adaptação da Capela do Senhor Jesus dos Passos), de tecto de barrete de clérigo decorado por chaves fitomórficas e cruzes de Cristo, assente em arcos quebrados que se apoiam em grossos pilares octogonais, de granito, com bases de secção quadrada. Os capitéis, rudemente trabalhados, são compostos por elementos vegetalistas, cordame, lóbulos e bolas. É obra seguramente da 2.ª vintena do séc. XVI e dos alvores do remado de D. João III, embora conserve muitos motivos ornamentais do último período do estilo manuelino. Adulterada após a secularização do mosteiro serviu de Sala de Audiências Gerais do Tribunal da Comarca até 1838 e, entre 1856 e 1897, passou por reformas e adaptações que lhe modificaram os alçados e a estrutura originais. Da fase final, patrocinada pelo Dr. Francisco Barahona Fragoso, é o arranjo da actual capela do Senhor dos Passos, encaixada na nave central. 

A imagem, do tipo comum seiscentista, deslocada da Casa dos Ossos, foi metida no camarim do modelo da capela-mor da Catedral, obra de delicada confecção artística do estilo neoclássico, de talha dourada e policromada, feita nos anos de 1720-21, em Lisboa, sob risco e direcção do arquitecto-mor da coroa João Frederico Ludwig mas executado pelo mestre entalhador João Vicente. Importou em 2.256$00 rs. Reconstituído no paço arquiepiscopal, enquanto durou a construção do presbitério foi, após a sua sagração, doado pelo arcebispo D. Fr. Miguel de Távora ao Convento da Graça, donde transitou para a Capela dos Ossos e ulteriormente para o actual sítio, a instâncias do prior Teles Jordão. Infelizmente, para efeito de encaixe, não lhe foram respeitados os volumes originais e o corpo inferior, mutilado, tornou o modelo desproporcionado e incaracterístico. O altar está fechado por teia de balaústres cilíndricos, lisos e torsos, de mármore branco e ébano penteado de ouro. A porta é um delicado trabalho da mesma madeira exótica, de cancelos torneados e empena de talha esculpida com capulhos dourados. Rematando as pilastras do gradeamento e deslocadas também do modelo anteriormente mencionado, vêem-se as figuras personificadas da Fé e Esperança e dois anjos do coroamento do mesmo arranjo arquitectónico. Dois quadros pintados a óleo ladeiam o altar. 

O da banda esquerda, com suporte de madeira, representando a Anunciação, tem certo interesse artístico e parece obra do ciclo maneirista de Diogo Teixeira, atribuível aos primeiros anos do séc. XVII. Mede: Alt. 1,62 x larg. 0,85 m. S. Pedro - tela seiscentista dum imitador de Ribera, que lhe fica paralelo, e de dimensões iguais, não tem merecimento especial. O par de credencias subsistente, executado em obra de talha dourada e marmoreada, com tampo boleado, pernas recurvas e pés de garra, do estilo português da época de D. José, oferece características de c.ª 1770. Finalmente, na sala, conservam-se mais dois quadros de assuntos religiosos, que foram oferecidos à paróquia pelo benfeitor Dr. Barahona. São pinturas a óleo sobre tela, da escola romana setencentista, do período académico, que representam S. Sebastião e Cristo Morto rodeado de Anjos. Medem, ambos, de alt. 0,90 x larg. 1,90 m. No exalço da obstruída porta de ligação ao claustro, existe moderno altar dedicado a N.ª S.ª das Dores, com imagem do Senhor Morto, de madeira, setecentista, que esteve na capela dos Terceiros. Os restantes dois tramos da Sala Capitular, que antecedem a Capela dos Ossos, conservam restos mais importantes de arquitectura conventual. Na abóbada são visíveis composições murais de painéis e ornatos; o banco da comunidade, em placas de mármore branco, está inteiro. Espaldar e lambris são forrados de curiosos silhares de azulejos do tipo de tapete, policromos, do 1.ºo terço do séc. XVII, adornados de motivos barrocos, com florões enconchados e tabelas poligonais separados por moldura de anjos brutescos sentados em escabelos e segurando sanefas. A imagem de S. Benedito de Palerma, de lenho dourado, no lugar subsistente e que teve culto no antigo altar cruzeiro de N.ª S.ª do Amparo, foi feita no 1.° quartel do séc. XVII. Sobre o singelo banco corrido existe numerosa colecção de antifonários dos sécs. XVI-XVIII, manuscritos e impressos sobre pergaminho e papel, encadernados com capas de cabedal, de ferros trabalhados, da Renascença e do Barroco, reforçados por brochas e cantos de latão ornamentado. 

Os mais antigos exemplares, de pergaminho, estão enriquecidos com vinhetas e cabídulas iluminadas. CAPELA DOS OSSOS, dedicada ao SENHOR JESUS CRISTO DOS PASSOS Ignora-se a data fundamental desta macabra concepção fradesca, muito comum aos padres franciscanos, mas a estrutura arquitectural da dependência, parece que adaptação de um primitivo Dormitório quinhentista, conserva elementos populares do estilo manuelino, em franca degenerescência nos meados do séc. XVI. Constituída, com muita verosimilhança, no período filipino, para recolha piedosa das inúmeras ossadas provenientes da igreja e do claustro, pois o convento, no dizer do cronista Fr. Jerónimo de Belém fora, desde os fundamentos cemitério comum da cidade, abre-se no prolongamento da Casa do Capítulo através de portado ancho, composto por duas colunas de mármore branco, da Renascença, com capitéis envieirados, de alto-relevo, mas com aparência de terem sido colocadas neste lugar posteriormente, porque são visíveis, no tardoz, as marcas de adaptação. É de entablamento guarnecido de frontão de volutas de enrolamento e acrotérios com peanhas emolduradas sotopostas a urnas piriformes, de ornatos. 

No eixo existe pintada uma Alma do Purgatório e no dintel em bem desenhada letra clássica, o dístico: NOS OSSOS QUE AQVI ESTAMOS PELOS VOSSOS ESPERAMOS Trata-se de uma vasta casa de três naves e quatro tramos, com abóbada de berço apoiada em arcos quebrados e abatidos. Os pilares, de argamassa, revestidos de ossos, com predomínio de crânios, são de bases quadradas ornamentados com rodapé de azulejos policromos, seiscentistas, do tipo dos existentes na Sacristia. Os capitéis, nodosos e rudes, de granito, com corda e nós, têm ábacos de secção poligonal. Os alçados laterais, do chão à cornija, substituídos em tramos reforçados por panos de alvenaria, estão carregados completamente por catadupas de ossadas humanas, na profundidade das tíbias, motivo que imprime ao lugar a mais estranha e macabra expressão. No eixo da nave e ao fundo da sala existe modesto altar de talha dourada, do tipo clássico, em colunelos coríntios de veios torsos e o terço revestido de folhagem sobre fundo azul. 

O nicho e a restante composição aplicada, além das pilastras com seus ornatos, são do estilo barroco-rocócó. Está dedicado ao Senhor Crucificado e pertenceu ao Convento do Paraíso: foi armado no lugar em 1912 pelo pároco António Jacinto da Cunha. O tecto está recoberto de pinturas a fresco, de execução secundária, em apainelados geométricos de intenção funérea, datados de 1810. Símbolos da Paixão de Cristo, da Eucaristia ou outros profanos na representação de barcaças, paisagens e arquitecturas, coroas reais e as armas do Santo Ofício (corporação intimamente ligada à vida franciscana), são envolvidos por ornatos naturalistas, terminados com legendas latinas. Na nave lateral direita conserva-se a arca dos despojos fúnebres dos presumíveis fundadores do convento, que foi mandada fazer pelo síndico geral da Ordem Terceira, Manuel Rodrigues do Vale, no ano de 1629, e esteve longos anos exposta em edícula parietal no Capítulo, envolvida por pintura a fresco na representação dos genearcas da casa religiosa recebendo das mãos de S. Francisco de Assis a Santa Regra. 

Em 1708 veio para o actual lugar. É de mármore branco, toscamente lavrado, com inscrição latina e duas cabeças de brutescos amparando um laço. Repousa em bem lavradas peanhas de ornatos esculpidos e fitas serpenteantes. Lê-se nele: CHRISTIFERI QVONDAM VENIVNT TRIA PIGNO RA PATRIS GALLECI PÁTRIA, SVRGIT ET ISTA DOMVS. IGNEVS HIG FERVORE FRANCISCVM PLE VERAT ILLOS, TANTI IGNIS CINERES CLAVDIT VTERQ LÁPIS 1629 ET VENERE 1224. No pavimento, tejolado e dividido por placas de mármore, onde subsistem fragmentos de inscrições lapidares, teve jazida o bispo coadjutor da metrópole, D. Jacinto Carlos da Silveira, morto às mãos dos soldados franceses de Loison, durante o assalto e saque de Julho de 1808. Na campa, que é de mármore regional, colocada junto do altar, gravou-se a legenda: AQUI JAZ O EX.MO E R.MO SNR. D. JACINTO CARLOS DA SILVEIR RA BISPO TITULAR DO MARANHÃO PROVIZOR DESTE ARCEBISPADO D ÉVORA DO CONSE LHO DE S. M. FOI MORTO PELOS INIMIGOS DA PA TRIA NO DIA 29 DE JULHO DE 1808. CLAUSTRO Exemplar do estilo gótico primário, foi fundado em 1376 a expensas de D. Fernando Afonso de Morais, comendador da Ordem de S. Tiago, e teve como arquitecto João de Alcobaça e vedor das obras o guardião Afonso de Montemor. Concebido em linhas excepcionais, de arcadas geminadas, era considerada uma das maiores quadras do país, pois tinha passante de 130 colunelos reforçados por 19 gigantes de cantaria e varanda corrida cortinada de ameias no género das do claustro da Catedral. 

Construído contra os alçados meridional e oriental da igreja, com a qual estava ligada por três portas ogivais (duas obstruídas mas bem demarcadas na espessura das paredes) e ainda com outra para o Capitulo, chegou aos meados do séc. XIX em franca ruína e com alguns lanços desmoronados, por ter sido acrescido, no período quinhentista, com uma galeria coberta de acesso às tribunas reais da nave e do cruzeiro. Este estado de ruína agravou-se ulteriormente com o apeamento de alguns lanços de arcaria, que se expuseram no Museu Regional, mas em boa hora, há cerca de 20 anos voltaram para o local, a instâncias da Direcção-Geral dos Monumentos Nacionais, que nessa época deu início à reintegração e restauro do monumento. O lanço mais curioso e completo, a oriente, compõe-se de três tramos de três arcadas cada, ornamentados por coluneis duplos, mainelados, de mármore branco, apoiados em paramentos de granito e de arcos toreados, de lanceia gótica: capitéis de crochets, parras e outros elementos naturalistas de acentuada rudeza, inspirados em determinadas partes da decoração utilizada na Sé de Évora. A abóbada, de berço, em tijoleira de cutelo não é primitiva mas conserva a cachorrada de pedra que aguentava o travejamento da cobertura da obra fundamental. No ângulo do Ocidente escapou, também, um trecho original da veneranda relíquia de arquitectura trecentista, composto de arcadas reforçadas por botaréus de granito aparelhado, de andares, sendo a construção guarnecida de siglas e conservando as cruzes medievais discoides, de S. Tiago, que constituíam uma Via Sacra. 

O portado de comunicação à Sala Capitular, obra manuelina do 1.° quartel do séc. XVI, foi tapado em tempos modernos para no seu vão se montar o santuário de N.ª S.ª das Dores. Trata-se de interessante exemplar granítico, de arco abatido composto por meias colunas adoçadas aos ábacos e de capitéis de folhagem estilizada. IRMANDADE DE PENITÊNCIA DA ORDEM TERCEIRA As dependências desta Confraria ampliadas no reinado de D. João V, período do seu máximo esplendor, foram construídas a consentimento da comunidade franciscana no prolongamento do braço cruzeiro da igreja, absorvendo este, como dissemos e tendo comunicação exterior para o lado do Celeiro Comum e da Capela de S. Joãozinho, do mesmo modo anexa ao convento. Amputações determinadas em 1937, pela necessária desobstrução do portado lateral norte da primitiva igreja de S. Francisco, diminuíram os volumes imobiliários da Irmandade, que ficou reduzida à Sala do Consistório, onde se reconstituiu o altar da demolida capela. A entrada faz-se pela citada capela quinhentista dos Castros ou Mendanhas, por sóbrio portal de granito de cornijas salientes sobrepujado com pomposa decoração pintada a fresco, tendo as armas dos terceiros amparadas por serafins e a legenda latina: ARMA MILITAE NOSTRA. 

Trata-se de elegante sala de planta rectangular, coberta por tecto de penetrações, totalmente recoberto de frescos de intenção arquitectural, ilusionista, do estilo neoclássico do tempo de D. José I e assinados de 1776. Alto lambris de azulejos de esmalte azul e branco, guarnecem os alizares, decorados com motivos de santos e emblemas da ordem de penitência, emoldurados por golfinhos, vieiras e flores que oferecem características oficinais inferiores, na execução e desenho, aos painéis da capela cruzeira da mesma Ordem. É obra barroca, todavia anterior, datável do 1.° quartel do setecentismo. Nas paredes, em altos nichos guarnecidos de sobreporias entalhadas, veneram-se os santos padoeiros: Santa Margarida, Santa Rosa de Viterbo, Santa Isabel de Portugal, S. Luís Rei de França, S. Roque e Santo Ivo, todos de armação de roca, com vestias coevas mas sem interesse artístico. Sobre a porta, do lado interior, conserva-se uma tela pintada a óleo, do séc. XVIII, representando S. Francisco de Assis recebendo das mãos do Papa Honório III a Regra dos irmãos terceiros em 1221. Trabalho secundário, está ricamente emoldurado e sobrepujado por baldaquino de borlas pendentes, de talha dourada e do estilo rocócó (último terço do séc. XVIII). 

O altar é uma bela e delicada obra apilastrada, de marcenaria esculpida e dourada, de colunas salomónicas borrominianas, revestidas de aves, volutas e folhagem, que acompanham, em arcos concêntricos, a empena. Puro exemplar da arte joanina, de c. ª 1725, em linhas de acentuado barroquismo, foi engalanado no tímpano, no remado de D. José, por dossel de pingentes e lambrequins de talha coberta de oiro, com imponente florão de grinaldas, já no espírito do estilo rocócó (c.ª 1775). A banca e cadeiral dos mesários, este de espalpar, dispostos no formato ovulado, são de madeira de carvalho com filetes terminados por pilastras e guardas, sendo as pontas da mesa torneadas ao gosto barroco. 

A TORRE Paroquial, erguida no alçado Sul do templo, é moderna e substituiu o primitivo campanário manuelino nas obras de 1860-62. De planta rectangular, com quatro olhais e remate de coruchéu torso envolvido por ameias do tipo chanfrado, imitando o estilo gótico do edifício, conserva quatro sinos antigos de bronze fundido - dois estampilhados do séc. XVIII, um de 1825 e o maior uma notável peça quinhentista. - Com inscrição gótica rebordada, tem esculpidos a imagem da Virgem decorada entre palmitos, as armas reais de Portugal, que ladeiam a esfera armilar e um lagarto, talvez marca de fabricante. As duas regras da legenda, a primeira de letra gótica e a segunda romana, dizem: PATER MENTE SANCTA SPONTANEA HONORE ET LIBERACIONE BARBORA SANTÍSSIMA SERVA DEI OBRA PRO NOBIS. Mede, de diâmetro: 95 cm. Alt. 92 cm. Os restantes são vulgares, datado um de 1710, com a efígie de N.ª S.ª do Espinheiro, metida em rectângulo encordoado; outro, de 1765, na representação das chaves de S. Pedro, e que deve ter pertencido à antiga sede paroquial e o último com esta linha escrita: EM O ANO DE 1825 O BISPO DE BUGIA... Alguns dos sinos vieram da arruinada igreja da Graça. ADENDA No ano de 1645 liam-se, ainda, no panteão monástico da Igreja de S. Francisco, algumas sepulturas que o tempo não preservou. Das seguintes salvou-se a memória (Cruzeiro): Rodrigo Afonso de Beja, gótica, com escudo de armas; Diogo Correia, gótica, com escudo de armas; Manuel Casco de Vasconcelos, gótica, com escudo de armas e D. Leonor de Sande e Landim, mulher de Manuel Caldeira Leitão da Silva, gótica e todas de mármore. Corpo da nave: Lourenço Manuel Rogado da Silva, juiz de fora de Mourão, de seus sucessores e dos julgadores da mesma vila que falecessem na cidade de Évora (com escudo de armas). Capela da Piedade (Baptistério): D. Maria de Meneses f 12-10-1576, viúva de Pedro Gomes, estribeiro-mor de D. Manuel I. (Cód. 103 da Liv. da Manisola - Bibl. Púb. e Arq. Dist. de Évora). (1) As janelas do templo foram decoradas por vidraças coloridas do mestre Francisco Henriques, datadas de 1527: ainda existiam algumas no ano de 1870. (2) Durante muitos anos um fidalgo eborense deste nome, ocupou o cargo de Provedor do cano da água da Prata, por provisão régia de 20 de Junho de 1560, na regência da Rainha D. Catarina. 

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